Centro Histórico de Macau

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Pix.gif Centro Histórico de Macau *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Ruinas de Sao Paulo.jpg
As Ruínas de São Paulo, no Centro Histórico de Macau
País China
Critérios (ii)(iii)(iv)(vi)
Referência 1110
Coordenadas N22 11 28.651 E113 32
Histórico de inscrição
Inscrição 15 de Julho de 2005 [1]   (? sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.

Macau, o primeiro entreposto comercial europeu na China, desde da sua ocupação (1557) pelos portugueses até à presente data, constituiu sempre uma importante porta de acesso para a entrada da civilização ocidental na China, contactando com a civilização chinesa, e vice-versa. Durante 5 séculos, esta pequena Cidade proporcionou uma importante plataforma para a simbiose e o intercâmbio de culturas ocidentais e orientais. Esta intensa simbiose e intercâmbio moldaram uma identidade única e própria para Macau. Também é neste pequeno pedaço de terra é que desenrolou um processo único de miscigenação, o que resultou o aparecimento da cultura, do patuá e da comunidade macaense.

O encontro harmonioso entre duas grandes culturas (a ocidental e o oriental) proporcionou a criação de estilos arquitectónicos únicos do Mundo, que apareceram graças às fusões de correntes arquitectónicas europeias, chinesas e de outras partes da Ásia. São estes estilos arquitectónicos que foram utilizados para a construção da grande maioria dos monumentos do Centro Histórico de Macau.

Este património arquitectónico de valor único e universal constitui um testemunho vivo da grande diversidade cultural da Cidade, do intercâmbio e coexistência das culturas ocidentais e orientais, da manutenção de tradições de diferentes culturas, e da contribuição feita por Macau na disseminação do Catolicismo no Extremo Oriente e na disseminação das tradições populares chinesas no Ocidente.

O Centro Histórico de Macau é o fruto do intercâmbio, do respeito e da tolerância cultural entre o Ocidente e o Oriente. O seu valor não está residido só nas suas infra-estruturas arquitectónicas e urbanas, mas também no facto de que estas conseguiram manter o seu espírito original e as suas funções originais até aos dias de hoje. Este património arquitectónico, predominantemente de raiz europeia, ergue-se por entre construções de estilo arquitectónico tradicional chinês e por entre construções modernas, causando um grande contraste na textura urbana da Cidade e mostrando também a diversidade e tolerância cultural existente nesta pequena Cidade.

O Centro Histórico de Macau é constituído pelo seguinte conjunto arquitectónico: Templo de A-Má, o Quartel dos Mouros, a Casa do Mandarim, a Igreja de São Lourenço, a Igreja e Seminário de São José, o Teatro D. Pedro V, a Biblioteca Sir Robert Ho Tung, a Igreja de Santo Agostinho, o Leal Senado, o Templo de Sam Kai Vui Kun, a Santa Casa da Misericórdia, a Igreja da Sé, a Casa de Lou Kau, a Igreja de São Domingos, as Ruínas de S. Paulo, o Templo de Na Tcha, o Troço das Antigas Muralhas de Defesa, a Fortaleza do Monte, a Igreja de Santo António, a Casa Garden, o Cemitério Protestante (incluindo a Capela), a Fortaleza da Guia (incluindo a Capela e o Farol), o Largo da Barra, o Largo do Lilau, o Largo de Santo Agostinho, o Largo do Senado, o Largo da Sé, o Largo de São Domingos, o Largo da Companhia de Jesus e o Largo de Camões. Este conjunto arquitectónico, de grande valor e único do Mundo, foi reconhecido como fazendo parte da História Mundial, pois ilustram bem um dos primeiros e mais duradouros encontros entre a China e a civilização ocidental [2] .

Uma das primeiras fotografias de Macau. Foi tirada em 1844 por Jules Itier


Este conjunto arquitectónico, que engloba o mais antigo legado arquitectónico europeu existente na China, localiza-se maioritariamente no Sul e Sudoeste de Macau visto que, até ao século XIX, os portugueses (construtores da maioria dos monumentos do Centro Histórico de Macau) eram proibidos de viver no Norte de Macau (eram campos de cultivo possuídos pelos chineses). Até ao séc. XIX, a "Cidade do Santo Nome de Deus de Macau" era pequena e delimitada por muralhas, ocupando somente o Sul da península de Macau. Só a partir do séc. XIX, com o declínio da autoridade e influência chinesa sobre Macau, os portugueses é que puderam expandir a Cidade para o Norte da península (e posteriormente ocupando também a Taipa e Coloane). Mas, no séc. XIX, a importância do porto de Macau foi reduzida na Primeira Guerra de Ópio quando Hong Kong se tornou no porto ocidental mais importante na China. Macau começou a entrar em decadência por isso cada vez menos pessoas conseguiam sustentar o elevado custo de construção e manutenção de edifícios grandes, luxuosos e requintados. Um exemplo perfeito reside-se na Igreja da Madre de Deus e do Colégio de S. Paulo: estes 2 grandes edifícios requintados, após um incêndio no ano de 1835, nunca mais foi reconstruído, devido ao elevado custo de reconstrução. O conjunto dos "restos" e vestígios destes 2 edifícios formam, actualmente, as Ruínas de S. Paulo.

No dia 15 de julho de 2005, o Centro Histórico de Macau foi, finalmente, inscrito na Lista do Património Mundial da Humanidade da UNESCO e designado como o 31º sítio do Património Mundial da China. Após a inclusão, houve grandes comemorações em Macau. Macau pretendia com esta inclusão do seu centro histórico criar uma imagem melhor e mais equilibrada de uma cidade histórica, que se preocupa na conservação do seu Património e dos seus vestígios do passado, e simultaneamente olhada para o futuro, para o desenvolvimento, globalização e modernidade. Não queria ter uma imagem de somente uma cidade repleta de casinos e de hotéis. Esta inclusão irá também ajudar a fomentar e a desenvolver o turismo em Macau, um dos pilares da economia desta Cidade.

Este reconhecimento internacional irá ajudar a fomentar a apreciação dos valores patrimoniais e a conservação do património histórico-arquitectónico, influenciando positivamente os projectos urbanos futuros, que irão ser levados a cabo tendo em conta a preservação do património. A conservação do Centro Histórico de Macau é crucial para a população local porque ele, num contexto mais amplo, representa uma parte importante da História da China e da História Mundial, por isso, devido ao seu excepcional valor universal e ao seu significado histórico-cultural, ele deve ser preservada e protegida a todo o custo. Várias campanhas de divulgação e educação aprofundaram o conhecimento e o entendimento da população sobre o valor deste Património Mundial [3] [4] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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