Centro de Arte Contemporânea Inhotim

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Banco esculpido por Hugo França a partir de árvores caídas, uma das marcas do Inhotim [1]

O Instituto Inhotim é a sede de um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do Brasil e considerado o maior centro de arte ao ar livre da América Latina[2] . Está localizado em Brumadinho (Minas Gerais), uma cidade com 30 mil habitantes, a apenas 60 km de Belo Horizonte.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Segundo os moradores de Brumadinho, o local foi uma fazenda pertencente a uma empresa mineradora que, no século XIX, atuava na região e cujo responsável era um inglês, de nome Timothy - o "Senhor Tim", que, na linguagem local, acabou virando "Nhô Tim" ou "Inhô Tim".[3] [4]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Tamboril (Enterolobium timbouva), no Inhotim

Surgiu em 2004 para abrigar a coleção de Bernardo Paz, empresário da área de mineração e siderurgia, que foi casado com a artista plástica carioca Adriana Varejão, e há 20 anos começou a se desfazer de sua valiosa coleção de arte modernista, que incluía trabalhos de Portinari, Guignard e Di Cavalcanti, para formar o acervo de arte contemporânea que agora está no Inhotim.

Em 2006, o local foi aberto ao público em dias regulares sem necessidade de agendamento prévio. O acervo abrigava obras da década de 1970 até a atualidade, em dezoito galerias (em 2011).[5] [6] São 450 obras de artistas brasileiros e estrangeiros, com destaque para trabalhos de Cildo Meireles, Tunga, Vik Muniz, Hélio Oiticica, Ernesto Neto, Matthew Barney, Doug Aitken, Chris Burden, Yayoi Kusama, Paul McCarthy, Zhang Huan,[2] Valeska Soares, Marcellvs e Rivane Neuenschwander.[5]

As exposições são sempre renovadas e galerias são anualmente inauguradas.[5] Em 2010, o Instituto recebeu 42 000 alunos e 3 500 professores.[5] No mesmo ano, o número de visitações atingiu a marca de 169.289.[6]

Características[editar | editar código-fonte]

O Instituto Inhotim localiza-se dentro do domínio da Mata Atlântica, com enclaves de cerrado nos topos das serras. Situado a uma altitude que varia entre 700 m e 1.300 m acima do nível do mar, sua área total é de 786,06 hectares, tendo como área de preservação 440,16 ha, que compreendem os fragmentos de mata e incluem uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), com 145,37 ha.

A área de visitação do Inhotim tem 96,87 ha e compreende jardins, galerias, edificações e fragmentos de mata, além de cinco lagos ornamentais, com aproximadamente 3,5 hectares de espelho d'água.[7] O jardim botânico tem 4.300 espécies em cultivo - marca atingida em 2011 [6] - e está cercado por mata nativa[2] , com trinta por cento de todo o acervo em exposição para o público (cerca de 102 hectares em 2011).[6] Em reconhecimento à necessidade de preservar os 145 hectares de reserva, o instituto recebeu do Ministério do Meio Ambiente, em fevereiro de 2011, a classificação oficial de jardim botânico, na categoria C.[8] Nesse jardim, estão cerca de 1.500 espécies catalogadas de palmeira, a maior coleção do tipo do mundo.[5]

Flor-cadáver no Inhotim em 27 de dezembro de 2012.

Em fevereiro de 2010, os pavilhões em cubo branco foram substituídas por instalações transparentes. A intenção é promover o diálogo com o entorno de montanhas e mata. Em artigo de Fabiano Cypriano para o jornal Folha de São Paulo, cita-se que as mudanças criam mais raízes locais e o Inhotim "se torna um novo paradigma para a exibição da produção contemporânea". [9]

Aberto de terça a domingo e aos feriados, o Inhotim oferece visitas temáticas, com monitores, além de visitas educativas para grupos escolares, que devem agendar previamente. As terças a entrada é de graça.

Jardim botânico[editar | editar código-fonte]

O parque abriga diversas plantas raras, tanto nativas quanto exóticas.

O Instituto é o único lugar da América Latina que possui um exemplar da flor-cadáver, uma espécie nativa da Ásia conhecida como sendo a maior flor do mundo. O espécime floresceu pela primeira vez em 15 de dezembro de 2010, e novamente em 27 de dezembro de 2012.[10] [11] A flor fica no Viveiro Educador, na Estufa Equatorial, ficou exposta ao público, e pôde ser visitada por interessados e curiosos.[12]

Museu de arte moderna[editar | editar código-fonte]

Além das 170 obras de arte em exposição, o museu conta com 98 bancos do designer Hugo França. O primeiro banco foi colocado no jardim em 1990, sob a sombra da árvore tamboril, um dos símbolos do parque. Os bancos são feitos de troncos e raízes de pequi-vinagreiro, árvore comum na mata atlântica, que são encontrados caídos ou mortos na floresta.[13]

Crítica[editar | editar código-fonte]

O jornal The New York Times, em referência ao Inhotim, citou certa vez que "poucas instituições se dão ao luxo de devotar milhares de acres de jardins e montes e campos a nada além da arte, e instalar a arte ali para sempre".[2]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. New York Times - In a Garden in Brazil, a Biennial Show at Instituto Inhotim
  2. a b c d MEDEIROS, Jotabê (25 de março de 2010). Inhotim é um trabalho para a posteridade. Caderno Negócios. Jornal O Estado de S.Paulo
  3. Novos pavilhões e mostras serão inaugurados na próxima quinta no museu de arte contemporânea em Minas Gerais, por Mariana Moreira. Correio Braziliense, 21 de setembro de 2010.
  4. No paraíso da arte - Com suas galerias espalhadas entre jardins, o museu mineiro Inhotim ganha status internacional e vira ponto turístico, por Ivan Claudio. Istoé, 11 de julho de 2007.
  5. a b c d e Jornal Estado de Minas. (6 de fevereiro de 2011). Poder transformador. Caderno EM Cultura.
  6. a b c d SEBASTIÃO, Walter (21 de agosto de 2011). Obra em construção. Jornal Estado de Minas, Caderno EM Cultura.
  7. Inhotim. Recursos ambientais
  8. Inhotim ganha status de jardim botânico nacional, por Junia Oliveira. Matéria originalmente publicada no jornal Estado de Minas, 8 de abril de 2010.
  9. Novas instalações fazem de Inhotim paradigma para arte contemporânea - Folha de S. Paulo, 25 de fevereiro de 2010 (visitado em 25-2-2010).
  10. http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2010/12/flor-cadaver-floresce-pela-1-vez-na-america-latina-em-minas-gerais.html 'Flor-cadáver' floresce pela 1ª vez na América Latina em MG, diz botânico
  11. http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/12/flor-cadaver-atinge-auge-da-floracao-em-inhotim.html G1: Flor-cadáver atinge auge da floração em Inhotim
  12. http://www.tribunadabahia.com.br/2012/12/26/flor-cadaver-desabrocha-em-inhotim Flor-cadáver desabrocha em Inhotim
  13. Natureza que renasce. Página visitada em 3 de fevereiro de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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