Centro de Instrução de Guerra na Selva

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Centro de Instrução de Guerra na Selva
CIGS-onça.jpg
Ministro do STF, Antonio Dias Toffoli (na época, membro da AGU), e o general Marco Aurélio Costa Vieira, comandante da 12ª Região Militar, durante visita ao CIGS - Centro de Instrução de Guerra na Selva Foto: Valter Campanato/ABr
Estado  Amazonas
Subordinação Comando Militar da Amazônia
Sigla C I G S
Criação 1964
Comando
Comandante Cel Inf Alfredo José Ferreira Dias
Sede
Endereço Estrada da Ponta Negra, 750

O Centro de Instrução de Guerra na Selva (C I G S), também conhecido como Centro Coronel Jorge Teixeira, é uma organização militar sediada em Manaus, destinada a qualificar militares líderes de pequenas frações, como guerreiros da selva, combatentes aptos a cumprir missões, de natureza militar, nas áreas mais inóspitas da Floresta Amazônica brasileira. Seu nome é uma homenagem ao precursor do Centro, que se tornaria seu primeiro comandante, mais conhecido como "Teixeirão".

São ministrados Cursos de Operações na Selva, em sete categorias diferentes, além de estágios destinados a militares e também para instituições civis. Seu símbolo é a onça-pintada.

Para o melhor desenvolvimento dos trabalhos, o CIGS está estruturado em uma Divisão de Ensino, uma Divisão de Doutrina Pesquisa e Avaliação, Divisão de Alunos, uma Divisão de Veterinária, uma Divisão Administrativa e uma Base Administrativa.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Combatentes de Selva do 2º Pelotão Especial de Fronteira - Ipiranga

Com o Decreto Presidencial 53.649, de 02 de março de 1964, foi criado o Centro de Instrução de Guerra na Selva, subordinado ao Grupamento de Elementos de Fronteira.

Naquela época, o Exército ressentia-se da falta de uma unidade capaz de especializar militares no combate na selva e de constituir pólo irradiador de doutrina de emprego de tropa nesse complexo ambiente operacional amazônico. Tais fatores, sem dúvida, inspiraram a criação do CIGS, que veio preencher uma lacuna existente no Exército que ainda ocupava de maneira muito modesta essa parte do território nacional de inestimável valor estratégico.

A primeira equipe de instrução era comandada pelo Major Jorge Teixeira, também conhecido como "Teixerão".

Em 10 de outubro de 1966 foi iniciado o primeiro Curso de Guerra na Selva e a primeira turma se graduou no dia 19 de novembro de 1966, em solenidade realizada no atual estádio do Colégio Militar de Manaus.

A necessidade sentida pela Força de alterar o perfil dos militares aqui especializados levou a estudos que culminaram por ampliar e alterar a vocação do CIGS, que passou, no período de 1970 a 1978, a designar-se Centro de Operações na Selva e Ações de Comandos - COSAC.

Em 11 de janeiro de 1978, houve uma nova alteração na estrutura de ensino e a Unidade retornou a sua antiga denominação - CIGS -, ficando a condução do Curso de Ação de Comandos exclusivamente sob a responsabilidade da Brigada Pára-quedista, no Rio de Janeiro.

Em 17 de dezembro de 1999, recebeu a denominação histórica "Centro Coronel Jorge Teixeira", em homenagem ao seu primeiro comandante.

Missões[editar | editar código-fonte]

A Missão em seu Regulamento (R-16), é especializar oficiais, subtenentes e sargentos para o combate na selva. Missão feita através do COS, ou seja o Curso de Operações na Selva:

COS Categoria “A” - Duração aproximada de seis semanas; voltado para oficiais superiores do Comando Militar da Amazônia (CMA) e oficiais superiores designados para a função de comando de Organização Militar na área do CMA. COS Categoria “B” - Duração de dez semanas; voltado para capitães e tenentes das Armas/Quadros/Serviços do Comando Militar da Amazônia, da Marinha, da Força Aérea e Nações Amigas. COS Categoria “C” - Duração de dez semanas; para segundos e terceiros sargentos das Armas/Quadros/Serviços, exceto o Serviço de Saúde, do Comando Militar da Amazônia, da Marinha, da Força Aérea e Nações Amigas. COS Categoria “D” - Duração aproximada de seis semanas; voltado para subtenentes e primeiro sargentos das Armas/Quadros/Serviços, exceto o Serviço de Saúde, do Comando Militar da Amazônia, da Marinha, da Força Aérea e Nações Amigas. COS Categoria “E” - Duração aproximada de seis semanas; voltado para oficiais do Serviço de Saúde do Comando Militar da Amazônia, da Marinha e da Força Aérea. COS Categoria “F” - Duração aproximada de seis semanas; voltado para subtenentes e sargentos do Serviço de Saúde do Comando Militar da Amazônia, da Marinha e da Força Aérea. COS Categoria “G” - Duração de dez semanas; voltado para cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras das Armas/Quadros/Serviços.

Os estágios oferecidos pelo CIGS destinam-se a: - Militares do Exército, demais Forças Armadas e instituições policiais (vida na selva e operações); - Órgãos civis cujos conhecimentos básicos de vida na selva são imprescindíveis para o desenvolvimento de suas atividades (INPA, Petrobrás, IBAMA, Universidade Federal do Amazonas, etc.). Para ministrar a devida instrução, o CIGS conta com as seguintes Bases de Instrução (BI) BI 1 – Marechal Rondon BI 2 – Plácido de Castro BI 3 – Lobo D’Almada BI 4 – Pedro Teixeira BI 5 – Ajuricaba BI 6 – Felipe Camarão BI 7 – Jatuarana

Realizar pesquisa e experimentação doutrinária sobre material de emprego militar e outras áreas de interesse. Missão feita pela Divisão de Doutrina, Pesquisa e Avaliação (DDPA) do CIGS. Isso já resultou em diversas modificações no exército brasileiro, como a atual camuflagem padrão, que foi desenvolvida pelo CIGS, visando o ambiente de selva.

Uma das maiores responsabilidades da DDPA do CIGS é a avaliação e aperfeiçoamento de armas, visando seu emprego na Guerra de Selva. O ditado sempre lembrado pelos homens do CIGS é o que diz que “A selva não pertence ao mais forte, mas ao sóbrio, habilidoso e resistente”. Assim, o CIGS tem sido nos últimos anos um dos mais importantes atores no desenvolvimento da chamada “Estratégia de Resistência” do Exército Brasileiro, para a eventualidade de um confronto militar entre nossas forças e as de um país ou coligação de países com poderio militar bem superior.

Diversas armas, táticas e equipamentos vêm sendo exaustivamente testados, modificados ou aperfeiçoados pelo EB nos últimos anos, com vistas ao seu emprego na guerra em selva. Muitos são aprovados e muitos são recusados. A constatação de que equipamentos receptores GPS não funcionam corretamente sob a densa cobertura vegetal da floresta, por exemplo, fez com que o Exército restringisse seu uso somente à instrução e a casos nos quais a determinação de coordenadas precisas é imprescindível, como numa evacuação aeromédica. Nesta situação, entretanto, o militar com o receptor seria obrigado a se deslocar até uma clareira ou até a margem de um rio para usar o equipamento. No dia a dia das operações de selva do Exército, o que se usa são as tradicionais cartas e bússolas. Forças excessivamente dependentes de recursos tecnológicos como o GPS poderiam ficar em sérios apuros na Amazônia. No que se refere ao armamento individual do guerreiro de selva, o EB tem, ao mesmo tempo, o problema e a solução. Fuzis de assalto de diversos tipos foram e são avaliados, incluindo armas de alta qualidade, como o fuzil alemão Heckler & Koch HK33 e o norte-americano M16A2, ambos no calibre 5,56mm, e o tradicional FAL do Exército Brasileiro, no calibre 7,62mm. O fuzil padrão das tropas de selva brasileiras é o Pára-FAL, a versão com coronha rebatível, usada também pelas tropas pára-quedistas brasileiras e outras unidades. O Pára-FAL tem se mostrado a arma ideal para emprego na selva por suas características de peso, rusticidade e simplicidade de manuseio. Por outro lado, sua substituição no futuro será, certamente, um sério problema para o Exército. O calibre 5,56mm, usado na maior parte dos modernos fuzis de assalto, é considerado inadequado para o combate de selva, devido ao pequeno peso do projétil e à sua tendência de assumir uma trajetória instável ao colidir com pequenos obstáculos, como folhas e galhos de árvores. Isso acaba retirando do projétil muita energia e, consequentemente, poder de parada (stopping power).

Projeto Búfalo[editar | editar código-fonte]

Uma das primeiras preocupações do CIGS era resolver a questão do transporte de armas, munição, água, rações e outros equipamentos por frações de tropa empenhadas na guerra de selva. Assim, na busca de um meio de transporte eficiente e de baixo custo para o ressuprimento nas operações na selva, tentou-se a utilização de animais de carga ou que pudessem ser adestrados para esse fim.

Uma das primeiras tentativas desenvolvidas pelo CIGS foi durante o Comando do Cel Gélio Fregapani, com a utilização de uma anta, criada desde cedo no zoológico do Centro com este fim. A experiência infelizmente não obteve sucesso, já que o animal, selvagem, jamais aceitou que fosse transportada qualquer carga nas costas.

Outra tentativa, também frustrada, mas que começou a demonstrar a validade do conceito da utilização de animais, foi executada a partir de 1983 com a utilização de muares. Estes, apesar de historicamente já haverem sido bastante utilizados, não só pela população civil como em operações militares, infelizmente não se adaptaram à Amazônia, sendo que o principal problema verificado foi de natureza veterinária. O animal teve sérios problemas com apodrecimento de cascos e doenças de natureza epidérmica.

Com a continuidade dos estudos chegou-se finalmente ao búfalo, animal já criado com sucesso na Amazônia em pelo menos quatro espécies, rústico e com diversas características que foram ao encontro das necessidades militares para o emprego de animais.

O chamado Projeto Búfalo nasceu em 2000, e tem demonstrado ser uma das soluções para as necessidades das tropas de selva brasileiras, devido à resistência do animal, sua adaptação ao ambiente e, principalmente, à sua capacidade de transportar cerca de 400kg, ou até três vezes esse número quando tracionando carroças.

Simbolos[editar | editar código-fonte]

Distintivo do CIGS[editar | editar código-fonte]

Desde sua criação o CIGS teve 3 distintivos diferentes: O primeiro, tinha a forma de um escudo peninsular português, chefe de vermelho, onde constava as iniciais “CIGS”. Abaixo do chefe, uma bordadura de amarelo com a inscrição “Operações na Selva”, tendo em brocante e em abismo, uma cabeça de onça-pintada, caracterizando a imensa Selva Amazônica e sentimento de brasilidade em sempre guardá-la e defendê-la.

A partir de 29 de junho de 1970, quando recebeu a denominação de Centro de Operações na Selva e Ações de Comandos, teve alterada as iniciais que constavam no chefe, mudando de “CIGS” para “COSAC, e logo acima da cabeça da onça ganhou a inscrição “Comandos”.

Finalmente, a partir de 10 de janeiro de 1980, volta a ter denominação de Centro de Instrução de Guerra na Selva, alterando o chefe, que adotou as cores azul e vermelho, identificando as cores de Organização Militar do Exército Brasileiro, com a as iniciais “CIGS”; na bordadura de amarelo,abaixo do chefe, no lugar da inscrição “Operações na Selva”, verifica-se uma coroa de folhas de castanheiras, de verde, abraçando um escudete, também de verde, carregado com uma estrela gironada, símbolo de escola, logo acima da cabeça de onça pintada, sendo este o distintivo utilizado atualmente.

Estandarte do CIGS[editar | editar código-fonte]

O Estandarte Histórico do CIGS possui a seguinte descrição heráldica: “Forma retangular tipo bandeira universal, franjado de ouro campo de azul-celeste. Em abismo, um escudo peninsular português, filetado de prata, chefe de vermelho, carregado com uma estrela gironada, de prata, símbolo de escola. Abaixo do chefe, uma bordadura de amarelo, carregada com uma coroa de folhas de castanheiras, de verde, abraçando um escudete, também de verde e filetado de prata, tendo em brocante e em abismo, uma cabeça de onça-pintada, de ouro, voltada para destra, com pontas pretas e língua vermelha, caracterizando a imensa selva amazônica e o indômito sentimento de brasilidade em sempre guardá-la e defendê-la. Envolvendo o conjunto, a denominação histórica “Centro Coronel Jorge Teixeira”,em arco e de ouro, Laço militar nas cores nacionais, tendo inscrito, em caracteres de ouro, a designação militar da OM”.

A denominação histórica de Centro Cel Jorge Teixeira foi estabelecida pele Portaria Nr 693, de 17 de dezembro de 1999, do Cmt Exército.

Ao longo de sua história, o Estandarte do CIGS recebeu quatro condecorações:

  • Ordem do Mérito do Amazonas;
  • Ordem do Rio Branco, 24 de maio s de 1991;
  • Ordem do Mérito Militar; e
  • Ordem do Mérito Judiciário Militar, de 29 de novembro de 1999.

Brevê do Guerreiro de Selva[editar | editar código-fonte]

O brevê do guerreiro de selva é composto de um escudo português carregado com uma cabeça de onça, encimado por uma estrela singela, sendo o conjunto complementado com ramos de louro distendidos horizontalmente. É confeccionado em PVC pelo processo de moldagem a quente, na cor cinza, sobre um suporte imitando tecido de padronagem camuflada, utilizada no uniforme de combate, e em metal nas cores douradas para oficiais e prateada para os subtenentes e sargentos. O brevê metálico é usado com uma elipse de campo aveludado verde, orlada em linha preta para militares concludentes dos cursos e orladas em linha dourada para aqueles nomeados para a equipe de instrução do CIGS.

Chapéu bandeirante[editar | editar código-fonte]

O chapéu bandeirante é de uso exclusivo dos militares que servem no CIGS, conforme consta no Regulamento de Uniformes do Exército (RUE). Este acessório foi elaborado no ano de 1980, em projeto da Seção de Doutrina e Pesquisa.

Apresenta um formato boleado, reforçado por um inserto de material plástico na parte central, proporcionando maior proteção contra espinhos. As abas, também reforçadas, mesmo molhadas permanecem firmes, sendo que a do lado direito é presa ao corpo do chapéu. Nas laterais há uma pequena janela coberta por uma faixa de tela, com a finalidade de proporcionar arejamento da cabeça e permitir a utilização como visor improvisado durante operações com helicópteros.

Facão do Guerreiro de selva[editar | editar código-fonte]

É um facão, simbolo do guerreiro de selva, tal qual o Kukri é para os Gurkhas. É um facão de lâmina larga, com as inscrições "Guerra na Selva"; "CIGS" na lâmina. O pomo da empunhadura possui o formato de uma cabeça de onça em metal dourado. Atualmente, há também a versão do facão totalmente escura, mais operacional e sem brilho, chamada de Onça Negra.

Zoológico do CIGS[editar | editar código-fonte]

O CIGS também conta com um Zoológico, contendo vários animais próprios da região, alguns ameaçados de extinção, com o intuito de preserva-los.

Leis da Guerra na Selva[editar | editar código-fonte]

1. Tenha iniciativa, pois não receberá ordens para todas as situações. Tenha em vista o objetivo final;

2. Procure a surpresa por todos os modos;

3. Mantenha seu corpo, armamento e equipamento em boas condições;

4. Aprenda a suportar o desconforto e a fadiga sem queixar-se e seja moderado em suas necessidades;

5. Pense e aja como caçador, não como caça;

6. Combata sempre com inteligência e seja o mais ardiloso;

Oração dos Guerreiros de Selva[editar | editar código-fonte]

Senhor!

Tu que ordenaste ao guerreiro de selva:

Sobrepujai todos os vossos oponentes.

Dai-nos hoje na floresta:

A sobriedade para persistir,

A paciência para emboscar,

A perseverança para sobreviver,

A astúcia para dissimular,

A fé para resistir e vencer

E dai-nos tambem, Senhor!

A esperança e a certeza do retorno.

Mas, se defendendo esta Brasileira Amazônia,

tivermos que perecer, Oh Deus!

Que o façamos com dignidade!

E mereçamos a vitoria!

SELVA...

Tudo pela Amazônia[editar | editar código-fonte]

"TUDO PELA AMAZÔNIA, SELVA!" É um brado que, com orgulho, é dito pelos guerreiros de selva. O CIGS hoje tem local de destaque no Exército Brasileiro, sendo reconhecido no Brasil e no mundo como um dos melhores em sua função, resultado de um trabalho árduo no que se refere à defesa da Floresta Amazônica, que cobre grande parte do território nacional.

Fontes[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]