Cerco de Ma'arrat al-Numan
| Cerco de Ma'arrat al-Numan | |||
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| Primeira Cruzada | |||
Atrocidades dos cruzados (Bibl. Nacional de França, século XIII) |
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| Data | Novembro - 12 de Dezembro de 1098 | ||
| Local | Ma'arrat al-Numan | ||
| Resultado | Vitória dos cruzados | ||
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| Predefinição:Campanhainfo Primeira Cruzada | |||
O cerco de Ma'arrat al-Numan ocorreu durante a Primeira Cruzada, no final do ano de 1098, opondo os cruzados à cidade muçulmana de Ma'arrat al-Numan (na actual Síria), sob o domínio dos fatímidas. Uma acção militar de importância menor, ganhou uma importância particular devido aos relatos de excessos de barbárie dos soldados cruzados, que incluiram o massacre da população e canibalismo, permanecendo um episódio marcante na memória muçulmana.
Índice |
Antecedentes [editar]
Depois de concluído o cerco de Antioquia, que resultou num extremar da violência dos cruzados face aos muçulmanos e no massacre dos habitantes da cidade, os ocidentais continuavam com poucos mantimentos. Ineficazes na avaliação e protecção das linhas de provisões, os peregrinos sofriam com a fome generalizada e a falta de equipamento adequado. O recurso para a obtenção destes bens foi a pilhagem dos arredores de Antioquia, que aumentaria com a chegada do Inverno.
Em Julho de 1098, Raymond Pilet, um cavaleiro do exército de Raimundo IV de Toulouse, liderara uma expedição contra Ma'arrat, uma cidade importante na estrada em direcção a Damasco. Este contingente enfrentou a muito mais numerosa guarnição muçulmana na cidade e foi completamente desbaratado, sofrendo muitas baixas. Durante o resto do Verão, os cruzados continuaram uma lenta marcha em direcção a sul, conquistando várias pequenas povoações.
Cerco [editar]
No final do mês de Novembro, milhares de cruzados começaram a cercar Ma'arrat. Com a aproximação do Inverno e a falta de provisões, os cristãos não podiam permitir que este se tornasse num cerco demorado, mas as defesas da cidade, que incluíam um fosso profundo e fortes muralhas, revelaram-se difíceis de ultrapassar.
Inicialmente pouco preocupados, devido à derrota que tinham infligido anteriormente aos invasores, os defensores da cidade, na sua maioria uma milícia urbana e cidadãos sem experiência em batalha, conseguiram repelir os ataques durante cerca de duas semanas.
Entretanto os cruzados construíram uma torre de cerco, o que lhes permitiu ultrapassar a muralhas ao mesmo tempo que um grupo de cavaleiros escalava os muros não defendidos do outro lado da cidade. A 11 de Dezembro os cruzados ocuparam as muralhas e os muçulmanos retiraram para o interior da cidade. Todos se prepararam para aguardar o amanhecer antes de voltar a atacar, mas os peregrinos cristãos mais pobres aproveitaram para iniciar acções de saque.
Massacre [editar]
Na manhã de 12 de Dezembro, a guarnição da cidade negociou com Boemundo de Taranto e obteve a promessa de um salvo-conduto se optasse pela rendição. Mas quando acabaram por se render, os cruzados imediatamente inciaram o massacre da população. O número de vítimas é geralmente aceite em cerca de 20.000,1 mas segundo o cronista curdo sunita Ali Ibn al-Athîr, foi de 100.000. Boemundo tomou o controlo das muralhas e torres, enquanto Raimundo IV de Toulouse controlava o interior da cidade, continuando a longa disputa desde o cerco de Antioquia sobre quem governaria estes territórios conquistados.
Ma'arrat não era uma cidade rica, como os cruzados pensaram, e a grave falta de provisões fez-se sentir durante o mês de Dezembro. Desgostados com a disputa política entre os dois príncipes, a maioria dos peregrinos desejava continuar o mais depressa possível a marcha em direcção a Jerusalém.
Mas enquanto os seus líderes atrasavam a cruzada e negociavam em Antioquia, alguns cruzados, vítimas da fome, recorreram ao canibalismo,2 alimentando-se dos cadáveres dos muçulmanos. Um ano depois, um dos comandantes cruzados escreveria ao papa Urbano II, explicando que as suas acções foram motivadas pela extrema escassez de alimentos: «Uma terrível fome atormentou o exército em Ma'arra, e impôs a cruel necessidade de se alimentar dos corpos dos sarracenos».
| “Em Ma'arra as nossas tropas cozeram pagãos adultos em caldeirões; impalaram crianças em espetos e devoraram-nas grelhadas.” |
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Consequências [editar]
Depois de incendiar as casas e destruir as fortificações de Ma'arrat a 13 de Janeiro de 1099, a cruzada prosseguiu a marcha em direcção a sul. particularmente durante esta expedição, mas também nas cruzadas subsequentes, o peregrinos cometeram numerosas atrocidades contra as populações muçulmanas, judias e cristãs ortodoxas: execuções em massa, o catapultar das cabeças dos inimigos sobre cidades cercadas, exibição e mutilação de cadáveres nus dos muçulmanos e canibalismo, como neste caso.3
Vários autores sugerem que o comportamento dos cruzados não se deveu necessariamente só à fome, mas à sua crença, nascida da intolerância religiosa, de que os muçulmanos estariam num nível de consideração abaixo dos animais. Este ponto de vista ficou expresso na crónica de Alberto de Aquisgrão: «os cristãos se esquivaram de comer não apenas os turcos ou sarracenos mortos, mas até mesmo cães…».4 5
Estes eventos tiveram um forte impacto nos habitantes locais do Médio Oriente. Os cruzados agravaram ainda mais a sua prévia reputação de crueldade e barbarismo. Séculos mais tarde, continuariam a ser descritos como fanáticos e canibais na literatura árabe.
Referências e bibliografia [editar]
- ↑ a b The Crusades Through Arab Eyes, Amin Maalouf, Schocken, 1989, p.54-56 (ISBN 0-8052-0898-4), Les croisades vues par les Arabes, Amin Maalouf, ed. J'ai lu, 1985 (ISBN 978-2-290-11916-7)
- ↑ The Cannibals of Ma'arra (em inglês).
- ↑ Les Croisades, origines et consequences, Claude Lebedel, Ouest-France, 2004, p.62 (ISBN 978-2-7373-2610-3)
- ↑ Historia Ierosolimitana: History of the Journey to Jerusalem, Albert of Aaachen (Alberto de Aquisgrão), tradução para o inglês de Susan B. Edgington, Clarendon Press, 2007, cap.V.29, p.375 (ISBN 978-0-19-920486-1)
- ↑ Historia Hierosolymitanae expeditionis, Alberto de Aquisgrão, cap. XXIX. - De horrenda famis angustia in obsidione Marrae. (em latim).
- The First Crusade: A New History, Thomas Asbridge, Oxford, 2004 (ISBN 0-19-517823-8)