Cesário (cônsul em 397)

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Flávio Cesário (em latim: Flavius Caesarius; fl. 386-403) foi um político do Império Bizantino, que serviu aos imperadores Teodósio I e Arcádio. Foi filho de Touro, cônsul de 361, e o irmão mais velho de Aureliano, com quem sustentou o poder.[1] Teve uma esposa, a quem foi dedicado.[2] Cesário foi identificado por alguns estudiosos como o personagem Tifão da obra Aegyptus sive de providentia de Sinésio, onde a história da luta entre o deus egípcio Osíris e Tifão é usada para retratar a história de luta entre Aureliano (Osíris) e Cesário no período da revolta de Gainas.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Em 386 ele é atestado como magister officiorum. Em 387, enquanto ele ainda mantinha seu título, o imperador Teodósio I enviou-o para Antioquia, quando a população havia se revoltado devido a uma questão fiscal; na cidade, Cesário elaborou um inquérito, juntamento com Elóbico, magister militum per Orientem. Cesário conduziu sua investigação com uma atenção especial para a situação dos cidadãos de Antioquia, implorando por clemência para Teodósio por eles em seu relatório, que o retor antioquiano Libânio agradeceu em seu discurso sobre ele.[3]

Apesar de seus méritos, no entanto, por um longo tempo após sua posse como magister officiorum, Cesário não foi nomeado a nenhum cargo mais alto. Este período (388-395) corresponde ao período que esteve no poder Rufino; tem sido proposto que Cesário, apesar de ser ortodoxo, não foi suficientemente rigoroso contra os hereges. Neste mesmo período, foi Aureliano que fez carreira, sucedendo Rufino como magister officiorum em 392 e depois ocupando o cargo de prefeito urbano de Constantinopla entre 393-394.[1]

Contudo, em novembro de 395, após Rufino ser assassinado, Cesário teve um enorme obstáculo à sua carreira removido, tendo conseguido ascender a prefeito pretoriano do Oriente. Quando foi nomeado prefeito, Rufino editou uma lei que vetava os direitos dos lícios, em especial os poderosos Eutôlmio Tatiano e seu filho Próculo; Cesário anulou esta lei, bem como outra que proibia os arianos anomeanos de fazer suas vontades, embora não deva ser considerado como opositor a Rufino, como mostra o fato de também ter emitido uma lei que garantia que viúvas de homens proscritos não perderiam suas propriedades (a viúva de Rufino provavelmente beneficiou-se por esta lei).[4]

Em abril de 400 Gainas retornou para Constantinopla com seu exército, e pediu ao imperador Arcádio para depor e entregar-lhe Aureliano e Saturnino. Gainas escolheu Cesário como sucessor de Aureliano no posto de prefeito pretoriano do Oriente, mas após um curto período, ele deixou Constantinopla, e foi derrotado pelo magister militum per Orientem Fravita; Cesário manteve seu ofício até 403.[5] Uma inscrição de Trales atesta que Cesário adquiriu o título de patrício que, combinado com a prefeitura do Oriente e seu estatuto de ex-cônsul, colocou Cesário no topo das dignidades.[6]

Cesário comprou um mosteiro dos seguidores de Macedônio: a propriedade havia sido deixada como legado para alguns monge de Eusébia, amiga íntima da esposa de Cesário, que tinha pedido a eles para enterrar as relíquias dos Quarenta Mártires de Sebaste que ela guardava em sua casa. Cesário posteriormente erigiu um santuário para São Tirso e um túmulo para ele mesmo perto do edifício.[7]

Referências

  1. a b Cameron 1993, p. 181
  2. Cameron 1993, p. 177
  3. Cameron 1993, p. 178
  4. Cameron 1993, p. 180
  5. Cameron 1993, p. 8
  6. Cameron 1993, p. 189
  7. Bardill 2004, p. 31

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Cameron, A.; J. Long. Barbarians and Politics at the Court of Arcadius (em inglês). [S.l.: s.n.], 1993. ISBN 0520065506
  • Bardill, Janathan. Brickstamps of Constantinople (em inglês). [S.l.: s.n.], 2004. ISBN 0-19-925522-9