Ceticismo científico

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O astrofísico Carl Sagan, autor da expressão ceticismo científico.

Ceticismo Científico é a prática de questionar se uma afirmação está sustentada em pesquisa empírica e se é reproduzível, como parte da norma metodológica que procura a "extensão do conhecimento certificado".[1] O sociólogo Robert K. Merton afirma que todas as ideias devem ser testadas e estar sujeitas ao escrutínio rigoroso e estruturado da comunidade.[2] O ceticismo organizado é uma das normas básicas de conduta científica. Segundo Merton, essa é uma das normas que garante à boa ciência o respeito da sociedade. (Veja Normas de Merton)

Sobre o termo e abrangência[editar | editar código-fonte]

O termo ceticismo científico foi cunhado por Carl Sagan em suas obras Contato, de 1985 e depois em Bilhões e Bilhões, de 1997.

O ceticismo científico difere do ceticismo filosófico, que questiona nossa capacidade de obter qualquer conhecimento sobre a natureza do mundo e como esta é percebida. Já o ceticismo metodológico é um processo sistemático de manutenção de uma postura cética, ou de dúvida, sobre a veracidade de alguma ideia é um conceito semelhante, mas também distinto do ceticismo científico.

O ceticismo científico engloba também o empiricismo e, por isso, as ciências sociais consideram que tende para um extremo positivista no espectro da disputa do positivismo. Por isso antipositivismo e métodos de pesquisa que não obedecem as regras do método científico são considerados como não científicos ou pseudocientíficos.

Os adeptos do ceticismo científico não são necessariamente adeptos do ceticismo filosófico clássico, diferindo destes filósofos em relação à necessidade da evidência empírica.

São chamadas céticas as pessoas que se baseiam no ceticismo científico. As críticas dos céticos às controvérsias científicas, terapias alternativas ou paranormalidades surgem de postura cética que exige comprovações experimentais das alegações. Nesse sentido é que Carl Sagan sintetizou um dos argumentos básicos do ceticismo científico: "Alegações extraordinárias exigem evidências igualmente extraordinárias".

O termo cético se refere a pessoas com postura crítica nas situações cotidianas, geralmente combinando os princípios do pensamento crítico e do método científico para verificar a validade de ideias apresentadas. Os céticos consideram a evidência empírica fundamental porque este é o melhor modo de determinar a validade de uma ideia qualquer.

Visão geral[editar | editar código-fonte]

Apesar do ceticismo envolver o uso do método científico e do pensamento crítico, isto não necessariamente significa que os céticos usem estas ferramentas constantemente.

Os céticos são frequentemente confundidos com, ou até mesmo apontados como cínicos.[3] Porém, o criticismo cético válido (em oposição a dúvidas arbitrárias ou subjetivas sobre uma ideia) origina-se de um exame objetivo e metodológico que geralmente é consenso entre os céticos. Note também que o cinismo é geralmente tido como um ponto de vista que mantém uma atitude negativa desnecessária acerca dos motivos humanos e da sinceridade.

Apesar de as duas posições não serem mutuamente exclusivas, céticos também podem ser cínicos, cada um deles representa uma afirmação fundamentalmente diferente sobre a natureza do mundo.

Os céticos científicos constantemente recebem também, acusações de terem a "mente fechada"[4] ou de inibirem o progresso científico devido às suas exigências de evidências cientificamente válidas. Os céticos, por sua vez, argumentam que tais críticas são, em sua maioria, provenientes de adeptos de disciplinas pseudocientíficas, tais como homeopatia, reiki, paranormalidade e espiritualismo,[4] [5] [6] [7] cujas visões não são adotadas ou suportadas pela ciência convencional. Segundo Carl Sagan, cético e astrônomo, "você deve manter sua mente aberta, mas não tão aberta que o cérebro caia".

A necessidade de evidências cientificamente adequadas como suporte a teorias é mais evidente na área da saúde, onde utilizar uma técnica sem a avaliação científica dos seus riscos e benefícios pode levar a piora da doença, gastos financeiros desnecessários e abandono de técnicas comprovadamente eficazes. Por esse motivo, no Brasil é vedado aos médicos a utilização de práticas terapêuticas não reconhecidas pela comunidade científica.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Basic concepts: the norms of science. Posted on: January 29, 2008 1:05 PM, by Janet D. Stemwedel, quoting R. K. Merton 1942
  2. Merton, R. K. (1942) The Normative Structure of Science In: Merton, Robert King. The Sociology of Science: Theoretical and Empirical Investigations. ChicagoUniversity of Chicago Press, 1973. ISBN 978-0-226-52091-9
  3. McNamara, Michael Skepticism vs. Cynicism
  4. a b Zammit, Victor Answering the closed-minded skeptics
  5. Seavey, Todd Energy, homeopathy, and hypnosis in Santa Fe: skeptics get called closed-minded. As an experiment, why not immerse oneself in the mindset and environs of the believers? Santa Fe, New Mexico, is an easy place to do it [1]
  6. UFO Evidence Skeptics and Their Arguments
  7. BBC Homeopathy: The Test
  8. Resolução CFM nº 1.499/98
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