Ceticismo climático

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
 
Emissões de gases do efeito estufa per capita em 2000, incluindo mudanças de uso da terra. Emissões de gases do efeito estufa por país em 2000, incluindo mudanças de uso de terra.

A expressão ceticismo climático faz referência ao pensamento daqueles que negam a existência do aquecimento global ou, ao menos, negam que os seres humanos tenham um papel representativo nesse fenômeno.

O pequeno grupo que contesta o consenso científico quanto ao aquecimento global é:

1) heterogêneo, defendendo idéias que, com frequência, são conflitantes umas com as outras. Por exemplo, alguns negam o aquecimento em si, afirmando tratar-se de contaminação das medições por ilhas urbanas de calor[1] , enquanto outros “céticos” atribuem o aquecimento observado a um mecanismo de feedback de nuvens[2] , que não foi corroborado por observações subsequentes[3] ;
2) francamente minoritário, representando apenas 1% do conjunto de climatologistas em atividade [4] ;
3) tem menos respaldo do conjunto de evidências empíricas, limitando-se, geralmente, a apresentar hipóteses alternativas de causalidade que se atêm um aspecto isolado do sistema climático. Por exemplo, atêm-se ao feedback de nuvens, sem explicar a maior retenção de radiação infravermelha nas frequências dos gases estufa. Ou ainda, ressaltam a influência do sol, sem explicar por que o aquecimento tem sido mais intenso justamente quando o sol age menos: à noite e no inverno.
4) representado na mídia com espaço desproporcionalmente grande comparado à sua marginal relevância dentro do debate científico atual. Uma pesquisa feita com alguns grandes e influentes jornais dos Estados Unidos, analisando 3.543 artigos que trataram do aquecimento no período de 1988 a 2002, encontrou que 52,65% dos artigos dava peso igual a quem negava e a quem afirmava que a atividade humana tem impacto sobre o clima. Discutindo o que deveria ser feito, apenas 10,6% acatavam o consenso científico e enfatizavam a necessidade de ação internacional urgente e compulsória, enquanto 78,2% apresentavam um texto "equilibrado", induzindo a opinião pública a tirar conclusões equivocadas. Analisando cronologicamente o impacto do problema entre o público, a mesma pesquisa mostrou que entre 1988 e 1989, quando o aquecimento começou a chamar grande atenção internacional, os jornais diziam praticamente o mesmo que os cientistas, mas que desde então vêm sendo impostas ao público dúvidas artificiais e a distância entre a opinião científica e a popular vem se alargando.[5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Fall, S. et al. [http://pielkeclimatesci.files.wordpress.com/2011/07/r-367.pdf "Analysis of the impacts of station exposure on the U.S. Historical Climatology Network temperatures and temperature trends"]. In: JOURNAL OF GEOPHYSICAL RESEARCH, 30/07/2011;
  2. Lindzen, R. et al. "Does the Earth Have an Adaptive Infrared Iris?". In: Bulletin of the American Meteorological Society, 2000;
  3. Clement, A. & Burgman, R. [http://www.sciencemag.org/content/325/5939/460.full"Observational and Model Evidence for Positive Low-Level Cloud Feedback "]. In: Science, 24/07/2009;
  4. Doran, Peter T. & Zimmermann, Maggie K. "Examining the Scientific Consensus on Climate Change". In: Eos - Transactions of the American Geophysical Union, 20/01/2009; 90(03):22-23
  5. Boykoff, Maxwell T. & Boykoff, Jules M. "Balance as Bias: global warming and the U.S. prestige press". In: Global Environmental Change, 2004; 14:125–136

Ligações externas[editar | editar código-fonte]