César Zama
| César Zama | |
|---|---|
| Nascimento | 19 de novembro de 1837 |
| Morte | 20 de outubro de 1906 (68 anos) |
César Zama[1] (Caetité, 19 de novembro de 1837 — Salvador, 20 de outubro de 1906) foi um médico, político e escritor brasileiro.
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[editar] Biografia
[editar] Um drama fatal
A rica família Spinola, no município de Caetité, veio a legar diversos expoentes para o Brasil, como Anísio Teixeira, Aristides Spínola, dentre outros. Tendo a D. Rita de Sousa Spínola Soriano se casado em segundas núpcias com o médico italiano Cesare Zama, natural da cidade de Faenza, região norte da Itália (que teria vindo para o Brasil junto ao colega Libero Badarò), teve com este um único filho: Aristides César Spínola Zama.[2]
Iracundo e galanteador, o médico Aristide Cesare Zama veio logo a granjear inimigos. Mas foi um seu escravo de nome Antônio que, após um castigo, apoderou-se da arma do senhor e, quando este atendia um chamado, assassinou-o. Era o ano de 1840 e tinha César Zama dois anos de idade. Pelo crime foi acusado um carpinteiro, de nome Fiúza, que faleceu em face das torturas recebidas no cárcere. Descoberto o verdadeiro autor, este foi enforcado pelo crime - mas já a revolta havia se instalado na cidade, e foi destruida não somente a forca, mas ainda o pelourinho.[3]
Muda-se D. Rita com os filhos dos dois casamentos para as Lavras Diamantinas (Lençóis), e César Zama é enviado para estudar em Salvador.[4]
[editar] A Guerra do Paraguai
Cursando o quarto ano da Faculdade de Medicina da Bahia, serve Zama nos hospitais de sangue da Guerra do Paraguai, onde enceta a campanha para que também os quartanistas gozassem da promessa de receber o diploma, depois do serviço militar voluntário, tal como havia prometido o Imperador aos quintanistas. Foi sua primeira vitória.[3]
[editar] Lutas políticas - O verbo inflamado de Zama
César Zama torna-se um dos deputados mais atuantes no Império. Cerra fileiras entre os abolicionistas e republicanos, em célebres debates que acendiam os ânimos, e demonstravam sua presença de espírito:
Desafiado pelo deputado escravocrata mineiro Valadares, que repudiava seus argumentos em prol da abolição, dizendo-lhe:"Vossa Excelência é médico, então fala com a jurisprudência da medicina", Zama respondeu:
-
- "Não. Falo com a jurisprudência do Cristo, que pregava serem todos os homens iguais, e como quem tem no escravo um seu semelhante".[3]
Proclamada a República, e atuando despoticamente o Marechal Floriano, Zama por diversas vezes o confronta. Torna-se, por conta disto, ferrenho adversário de Rui Barbosa, a quem denuncia como o grande responsável por crimes contra a nação e povo brasileiro, a exemplo do encilhamento, do voto censitário e da Guerra de Canudos.[5]
Passa a freqüentar o Congresso fardado, pois conquistara a patente de coronel - e assim confrontar aquele que passou à História do Brasil como o "General de Ferro".
A inimizade de Rui valeu-lhe bem mais que o discurso "O Jogador", ou a "Resposta a César Zama", bem como a referência irônica de Machado de Assis, solidário a Rui: este transformou a eleição para o Senado, a que concorria, e de Zama para a Câmara, em verdadeiro plebiscito, forçando a Bahia a optar entre os dois. Venceu aquele que veio a se tornar o grande nome do Direito no Brasil.[3]
Antes disto, em 1894, Zama fizera o povo da Capital Baiana cercar a residência do Governador José Gonçalves da Silva, nomeado pela ditadura que se instalara com a República - pois este emprestara seu apoio ao fechamento do Congresso. Após verdadeira batalha, Gonçalves renuncia, e a ditadura recrudesce.[6]
[editar] Carreira literária
Afastado de seu mandato, dedica-se o tribuno à pena. Escreve em jornais da Bahia e do Rio de Janeiro, quer para lecionar o latim, quer para expressar suas denúncias.[2]
Foi assim que, já sem mandato, publica o volume Libelo Republicano acompanhado de comentários sobre a campanha de Canudos o primeiro livro no Brasil a denunciar o massacre da Guerra de Canudos como "o requinte da perversidade humana", uma guerra onde a instituição criada para defender o povo brasileiro era enviada para assassinar este mesmo povo - como descreve. Publicado em 1899, menos de um ano após o término das batalhas contra o Conselheiro, ali também reúne escritos contra os desmandos que Rui Barbosa capitaneava à frente da economia, além de outros desvios que então se praticavam.[7]
Mas foi como historiador que Zama teve maior reconhecimento. Desta sua faceta, declarou Pedro Celestino da Silva, que tinha "intuição do passado". Suas principais obras foram:[8]
- Os Três Grandes Oradores da Antiguidade
- Os Três Grandes Capitães da Antiguidade
[editar] Citações
Algumas frases de Zama:
- “Loucos sempre existiram e existirão: como tal sou qualificado pelos adversários… Felizmente já estou velho e não tardará que encontre no túmulo o esquecimento dos vivos…”
- “Bella matribus detestada! Flagelo horrível da humanidade, que a civilização moderna ainda não conseguiu extirpar, maldita guerra! Que chega até a inverter a ordem e as leis da natureza!”
- “quem, como nós, porém, escreve, não uma apologia, mas a história real de um homem, é obrigado a dizer aquilo que em sua convicção é a verdade, luz sempiterna e divina, que todos devem procurar ver.”
- "Acatamos as leis do país, e ainda mais as leis morais, que, por não serem escritas, não absolvem todavia os seus transgressores da reprovação geral. Se nos submetemos aos abusos, que diariamente se multiplicam entre nós, é porque não temos meios e recursos para reagir contra os seus autores; nunca, porém, abdicaremos o último dos direitos dos vencidos – o de protestar com energia contra os demolidores da pátria e da república".
- "Deus fez-nos racional e pensante; exercemos um direito inerente à nossa natureza. Só os vermes toleram ser calcados aos pés sem protestarem."
[editar] Homenagens
César Zama é nome de rua em Salvador. No Rio de Janeiro, uma avenida relembra sua figura. Contrastando com o imponente Fórum Ruy Barbosa de Salvador, o maior fórum da Bahia fora da capital, na sua terra natal Caetité, tem o nome de César Zama.[3]
Referências
- ↑ Pela ortografia arcaica, Cezar Zama.
- ↑ a b SANTOS, Helena Lima. Caetité, pequenina e ilustre. Tribuna do Sertão. Brumado, 1996, 2ª ed
- ↑ a b c d e KOEHNE, André. Cezar Zama: a verdade in: Caderno de Cultura Caetiteense, vol. 3 (íntegra)
- ↑ INTEGRAÇÃO (revista). N.º 37, ano VI, janeiro/fevereiro 1998.
- ↑ GUMES, MARIETA LOBÃO. Caetité e o Clã dos Neves. Ed. Mensageiro da Fé, Salvador, 1975.
- ↑ Sobre o episódio do cerco, Afrânio Peixoto deixou minucioso relato onde Zama era retratado como um orador capaz de levar o povo a lutar contra as tropas. Para o episódio histórico, vide: CARVALHO JÚNIOR, Álvaro Pinto Dantas de. O Barão de Jeremoabo e a Política do seu Tempo. EGB, Salvador, 2006 (ISBN 85-7505-147-4)
- ↑ SOUZA. Antônio Loureiro de. Baianos Ilustres, s/ed, Salvador, 1949.
- ↑ SILVA, Pedro Celestino da. Notícias Históricas e Geográficas do Município de Caetité,(in Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, nº 58), Salvador, 1932.
[editar] Ligações externas
- Biografia, a tragédia familiar "Caderno de Cultura Caetiteense 3"
- Cezar Zama: o tribuno