Charles Bukowski

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Charles Bukowski
Henry Charles Bukowski Jr
Heinrich Karl Bukowski[1]
CharlesBukowski-1.jpg
Bukowski em sua casa, San Pedro, 1990.
Nacionalidade Teuto-estadunidense [1]
Data de nascimento 16 de agosto de 1920[1]
Local de nascimento Andernach, Renânia-Palatinado, Alemanha[1]
Data de falecimento 9 de março de 1994 (73 anos)
Local de falecimento San Pedro, Los Angeles
Gênero(s) Realismo sujo, Ficção Transgressiva
Ocupação Escritor, poeta, romancista, colunista.
Religião Agnóstico [2]
Magnum opus Misto Quente
Filhos Marina Bukowski[3]
Influências Ernest Hemingway, Fiódor Dostoiévski.[4]
Página oficial http://bukowski.net/

Henry Charles Bukowski Jr (nascido Heinrich Karl Bukowski; Andernach, 16 de agosto de 1920Los Angeles, 9 de março de 1994) foi um poeta, contista e romancista estadunidense nascido na Alemanha[1] . Sua obra de caráter (inicialmente) obsceno e estilo totalmente coloquial, com descrições de trabalhos braçais, porres e relacionamentos baratos, fascinaram gerações que buscavam uma obra com a qual pudessem se identificar.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância[editar | editar código-fonte]

Nascido na Alemanha, filho de um soldado americano, aos três anos mudou-se para os Estados Unidos com seus pais. Foram inicialmente para Baltimore, em 1923[3] , depois para o subúrbio de Los Angeles. Com um pai extremamente autoritário e frustrado, e uma mãe submissa, sofria frenquentemente abusos físicos e psicológicos por parte de seu pai.[5]

Adolescência[editar | editar código-fonte]

Na adolescência, surgiram inflamações que cobriram o rosto e toda a parte superior do corpo, fazendo-o a submeter-se a tratamentos médicos no hospital público de sua cidade.Na escola, a situação também não era das melhores, tendo poucos amigos e sendo sempre o penúltimo a ser escolhido para o time de beisebol. Por causa do tratamento médico, abandonou temporariamente a escola, voltando somente um ano depois. Neste meio tempo descobriu duas coisas que o ajudaram a tornar a sua vida suportável: o álcool e os livros.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Em 1939, começa a cursar jornalismo pela Los Angeles City college[3] , ganha uma maquina de escrever de seu pai e logo se põe a escrever, por causa de seus escritos e contos seu pai o expulsa de casa. Morando em pensões e sem emprego, desiste da faculdade de jornalismo. Com problemas com o alcoolismo, trabalhou em empregos temporários em várias cidades americanas como faxineiro, frentista e motorista de caminhão. Em 1952, consegue um emprego de carteiro[3] . Com uma vida errante, bebendo em excesso e escrevendo alucinadamente. Enviou seu trabalhos para as mais diversas editoras literárias independentes dos Estados Unidos, mas quase sempre eram recusados. A editora da revista Harlequin, Barbara Frye, no entanto, estava convencida de que Bukowski era um gênio. Começaram a se corresponder e, em determinado momento, Frye declarou que nenhum homem nunca se casaria com ela. Bukowski respondeu simplesmente: "Eu me casarei". Casaram-se logo depois de se conhecerem pessoalmente. Mas tão rápido quanto se conheceram, separaram-se.[3]

Surgimento de Henry Chinaski[editar | editar código-fonte]

Depois do divorcio conhece Frances Smith, com quem teve uma filha Marina Louise Bukowski. Até este momento, Charles Bukowski era apenas um poeta iniciante. Mas, em 1971, surge a imagem de Bukowski que o tornaria famoso, o seu alterego Henry Chinaski, em Cartas na Rua. Chinaski o acompanha em todos seus romances e só não é protagonista em Pulp. Sua obra surtiu tanto efeito que alguns de seus contos e romances acabaram sendo adaptados para o cinema por alguns diretores. Inclusive, o próprio Bukowski recebeu diversos convites para escrever argumentos, apesar de assumir que nunca gostou muito de filmes.

Morte[editar | editar código-fonte]

Bukowski morreu de leucemia aos 73 anos, em 9 de Março de 1994, pouco depois de terminar Pulp em seu túmulo se lê "Don't Try", "Não Tente" em português. Com o tempo, apareceram alguns herdeiros seus na literatura, principalmente na questão do estilo violento e despudorado de sua linguagem, e que acabou inclusive tendo desdobramentos no cinema. Mas poucos são aqueles que como ele, vivenciaram e permaneceram com naturalidade na sarjeta, fazendo dela, sua fonte de inspiração. De todo aquele inferno imundo e fedido, Bukowski fez o seu paraíso.

Obra[editar | editar código-fonte]

Influências[editar | editar código-fonte]

Teve como principais influências Fiódor Dostoiévski, pelo pessimismo, e Ernest Hemingway, pelas frases curtas e jeito simples de escrever.[6] . O complexo de Édipo que rodeia Chinaski em suas obra é influenciado também por Dostoiévski. Com o escritor russo, aprendeu a frase "Quem não quer matar seu pai". A cidade de Los Angeles foi a sua principal fonte de inspiração, tratando de histórias com temas simples, misturando por exemplo corridas de cavalo, prostitutas e música clássica.

Estilos[editar | editar código-fonte]

Leitura de carácter extremante autobiográfica Bukowski[7] sonhou a vida inteira em ser reconhecido pelo seu trabalho como escritor. De estilo agressivo e inconformado e, na maioria das vezes, ébrio, sentava em sua máquina de escrever e, com uma sutileza surpreendente, deixava fluir seus pensamentos sem censura alguma. Bukowski vivia em um mundo atormentado e distorcido, totalmente fora dos padrões impostos pela sociedade de sua época. O escritor nunca fez questão de esconder que seus trabalhos eram, quase sempre, autobiográficos. E sua falta de discrição era tão grande, que durante toda vida teve de lidar com a quebra de laços de amizade. Ele citava, sem qualquer preocupação, nomes e, quando muito inspirado, fazia duras críticas às pessoas que o cercavam. Repulsa, nojo, ódio, amor, paixão e melancolia. Esses são alguns dos sentimentos que mais inspiraram Charles Bukowski, que passou a vida nos becos dos Estados Unidos, na composição de toda sua obra. Cada poesia, cada romance e cada conto do escritor traz um pouco da vida do "Velho Safado", como ficou conhecido no mundo inteiro.

Correlação com a Geração Beat[editar | editar código-fonte]

Bukowski tem sido erroneamente identificado com a Geração Beat, por certos temas e estilo correlatos, mas sua vida e obra nunca mostraram essa inclinação. Jim Christy, autor do livro The Buk Book, disse em uma vez que "ele havia sido um vagabundo, um imprestável, um proletário, um bêbado; bem, que fosse. Claro, outros trabalharam o mesmo território, mas o que diferenciava Bukowski do resto deles - os Knut Hamsun, Jack London, Maxim Gorky e Jim Tully - era que Bukowski era engraçado." Trabalhando esta imagem, Bukowski conseguiu criar um mito ao seu redor.

Legado[editar | editar código-fonte]

O filósofo francês Jean-Paul Sartre referiu a Bukowski como — “O maior poeta da América”.[8] Verdade ou não Bukowski está presente em álbuns, músicas, letras, entre outros de muitas bandas, entre as quais: Anthrax, Apollo 440, Modest Mouse, Leftover Crack, Bad Radio (uma das bandas de começo de carreira de Eddie Vedder, vocalista da banda Pearl Jam), Red Hot Chili Peppers, entre muitas outras.

Livros publicados no Brasil[editar | editar código-fonte]

Romances
  • Cartas na Rua. São Paulo: L&PM Editores, 2011 (edição original 1971)
  • Factotum. São Paulo: L&PM Editores, 2007 (ed. original 1975)
  • Mulheres. São Paulo: L&PM Editores, 2011 (ed. original 1978)
  • Misto Quente. São Paulo: L&PM Editores, 2005 (ed. original 1982)
  • Hollywood. Porto Alegre: L&PM Editores, 1990. (ed. original 1989)
  • Pulp. Porto Alegre: L&PM Editores, 1995. (ed. original 1995)
Contos, poesia, não-ficção
  • Crônica de um amor louco. Porto Alegre: L&PM Editores, 1984
  • Notas de um velho safado. Porto Alegre: L&PM Editores, 1985.
  • Fabulário Geral do Delírio Cotidiano. Porto Alegre: L&PM Editores, 1986.
  • N.York, 95 cents ao dia. Porto Alegre: L&PM Editores, 1991 (quadrinhos).
  • Delírios Cotidianos. Porto Alegre: L&PM Editores, 1991 (quadrinhos).
  • Numa Fria. Porto Alegre: L&PM Editores, 1993.
  • A mulher mais linda da cidade. Porto Alegre: L&PM Editores, 1997. (coletânea)
  • O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio. Porto Alegre: L&PM Editores, 1999.
  • Hino da Tormenta. Florianópolis: Spectro, 2003.
  • Os 25 Melhores Poemas de Charles Bukowski. Rio de Janeiro: Bertrand, 2003.
  • Tempo de voo para lugar algum. Florianópolis: Spectro, 2004.
  • Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2005.
  • Vida desalmada. Florianópolis: Spectro, 2006.
  • O Amor é um Cão dos Diabos. Porto Alegre: L&PM Editores, 2007.
  • Ao Sul de Lugar Nenhum - Histórias da Vida Subterrânea. Porto Alegre: L&PM Editores, 2008.
  • Bukowski - Textos Autobiográficos. Porto Alegre: L&PM Editores, 2009
  • Pedaços de um caderno manchado de vinho. Porto Alegre: L&PM Editores, 2010
  • Amor é tudo que nós dissemos que não era. Rio de Janeiro: 7Letras, 2012
Revista em quadrinhos
  • Delírios Cotidianos. Porto Alegre: L&PM Editores, 2008

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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  1. a b c d e http://www.ahistoria.com.br/biografia-de-charles-bukowski-resumo-e-obras/
  2. Misto-Quente (BUKOWSKI, Charles. 1982. p. 250)
  3. a b c d e http://bukowski.net/timeline/
  4. http://www.goodreads.com/author/show/13275.Charles_Bukowski
  5. http://www.biografiasyvidas.com/biografia/b/bukowski.htm
  6. http://www.goodreads.com/author/show/13275.Charles_Bukowski
  7. http://www.lpm.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&SecaoID=948848&SubsecaoID=0&Template=../livros/layout_autor.asp&AutorID=57
  8. http://lounge.obviousmag.org/de_dentro_da_cartola/2014/03/charles-bukowski-puro-e-sem-gelo.html