Charles Townshend, 2.º Visconde Townshend

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Charles Townshend, 2.º Visconde Townshend
Charles Townshend por Sir Godfrey Kneller
Nascimento 18 de Abril de 1674
Raynham Hall, Norfolk, Inglaterra
Morte 21 de Junho de 1738 (64 anos)
Raynham Hall, Norfolk, Inglaterra
Nacionalidade Inglesa
Parentesco Horatio Townshend, 1.º Visconde Townshend
Cônjuge The Hon. Elizabeth Pelham
Dorothy Walpole

Charles Townshend, 2.º Visconde Townshend Bt, KG, PC (18 de Abril de 1674 - 21 de Junho de 1738) foi um estadista liberal britânico. Prestou serviço como Secretário de Estado durante uma década, dirigindo os negócios estrangeiros britânicos. Foi muitas vezes chamado de Turnip [Nabo] Townshend devido ao seu grande interesse pelo cultivo de nabos e ao seu papel na revolução agrícola britânica.

Primeiros Anos[editar | editar código-fonte]

Townshend era o filho mais velho de Sir Horatio Townshend, 3.º Baronete, que recebeu o título de barão Townshend em 1661 e visconde Townshend em 1682. A velha família Townshend, originária de Norfolk e à qual pertencia, descendia de Sir Roger Townshend (m. 1493) ou Raynham, que foi conselheiro legal da família Paston e se tornou Justice of the Common Pleas (defensor dos pedidos comuns) em 1484. O seu descendente, outro Sir Roger Townshend (1543-1590) teve um filho chamado Sir John Townshend (1564-1603), um soldado, cujo filho, Roger Townshend, recebeu o título de baronete em 1617. Era ele o pai de Sir Horation Townshend.

Nascido em Raynham Hall, em Norfolk, Townshend sucedeu aos seus títulos em Dezembro de 1687 e foi educado em Eton College e King's College, Cambridge.[1] Tinha simpatias conservadoras quando ocupou o seu lugar na Câmara dos Lordes, mas os seus ideais mudaram e ele começou a participar activamente na política como liberal. Durante alguns anos após a ascensão da rainha Ana, ficou sem qualquer cargo, mas em Novembro de 1708 foi nomeado Capitão dos Yeomen da Guarda, depois de no ano anterior ser convocado para o Conselho Privado. Era embaixador extraordinário e plenipotenciário dos Estados Gerais dos Países Baixos entre 1709 e 1711, participando durante estes anos nas negociações que levaram à conclusão do Tratado de Utrecht.

Foi eleito membro da Royal Society em Abril de 1706.[2]

Secretário de Estado e Outros Cargos[editar | editar código-fonte]

Charles Visconde Townshend, estúdio de Kneller. National Portrait Gallery NPG 1363. Pintado provavelmente pouco depois de Townshend entrar na Câmara dos Lordes em 1697, mas o visconde não está a usar os seus trajes oficiais. Este retrato é típico dos retratos do Clube Kit-Cat que enfatizavam a mesma opinião e unidade dos membros em vez das suas diferentes posições sociais.[3]

Depois de regressar a Inglaterra, Charles ocupou-se com ataques aos procedimentos do governo conservador. O visconde não demorou a cair nas boas graças de Jorge I e, em Setembro de 1714, o novo rei escolheu-o para Secretário de Estado do Departamento Norte. O política de Townshead e dos seus colegas após esmagarem a revolta Jacobita de 1715, tanto internamente como no estrangeiro, foi de paz. O secretário não gostava da interferência britânica na guerra entre a Suécia e a Dinamarca e promoveu a conclusão das alianças defensivas entre a Grã-Bretanha e o Sacro Império e entre a Grã-Bretanha e França.

Apesar destes sucessos, a influência dos liberais foi gradualmente diminuida devido às intrigas de Charles Spencer, 3.º Conde de Sunderland, e ao descontentamento dos favoritos de Hanôver. Em Outubro de 1716, o colega de Townsgend, James Stanhope, depois 1.º Conde Stanhope, acompanharam o rei durante uma visita a Hanôver e, enquanto lá estava foi convencido por Sunderland a deixar a sua aliança com os seus colegas. Sunderland tinha sido convencido que Townshend juntamente com o seu cunhado, Sir Robert Walpole, estavam a conspirar juntamente com o príncipe de Gales para que o príncipe derrubasse o pai no trono. Consequentemente, em Dezembro de 1716, o secretário foi dispensado e tornou-se Lord Tenente da Irlanda, mas só permaneceu neste posto até ao mês de Abril seguinte.

No inicio de 1720, houve uma reconciliação parcial entre os partidos de Stanhope e Townshend e, em Junho do mesmo ano, Charles tornou-se Lord Presidente do Conselho, um cargo que deteve até Fevereiro de 1721 quando, após a morte de Stenhope, e a reforma forçada de Sunderland devido à Bolha dos Mares do Sul, o visconde voltou a ser nomeado secretário de estado para o departamento norte, tendo Walpole como Primeiro Lord do Tesouro e Ministro das Finanças. Os dois permaneceram no poder durante o resto do reinado de Jorge I e os acontecimentos mais relevantes da sua época foram o impedimento legal do bispo Atterbury, o perdão e restauração parcial de Lord Bolingbroke e os problemas na Irlanda, causados pela patente que permitia a Wood cunhar meio pence.

Townshend garantiu a dispensa do seu rival, Lord Carteret e depois do conde Granville, mas pouco depois começaram a surgir diferenças entre si e Walpole e Charles teve alguma dificuldade a conduzir o rumo difícil que a política europeia tinha tomado. Apesar de não gostar dele, o rei Jorge II manteve-o no seu cargo, mas a maior importância no governo começou a recair gradualmente apenas em Walpole. Townshend não conseguiu controlar isto. Usando as palavras de Walpole, enquanto a firma foi gerida por Townshend e Walpole, tudo correu bem, mas quando as posições se reverteram, começaram a haver ciumes entre os parceiros. Os dois tinham diferenças sérias de opinião quanto à política que deveria ser adoptada na Áustria e na política internacional em geral que acabariam por levar à ruptura em 1730. Depois de não conseguir, devido à interferência de Walpole, dispensar um colega no seu departamento para o substituir por um amigo, Townshend acabou por se reformar a 15 de Maio de 1730. A sua retirada foi o último obstáculo ultrapassado para a conclusão da Aliança Anglo-Austríaca que se tornaria o plano central da da política estrangeira britânica até 1756.

"Nabo" Townshend[editar | editar código-fonte]

Charles passou os restantes anos da sua vida em Raynham onde se interessou por agricultura e foi responsável por introduzir o cultivo de nabos a grande escala em Inglaterra assim como outros melhoramentos do género. Morreu em Raynham a 21 de Junho de 1738.

Townshend introduziu o sistema de rotação de culturas com quatro repetições que tinha sido experimentada pela primeira vez na região de Waasland, na Bélgica no início do século XVIII. Acrescentou o nabo e o trevo à rotação de culturas e conduziu-o de forma a cobrir quatro campos individuais. Trigo e cevada deviam ser plantados por essa ordem em cada campo. De ano para ano, as culturas eram trocadas, passando para cima se pudessem, ou regressavam para baixo, para o fundo, se estivessem no topo. Não havia necessidade de deixar o solo descansar uma vez que o trevo voltava a acrescentar nitratos (sais que continham nitrogénio) ao solo através dos nódulos da raiz agarrados a eles que cultivavam uma bactéria simbiótica. Estas bactérias alimentavam-se do Nitrogénio atmosférico e, por sua vez, produziam os nitratos. O trevo e o nabo eram usados para alimentar gado enquanto o trigo e a cevada eram exportados na sua maioria sendo alguns deles retidos para uso doméstico.

Por causa desta e de outras experiências de agricultura em Raynham, o visconde passou a ser conhecido por "Nabo" Townshend. Apesar de serem alvo de algumas piadas, as suas reformas agrárias foram de extrema importância. Contudo, Alexander Pope faz uma referência a Charles em "Imitations of Horace, Epistle II", retratando-o como uma pessoa obcecada por nabos e refere, numa nota que "aquele tipo de melhoramento rural que surge dos nabos" era o assunto preferido de Townshend durante uma conversa.

Família[editar | editar código-fonte]

Elizabeth Pelham

Townshend casou-se duas vezes, primeiro com Elizabeth (m. 1711), filha de Thomas Pelham, 1.º Baronete Pelham de Laughton, e depois com Dorothy Walpole (1686-1726), irmã de Sir Robert Walpole.

Com a sua primeira esposa teve os seguintes filhos:

  1. Hon. Elizabeth Townshend (m. 1 de Dezembro de 1785)
  2. Charles Townshend, 3.º Visconde Townshend de Raynham (11 de Julho de 1700 - 12 de Março de 1764)
  3. Hon. Thomas Townshend (2 de Junho de 1701 - 21 de Maio de 1780)
  4. Hon. William Townshend (1702 - 29 de Janeiro de 1738)
  5. Hon. Roger Townshend (5 de Junho de 1708 - 7 de Agosto de 1760)
Lady Dorothy Walpole

Com Dorothy Walpole teve os seguintes filhos:

  1. Hon. Dorothy Townshend
  2. Hon. Mary Townshend casada com o tenente general Hon. Edward Cornwallis (5 de Março de 171314 de Janeiro de 1776), filho de Charles Cornwallis, 4.º Barão Cornwallis de Eye e de Lady Charlotte Butler, em 1763
  3. Hon George Townshend (1715 - Agosto de 1769)
  4. Very Rev. Hon. Edward Townshend (25 de Outubro de 1719 - 27 de Janeiro de 1765)

Townshend teve oito filhos. O mais velho, Charles, 3.º Visconde (1700-1764) foi chamado para a Câmara dos Lordes em 1723. O seu segundo filho, Thomas Townshend (1701-1780) foi membro do parlamento para a Universidade de Cambridge entre 1727 e 1774. Teve apenas um filho, Thomas Townshend (1733-1800), que recebeu o título de barão Sydney em 1783 e visconde Sydney em 1789 e foi secretário de estado e líder da Câmara dos Comuns entre Julho de 1782 e Abril de 1783 e depois foi novamente secretário de estado entre Dezembro de 1783 e Junho de 1789. A cidade de Sydney em New South Wales, recebeu o nome em sua honra. O seu neto, John Robert Townshend (1805-1890) recebeu o título de conde Sydney em 1874, tendo-se extinguido após a sua morte. O filho mais velho de Charles Townshend com a sua segunda esposa era George Townshend (1715-1769) que, depois de prestar serviço durante muitos anos na marinha, tornou-se almirante em 1765. O filho mais novo, Edward, tornou-se deão de Norwich.

O terceiro visconde teve dois filhos, George, 1.º Marquês Townshend e Charles Townshend.

Townshend era avô materno de Charles Corwallis, 1.º Marquês Cornwallis.

A segunda esposa de Townshend, Dorothy Walpole, é mais conhecida por ser possivelmente o fantasma da Dama de Castanho (em português do Brasil: Dama de Marrom) que assombra Raynham Hall e que deu origem a uma das fotografias de fantasmas mais famosa de sempre.

Referências

  1. Venn, J.; Venn, J. A., eds. (1922–1958). "Townshend, Charles". Alumni Cantabrigienses (10 vols) (online ed.). Cambridge University Press.
  2. "Library and Archive Catalogue". Royal Society. Consultado a 6 de Dezembro de 2012.
  3. Descrição da National Portrait Gallery
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