Chechênia

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Chechênia / Chechénia
Чеченская Республика
(Tchetchénskaya Riespúblika)
Нохчийн Республика
(Noxçiyn Respublika)
Flag of the Chechen Republic.svg Coat of arms of Chechnya.svg
(bandeira) (brasão)
Lema nacional: Nenhum
RussiaChechnya2005.png
Línguas oficiais Russo, checheno
Capital Grózni
Presidente Ramzan Kadyrov
Primeiro-ministro Dukuvakha Abdurakhmanov
Área
 - Total
 - % Água
79° maior
17.300 km²
Desprezível
População
 - Total (1997)
 - Densidade
-
862.000
50 h/km²
Independência
 - Declarada
 - Reconhecida
Da Rússia
 - 1990
 - Não foi
Moeda Rublo
Fuso horário UTC +3
Código telefônico 7 (Rússia)
Chechnya03.png

Chechênia, Tchetchênia (português brasileiro) ou Chechénia, Tchetchénia (português europeu)[1] [2] (em russo: Чечня́, transl. Tchetchniá; em checheno: Нохчийн, Noxçiyn ou Нохчийчоь, Noxçiyçö[3] ) é o nome que se dá à região do Cáucaso onde está localizada a República da Chechênia (em checheno: Нохчийн Республика, Noxçiyn Respublika, em russo: Чече́нская Респу́блика, Tchetchénskaya Riespúblika), uma das repúblicas da Federação da Rússia. Faz divisa a noroeste com a república de Stavropol Krai, a nordeste e leste com a república do Daguestão, ao sul com a Geórgia, e a oeste com as repúblicas de Inguchétia e Ossétia do Norte-Alânia. É localizada nas montanhas do norte do Cáucaso, no Distrito Federal do Sul.

Depois do fim da União Soviética, um grupo de líderes chechenos declarou-se como um governo legítimo, anunciando um novo parlamento e declarando independência como República Chechena da Ichkéria. Até hoje, sua independência não foi reconhecida por nenhum país. Entretanto, esta declaração tem causado conflitos armados em que diversos grupos rivais chechenos e o exército da Rússia se envolveram, resultando em aproximadamente 150 mil mortos, no período entre 1994 e 2003.

Geografia e geopolítica[editar | editar código-fonte]

Localizada entre os mares Cáspio e Negro, predomina na Chechênia relevo acidentado, originado por dobramentos modernos e marcado por montanhas elevadas e cumes pontiagudos. Seu clima é predominantemente temperado seco, com baixas temperaturas no inverno e nas áreas de elevadas altitudes. Para o governo russo, essa república é estratégica, principalmente em razão da passagem de oleodutos dos poços de petróleo da região do Mar Cáspio à rede de dutos da Rússia. Parte significativa do petróleo que a Rússia exporta para a Europa vem do Mar Cáspio e passa por esta região.

História[editar | editar código-fonte]

Como parte do Império Russo desde 1859, a região checheno-inguchétia foi incorporada como República Autónoma Socialista Soviética da Checheno-Inguchétia durante a fundação da União Soviética. Durante o regime soviético, os chechenos, acusados de colaboração com a Alemanha nazista (que não chegaram a conquistar a Chechênia), sofreram uma deportação - de natureza genocida - para a então República Socialista Soviética Cazaque (o atual Cazaquistão independente) e depois para a Sibéria, durante a Segunda Guerra Mundial. A república foi abolida entre 1944 e 1957, tornando-se o oblast de Grózni. Depois do colapso da União Soviética, um movimento de independência surgiu na Chechênia, enquanto a Rússia recusava-se a permitir a secessão.

A Primeira Guerra da Chechênia[editar | editar código-fonte]

Djokhar Dudaiev, presidente nacionalista da República da Chechênia, declarou a independência chechenia em 1991. Em 1994 o presidente da Rússia Boris Iéltsin enviou quarenta mil soldados para evitar a separação da região da Chechênia - importante produtora de petróleo -, e a Rússia entrou numa guerra que alguns comparam ao que foi a Guerra do Vietnã para os Estados Unidos. Os insurgentes chechenos infligiram grandes baixas aos russos. As tropas russas não tinham conseguido capturar a capital chechena, Grózni, até o fim daquele ano. Os russos finalmente tomaram Grózni, em fevereiro de 1995, após pesada luta. Em agosto de 1996 Iéltsin concordou com um cessar-fogo com os líderes chechenos, e um tratado de paz foi formalmente assinado em maio de 1997.

A Segunda Guerra da Chechênia[editar | editar código-fonte]

O confronto armado foi retomado em setembro de 1999, dando início à Segunda Guerra da Chechênia, tornando sem sentido o acordo de 1997. Os separatistas chechenos ainda pretendiam a independência da Chechênia e organizaram operações na própria república da Chechênia, como também ataques terroristas em outras regiões da Rússia, incluindo Moscou.

Uma década de guerra deixou a maior parte do território sob controle militar. Guerrilheiros islâmicos chechenos invadiram a vizinha república russa do Daguestão e anunciaram a criação de um estado islâmico. A maioria da população, em ambas as repúblicas, é muçulmana sunita. Os militares russos expulsaram os rebeldes para a Chechênia em setembro, mês em que atentados contra diversos edifícios em cidades russas mataram mais de 300 pessoas. O governo responsabilizou diretamente os separatistas e enviou tropas à Chechênia.

Apesar da pressão por um cessar-fogo, o governo da Rússia rejeitou a mediação internacional. Mas as denúncias de massacres, estupros e torturas cometidos pelas tropas russas contra centenas de civis levaram o governo russo a aceitar, em março de 2000, a visita de representantes da ONU à Chechênia. Mas as emboscadas e os ataques suicidas contra as tropas russas prosseguiram, assim como os bombardeios aéreos russos. Em junho de 2000, o presidente Vladimir Putin colocou a Chechênia sob administração direta da Presidência da Federação.

Em março de 2003, o governo russo organizou um referendo na Chechênia, sobre a nova constituição local, que estabelece subordinação da república a Moscou. A lei foi aprovada por 96% dos eleitores, mas o referendo foi considerado irregular e condenado internacionalmente. Num pleito igualmente criticado, em outubro de 2003, Akhmad Kadyrov, foi eleito presidente da Chechênia, com 81% dos votos.[4]

Em setembro de 2004, uma escola em Beslan, na república da Ossétia do Norte, foi palco de uma das maiores barbáries da atualidade. Terroristas chechenos aprisionaram, torturaram e mataram crianças, pais e professores. O líder separatista Shamil Bassaiev assumiu a autoria desse e de outros ataques, como a explosão no metrô de Moscou, em fevereiro do mesmo ano.

Repercussões internacionais[editar | editar código-fonte]

Ao longo dos anos 1990 e até pelo menos meados dos anos 2000, países como a Arábia Saudita e os Estados Unidos se declararam favoráveis à independência da Chechênia. Os governos saudita e paquistanês apoiaram discretamente os separatistas da Chechênia, estabelecendo laços com os grupos de muçulmanos do Cáucaso, que muitas vezes receberam apoio financeiro de organizações árabes muçulmanas do Oriente Médio.

O apoio da Arábia Saudita aos separatistas chechenos tornou as relações russo-sauditas mais tensas por ocasião do Atentado terrorista em Beslan, levando o então Presidente da Rússia, Vladmir Putin, a ameaçar publicamente o governo saudita de retaliação militar, caso um novo atentado daquele tipo ocorresse em território russo.

O apoio da Geórgia aos separatistas chechenos também é considerado um dos fatores que ajudou a deteriorar as relações russo-georgianas na última década.

Os países da Organização de Cooperação de Xangai condenam fortemente qualquer iniciativa do tipo separatista, classificadas como associadas ao extremismo e terrorismo. Em 2007 esses países realizaram simulações de uma intervenção militar para imposição da paz em área conflagrada por rebeldes separatistas, em um país fictício no Cáucaso.

Em 2008, em apoio à Ossétia do Sul, a Rússia se envolveu em guerra contra a Geórgia, ao sul da Chechênia.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Está localizado na Ciscaucásia, parcialmente na Europa Oriental, a Chechênia é rodeada em quase todos os lados por território federal russo. No oeste, faz fronteira Norte da Ossétia e da Inguchétia, no norte, Krai de Stavropol, no leste, no Daguestão, e para o sul, Geórgia. Sua capital é Grozny.

Referências

  1. Correia, Paulo. (Outono de 2008). "Geografia do Cáucaso". A Folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias (n.º 28): 11, 13. Sítio web da Direcção-Geral da Tradução da Comissão Europeia no portal da União Europeia. ISSN 1830-780-9. Visitado em 7 de outubro de 2012.
  2. Lusa, Agência de Notícias de Portugal. Prontuário Lusa. Visitado em 10 de outubro de 2012.
  3. Em 2007 separatistas chechenos "mudaram" o nome do país para Noxçiyçö.
  4. Almanaque Abril, São Paulo, 478, 2004

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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