Chicungunha

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Chicungunha
Imagem do vírus por criomicroscopia eletrônica.
Classificação e recursos externos
CID-10 A92
DiseasesDB 32213
Star of life caution.svg Aviso médico

Chicungunha[1] [2] ou catolotolo[3] é um arbovírus, do gênero Alphavirus (Togaviridae), que é transmitido aos seres humanos por mosquitos do gênero Aedes.[4] Até recentemente havia sido detectado na África, onde estava restrito a um ciclo silvestre (Jupp & Kemp 1996, Diabo et al. 1999), Ásia e na Índia onde sua transmissão era principalmente urbana, envolvendo os vetores Aedes aegypti e Aedes albopictus.[5] Casos da doença causada pelo vírus, a febre chicungunha, foram detectados no Brasil pela primeira vez em Agosto de 2010.[6]

O período de incubação do vírus é de 4 a 7 dias, e a doença, na maioria dos casos, é auto-limitante. A mortalidade em menores de um ano é de 0,4%, podendo ser mais elevada em indivíduos com patologias associadas.[7]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Chicungunha é um aportuguesamento de chikungunya, o nome da doença na língua maconde, um dos idiomas oficiais da Tanzânia, onde foi documentada a primeira epidemia da doença em 1953. O termo provém da raíz verbal kungunyala, e significa "tornar-se dobrado ou contorcido", em referência à aparência curvada dos pacientes, motivada pelas intensas dores articulares e musculares, características da doença.[8] Em Angola (África) a doença é popularmente conhecida por catolotolo, palavra proveniente do quimbundo katolotolu, derivação do verbo kutolojoka ("ficar alquebrado").[9]

Onde foi detectado o vírus[editar | editar código-fonte]

Em vermelho, países onde ocorreram casos da doença.

Casos da febre amarela foram relatados no Brasil, Indonésia, Taiwan, Singapura, Malásia, Sri Lanka, Ilhas Maldivas, Quénia , Comores (em 2005), Mayotte, Seychelles, Maurícia, Reunião (2005-2006) e Índia (2006), e, em menor intensidade, na Itália, Martinica, Guadalupe, Guiana Francesa, Estados Unidos[5] e Brasil (em 2010)[6] . Os casos confirmados no Brasil referem-se a dois pacientes do sexo masculino (de 41 e 55 anos, em São Paulo) que apresentaram os sintomas depois de uma viagem à Indonésia. A terceira paciente, uma paulista de 25 anos, esteve na Índia.[10]

Em Junho de 2014 foram confirmados seis casos no Brasil de soldados que retornaram de uma missão no Haiti. [11] Segundo dados publicados pelo Ministério da Saúde, porém, no dia 15 de outubro de 2014, foram confirmados 337 casos no país, sendo 274 apenas na cidade de Feira de Santana, na Bahia.

Um surto de chicungunha foi relatado em 2006 em Andhra Pradesh (Índia), mesma época em que casos alóctones foram relatados em diversos países europeus.[12] A existência de grandes cidades densamente povoadas onde existam os insetos vetores da doença, bem como o aumento do número de viagens entre países e intercontinentais facilitam sobremaneira a disseminação do vírus.

Vetores e transmissão[editar | editar código-fonte]

Aedes albopictus

A transmissão do vírus da chicungunha (CHIKV) é feita através da picada de insetos-vetores do gênero Aedes, principalmente pelo Aedes aegypti. O Aedes albopictus, à parte a sua predileção pelo ambiente silvestre, também é considerado vetor da doença.[5] [12] Embora a transmissão direta entre humanos não esteja demonstrada, há de se considerar a possibilidade da transmissão no útero da mãe para o feto.

Principais sintomas[editar | editar código-fonte]

Pé de um paciente infectado com chicungunha.

Os sintomas da febre chicungunha são característicos de uma virose, e portanto, inespecíficos. Os sintomas iniciais são febre acima de 39º, de início repentino, dores intensas nas articulações de pés e mãos, dedos, tornozelos e pulsos, dores de cabeça, dores musculares e manchas vermelhas na pele. O diagnóstico diferencial com a febre hemorrágica da aides é extremamente importante, razão pela qual, ao aparecimento dos sintomas é fundamental buscar socorro médico.

É interessante ressaltar que, diferentemente da dengue, por exemplo, doença viral transmitida pelos mesmo vetores, uma parte dos indivíduos infectados pode desenvolver a forma crônica da doença, com a permanência dos sintomas, que podem durar entre 6 meses e 1 ano. “Há casos de pacientes que não conseguem escrever”, diz o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde, Giovanini Coelho.[13]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]