Chilenos

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Chilenos
Chileans 000.jpg
Fotografias de chilenos famosos do século XIX, XX e XXI. Bernardo O'Higgins, José Miguel Carrera, Manuel Rodríguez, Lautaro, Arturo Prat, Diego Portales, Vicente Huidobro, Arturo Alessandri, Pablo Neruda, Gabriela Mistral, Violeta Parra, mulher mapuche, Don Francisco, Ivan Zamorano, Michelle Bachelet e Luis Urzúa.
População total

~18 milhões

Regiões com população significativa
 Chile        17.094.275[1]
 Argentina 429.708[2]
 Estados Unidos 113.934[2]
 Suécia 42.396[2]
 Canadá 37.577[2]
 Austrália 33.626[2]
 Brasil 28.371[2]
 Venezuela 27.106[2]
 Espanha 23.911[2]
 França 15.782[2]
 Alemanha 10.280[2]
Outros países 95.090[2]
Línguas
Espanhol chileno
Religiões
Cristianismo (católico e anglicano)
Grupos étnicos relacionados
Espanhóis, mapuche, europeus, argentinos

Povo chileno, ou simplesmente chilenos, são os cidadãos nativos e imigrantes de longa duração do Chile. Os chilenos são principalmente uma mistura de ascendência espanhola e ameríndia,[3] com pequenos pequenos mas significativos traços de imigrantes de origem europeia vindos nos séculos XIX e XX. Existe uma forte correlação entre a ancestralidade - ou etnia - e a situação socioeconômica dos chilenos, com notáveis ​​diferenças observadas entre as classes mais baixas, de alta ancestralidade ameríndia, e das classes superiores, de ascendência principalmente europeia.[4] [5]

Os imigrantes pós-independência nunca compreenderam mais do que dois por cento da população total, embora os seus descendentes sejam hoje centenas de milhares de chilenos, incluindo descendentes de alemães,[6] britânicos, franceses, croatas, italianos ou palestinos.[7] Embora a maioria dos chilenos resida no Chile, comunidades significativas foram estabelecidas em vários países, principalmente na Argentina[8] e nos Estados Unidos.[9] Outras grandes comunidades chilenas estão na Austrália, Brasil, Canadá, Espanha, Suécia e Venezuela. Apesar de pequeno em número, o povo chileno compõem uma parte substancial da população permanente da Antártida e das Ilhas Malvinas.[10]

Etnias[editar | editar código-fonte]

O Chile não conduz censos raciais e a distribuição das diferentes origens da população tem estimativas conflitantes.

Segundo uma pesquisa de opinião realizada em 2011 pela organização chilena Latinobarómetro, 59% dos chilenos se declararam brancos, 25% mestiços, 8% indígenas, 1% mulatos e 2% "outra raça".[11] Um outro estudo, realizado em 2002 pelo Centro de Estudios Públicos (CEP), perguntou aos chilenos se eles tinham "sangue indígena". 43,4% dos entrevistados disseram que tinham "algum sangue indígena", 8,3% disseram que tinham "muito", 40,3% disseram que não tinham "nada", enquanto que 7,8% disseram não saber e 0,2% não responderam. Essa pesquisa mostra que a maioria dos chilenos identificam uma origem indígena na sua família.[12]

A população chilena é principalmente de origem europeia e indígena, 95% da população.[13] [14] [15] [16] [17] O país é relativamente homogenêo, tem uma identidade nacional, popularmente conhecido como chilenidade.

Segundo uma fonte, entre 52,7% (8,8 milhões) - 90% (15 milhões) da população são descendentes de europeus.[14] [18] [19] Outro estudo concluiu que 30% da população seria classificada como branca e 65% mestiça.[20] Segundo o Censo 2002, apenas 3,2% da população chilena são ameríndios.[18]

Jogadores chilenos de polo, juntamente com a ex-presidente Michelle Bachelet, depois de vencer o campeonato mundial da especialidade em 2008

Os estudos de genética de população chilena de uso "de DNA mitocondrial" e os resultados do teste do cromossomo Y mostram o seguinte: o componente europeu é predominante na classe superior chilena[21] , da classe média, de 72 3% -76,8% de componentes europeus[21] [22] e 23.2%-27.7% de povos indígenas[21] [22] e as classes mais baixas a 62,9%-65,1% componente europeu [21] [22] e 35%-37,1% mistura de povos indígenas.[21] [22]

Um estudo genético autossômico no Chile apontou que a ancestralidade do povo chileno é 51,6% europeia, 42,1% indígena e 6,3% africana.[23] Um outro estudo genético confirma que o povo chileno é mestiço, mas é notável que as camadas sociais mais baixas apresentam maior grau de ancestralidade indígena, enquanto as camadas mais altas da sociedade têm mais ancestralidade europeia.[24] [5] [5] Um outro estudo genético realizado em pessoas de Santiago de Chile, capital do Chile, encontrou uma mistura de ancestralidade, sendo 57% europeia e 43% indígena. Os habitantes de Concepción, outra cidade chilena, têm 65% de ancestralidade europeia e 36% indígena. Já os habitantes de Puerto Montt têm 53% de origem indígena e 47% europeia. Na localidade de Laitec a ascendência é 80% ameríndia e 20% europeia, enquanto que em Poposo é 60% ameríndia e 40% europeia.[25]

Mais de 80% do DNA mitocondrial chileno é de origem indígena (o DNA mitocondrial é transmitido de mãe para mãe). Na linhagem paterna (DNA revelado pelo cromossomo y), a contribuição indígena chega a 30%.[26] Do ponto de vista autossômico, isto é, a soma dos antepassados de um dado indivíduo, o chileno médio tende a revelar um alto grau de contribuição europeia com uma larga contribuição indígena, como exposto acima.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Foto histórica de uma mulher araucana (ou mapuche).

Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, o atual Chile era habitado sobretudo pelos índios araucanos, também chamados de mapuches. Quando os conquistadores espanhóis chegaram à região, os araucanos se opuseram à presença espanhola de forma veemente. Porém, dois subgrupos araucanos, os picunche e os huilliche, acabaram por sucumbir. Milhares de índios passaram a ser escravizados pelos espanhóis, por meio do recrutamento de mitayos, conduzidos ao trabalho nas lavras de ouro de aluvião e para os serviços domésticos. Em consequência, a população indígena reduziu-se pela metade.[27] Com o esgotamento das lavras de ouro, a produção econômica chilena se voltou para a única fonte de riqueza: a força de trabalho indígena. Dessa forma, grandes quantidades de índios apresados continuaram a ingressar na sociedade nacional, ao mesmo tempo que se formava uma camada mestiça da população, que atuava como intermediária no aliciamento de mais índios para a formação da força de trabalho e na formação de uma cultura híbrida, na qual iriam predominar elementos culturais espanhóis. Alguns desses mestiços, reconhecidos e amparados pelo pai branco, se integraram à classe dominante, por própria disposição legal da Coroa e por gozo de privilégios.[27]

Assim, no século XVIII, a matriz étnica da população chilena já estava formada. Foi constituída basicamente pela mistura de homens espanhóis com mulheres indígenas. Era integrada por mestiços de diversas qualificações sociais, indo desde os filhos legitimados de espanhóis enriquecidos, até huasos pobres, liberados da servidão nas mitas e encomiendas. Na base da pirâmide se encontrava grande número de índios deculturados e marginalizados dos seus grupos. Em decorrência do processo de miscigenação, as classes mais altas do Chile já tendiam a apresentar um fenótipo mais branco, pois na época colonial os chilenos mestiços mais abastados, em busca de uma "branquização", tendiam a procurar esposas de pele mais clara, inclusive trazendo-as da Espanha para que se casassem com eles. Isso contrastava com a maioria da população pobre, formada por índios e mestiços engajados na força de trabalho.[27]

No século XIX, o Chile passou a incentivar a vinda de imigrantes europeus. Chegaram poucos imigrantes, em torno de 50 mil indivíduos (no mesmo período a Argentina recebeu 3 milhões). A maioria era proveniente da Europa Latina e se instalou nos centros urbanos, trabalhando sobretudo como comerciantes, onde muitos conseguiram se enriquecer e, por meio do casamento, ingressaram na classe dominante local. Alguns norte-europeus também chegaram e se instalaram no Sul do Chile, vivendo como agricultores. A sociedade chilena era rigidamente estratificada, estando no topo um pequeno estrato de grandes proprietários e na base a massa paupérrima de trabalhadores rurais e urbanos. Os imigrantes se integraram na rala classe intermediária e facilmente se ascendiam às classes dominantes, devido ao gosto pela "branquização" presente na sociedade chilena.[27] Isso fazia com que os integrantes da elite chilena apoiassem o casamento de seus filhos com esses imigrantes europeus. Isso explica a grande presença de sobrenomes "estrangeiros", não espanhóis, entre a elite chilena, contrastando com o resto da população. Assim, quem se "branqueou" ou se "europeizou" no Chile não foi o povo, como ocorreu na Argentina ou no Uruguai, mas somente a elite, ou a "fronda aristocrática", nas palavras de Darcy Ribeiro.[27]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Instituto Nacional de Estadística (2007). Compendio estadístico de Chile 2006 (PDF). Página visitada em 2011-09-22.
  2. a b c d e f g h i j k Chilenos en el Exterior: Donde viven, cuántos son y qué hacen los chilenos en el exterior. DICOEX and INE (August 2005). Página visitada em 2011-09-22. Cópia arquivada em 2012-10-25.
  3. Valenzuela, C. and Harb Z. 1977.Socioeconomic Assortive Mating in Santiago, Chile: A Demonstration Using Stochaistic Matrices of Mother-Child Relationships Applied to ABO Blood Groups Departamento de Biología Celular y Genética, Facultad de Medicina, Universidade do Chile, Santiago, Chile.
  4. Vanegas, J., Villalón, M., Valenzuela, C. Consideraciones acerca del uso de la variable etnia/raza en investigación epidemiológica para la Salud Pública: A propósito de investigaciones en inequidades Revista Médica de Chile 2008; 136: 637-644.
  5. a b c Valenzuela, C. El Gradiente Sociogenético Chileno y sus Implicaciones Etico-Sociales, Facultad de Medicina, Universidade do Chile
  6. German Embassy in Chile.
  7. "Los palestinos miran con esperanza su futuro en Chile sin olvidar Gaza e Irak", El Economista, 11 de fevereiro de 2009, http://ecodiario.eleconomista.es/sociedad/noticias/1028142/02/09/Los-palestinos-miran-con-esperanza-su-futuro-en-Chile-sin-olvidar-Gaza-e-Irak.html, visitado em 2009-07-29 
  8. Colectividad chilena, Bajaron de los barcos, ONI. Oni.escuelas.edu.ar. Página visitada em 2011-09-22.
  9. Top 101 cities with the most residents born in Chile (population 500+). city-data.com. Página visitada em 2010-01-04.
  10. Chilenos son atraídos por la bonanza de las islas Malvinas. El Mercurio (2007-03-30). Página visitada em 2011-09-22.
  11. [http://www.infoamerica.org/primera/lb_2011.pdf Informe 2011 Latinobarómetro - pag. 58
  12. Encuesta CEP, Julio 2002 (em spanish) (July 2002). Página visitada em 2012-05-18.
  13. Chile.
  14. a b Argentina, como Chile y Uruguay, su población está formada casi exclusivamente por una población blanca e blanca mestiza procedente del sur de Europa, más del 90% E. García Zarza, 1992, 19.
  15. SOCIAL IDENTITY Marta Fierro Social Psychologist.
  16. massive immigration of European Argentina Uruguay Chile Brazil
  17. Latinoamerica.
  18. a b Composición Étnica de las Tres Áreas Culturales del Continente Americano al Comienzo del Siglo XXI
  19. Informe Latinobarómetro 2011, Latinobarómetro
  20. Biblioteca Digital de la Universidade do Chile, Estructura racial
  21. a b c d e El estrato socioeconómico alto se constituye mayoritariamente por una población caucásica y el estrato bajo por una mezcla de población caucásica 65% y amerindia 35% Revista médica de Chile.
  22. a b c d Frequency of the hypervariable DNA loci D18S849, D3S1744, D12S1090 and D1S80 in a mixed ancestry population of Chilean blood donors M. Acuña1, H. Jorquera2, L. Cifuentes1 and L. Armanet3 1ICBM Genetic Program and Medical Technology School, Facultad de Medicina, Universidade do Chile.
  23. O impacto das migrações na constituição genética das populações latino-americanas
  24. Vanegas, J., Villalón, M., Valenzuela, C. Consideraciones acerca del uso de la variable etnia/raza en investigación epidemiológica para la Salud Pública: A propósito de investigaciones en inequidades Revista Médica de Chile 2008; 136: 637-644.
    Quote translated from Spanish: ..in Chile the [racial] process is vinculated to a socioeconomic stratification; the Spaniards of the upper class that did not mix, the mix of European Spaniards and mestizo women in the middle strata, in the lowest substrate the mestizo-mestizo and mestizo-amerindians.
  25. http://www.fhuce.edu.uy/antrop/cursos/abiol/links/Artics/sans.pdf
  26. http://www.aforteanosla.com.ar/afla/imagenes%20uh/hoja26/genetica%20chilena.htm
  27. a b c d e Darcy Ribeiro. As Américas e a Civilização - processo de formação e causas do desenvolvimento cultural desigual dos povos americanos. [S.l.]: Companhia de Bolso, 2007. 528– p.