Choro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Searchtool.svg
Esta página ou secção foi marcada para revisão, devido a inconsistências e/ou dados de confiabilidade duvidosa (desde dezembro de 2011). Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a consistência e o rigor deste artigo. Considere utilizar {{revisão-sobre}} para associar este artigo com um WikiProjeto e colocar uma explicação mais detalhada na discussão.
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita uma ou mais fontes fiáveis e independentes, mas ela(s) não cobre(m) todo o texto (desde Janeiro de 2009).
Por favor, melhore este artigo providenciando mais fontes fiáveis e independentes e inserindo-as em notas de rodapé ou no corpo do texto, conforme o livro de estilo.
Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirusBing. Veja como referenciar e citar as fontes.
Choro
Alguns instrumentos típicos do choro brasileiro: Violão de 7 cordas, violão, bandolim, flauta, cavaquinho e pandeiro.
Contexto cultural Final do século XIX, no Rio de Janeiro
Instrumentos típicos Bandolim, flauta, cavaquinho, pandeiro, violão de 7 cordas, violão, trombone, saxofone

O Choro, popularmente chamado de chorinho, é um gênero de música popular e instrumental brasileira.

O músico, compositor ou instrumentista, ligado ao choro é chamado chorão. Característica freqüentemente apreciada no choro é o virtuosismo dos instrumentistas, bem como a capacidade de improvisação dos executantes.

As rodas de choro são reuniões mais informais de chorões, muito diferentes de apresentações e shows. Geralmente acontecem em bares ou na própria casa dos músicos, em que todos se juntam para tocar choro. Não existe uma formação específica e os músicos que vão chegando se juntam à roda.

Alguns dos chorões mais conhecidos são Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e Pixinguinha. Alguns dos choros mais famosos são

O choro serviu de inspiração a diversos compositores eruditos brasileiros e estrangeiros. Dentre as composições de Heitor Villa-Lobos, o ciclo dos Choros é considerado um conjunto de obras importantes. O compositor francês Darius Milhaud, que foi adido cultural da França no Brasil, inseriu em sua peça ‘’Scaramouche’’ algumas ideias de choro, inclusive com um plágio de ‘’Brejeiro’’, de Nazareth.

Também a música erudita inspirou os chorões, como o flautista Altamiro Carrilho, que gravou discos chamados Clássicos em Choro, nos quais toca música clássica com sotaque de choro.

Elementos característicos[editar | editar código-fonte]

Rítmica[editar | editar código-fonte]

O choro não se caracteriza por um ritmo específico, mas pela maneira de se tocar solta e sincopada, repleta de ornamentos e improvisações. Assim, é muito vasta a gama de ritmos nos quais se baseiam os compositores de choro. Dentre os principais ritmos utilizados, pode-se citar o maxixe, o samba, a polca e a valsa, dando origem, assim, ao ‘’samba-choro’’, à ‘’polca-choro’’ e à ‘’valsa-choro’’ (com relação ao maxixe, não é utilizada a expressão “maxixe-choro”, mas apenas ‘’maxixe’’). Além disso, há choros de andamento rápido e choros mais lentos (apelidados "varandões").

Forma[editar | editar código-fonte]

O choro tradicional é caracterizado por três partes. É comum que cada parte esteja em uma tonalidade, geralmente com modulações para tons vizinhos como o relativo ou o quarto grau.

A partir de meados do século XX tornou-se muito popular o choro com apenas duas partes. Grande parte dos choros de Jacob Bittencourt apresentam apenas duas partes. Um grande defensor do choro em duas partes foi o compositor K-Ximbinho.[1]

Além disso, observa-se uma quadratura regular em cada uma das partes. Em geral, cada parte tem 16 ou, mais recentemente, 32 compassos (sobretudo nos choros com apenas duas partes), subdivididas em frases de compassos, por sua vez compostas de dois incisos de 4 compassos.

História do Choro[editar | editar código-fonte]

Joaquim Callado (1848-1880), um dos criadores do gênero.
Chiquinha Gonzaga (1847-1935).
Ernesto Nazareth (1863-1934).
Pixinguinha (1897-1973): considerado um dos maiores compositores de choro.

Tido como a primeira música popular urbana típica do Brasil, o choro nasceu no Rio de Janeiro em meados do século XIX[2] . Até hoje é muito executado tanto por grupos tradicionais, como as rodas de choro e regionais, quanto por músicos de outras origens.

O flautista e compositor Joaquim Antônio da Silva Calado é considerado um dos pioneiros do choro, ou pelo menos um dos principais colaboradores para a fixação do gênero, quando incorporou ao solo de flauta, dois violões e um cavaquinho, que improvisavam livremente em torno da melodia. Foi Calado quem, pela primeira vez, grafou a palavra choro no local destinado ao gênero em uma de suas partituras: a da polca ‘’Flor Amorosa’’. Até então, os compositores se limitavam a indicar, como gênero, os ritmos tradicionais.

Viriato Figueira (1851-1883), da turma do Callado.

Uma denominação muito usada por compositores dessa época, como o também pioneiro Ernesto Nazareth, é ‘’tango brasileiro’’, evocando a influência da música ibérica e o desenvolvimento paralelo ao do tango argentino e uruguaio.

Origem do nome[editar | editar código-fonte]

Existe controvérsia entre os pesquisadores sobre a origem da palavra "choro". Eis algumas das hipóteses levantadas por estudiosos:

Segundo Lúcio Rangel e José Ramos Tinhorão[3] , a expressão choro pode derivar da maneira chorosa de se tocar as músicas estrangeiras no final do século XIX e os que a apreciavam passaram a chamá-la de música de fazer chorar. Por extensão, próprio conjunto de choro passou a ser denominado pelo termo, por exemplo, "Choro do Calado".

Para Ari Vasconcelos, a palavra choro seria uma corruptela de choromeleiros, corporações de músicos que tiveram atuação importante no período colonial brasileiro.[3] Os choromeleiros não executavam apenas a charamela, mas outros instrumentos de sopro. O termo passou a designar, popularmente qualquer conjunto instrumental.

Câmara Cascudo afirma que o termo pode também derivar de "xolo", um tipo de baile que reunia os escravos das fazendas, expressão que, por confusão com a parônima portuguesa, passou a ser conhecida como "xoro" e finalmente, na cidade, a expressão começou a ser grafada com "ch".[3]

Depois de já estabelecido o nome choro, o gênero foi apelidado de ‘’chorinho’’. Entretanto, muitos chorões e apreciadores do gênero não gostam dessa denominação.

Século XIX[editar | editar código-fonte]

Atraente
Choro "Atraente", de Chiquinha Gonzaga, gravação com Pixinguinha no saxofone e Benedito Lacerda na flauta

Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.

Podemos relacionar a história do Choro com a chegada, em 1808, da Família Real portuguesa ao Brasil. Em 1815, Rio de Janeiro foi promulgada capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Passou, então, por uma reforma urbana e cultural, quando foram criados cargos públicos. Com a corte portuguesa vieram instrumentos de origem européia como o piano, clarinete, violão, flauta, bandolim e cavaquinho, bem como seus instrumentistas. Com esses viajantes, chegou ao Brasil a música de dança de salão européia, como a valsa, a quadrilha, a mazurca, a modinha, a schottish e principalmente a polca, que viraram moda nos bailes daquela época.

Patápio Silva (1880-1907) participou das primeiras gravações fonográficas do gênero.

A reforma urbana, os instrumentos e as músicas estrangeiras, juntamente com a abolição do tráfico de escravos no Brasil em 1850, podem ser considerados uma "receita" para o surgimento do Choro, já que possibilitou a emergência de novas classes sociais: operários, funcionários públicos (isto é, carteiros, telegrafistas, trabalhadores da Estrada de Ferro Central do Brasil[4] ), instrumentistas de bandas militares e pequenos comerciantes, geralmente de origem negra, nos subúrbios do Rio de Janeiro. Essas pessoas, sem muito compromisso, passaram a formar conjuntos para tocar de "ouvido" essas músicas, que juntamente com alguns ritmos africanos já enraizados na cultura brasileira, como o batuque e o lundu, passaram a ser tocadas de maneira abrasileirada pelos músicos que foram então batizados de chorões.

Embora não se possa fixar uma música ou uma data para o surgimento de um gênero musical, pois se trata de um processo lento e contínuo, dentre esses músicos se destacou o flautista Joaquim Antônio da Silva Calado e seu conjunto, surgido por volta de 1870, que ficou conhecido como "O Choro de Calado". Esse flautista era professor da cadeira de flauta do Conservatório Imperial, portanto tinha grande conhecimento musical e reunia os melhores músicos da época, que tocavam por simples prazer. O conjunto de Calado era composto de dois violões, um cavaquinho e sua flauta, que era o instrumento de solo. Devido ao fato das flautas serem de ébano, essa formação era também chamada de "pau-e-corda". No conjunto de Calado os instrumentistas de cordas tinham liberdade e todos eram bons em fazer, de propósito, improvisos sobre o acompanhamento harmônico e modulações complicadas com o intuito de "derrubar" os outros músicos. Ou seja, foi desenvolvido um novo diálogo entre solo e acompanhamento, uma característica do Choro atual. Logo, outros conjuntos com essa mesma formação apareceram. Por isso, Joaquim Calado é considerado um dos criadores do Choro, ou pelo menos um dos principais colaboradores para o surgimento do gênero.

Cruzes, minha prima!
Polca "Cruzes, minha prima!", composta por Joaquim Callado. Gravação de 1913 por Agenor Bens (flauta) e Arthur Camilo (Piano)

Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.

A polca "Flor Amorosa", composta por Calado em 1867 (letrada no século XX por Catulo da Paixão Cearense), é tocada até hoje pelos chorões e tem características do choro moderno, portanto é considerada a primeira composição do gênero. Desse conjunto fez parte Viriato Figueira, seu aluno e amigo e também sua amiga, a maestrina Chiquinha Gonzaga, uma pioneira como a primeira chorona, compositora e pianista do gênero. Em 1877, Chiquinha compôs "Atraente", e em 1897, "Gaúcho" ou "Corta-Jaca", grandes contribuições ao repertório do gênero, entre outras composições, como "Lua Branca".

Corta-Jaca
"Corta-Jaca", de Chiquinha Gonzaga, gravada entre 1910-1912 pelo Grupo Chiquinha Gonzaga.

Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.

O Choro era considerado apenas uma maneira mais sincopada (pela influência do lundu e do batuque) de se interpretar aquelas músicas, portanto recebeu fortes influências, porém aos poucos a música gerada sob o improviso dos chorões foi perdendo as características dos seus países de origem e os conjuntos de choro proliferaram na cidade, estendendo-se ao Brasil. No final do século XIX e início do século XX outros instrumentos de sopro e cordas, como o bandolim, o clarinete, o oficlide e o flautim foram incorporados aos conjuntos e utilizados também pelos solistas. As primeiras composições de Choro com características próprias foram compostas por Joaquim Calado, Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros e Ernesto Nazareth, dentre outros. Porém, o Choro só começou a ser considerado como gênero musical na primeira década do século XX.

Século XX[editar | editar código-fonte]

O Urubu e o Gavião
Gravação de 1930 com Pixinguinha na flauta.

Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.
Harmonia Selvagem
Gravação de 1938 com Dante Santoro na flauta (Composição de Dante Santoro).

Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.
Amapá
Gravação de 1941 por Dante Santoro na flauta (Composição de Costa Júnior, 1901).

Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.
Aguenta, Seu Fulgêncio
Choro "Aguenta, Seu Fulgêncio", de Lourenço Lamartine, gravação de 1929 com Pixinguinha na flauta.

Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.
Sofres porque queres
Gravação de 1919 com Pixinguinha na flauta (composição de Pixinguinha).

Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.
Magoado
Composição João Pernambuco, gravação em 1930.

Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.
Intrigas no Boteco do Padilha
Choro "Intrigas no Boteco do Padilha", composto e gravado (em 1940) por Luis Americano (clarinete).

Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.
Mariana em Sarrilho
Choro "Mariana em Sarrilho", composto por Irineu de Almeida. Gravação de 1907 pelo Grupo do Novo Cordão (Clarinete, cavaquinho e violâo, mas membros desconhecidos).

Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.
Sultana
Polca-choro "Sultana", de Chiquinha Gonzaga, gravada em 1908 pelo Grupo Chiquinha Gonzaga

Problemas para escutar este arquivo? Veja introdução à mídia.

Os conjuntos de choro foram muito requisitados nas gravações fonográficas que, no Brasil, tiveram início em 1902. O compositor Anacleto de Medeiros, regente da banca do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, foi um dos primeiros ao participar das primeiras gravações do gênero. Misturou a xote e a polca com as sonoridades brasileiras. Como grande orquestrador, adaptou a linguagem das rodas de choro para as bandas.

O virtuoso da flauta Patápio Silva, considerado o sucessor de Joaquim Calado, ficou famoso por ser o primeiro flautista a fazer um registro fonográfico.

O violonista João Pernambuco, autor de "Sons de Carrilhões", trouxe do sertão sua forma típica de canção e enriqueceu o gênero com elementos regionais, colaborando para que o violão deixasse de ser um mero acompanhante na música popular.

Ernesto Nazareth, músico de trajetória erudita e ligado à escola européia de interpretação, compôs "Brejeiro" (1893), "Odeon" (1910) e "Apanhei-te Cavaquinho" (1914), que romperam a fronteira entre a música popular e a música erudita, sendo vitais para a formação da linguagem do gênero.

Pixinguinha, um dos maiores compositores da música popular brasileira, que também era tenor, arranjador, saxofonista e flautista, contribuiu diretamente para que o choro encontrasse uma forma musical definitiva.

Em 1919, Pixinguinha formou o conjunto Oito Batutas, formado por Pixinguinha na flauta, João Pernambuco e Donga no violão, dentre outros músicos. Fez sucesso entre a elite carioca, tocando maxixes e outros choros. Quando compôs "Carinhoso", entre 1916 e 1917 e "Lamentos" em 1928, que são considerados dois dos choros mais famosos, Pixinguinha foi criticado e essas composições foram consideradas como tendo uma inaceitável influência do jazz.

Outras composições de Pixinguinha, entre centenas, são "Rosa", "Vou vivendo", "Lamentos", "1X0", "Naquele tempo" e "Sofres porque Queres".

O flautista Agenor Bens (circa 1870-1950) participou de diversas das primeiras gravações fonográficas do choro, na primeira década do século XX.

Na década de 1920, o maestro Heitor Villa-Lobos compôs uma série de 16 composições dedicadas ao Choro, mostrando a riqueza musical do gênero e fazendo-o presente na música erudita. A série é composta de 14 choros para diversas formações, um Choros Bis e uma Introdução aos Choros. O nome das composições é sempre no plural. O Choros nº 1 foi composto para violão solo.[5]

Existem também Choros para conjuntos de câmara e orquestra. A peça Choros nº 13, de Heitor Villa-Lobos, foi composta para duas orquestras e banda. Já Choros nº 14 é para orquestra, coro e banda. Uma das composição mais conhecida e executada dentre os choros orquestrais de Villa-Lobos é Choros nº 10, para coro e orquestra, que inclui o tema "Rasga o Coração" de Catulo da Paixão Cearense. Devido à grande complexidade e à abrangência dos temas regionais utilizados pelo compositor, a série é considerada por muitos como uma das suas obras mais significativas.[carece de fontes?]

Também a partir da década de 1920, impulsionado pelas gravadoras de discos e pelo advento do rádio, o Choro fez sucesso nacional com o surgimento de músicos como Luperce Miranda e do pianista Zequinha de Abreu, autor de Tico-Tico no Fubá, além de grupos instrumentais que, por dedicar-se à música regional, foram chamados de regionais, como o Regional de Benedito Lacerda, que tiveram como integrantes Pixinguinha e Altamiro Carrilho, e Regional do Canhoto, que tiveram como integrantes Altamiro e Carlos Poyares.

Década de 1970[editar | editar código-fonte]

Ocorreu uma revitalização do gênero na década de 1970. Em 1973, uniram-se o Conjunto Época de Ouro e Paulinho da Viola no show Sarau. Foram criados os Clubes do Choro em Brasília, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, Goiânia e São Paulo, dentre outras cidades. Surgiram grupos jovens dedicados ao gênero, como Galo Preto e Os Carioquinhas. O novo público e o novo interesse pelo gênero propiciou também a redescoberta de veteranos chorões, como Altamiro Carrilho, Copinha e Abel Ferreira, além de revelar novos talentos, como os bandolinistas Joel Nascimento e Déo Rian e o violonista Rafael Rabello.

Festivais do gênero ocorreram no ano de 1977. A TV Bandeirantes de São Paulo promoveu duas edições do Festival Nacional do Choro e a Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro promoveu o Concurso de Conjuntos de Choro.

Em 1979 com o LP "Clássicos em Choro", o flautista Altamiro Carrilho fez sucesso tocando músicas eruditas em ritmo de Choro. Altamiro é uma lenda viva do Choro, já gravou mais de 100 discos, fez mais de 200 composições e já se apresentou em mais de 40 países difundindo o gênero.

Também em 1979, por ocasião do evento intitulado "Tributo a Jacob do Bandolim", em homenagem aos dez anos do falecimento do bandolinista, é criado o grupo Camerata Carioca, formado por Radamés Gnatalli, Joel Nascimento e Raphael Rabello, dentre outros músicos.

Década de 1980[editar | editar código-fonte]

A década de 1980 foi marcada por inúmeras oficinas e seminários de Choro. Importantes instrumentistas se reuniram para discutir e ensinar o gênero às novas gerações. Em 1986, realizou-se o primeiro Seminário Brasileiro de Música Instrumental, em Ouro Preto, uma proposta ampla que ocasionou uma redescoberta do Choro.

A partir de 1995 o gênero foi reforçado por grupos que se dedicaram à sua divulgação e modernização e pelo lançamento de CDs.

Século XXI[editar | editar código-fonte]

O Choro entra no terceiro século da sua existência, com uma bagagem de mais de 130 anos, completamente firmado como um dos principais gêneros musicais do Brasil. São milhares de discos gravados e centenas de chorões que marcaram presença. O choro além de ser um gênero musical rico e complexo, é também um fenômeno artístico, histórico e social.

No entanto falta divulgação, pois enquanto o Dia Nacional do Choro é comemorado em outros países, como a França e o Japão, no Brasil a maioria da população nem sabe que existe essa data comemorativa. Sobre isso, Hermínio Bello de Carvalho escreveu: "Ao defender a tese de que a cultura deveria ser tratada como matéria de segurança nacional, penso traduzir a necessidade cada vez mais premente de abrasileirar o brasileiro, como advertiu Mário de Andrade…"

Instrumentos e conjuntos típicos[editar | editar código-fonte]

Os chorões muitas vezes se reúnem em grupos, geralmente rodas de choro ou conjuntos regionais. O nome regional provavelmente surgiu na década de 1920, a partir de grupos que se dedicavam à música regional. O conjunto regional é geralmente formado por um ou mais instrumentos melódicos, como flauta, bandolim e cavaquinho, que executam a melodia; o cavaquinho tem um importante papel rítmico e também assume parte da harmonia; um ou mais violões e o violão de 7 cordas formam a base harmônica do conjunto e o pandeiro atua na marcação do ritmo base.

Piano[editar | editar código-fonte]

Piano.

No início, era muito comum no choro o piano, instrumento de pioneiros como Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga. Os pianistas que tocavam choro eram, por vezes, chamados "pianeiros".

Clarinete[editar | editar código-fonte]

Instrumento de sopro de madeira, originário do chalumeau francês, mais usado atualmente com a afinação em Si bemol. No Brasil é muito utilizado como instrumento solista nas rodas e gravações de choro. Luiz Americano, Abel Ferreira, K-Ximbinho e Paulo Moura são alguns dos grandes clarinetistas brasileiros.

Flauta[editar | editar código-fonte]

Flauta.

A flauta era o instrumento de Joaquim Callado, um dos primeiros chorões. Sempre foi muito utilizada no choro, tanto a flauta comum quanto o piccolo. Ao longo da história do choro, sempre houve, no gênero, flautistas notáveis, como Benedito Lacerda, Patápio Silva e Altamiro Carrilho.


Violão de 7 cordas[editar | editar código-fonte]

Violão de 7 cordas em exposição.

No choro, além do violão de seis cordas, existe o violão de 7 cordas, introduzido nos regionais provavelmente pelo violonista Tute, quando procurava notas mais graves para a chamada baixaria. A princípio a corda utilizada era uma corda C de violoncelo, afinada também em C. Depois, surgiram as cordas específicas para esse fim no violão. As cordas específicas possibilitaram que muitos chorões optassem por afinar a sétima corda em B (o que era impossível com a corda de violoncelo, que ficava muito frouxa se afinada em B), seguindo mais à risca a lógica da afinação do violão e ganhando um semitom a mais para o grave. A partir da década de 1950, teve como seu maior expoente Dino 7 Cordas, que influenciou grandes nomes da geração seguinte de violonistas, como Raphael Rabello e Yamandú Costa.

Pandeiro[editar | editar código-fonte]

Pandeiro.

O pandeiro foi introduzido no choro por João da Baiana, no início do século XX. Até então, o instrumento era relegado ao batuque, sendo rejeitado pelos que tocavam o choro, considerado uma música mais elaborada que o samba e o batuque.


Saxofone[editar | editar código-fonte]

Um saxofone tenor em C, semelhante ao que era tocado por Pixinguinha.

O saxofone deve sua importância no choro a Pixinguinha. Flautista de origem, Pixinguinha adotou o saxofone após tomar contato com as bandas de dixieland da época. A importância do instrumento levou compositores a mencioná-lo nos títulos de suas músicas, como "Por que chora, Saxofone" e "Sax soprano magoado".

Outro grande chorão saxofonista foi o pernambucano K-Ximbinho.

Bandolim[editar | editar código-fonte]

Bandolim.

O bandolim tem timbre, região e digitação muito adequados ao solo, além de ser um instrumento com boa ressonância e projeção sonora. Jacob Bittencourt tornou o bandolim, que já era utilizado no choro desde o início do século XX, um dos símbolos do choro. A ele se seguiram, entre outros, Joel Nascimento e Hamilton de Holanda.

Cavaquinho[editar | editar código-fonte]

Cavaquinho em exposição.

Originalmente, o cavaquinho, por suas características técnicas – como a pouca ressonância –, era considerado apenas um instrumento de “centro”, ou seja, um instrumento harmônico-rítmico utilizado apenas na base do conjunto. Entretanto, com a melhoria de recursos acústicos e eletrônicos (como o pedal de reverb), passou também a solista. O cavaquinho ganhou notoriedade como instrumento melódico a partir de Waldir Azevedo.

Trombone[editar | editar código-fonte]

Trombone.

O trombone é um instrumento presente no choro desde, pelo menos, o início do século XX. O trombonista Candinho foi um dos pioneiros do instrumento no gênero. Um dos trombonistas de choro mais conhecidos é Raul de Barros, autor do clássico Na Glória. Outro conhecido trombonista de choro é Zé da Velha.

Grandes músicos ligados ao choro[editar | editar código-fonte]

Luiz Americano[editar | editar código-fonte]

Um solista de destaque, nos anos 20 e 30, foi o clarinetista e saxofonista sergipano Luiz Americano, que em 1937 integrou o inovador Trio Carioca ao lado do pianista e maestro Radamés Gnattali.

A partir de 1930, os conjuntos regionais, formaram uma base de sustentação às nascentes estações de rádio, devido à sua versatilidade em acompanhar, com facilidade e sem muitos ensaios, os diversos estilos de música vocal que surgiram.

Severino Araújo[editar | editar código-fonte]

Um dos exemplos de união entre o choro e o jazz foi realizado por Severino Araújo, que, em 1944, adaptou choros à linguagem das big bands. Como maestro da Orquestra Tabajara, Severino Araújo gravou vários choros de sua autoria, como "Espinha de Bacalhau". Esse exemplo foi seguido por outras orquestras ou compositores como K-Ximbinho.

Waldir Azevedo[editar | editar código-fonte]

Em 1947, Waldir Azevedo, virtuoso do cavaquinho, compôs "Brasileirinho", um dos maiores sucessos da história do gênero, gravado por Carmen Miranda e, mais tarde, por músicos de todo o mundo. Waldir Azevedo foi um pioneiro que retirou o cavaquinho de seu papel de mero acompanhante e o colocou em destaque como instrumento de solo, explorando de forma inédita as potencialidades do instrumento.

Jacob do Bandolim[editar | editar código-fonte]

Jacob do Bandolim foi um virtuoso no bandolim e um dos grandes compositores de choro de sua geração. Muitas de suas interpretações são referência para diversos intérpretes[6] . Nos anos 50 e 60, que promovia famosas rodas de choro em sua casa. "Doce de Coco", de 1951 e "Noites Cariocas", de 1957, são parte do repertório clássico do gênero.

Jacob também promoveu o resgate de compositores antigos e fundou o famoso conjunto Época de Ouro, com César Faria e Dino 7 Cordas.

O Choro perdeu grande parte de sua popularidade devido ao surgimento da Bossa Nova nas décadas de 50 e 60, quando foi considerado "fora de moda". Mas o gênero manteve-se presente no ritmo de vários músicos, como Paulinho da Viola e Arthur Moreira Lima.

Garoto[editar | editar código-fonte]

Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, foi um dos principais expoentes do choro antes da década de 50.

Compositor de melodias baseadas nos mais diversos ritmos (sambas, boleros, fox, xotes, entre outros) que ganharam letra de vários parceiros, tornando muitas dessas músicas em sucessos que marcaram diversas épocas do cenário musical nacional.

Além de compositor, tocava violão, violão tenor, bandolim, cavaquinho, guitarra havaiana e banjo, entre outros, tendo por isso recebido o apelido de "o gênio das cordas".

Radamés Gnattali[editar | editar código-fonte]

Em 1956 Radamés Gnattali compôs a Suíte "Retratos", homenageando quatro compositores que considerava fundamentais para a música brasileira: Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth e Pixinguinha.

Conjuntos Regionais em ordem cronológica[editar | editar código-fonte]

Lista de Chorões em ordem cronológica[editar | editar código-fonte]

Reconhecimento internacional[editar | editar código-fonte]

Wikitext.svg
Este artigo ou seção precisa ser wikificado (desde abril de 2012).
Por favor ajude a formatar este artigo de acordo com as diretrizes estabelecidas no livro de estilo.

O choro faz sucesso em países muito distantes do Brasil, como o Japão, França, Itália e Estados Unidos. Já em 1985, quando a Camerata Carioca esteve no Japão, constatou a existência de músicos que tocavam e estudavam música brasileira, como o Choro Club, que faz fusão da linguagem do choro com tendências da música oriental, com um repertório de composições próprias, além de Ernesto Nazareth e Jacob do Bandolim.

Um dos mais tradicionais clubes de choro fora do Brasil é o Clube de Choro de Paris, cidade que conta, além do clube, com outros grupos, como o Bando do Chorão.

Em outubro de 2006 houve uma Roda do Choro da Camerata do Choro, sob direção do flautista Paulo Gouveia, em Hamburgo, Alemanha, que contou com participação, entre outros, do clarinetista Wilfried Berk, e de Fabiano Borges (Brasília) no violão de 7 cordas.

Em Novembro de 2007, o Trio Madeira Brasil atuou em Berlim e Munique tocando com convidados (Yamandú Costa, Zé da Velha) os highlights do filme "Brasileirinho" de Mika Kaurismäki.

Em Dezembro de 2007, foi fundado em Turim (Itália) o Clube do Choro de Turim, que realiza periodicamente Rodas de Choro e pouco a pouco se torna uma referência do gênero na Europa.

Dia do Choro[editar | editar código-fonte]

No dia 23 de abril se comemora o Dia Nacional do Choro, trata-se de uma homenagem ao nascimento de Pixinguinha. A data foi criada oficialmente em 4 de setembro de 2000, quando foi sancionada lei originada por iniciativa do bandolinista Hamilton de Holanda e seus alunos da Escola de Choro Raphael Rabello.

No Estado de São Paulo, existe o Dia Estadual do Choro, comemorado no dia 28 de junho. Foi neste dia, no ano de 1915, que nasceu um dos principais expoentes paulistas do choro, o "Garoto", nome artístico de Aníbal Augusto Sardinha.[7]

O Choro e o Jazz[editar | editar código-fonte]

É comum ouvir dizer que o choro é o "jazz brasileiro"[carece de fontes?], já que as semelhanças entre os dois gêneros são muitas. Embora o choro remonte à segunda metade do século XIX e o jazz tenha se estabelecido no princípio do século XX, há muitos elementos musicais semelhantes entre eles, como é o caso da improvisação.

Dentre as semelhanças históricas, podemos citar que nasceram sob influência da música africana, trazida para a América pelos escravos, e da música européia, trazida pelos colonizadores oficiais. Muitos chorões pioneiros, como Joaquim Callado, Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth eram mulatos. Nos Estados Unidos, a repressão sobre os escravos era muito grande, devido ao puritanismo predominante naquela sociedade. Lá era permitido aos escravos apenas os "cantos de trabalho" (blues), sem percussão, o que refletiu de forma diversa sobre a rítmica do jazz.[8] . No Brasil, a cultura musical negra foi menos reprimida durante a escravidão, sendo permitido aos escravos o uso de percussão, inclusive em festas católicas. Assim, o choro tem uma riquíssima herança rítmica africana, proveniente do lundu e do batuque, que preservou a síncope característica africana[9] , à qual os chorões acrescentaram harmonia e estrutura melódica de origem européia (polca, schottish, mazurca, entre outras).[4]


Letra[editar | editar código-fonte]

Uma das principais discussões sobre o Choro é se deve ou não ter letra. Essa polêmica sempre foi discutida entre os chorões, que têm opiniões diversas. Originalmente, o gênero é puramente instrumental, mas, principalmente a partir dos anos 1930 com a influência do rádio, começou-se a colocar letras em choros. Um exemplo famoso é o do choro "Carinhoso", de Pixinguinha, que recebeu letra de João de Barro e foi gravado com sucesso por Orlando Silva. As interpretações de Ademilde Fonseca a consagraram como grande intérprete do choro cantado, sendo considerada "A Rainha do choro".

Outra controvérsia levantada é a respeito da inserção de letras em choros de compositores já falecidos, como fez, dentre outros, Hermínio Bello de Carvalho. Isso, para muitos chorões, constitui um desrespeito à obra dos compositores, além de resultar em parcerias fictícias, gerando brigas em torno de direitos autorais.

Filmes sobre choro[editar | editar código-fonte]

Filme "Tico-Tico no Fubá"[editar | editar código-fonte]

Em 1952, a Companhia Cinematográfica Vera Cruz produziu o filme Tico-Tico no Fubá, baseado na vida de Zequinha de Abreu.

Filme "Brasileirinho"[editar | editar código-fonte]

Em 2005 foi lançado o filme documentário Brasileirinho, um tributo ao gênero choro, do cineasta e diretor finlandês Mika Kaurismäki. Alguns músicos que participaram do filme foram Yamandú Costa, Paulo Moura e Trio Madeira Brasil, dentre outros.

Referências

  1. COSTA, PabloGarcia da. Modernizei meu choro semdescuidar do roteiro tradicional: tradição e inovação em K-ximbinho (Sebastião Barros). Universidade Nacional de Brasília: 2009. - Dissertação de Mestrado
  2. CAZES, Henrique. Choro: do quintal ao municipal. São Paulo: Ed. 34, 1998.
  3. a b c História do choro no sítio Viola & Cantoria
  4. a b Livingston-Isenhour, T., and Garcia, T. G. C. (2005). Choro: A Social History of a Brazilian Popular Music. Bloomington, Indiana: Indiana University Press.
  5. Choro no. 1, por Turíbio. Página visitada em 14 de setembro de 2010.
  6. SEVE, Mario et al.. Songbook Choro. São Paulo: Irmãos Vitale, 2009.
  7. ""http://www.choromusic.com.br/blog/2009/07/dia-estadual-do-choro-em-sao-paulo/
  8. Marília Barbosa da Silva e Arthur de Oliveira Filho in "Pixinguinha, Filho de Ogum Bexinguento"
  9. Tania Mara Lopes Cançado, in "Uma Investigação dos Ritmos Haitianos e Africanos no Desenvolvimento da Síncope no Tango/Choro Brasileiro, Habanera Cubana, e Ragtime Americano (1791-1900)" [1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Choro

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CAZES, Henrique. Choro: do quintal ao municipal. São Paulo: Ed. 34, 1998.
  • MARIZ, Vasco. A Canção Brasileira. Rio de Janeiro: MEC, 1959, página 151-190.
  • DINIZ, André. Almanaque do Choro: História do Chorinho, o que Ouvir, o que Ler. Rio de Janeiro: JZE, 2003.
  • ZORZAL, Ricieri Carlini. Dez Estudos para Violão de Radamés Gnattali: estilos musicais e propostas técnico-interpretativas. São Luis/MA: EDUFMA, 2009 [2]
  • AMARAL JÚNIOR, José de Almeida. Chorando na Garoa - Memórias Musicais de São Paulo. São Paulo: Livro Novo, 2013.