Enchentes no Norte e Nordeste do Brasil em 2009

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Anomalia de chuva no Brasil entre abril e maio de 2009. As áreas em azul (claro e escuro) indicam chuvas acima da média.

Chuvas no Brasil em 2009 é o nome dado ao desastre natural resultado das chuvas e inundações que ocorreram nas regiões Norte e Nordeste do Brasil em abril de 2009. Começaram no Maranhão e posteriormente atingiram o Pará, o Amazonas e o restante das duas regiões.[1]

Foram contabilizados 19 mortos e 186 mil desabrigados nessas regiões.[2] [3] Segundo informações, é a maior cheia no Norte desde 1953 as marcações no cais flutuante da cidade de Manaus e Rio Branco (rio Acre) não registram altura igual e no Nordeste desde 1985, tudo indicando que as cheias no norte não são devido as cheias dos Andes e sim devido ao fenômeno da inversão de fluxo de todos os rios do norte, muito comum num perfil topográfico semelhante ao solo da região amazônica , nada mais que o segmento de uma planície com poucos metros do nível do mar e implicá que toda a inundação na foz repercute logo após nas cabeceiras por exemplo, depois que o nível começa a diminuir na cidade de Manaus é o momento que inicia a cheia na cidade de Assis Brasil na divisa com o Peru. Esse é um fenômeno muito comum nessa região.

As chuvas provocaram enchentes nos seguintes estados: Amazonas, Ceará, Pará, Piauí e Maranhão.

Prejuízos nos Estados[editar | editar código-fonte]

  • Nº de desabrigados: 800.000 (lê-se oitocentos mil)
  • Orçamento da destruição: R$ 1.000.000.000 (lê-se um bilhão de reais)

Fonte: Meio Norte/Folha Online[4]

Amazonas[editar | editar código-fonte]

No estado de Amazonas, 40 dos 62 municípios estão em situação de calamidade pública.

Em Manaus, o Rio Negro/Solimões/Amazonas chegou perto de 23 metros alcançado em 1953. Nos municípios de Manacapuru e Careiro da Várzea o nível das águas alcançou a marca de 20,19 e 17,06 metros. A média de chuvas em abril e maio de 2009 ficaram abaixo do esperado, mas as chuvas de junho superaram o esperado para o período na região de Manaus. Em abril, a expectativa era que houvesse 351,2 milímetros, mas o índice ficou em apenas 145,8 milímetros. Em maio, cuja média pluviométrica é 282, choveu 142,6 milímetros. Somente nos primeiros 15 dias do mês de junho, havia chovido 30,2 milímetros a mais do que o esperado para Manaus.[5] O Rio Negro atingiu em 24 de junho de 2009 a marca dos 29,69 metros. Esta foi a marca alcançada pelo rio quando houve a sua pior enchente, em 1953, desde que o Serviço Geológico do Brasil começou a acompanhar o nível do rio, em 1902. A Avenida Eduardo Ribeiro teve de ser interditada. Cerca de 10 mil metros de ponte de madeira tiveram que ser construídos pela Defesa Civil para que fosse possível a circulação na área próxima a alfândega. Cerca de 4 mil famílias foram atingidas e os bairros mais afetados foram São Raimundo e Glória – na zona oeste – e Raiz, na zona sul.[6] Em 25 de junho de 2009, o Rio Negro atingiu a marca histórica de 29,71 acima do seu nível normal. Foi a maior cheia desde que o nível das águas passou a ser monitorado, em 1902. Cerca de 1.600 famílias tiveram que ser removidas de suas casas Na área conhecida como Manaus Moderna, houve a necessidade de se construir três quilômetros de pontes de madeira e a construção de uma espécie de barreira feita de areia e cimento para impedir o avanço das águas. Cerca de 35 comerciantes da área sofreram prejuízos com a cheia.[7]

Wikinotícias
O Wikinotícias tem uma ou mais notícias relacionadas com este artigo: Rio Negro está apenas 2 centímetros abaixo do maior nível de sua cheia

Bahia[editar | editar código-fonte]

Quatro pessoas já morreram pelas enchentes na capital Salvador entre final de abril e início de maio.

No dia 16 de maio, reiniciou as chuvas não só em Salvador, como também o leste sa Bahia. No dia 22 de maio, já se contabiliza novas enchentes em Salvador.[8]

No dia 19 de maio, em Nazaré das Farinhas, 220 km de Salvador, todas as escolas estão fechadas e alguns galpões estão usados para as aulas. No mesmo dia, 40 escolas estão fechadas devido as chuvas, algumas com péssimas condições de ensino.[9]

Na noite do dia 22 de maio, um Learjet com 15 pessoas, 11 adultos e 4 crianças saiu de São Paulo (SP) para Trancoso, leste da Bahia, caiu a 250 metros do Aeroporto de Trancoso, matando todos os tripulantes. Chovia no momento da queda.[10]

Ceará[editar | editar código-fonte]

O governo cearense decretou estado de emergência, depois que os 19 municípios tiveram a maior cheia em quase 30 anos.

Em 19 de maio, os municípios de Canindé e Choró, plantações de arroz foram prejudicados; em Caicharenha, 150 tambores com feijões foram levados pela correnteza.[11]

Em 20 de maio, o município de Itaiçaba está com 95% inundado e aumentou para 12 mortos em todo o estado.[12]

Pará[editar | editar código-fonte]

No dia 19 de maio, chegou doação para mais de 20 mil desabrigados, doados de Belém, capital do Pará, para a cidade de Altamira, que sofreu rompimento de barragens no início de abril.[13]

Pernambuco[editar | editar código-fonte]

Segundo a Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe) oito municípios decretaram estado de emergência das microrregiões do Agreste e do Sertão. 915 pessoas perderam as casas e estão morando com familiares e 209 estão em abrigos provisórios mantidos pelas prefeituras.

Os prejuízos foram maiores no Sertão Pernambucano as chuvas castigaram Araripina, Exu, Quixaba, Águas Belas, Tacaratu e Granito. Em Exu, pelo menos dez casas foram destruídas. A prefeitura do município de Exu informou que cerca de 100 pessoas estão desabrigadas. A estradas que passam pelo município estão danificadas. Na zona rural, as pistas das rodovias (BR) estão intransitáveis e 9 mil crianças estão sem aulas.[14]

No Agreste, as enchentes atingiram em Sanharó e Belo Jardim. O rio Bituri transbordou e uma idosa, que passava por uma rua no bairro do Bom Conselho, foi arrastada pela correnteza na noite da quarta-feira de 13 de Maio de 2009. Maria José de Lira, 75 anos, está desaparecida. Os bombeiros ainda fazem buscas na região.

Em São Caetano, no Agreste, o Rio Ipojuca em 13 de maio de 2009 inundou. Em Caruaru, também no Agreste, a enchente do rio Ipojuca também alagou vários bairros. Para evitar acidentes, à noite, foi cortado o fornecimento de energia pela (Celpe) na área ribeirinha. De acordo com os bombeiros da região, o abastecimento está sendo restabelecido.

Vieira de Melo tenente do Corpo de Bombeiros, falou que a situação está mais estável. “O volume de água na barragem de Belo Jardim está diminuindo e a tendência é que se estabilize”, disse.

O tenente, porém, alerta: “Num possível agravamento, recomendamos a quem mora perto do rio que vá para a casa de parentes e leve alimentação, remédios, roupas e comida, todos artigos de primeira necessidade”. Em caso de enchente, a população pode ligar para o 193 para pedir remoção. Ainda segundo o tenente, 21 pessoas de Caruaru foram conduzidas para uma escola no centro da cidade.

As atividades escolares foram interrompidas devido as fortes chuvas no município de Calumbi, no sertão de Pernambuco. A enchente impossibilitava os moradores de realizarem suas rotinas. De acordo com a prefeitura, cerca de 500 estudantes estão sem assistir aula resultado da causa da cheia do rio Pajeú, o volume dos afluentes, como o do Riacho Grande, na zona rural de Calumbi, também cresce. O nível da água sobe e alaga plantações. Alguns agricultores calculam que já perderam meio hectare de plantações como o milho.

A BR-232 está danificada e interditada para passagem de veículos, uma ponte próxima já havia caído em enchentes anteriores, reconstruída pelo governo e atualmente encontra-se destruída pelas cheias novamente.[15] No dia 18 de maio, em Tracunhaém, 50 km de Recife, quatro adolescentes que jogaram futebol no campo, morreram quando o raio caiu no local e feriram outros três, nos primeiros minutos de chuva forte. Segundo as testemunhas, cerca de 50 jovens estavam jogando e assistindo o jogo; quando começou a chover, a maioria saíram do campo, mas sete deles estavam jogando, quando houve queda do raio. Eles foram enterrados no mesmo cemitério no dia seguinte.[16] Fontes:Estadão/PE 360 Graus/Portal G1.

Piauí[editar | editar código-fonte]

Em 26 de abril, chuvas da capital Teresina e no interior do estado provocou a maior cheia do Rio Parnaíba em mais de 20 anos.[17] O Rio Poti, que banha a capital, transbordou[18] e permaneceu por mais de uma semana. No dia 27 de maio de 2009, por volta de 16 horas, houve um deslocamento da ombreira esquerda do canal do sangradouro ao lado da Barragem de Algodões I, no município de Cocal. A barragem do reservatório de Algodões I permaneceu intacto.[19] Devido ao rompimento da ombreira, a água do reservatório escoou, deixando uma área inundada de aproximadamente 50 km. Em alguns trechos, a água alcançou um altura de 20 metros. Por medida de segurança, a CEPISA, Companhia Energética do Piauí, cortou a energia da cidade. Cerca de 500 famílias tiveram suas casas destruídas. O governador do Piauí, Wellington Dias, destacou 5 helicópteros para auxiliar no resgate das vítimas.[20] Devido aos alagamentos, cerca de 3.300 pessoas ficaram desabrigadas nos municípios de Cocal e Buriti dos Lopes. As famílias estão alojadas em escolas e casas de familiares.[21]

Maranhão[editar | editar código-fonte]

As chuvas fortes começaram em meados de janeiro de 2009, mas em abril, o norte começou fortes chuvas, que estendeu por mais de uma semana.

Durante o mês de abril, morreram 2 pessoas em São Luís. Em 24 de maio, um raio caiu na Praia do Araçagy, matando um garçom e ferindo gravemente uma mulher que estava sendo atendida.[22] Na noite do dia 27 de maio, São Luís sofre novamente as fortes chuvas por mais de quatro horas e áreas nobres e periferia foram inundados.[23]

Em Trizidela do Vale, localizado às margens do Rio Mearim, as chuvas de abril, provocou o inédito transbordamento: 90% da cidade foi inundada. Em 15 de maio, uma menina morreu eletrocutada e a cidade voltou sem energia.[24] Em 20 de maio, o nível do rio na cidade baixa em 40 cm, do dia 19 para 20 de maio, mas meteorologistas previram mais chuvas nos próximos dias.[25]

Em Marajá do Sena, um barco de 20 pessoas que carregava também alimentos naufragou, devido ao erro de manejo do barco com motor, mas todos os ocupantes foram resgatados.[26]

No dia 20 de maio, subiu para 12 mortos e dois desaparecidos nas enchentes do estado.

Em Bacabal, no dia 20 de maio, um adolescente de 18 anos morreu depois de salvar a mãe em Bacabal.[27]

Rio Grande do Norte[editar | editar código-fonte]

No estado do Rio Grande do Norte 29 municípios decretaram situação de emergência. Na região oeste, a terra antes seca está encharcada. O nível do rio Apodi-Mossoró, que corta Mossoró, a segunda maior cidade do estado subiu quase dois metros. O estado é o maior produtor de banana do Brasil, cerca de 300 mil hectares plantados no Vale do Assu estão submersos. Este ano, os produtores já deixaram de exportar dois milhões de caixas da fruta. Fonte: Jornal Nacional/Rede Globo[28]

Ajuda[editar | editar código-fonte]

Doações[editar | editar código-fonte]

No dia 12 de maio, a ONG Cáritas, ligado à Igreja Católica, anunciou doação de alimentos direto dos Estados Unidos.

Na visita do presidente Lula à Arábia Saudita, o rei saudita Abdullah, anunciou doação pessoalmente às vítimas da enchente.

No dia 22 de maio, dois representantes da empresa privada Rigest Digest, chegaram de Londres, Reino Unido, para São Luís (MA), para visitar os municípios de Bacabal, Trizidela do Vale e Pedreiras e anuncia doação de 2 milhões de dólares.[29] No mesmo dia, a cantora Alcione e outros artistas maranhenses, se apresentaram no Batuque Brasil, em ajuda dos desabrigados do Maranhão, para entrar no local, era 2 kg de alimentos não perecíveis.[30]

Crimes[editar | editar código-fonte]

Saque[editar | editar código-fonte]

Em 18 de maio, em Icatu, a 100 km de São Luís, capital do Maranhão, a população tentou saquear o helicóptero da Força Nacional que trazia alimentos e teve que sair do local. É o primeiro caso que tentativa de saque.[31]

Desvios[editar | editar código-fonte]

Alimentos[editar | editar código-fonte]

Em 19 de maio, um vereador[carece de fontes?] de Teresina, capital do Piauí, denunciou o desvio de alimentos para as vítimas da enchente no estado da Secretaria de Saúde.[32]

Galeria de Fotos[editar | editar código-fonte]

  • Várias fotografias das regiões afetadas pelas chuvas que acarretaram em enchentes, exemplo do Maranhão em 90% da encontra-se em estado de calamidade pública.

Fonte: Extraídas do site Agência Brasil.

Referências

  1. [1].
  2. [2].
  3. [3]. Visitado em 6 de maio de 2009.
  4. Meio Norte: Dados da Chuvas no Brasil 2009.
  5. Mota, Amanda (2009-06-16). Chuvas superam marcas históricas em diversos municípios do Amazonas (em português) Agência Brasil. Visitado em 2009-06-22.
  6. Mota, Amanda (2009-06-24). Nível do Rio Negro atinge marca histórica (em português) Agência Brasil. Visitado em 2009-06-24.
  7. Governo amazonense decide retirar famílias das áreas atingidas pelas enchentes (em português) Agência Brasil (2009-06-25). Visitado em 2009-06-25.
  8. Jornal da Band, Rede Bandeirantes, 22 de maio de 2009
  9. TV Aratu, Jornal do SBT, 19 de maio de 2009
  10. Telejornais de 23 de maio de 2009
  11. Rede TV News, 19 de maio de 2009
  12. RedeTV News, RedeTV!, 20 de maio de 2009
  13. Jornal do SBT, 19 de maio de 2009
  14. PE360Graus: 8 Municípios pernambucanos estão em calamidade.
  15. G1:Chuvas atingem Pernambuco.
  16. O Estadão: Raio mata quatro pessoas.
  17. Jornal Nacional, Rede Globo, 27 de abril de 2009
  18. Jornal Nacional, 28 de abril de 2009
  19. Canal rompe em Algodões I e famílias deixam a barragem. Site cidadeverde.com.. Visitado em 28 de maio de 2009..
  20. Nada faltará para as famílias, diz W. Dias sobre "Algodões I". Site meionorte.com,. Visitado em 28 de maio de 2009.
  21. Mais de 3.300 pessoas estão desabrigadas em Cocal e Buriti dos Lopes. Site cidadeverde.com.. Visitado em 28 de maio de 2009..
  22. JMTV 1ª Edição, TV Mirante e Jornal Hoje, Rede Globo, 25 de maio de 2009
  23. JMTV 1ª Edição, TV Mirante, 28 de maio de 2009
  24. Telejornais em 15 de maio de 2009
  25. Jornal Nacional, Rede Globo, 20 de maio de 2009
  26. JM TV 2ª Edição, TV Mirante16 de maio de 2009
  27. JMTV 2ª Edição, TV Mirante 20 de maio
  28. JN: RN têm prejuízo na produção agrícola.
  29. JMTV, 1ª Edição, TV Mirante, 22 de Maio de 2009
  30. Alcione canta solidariedade, Alternativo, página 1, O Estado do macaibas, 22 de maio de 2009
  31. JMTV 1ª Edição, 19 de maio
  32. TV Cidade Verde, Jornal do SBT, 19 de maio de 2009

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikinotícias
O Wikinotícias tem uma ou mais notícias relacionadas com este artigo: Rompimento de barragem no Piauí deixa centenas de desabrigados

Ligações externas[editar | editar código-fonte]