Cidade redonda de Bagdá

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33° 20′ N 44° 20′ E

Esquema mostrando a Cidade Redonda às margens do rio Tigre.

A Cidade Redonda de Bagdá, em árabe Madinat al-Salam (Cidade da Paz), é o antigo núcleo urbano, datado do século XIII, que deu origem a Bagdá (Bagdade), no atual Iraque.

História[editar | editar código-fonte]

Bagdá foi fundada em 762 por Al-Mansur, califa abássida entre 754 e 775, como sua capital oriental.[1] O sítio escolhido, na margem ocidental do rio Tigre, era próximo à histórica Ctesifonte e localizava-se no cruzamento de caminhos que levavam à Mesopotâmia, Golfo Pérsico, Síria, Irã e Hijaz.[2] Terminada em 766-767, antigas fontes históricas afirmam que a cidade tinha a forma de um círculo de 2 km de diâmetro, com um palácio e mesquita no centro.[3] O desenho redondo e o lugar central ocupado pelo palácio califal sugerem um significado cósmico, mostrando a cidade como o centro de um império universal. Na prática, o projeto pode ter sido inspirado em cidades redondas, como a antiga Gur dos sassânidas (atualmente Firuzabad, no Irã).[2]

Era cercada por uma muralha dupla com torres, e o acesso ao interior era feito por quatro portões: a Porta de Kufa a sudoeste, a de Baçorá a sudeste, a de Coração a nordeste e a Porta de Damasco a noroeste, de onde partiam estradas que levavam aos quatro cantos do califado.[2] [1] O material básico de construção das muralhas e portas eram blocos de barro com armação de madeira (adobe) e tijolos de barro cozido.[1] Cada porta fortificada possuía no interior uma câmara elevada, com cúpula, que o califa utilizava como salão de audiências e que simbolizava seu domínio sobre a cidade.[2]

Entre a área central e as muralhas localizava-se uma área residencial, dividida em quadrantes, onde se alojavam a família do califa, serventes e funcionários da administração, além de lojas comerciais.[2] [1] O centro da cidade era ocupado por uma grande área aberta com um posto policial, a mesquita e o palácio do califa. A mesquita era de planta quadrada com 100 m de cada lado e um grande pátio central. O palácio, situado ao lado, localizava-se no centro exato da cidade e ocupava uma área quatro vezes maior que a mesquita. A cúpula central do salão de audiências do palácio - chamado "cúpula verde" ou "cúpula celestial" -, se elevava a 40 m de altura e era coroada por um catavento com a forma de um cavaleiro com lança.[1] [2] Esse cavaleiro era considerado símbolo da cidade e do poder dos abássidas.[2]

A cidade redonda foi construída separando o califa da população mas, com o tempo, essa função se perdeu.[2] A área ao redor da cidade redonda foi logo densamente ocupada, e eventualmente os edifícios administrativos no interior passaram a ser um bairro urbano comum. A cidade redonda foi levantada na margem ocidental do rio Tigre, mas a margem oriental foi também ocupada pouco depois da fundação.[3] Naquela margem se estabeleceu o califa Al-Mamun após 813, quando saiu vitorioso na guerra civil entre os filhos do falecido califa Harun al-Rashid.[2] Entre 836 e 892 a capital do califado foi transferida para Samarra, retornando a Bagdá na época de al-Mutamid. Este califa se estabeleceu, também, na margem oriental do Tigre, que passou a ser o centro da cidade até os dias de hoje.[3]

A partir destes acontecimentos a cidade redonda começou a ser obliterada pelo desenvolvimento urbano de Bagdá. Restos das muralhas da cidade redonda foram visíveis por muitos séculos, mas atualmente nada resta da Bagdá da época da sua fundação.[2] O conhecimento sobre a antiga cidade deriva, assim, de descrições detalhadas contidas em textos medievais.[3] [2]

Referências

  1. a b c d e Mandinat al-Mansur al-Mudawwarah no sítio archnet.
  2. a b c d e f g h i j k Sheila Blair. The construction of Baghdad in Islamic Architecture – Abbasid Period, no sítio Islamic Arts & Architecture
  3. a b c d Andrew Petersen. Baghdad (Madinat al-Salam) no sítio Islamic Arts & Architecture

Ligações externas[editar | editar código-fonte]