Cidade subterrânea de Montreal

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A cidade subterrânea de Montreal (oficialmente 'RÉSO ou La Ville Souterraine em francês ou Underground City em inglês) é o conjunto de complexos (subterrâneos ou não) no centro e a seu redor na cidade de Montreal , Quebec, Canada. É também conhecida como cidade interna (indoor city ou ville intérieure), e é o maior complexo urbano subterrâneo do mundo.[1]

Os andares inferiores do Centro Eaton entre as estações McGill e Peel

Nem todos os segmentos da cidade interna são subterrâneos. As conexões são consideradas do ponto de vista técnico e arquitetônico como túneis, possuindo sistema de ventilação e iluminação. Muitos túneis são suficientemente amplos para abrigar lojas em ambos os lados da passagem. Com mais de 32 km de túneis espalhados por mais de 12 km2, as áreas conectadas incluem shopping centers, prédios de apartamentos, hotéis, condomínios, bancos, escritórios, museus, univeridades, sete estações de metrô, duas estações de trem, um terminal regional de ônibus e o Centre Bell, complexo servindo de anfiteatro e arena. Existem mais de 120 pontos externos de acesso à cidade subterrânea. No inverno, aproximadamente 500.000 pessoas circulam na cidade subterrânea diariamente.


Visão Geral[editar | editar código-fonte]

Em 2004 os segmentos do centro da cidade foram reagrupados e receberam o nome RÉSO, que é um homófono da palavra francesa réseau, ou rede  — como em rede de túneis. O círculo com a flecha apontando para baixo na letra "O" do logotipo simboliza as estações de metrô interligadas à rede e podem ser vistas no exterior das estações. Mapas da rede ostentando o logotipo RÉSO são encontrados através da rede. O maior e mais conhecido segmento está localizado no centro da cidade, delimitado pelas estações McGill e Place-des-Arts na linha verde e entre as estações Lucien-L'Allier e Place-d'Armes na linha laranja.

A cidade subterrânea é promovida como uma atração turística por muitos guias de viagem de Montreal, e impressiona como uma conquista de planejamento urbano. Para muitos habitantes da cidade é considerada como um complexo de compras ligando estações de metrô. Muitas cidades canadenses possuem algum sistema de túneis para ajudar as pessoas a evitar o inverno. Muitas sessões da cidade subterrânea estão abertas durante os horários de operação do metrô, muitos acessos porém fecham fora do horário comercial e outros permanecem abertos. Mapas da cidade subterrânea e do metrô podem ser obtidos gratuitamente em todas as estações de metrô, e a rede de edifícios está indicada em muitos mapas do centro da cidade.

Histórico do segmento central[editar | editar código-fonte]

A visão de uma cidade subterrânea foi originalmente concebida pelo urbanista Vincent Ponte[2] . A primeira ligação da cidade subterrânea surgiu com a construção do edifício Place Ville-Marie e um centro de compras subterrâneo, construídos em 1962 cobrindo o terminal subterrâneo norte da Estação Central. Um túnel fez a ligação até o Hotel Rainha Elizabeth.

Paineis indicando edifícios acessíveis pela cidade subterrânea, na estação Bonaventure
Interior do Place Montreal Trust, um dos centros de compras interligados ao complexo subterrâneo.

O advento do Metro de Montreal em 1966 trouxe túneis ligando a estação Bonaventure ao Hotel Château Champlain, o edifício Place du Canada, Place Bonaventure, Estação Central, e a Estação Windsor, formando o núcleo da cidade subterrânea. A estação Square-Victoria ligou-se à Torre da Bolsa de Valores. Quando aberto ao público em 1966, os túneis do Metro conectavam dez edifícios.

Em 1974, a torre de escritórios do Complexe Desjardins foi construída, iniciando então a construção de um segundo núcleo da cidade subterrânea entre as estações Place-des-Arts e Place-d'Armes do Metro, conectando o edifício federalComplexo Guy-Favreau e o Palácio das Convenções de Montreal.

Entre 1984 e 1992, a cidade subterrânea expandiu-se, com a construção de três importantes centros de compras interligados nas estações Peel e McGill do Metro: Cours Mont-Royal, Place Montréal-Trust e Promenades Cathédrale. A estação McGill já era ligada com a The Bay, a Eaton's (o hoje Complexo les Ailes) o Centre Eaton e dois outros complexos de escritórios. Entre 1984 e 1989, a cidade subterrânea expandiu-se de 12 quilômetros para quase 22 quilômetros.

Durante a década de 1990 outros projetos expandiram a cidade subterrânea, incluindo os edifícios 1000 de La Gauchetière, o 1250 René-Lévesque e o World Trade Centre de Montreal. Apesar destes edifícios possuírem um setor comercial secundário, eles usam suas conexões com a cidade subterrânea como pontos comerciais em seus espaços disponíveis. A construção de um túnel entre o Centre Eaton e Place Ville-Marie unificou as duas partes da cidade subterrânea. A construção do Bell Centre conectou a estação Lucien-L'Allier ao complexo subterrâneo, além de ter substituído a estação Windsor com a estação Lucien-L'Allier de trens de subúrbio.

Túnel entre o edifício Centre CDP Capital e o Palácio de Convenções.

Em 2003, a reurbanização do Distrito internacional de Montreal consolidou diversos segmentos da cidade subterrânea com corredores de pedestres contínuos. A construção da sede da ICAO ligou o edifício Place Bonaventure à estação Square-Victoria de Metro, que por sua vez foi conectada ao Palácio de Convenções. Os novos túneis no Distrito Internacional continham painéis educacionais e artísticos patrocinados por museus da cidade de Montreal. Como resultado de sua construção, atualmente é possível caminhar do centro da cidade, partindo da UQAM, pavilhão Sherbrooke até a estação Lucien-L'Allier de Metro a sudoeste do Bell Centre sem sair à superfície, cobrindo uma distância de 3 quilômetros.

O segmento central conecta sete estações de Metro através de acessos e corredores subterrâneos para pedestres.


Problemas estruturais, interdição em 2007[editar | editar código-fonte]

Em 24 de agosto de 2007 operários descobriram rachaduras de sete metros de comprimento no teto de um corredor subterrâneo ligando a estação McGill de Metro à loja The Bay sob o Boulevard Maisonneuve.[3] A estação, centros de compras subterrâneos bem como lojas e edifícios na superfície foram fechados para permitir a avaliação de riscos de desmoronamento da estrutura. O serviço de Metro foi interrompido entre as estações Berri-UQAM e Lionel-Groulx. Segundo um porta-voz da loja The Bay, operários podem ter causado o dano ao atingirem um pilar próximo.[4] Por dias, equipes de trabalho instalaram suportes de concreto para escorar a estrutura de concreto.

Em 27 de agosto de 2007, o serviço de Metro foi restabelecido e as ruas (à exceção do quarteirão do Boulevard Maisonneueve próximo ao local da ruptura) foram reabertas ao tráfego. O único quarteirão mantido interditado ao tráfego foi aberto aos pedestres. Todos os edifícios foram reabertos, incluindo a The Bay. [5] [6] [7]

Durante inspeção do local, foi descoberto que paineis laterais do edifício 2021 Union corriam risco de queda e reparos de emergência foram executados. Um relatório posterior responsabilizou a construção de uma pista ciclável pelo dano.[8] O Boulevard Maisonneuve foi completamente reaberto ao tráfego em março de 2008.


Referências