Cientificismo

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Cientificismo ou cientismo é um termo forjado na França durante a segunda metade do século XIX (scientisme) para designar a escola de pensamento que aceita apenas a ciência empiricamente verificável como fonte de explicação de tudo que existe. Assim, o termo tem sido aplicado para descrever a visão de que as ciências formais e naturais têm primazia sobre outros campos de pesquisa, tais como as ciências sociais ou humanas.

O cientificismo é também, por vezes, identificado por alguns como sendo a "religião dos céticos" ou mesmo "religião da ciência", dados as suas intransigências e postura às vezes inflexíveis quanto à capacidade do empirismo e da ciência proverem resposta para toda e qualquer questão, e não apenas para aquelas questões que em acordo com a definição encontram-se sob notório escopo da ciência. Nesse contexto o cientificismo caracteriza-se por um naturalismo exacerbado que em termos de origem e suposta abrangência por vezes diverge do naturalismo metodológico presente na ciência moderna.

Uma definição mais contemporânea é oferecida por Michael Shermer, de "The Skeptics Society" (A Sociedade Cética), que se identifica como cientificista, e define o cientificismo como "uma visão científica de mundo que engloba explicações naturais para todos os fenômenos, evita as especulações sobrenaturais e paranormais, e que abraça o empirismo e a razão como os dois pilares de uma filosofia de vida adequada para uma era de ciência." Importante ressaltar que a definição de Michael Shermer encontram-se os pilares também para a definição moderna de ciência, sendo essa por princípio constitutivo também naturalista (naturalismo metodológico), empírica e racional.

A diferença entre ciência e cientificismo encontra-se no escopo de abrangência que imputa-se a cada caso. Enquanto a ciência mantém assuntos e questionamentos notoriamente ligados à metafísica e à teologia do Universo alheios ao seu campo de estudo em virtude desses situarem-se fora das fronteiras que definem a ciência moderna - em nada se pronunciando por tal sobre os mesmos - os cientificismo defende ser possível alcançar as respostas para tais questões transcendentais e todas as demais com base na metodologia científica e no empirismo natural, deslocando assim as fronteiras da ciência de forma a englobar temas de estudo que, por princípio constitutivo, encontrar-se-iam fora de seu escopo dada sua definição precisa. Em sua definição moderna ciência trata do universo tangível, acessível via evidências verificáveis (mas não necessariamente reprodutíveis em laboratório)[1] . Nesses termos compreende-se as criticas do cientificismo às ciências sociais e humanas dadas as naturezas das evidências verificáveis utilizadas nessas áreas de estudos: em comparação com as evidências encontradas nessa áreas em particular, as assim chamadas ciências naturais contam geralmente com fatos certamente mais evidentes aos sentidos, bem como antropologicamente mais imparciais, e para o cientificismo, tudo se explica através desses últimos. O cientificismo pois, além de ampliar o escopo sob seu domínio para além dos domínio da ciência, reduz a gama de evidências científicas aceitáveis que irão corroborar as explicações propostas no escopo em questão.

Descrição[editar | editar código-fonte]

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Em primeiro lugar, podemos falar de um cientificismo de caráter metafísico seria a tendência a acreditar que a ciência física e natural vai resolver todos os problemas de interesse da Metafísica. Seria, portanto, a atitude intelectual de pensar que as ciências experimentais são capazes de fornecer um conhecimento completo do homem, resolvendo todos os problemas e satisfazendo todos os seus desejos, mesmo os mais altamente espirituais.

Em conexão com isso, podemos falar de outro cientificismo de cráter mais metodológico, o que tende a considerar o método quantitativo e experimental das ciências físicas e naturais como o único válido em todos os campos do conhecimento, também nas ciências humanas. A concepção de universo e os métodos dessas ciências devem ser alargados, de acordo com esta mentalidade, para todos os domínios da vida intelectual e moral, sem exceção. Este tipo de cientificismo não aceita, portanto, como conhecimento válido, mais do que a aquisição das ciências chamados "positivas" (as ciências formais e ciências naturais), e não reconhece à razão outro papel além daquele que representa a constituição das ciências.

Esta atitude partiu em parte do empirismo e, depois, de Kant. Kant tentou negar a possibilidade da metafísica como uma ciência com sua teoria peculiar de conhecimento, dizendo que ela é incapaz de apreender a realidade como ela é, mas consiste apenas em uma espécie de fenômenos sensoriais por meio de idéias e julgamentos a priori aos quais se aplica o entendimento.

Cientificismo passou a representar um aspecto violento, embora superficial, das polêmicas anti-metafísicas desenvolvidas por alguns a partir de Kant. Neste sentido, equivale ao positivismo cientificista. A tese central de Comte, o seu principal representante, é que existe apenas um conhecimento autêntico, o das ciências positivas, a ciência dos fenômenos. A filosofia, portanto, não seria um saber distinto e independente; se reduziria para Comte, numa reflexão sobre as ciências.

O que caracteriza a mentalidade cientificista, para não ser confundido com a científica, é a tentativa de objetivar todas as causas, não reconhecendo nada além da objetividade, de integrar o mundo humano ao mundo dos objetos. Há dois princípios básicos, fundamentalmente envolvidos nesta mentalidade:

a) a verdadeira ciência é uma espécie de mecânica universal, capaz de traduzir em termos racionais todos os fenômenos, sem dar uma posição privilegiada para qualquer um deles, mesmo aqueles que ocorrem na escala humana e, portanto, com caractéres qualitativos, mas reduzindo-os em equações quantitativas;
b) o método da ciência consistiria apenas em ordenar e explicar os fatos segundo a necessidade causal. Aplicação, portanto, do determinismo universal ao mundo inteiro, incluindo o mundo humano.

Carnib

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ciência busca explicar a realidade tangível do Universo. Em ciência têm-se consciência e sabe-se lidar muito bem com o fato de que os sentidos humanos, através dos quais necessariamente se dão o reconhecimento das evidências universais, são falhos e iludentes. Nem tudo que se percebe é evidência científica, nem toda evidência científica percebe-se diretamente via sentidos." Evidência verificável pressupõe assim observação necessariamente sistemática e controladas, embora certamente não necessariamente antropologicamente reprodutível, capaz de identificar a realidade por detrás das ilusões ou não percepção.
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