Cientificismo

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O termo cientificismo ou cientismo adquiriu muitos significados durante a história, o sentido predominantemente pelo qual o termo é atualmente entendido é de caráter depreciativo,[1] indicando a atitude de excessiva valorização da ciência, noções científicas ou pretensamente científicas, em qualquer campo da vida prática, intelectual ou moral,[2] na mesma medida em que se nega, denigre e desvaloriza a legitimidade e/ou valor das outras áreas do saber humano, além da cientifica, como a poesia, a arte e etc.[1] Um outro sentido associado ao termo é a tendência intelectual que preconiza a adoção do método científico, tal como é aplicado às ciências naturais, em todas as áreas do saber e da cultura (filosofia, ciências humanas, artes etc.).[1] [3] [2] O termo também é entendido simplesmente como a atitude de se expressar por hábitos e modos típicos de homens da ciência;[1] ou pela sua concepção filosófica de matriz positivista, que afirma a superioridade da ciência sobre todas as outras formas de compreensão humana da realidade (religião, filosofia metafísica etc.), por ser supostamente a única capaz de apresentar benefícios práticos e alcançar autêntico rigor cognitivo.[2]

História[editar | editar código-fonte]

O termo "cientificismo" surgiu no começo do século XIX, no início era de sentido neutro, significava, simplesmente, hábitos e modos de se expressar de um homem da ciência. Nesta época o termo "ciência" tinha perdido seu sentido mais generalizado, que se aplicava a qualquer forma de conhecimento mais ou menos sistematizada, e passou a estar restrito apenas as ciências naturais, bem como à física, química, biologia etc., mas não a história , jurisprudência, teologia, entre outras. Nesta época as ciências naturais já haviam tido expressivo sucesso na aplicação do método científico.[1] Inspirados neste sucesso obtidos pelas ciências naturais, com seus métodos de investigação e controle, ainda na primeira metade do século XIX surge o positivismo, corrente filosófica interessada em substituir as explicações filosóficas, teleológicas e de senso comum pelas quais até então a maioria das pessoas entendiam a realidade. O positivismo reconhecia que os meios reguladores do mundo físico e do mundo social diferiam quanto a sua essência, os primeiros diziam respeito a acontecimentos externos ao ser humano, e os outros eram relativos a questões humanas. No entanto a crença na origem natural de ambos os aproximaram. Por tanto, inspirados no método de investigação das ciências da natureza, os positivistas procuraram identificar na vida social as mesmas relações e princípios com os quais os cientistas explicavam a vida natural.[4] Nas primeiras décadas do século XX, esta tentativa de aplicar os métodos das ciências naturais nestes outros campos de estudo passou a ser chamado de cientificismo, e o termo começou a ganhar um tom negativo.[1] [3] Cientificismo passou a indicar a ampliação da ciência ou do método científico além do seu âmbito científico, isto é, das ciências naturais. Logo começou a ser denunciado como cientificismo, a tentativa de subordinar disciplinas tais como a psicologia, sociologia, antropologia e etc., ao regime metodológico científico, característico até o momento apenas das ciências naturais.[3] Por volta da metade do século XX, o sentido pejorativo do termo se intensificou ainda mais, e passou a ser visto como preconceito,[1] e a ser usado por críticos da ciência para ataca-la.[1] [3] Este sentido se tornou predominante na época, e ainda o é até os dias de hoje.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i Haack, Susan (2012). Seis Sinais de Cientificismo (PDF) p. 5-6. Liga Humanista Secular do Brasil.
  2. a b c Borba, Francisco da Silva. Dicionário UNESP do português contemporâneo. São Paulo: UNESP, 2004. p. 281. ISBN 9788571395763.
  3. a b c d Outhwaite, William. Dicionário do pensamento social do século XX. Rio de Janeiro: Zahar, 1996. p. 86. ISBN 9788571103450.
  4. Costa, Cristina. Sociologia: Introdução á ciência da sociedade. São Paulo: Editora Moderna, 2000. p. 46-7. ISBN 9788516016630.

Ver também[editar | editar código-fonte]