Cinto de castidade

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Um cinto de castidade

O Cinto de castidade foi um acessório projetado para ser usado sobre o ventre, envolvendo totalmente os órgãos genitais e trancado ao redor da cintura por cadeado de modo a frustrar, limitar ou restringir a atividade sexual (penetração), orgasmo e a masturbação. Ao mesmo tempo, o cinto de castidade não impede a realização de outras funções fisiológicas, para que a sua utilização por períodos longos ou até indeterminados seja viável.

Os cintos de castidade podem ter sido usados de forma voluntária com a finalidade de proteção contra estupro, para evitar doenças, infidelidade ou ainda para eliminar a "possibilidade de o usuário cair na tentação e pecar (luxúria)" dentro de preceitos cristãos, e se auto-flagelar dentro de um contexto religioso rigoroso.

Podem ter sido usados de forma obrigatória, com o intuito de torturar fisicamente ou psicologicamente inocentes, para intimidar, punir, coagir ou para obter falsas confissões.

Alguns pesquisadores consideram o uso de cinto de castidade na Idade Média como falácia, isto é, sem comprovação. [1]

De qualquer forma, embora seja contrário ao senso comum, os cintos de castidade não são coisas de um passado remoto. Não são só objetos de museu, não caíram em desuso e nem estão extintos, mas continuam sendo produzidos, vendidos e utilizados hoje em dia, principalmente por homens, porém em um contexto totalmente diferente.

Ao longo dos anos foram criados e aperfeiçoados vários dispositivos, tanto para mulheres quanto para homens, buscando melhorias ergonômicas como segurança, higiene, tamanho e conforto para possibilitar o uso contínuo e indeterminado com maior garantia de eficácia e discrição.

Breve histórico[editar | editar código-fonte]

Provavelmente foi na Europa da Idade Média onde se tem notícia que surgiram os primeiros modelos de cintos de castidade femininos, possivelmente na Itália, na cidade de Carrara, há aproximadamente seiscentos anos atrás e depois na França, Inglaterra e até na Península Ibérica. Mas alguns estudiosos alegam que esses objetos surgiram apenas no início do século XIX.

Há alguns registros de uso de dispositivos de castidade no Japão e Índia feitos de cordas e complexas amarrações. Não há registros de cintos masculinos naquela época, apenas existiam modelos femininos, sempre usados como forma severa de opressão sexual contra atos de traição a seus cônjuges.

A submissão feminina ao cinto não era sempre consensual e havia um viés religioso intrínseco ao uso do aparato. O seu uso era compulsório, bastante desagradável e degradante à mulher, porém era justificado como forma de dominação, mortificação ou para evitar infidelidades, estupros ou o conceito cristão de "pecado da carne" e a "queda ao inferno".

A mulher escondia o cinto de castidade da sociedade da época por debaixo das volumosas saias e vestimentas para evitar embaraço ou zombaria.

Possivelmente, durante a Inquisição, no tempo das Cruzadas e na época das Grandes Navegações, como os homens costumavam se ausentar por meses, anos ou até mesmo por décadas, cuidando de diversos interesses pessoais, religiosos ou do Estado, muitos deixavam as suas esposas, concubinas, filhas ou prometidas desprotegidas, sozinhas e disponíveis ao chamado "pecado" (um conceito cristão de transgressão às severas leis impostas pela Igreja) ou a outros pretendentes. A invenção do cinto de castidade feminino representava uma possibilidade de controle à distância e garantia de posse, em uma sociedade bastante primitiva nas questões das liberdades individuais e direitos da mulher e do homem. Não é de se espantar que na mesma época a prática da escravidão fosse aceita pela sociedade, religião dominante e era praticada amplamente nas colônias como forma de exploração da mão-de-obra de negros e nativos.

Naquela época a abstinência sexual voluntária ou negação do prazer foi considerada como pureza, um tipo de virtude desejável (hoje em dia em algumas culturas e situações esse conceito permanece). O prazer sexual feminino e masculino, liberdade sexual em muitos lugares, inclusive no interior do Brasil, é visto ainda como um tabu ou violação de preceitos de pureza ou rebeldia contra os fundamentos basilares da cultura judaico-cristã. O conceito do "pecado original" e a mitológica "queda de Adão" estão intimamente correlacionados com a bíblica "descoberta do conhecimento do bem e do mal". O prazer sexual feminino é tabu, ou seja, a mulher foi pretensamente a "causadora de todo o mal", pois, segundo a mitologia judaico-cristã, "detém o poder da sedução, recebendo a culpa por atentar contra a pureza da criação". Dessa forma, o uso do cinto, poderia ser justificado e tornado obrigatório e não poderia ser contestado, caso fosse requerido. Não cabia ao homem se educar, conter os seus instintos e desejos sexuais, mas a mulher deveria ser tolhida e se sacrificar para evitar a consumação de atos considerados "libidinosos".

Além de garantir a "virgindade" de forma cruel, o uso do cinto pretensamente "evitava" a disseminação de doenças venéreas, gravidez, estupro e a masturbação. Provavelmente o uso do cinto de castidade também se tornou uma forma de castigo, uma punição para mulheres adúlteras, excessivamente libidinosas ou por pura crueldade ou até por sadismo pervertido. De qualquer forma o uso de cintos foi aceito socialmente como uma forma de controle feminino, com aval religioso e aceitação em conventos, mosteiros e outras instituições religiosas e sociais.

[2]

O Uso atual[editar | editar código-fonte]

Há registro de uso de cintos na França, Alemanha, Américas e Austrália por homens e mulheres no final do século XX. Segundo estatísticas recentes cerca de trinta mil homens vão trabalhar trancados em seus cintos de castidade masculinos no Reino Unido todos os dias, segundo o jornal The guardian. Dessa forma o uso atual é muito mais difundido do que na antiguidade e, curiosamente, se tornou predominantemente masculino. Embora ainda existam diversos modelos femininos disponíveis para aquisição; A novidade realmente são os modelos masculinos, porque além da troca de papéis com relação ao passado, são muito variados em formato, materiais, preço e fabricação. As vendas alcançam percentuais muito superiores aos dos modelos femininos. Todavia, como outrora, o seu uso continua sendo sigiloso para não chocar, causar embaraço ou escárnio.

A utilização atual do cinto de castidade se tornou um ato consciente e opcional (consensual) e pode estar intimamente relacionado com algumas práticas fetichistas, inclusive com o BDSM, porém não exclusivamente, porque pode ser uma opção de um casal interessado em banir definitivamente a possibilidade da traição masculina ou evitar a masturbação por inúmeros motivos.

De qualquer forma, não há qualquer viés violento, religioso ou virtude implícita em seu uso atual.

O homem se submete ao cinto espontaneamente, deixando para sua companheira, guardiã das chaves, a decisão sobre quando, como e onde ocorrerá atividade sexual (ereção, penetração e gozo). Há várias possibilidades para justificar a aceitação masculina do cinto de castidade, dentre elas está a busca de uma nova forma de se relacionar com a companheira, romantismo, qualidade na relação sexual, busca de uma técnica de acúmulo de sémen para incrementar a potência do orgasmo, entrega e até altruísmo nos casos onde a companheira esteja impossibilitada por qualquer motivo.

Talvez por ter consciência da sua dificuldade de conseguir se dominar e se manter fiel perante as diversas tentações, aceita o cinto e dessa forma se afasta definitivamente do perigo da traição, para evitar ter que mentir e passar pelo sofrimento do sentimento de culpa ou arrependimento. Também para demonstrar compromisso ou ainda evitar a compulsão da masturbação e se tornarem sempre dispostos para a prática de jogos sexuais com ou sem penetração, buscando a plena satisfação de suas companheiras.

Por inúmeros motivos muitos homens decidiram abdicar de forma consciente do seu "poder", auto-controle, decisão sobre o seu corpo e de certa forma da sua libido. Dessa forma, se submeteram e se entregaram ao uso do cinto de castidade. Tudo se dá sem coerção, com total cumplicidade da companheira que em geral mantém as chaves inacessíveis e estabelece um programa de metas a ser atingido para obtenção do grande prêmio (retirada do cinto e gozo).

O uso contemporâneo do cinto de castidade masculino quebrou o paradigma da mulher submissa x homem dominante, algo tão comum no passado e na América Latina, mostrando que há outras fórmulas possíveis de relacionamento, baseadas na troca de poderes e papéis, trazendo o foco e o centro da relação para o controle e o prazer feminino, em detrimento da auto-satisfação, egoísmo e poder masculino.

Características desejáveis[editar | editar código-fonte]

Exemplos de cintos de castidade feminino (esquerda) e masculino (direito).

Um cinto de castidade masculino ou feminino deve:

(a) IMPEDIR A PENETRAÇÃO!

Evitar completamente ereção, orgasmo, masturbação e relação sexual. Deve permitir outras funções fisiológicas, respiração, ir ao trabalho normalmente, caminhar e facilitar a higiene corporal.

(b) SER SEGURO!

Deve ser fechado através de cadeado ou dispositivo similar e não pode ser retirado sem a utilização das chaves. Após trancado não pode mais ser retirado por vontade própria.

(c) SER DISCRETO!

Deve ser pequeno e virtualmente imperceptível abaixo de roupas comuns, para permitir utilização por longos períodos ou até indefinidamente.

Observação: Infelizmente o conforto do usuário é levado em consideração apenas de forma secundária em comparação a segurança, higiene e discrição no projeto de cintos de castidade. Dessa forma há um período de adaptação que em geral leva poucas semanas para se completar.

O maior desafio da construção de cintos de castidade masculino é a eficácia. É difícil acompanhar as grandes variações de dimensão de um pênis. Por isto, como um bom terno, um cinto de castidade precisa de medidas personalizadas, embora os modelos prontos de PVC ou aço já atingiram um nível de segurança e configuração com segurança razoável e com custos bem menores. No caso dos modelos femininos, há um grande empecilho a utilização continuada que é a menstruação.

Tipos de modelo masculino[editar | editar código-fonte]

(a) Tipo cinturão com corrente lateral

Nesse modelo de cinto de castidade, o cinturão de 30 mm à 50 mm fica apoiado sobre os quadris, o fechamento é frontal oprimindo a cintura firmemente. Correntes laterais se prendem ao tubo peniano na altura do períneo, passando ao largo do ânus. Existem modelos com cinturão anatômico, forrado com neoprene, silicone ou borracha macia.

- Prós: Segurança e eficácia.

- Contra: Dificuldade de colocação, dificuldade de aquisição (necessita de medidas individualizadas para o correto fechamento), prazo de entrega, dificuldade de higienização, custo elevado, desconforto, peso excessivo (em geral é fabricado em aço), impossibilita viagens de avião ou acesso à bancos com detectores de metal. É comum relatos de dores na coluna na região lombar devido a pose vitoriana forçada.

Obs: Não creio que este tipo de cinto permita utilização indefinida devido as dificuldades de uso, sendo assim, não passa de um objeto de fetiche de curta duração para estimulação sexual e prática de jogos.

(b) Tipo cinturão G-string

Nesse modelo de cinto de castidade, o cinturão também fica apoiado sobre os quadris, o fechamento é frontal, firme ao redor da cintura. Uma haste fixa ou corrente se conecta do cinturão ao tubo peniano, passando diretamente pelo ânus. O conjunto tem a forma de G-string.

- Prós: Segurança e eficácia.

- Contras: As mesmas do modelo anterior, dificuldade de colocação, desconforto, peso, dificulta funções fisiológicas, aquisição complicada, muita dificuldade de higienização e custo elevado.

(c) Tipo gaiola

Não é bem um cinto de castidade, porque não é propriamente um cinto, mas sim um acessório que impede a ereção, penetração e orgasmo. Em geral é construído em ferro ou plástico resistente e formado por três partes, a saber: anel escrotal, tubo peniano e cadeado. Alguns modelos também são usados como CBT.

- Prós: Custo baixo, conforto elevado, facilidade de higienização e possibilita todas as funções fisiológicas e uso indefinido.

- Contras: segurança é menor do que nos modelos de cinturão.

Obs: Nos primeiros modelos difundidos no final do século XX, como o CB-2000, o anel escrotal era circular e fixo. Logo os testículos podiam ser retirados com facilidade com uso de lubrificante e depois todo o cinto saia facilmente. Quanto menor o anel, mais perigosa, demorada, difícil e dolorosa se tornava a sua colocação. Mas mesmo assim, o cinto não se tornava necessariamente mais seguro, porque se o anel podia ser colocado, também podia ser retirado, mesmo com o cadeado fechado com mais ou menos esforço.

O anel rígido limitava consideravelmente a segurança do conjunto, devido principalmente ao movimento de vai-e-vem natural dos testículos e pênis e variação de tamanho relacionado com a temperatura ambiente, situação, sono, cansaço, localização ou estímulo externo.

Com o surgimento dos modelos CB-3000 e CB-6000, o anel deixou de ser rígido, tomando a forma de uma pulseira de uma algema. Então anéis menores puderam ser instalados ao redor dos testículos, com grande eficácia, sem trauma, dor, com melhoria de conforto, simplificando a instalação e melhorando a segurança, evitando dessa forma o problema do escape dos testículos (involuntário ou não), porém o problema do escape do pênis pelo tubo ainda não foi totalmente resolvido no modelo de gaiola simples.

A colocação de travas pontiagudas, um acessório conhecido como gates-of-hell, impede o escape do pênis, mas deixa o cinto desconfortável e causa escoriações segundo diversos relatos.

(d) Tipo gaiola com piercing

Semelhante ao modelo anterior, no entanto, a glande fica permanentemente presa pela uretra por um pequeno cadeado na ponta do tubo que impossibilita totalmente a retirada do pênis pela base do tubo. É o dispositivo mais seguro atualmente. Mas é necessário a colocação de um piercing do tipo PA ou Prince Albert Piercing. A utilização desse tipo de cinto requer uma perfeita cicatrização.

Obs: Os modelos do tipo gaiola podem ser encontrados em aço, plástico rígido ou mistos.

Fabricantes[editar | editar código-fonte]

Há diversos fabricantes na Europa e Estados Unidos, tanto para os modelos de cinturão em aço, quanto dos modelos de gaiola em plástico resistente, aço ou mistos. Todos podem ser encontrados facilmente através dos mecanismos de busca existentes.

Efeitos colaterais[editar | editar código-fonte]

O desconforto inicial, natural após a colocação do cinto de castidade dura no máximo uma ou duas semanas e coincide com uma fase de intensa excitação sexual provocada pelo tubo e anel que ao mesmo tempo impedem a conclusão do estímulo, impedindo a instalação da ereção e negando o gozo. Rapidamente esse estímulo inicial cessa, em alguns dias tipicamente, mas o cinto continua bloqueando qualquer estímulo externo. A insistência pode causar desconforto ou dor, criando uma retro-alimentação negativa, que afasta as tentações e as reações fisiológicas.

Após essa fase de adaptação inicial, é relatado que o cinto de castidade paulatinamente se torna mais confortável e é cada vez menos notado na maior parte do dia, levando ao completo esquecimento, ao menos enquanto não houver nenhum estímulo que provoque ereção. Pelas manhãs, durante a ereção matinal , onde o bloqueio é muito intenso, há grande desconforto.

Com maior tempo de uso, tipicamente seis meses, começa uma nova fase e um processo psicológico de desejo mental e intensa frustração sexual se instala. Independente do uso do cinto, os testículos continuam produzindo sémen que é absorvido pelo organismo mantendo a concentração de testosterona no sangue bastante elevada. O saco aumenta de volume e deixa o conjunto mais firme e seguro. É comum ocorrer pequeno corrimento noturno de fluido seminal. Devido a incapacidade de obtenção de alívio sexual isoladamente, o sentimento de dependência da guardiã das chaves se amplia, desencadeando um processo de submissão extremado. Nesta etapa é que são relatados os maiores benefícios do uso do cinto de castidade pelos casais adeptos a essa prática. Todo orgulho, vaidade e egoísmo do homem são aniquilados.

O cinto de castidade impede que o homem urine de pé, para evitar sujeira este deverá se aliviar sentado e com privacidade. De qualquer forma, a higiene é motivo de preocupação constante para evitar assaduras ou mau cheiro. Se houver problemas, como bolhas, manchas, dor insuportável ou ferida, o cinto deve ser retirado e o treinamento interrompido imediatamente. Outro anel ou outro modelo deve ser escolhido.

O uso do cinto de castidade de forma continuada, sem interrupções, pode comprometer algumas funções ao longo do tempo, principalmente a capacidade e potência da ereção. Após os primeiros meses de uso ininterrupto ocorre um inchaço considerável do saco, que torna o cinto ainda mais seguro. Porém a cor do saco deve ser monitorada constantemente.

Se o anel estiver demasiadamente apertado há risco de escoriação, hematomas e gangrena.

O uso continuado pode causar a inflamação da próstata pela retenção de fluidos que normalmente seriam eliminados com o gozo. Para contornar esse problema, os casais envolvidos com o uso contínuo de cintos de castidade masculinos, costumam recorrer a massagens prostáticas anais, técnica conhecida como ordenha, para evitar o acúmulo de fluidos. Durante esse processo, o cinto não precisa ser removido e bolsas de gelo podem ser aplicadas diretamente nos testículos para evitar qualquer excitação sexual. A ocorrência de corrimento noturno espontâneo indica a necessidade da ordenha.

Referências

  1. Classen, Albrecht (2007), The Medieval Chastity Belt: A Myth-Making Process, Palgrave Macmillan, ISBN 1-4039-7558-2 
  2. "Two historians say chastity belts are purely medieval myths", Houston Chronicle, 23 June 1996, http://www.chron.com/CDA/archives/archive.mpl?id=1996_1349429 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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