Cipó-mariri

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Mariri.jpg

Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Malpighiales
Família: Malpighiaceae
Género: Banisteriopsis
Espécie: B. caapi
Nome binomial
Banisteriopsis caapi
(Spruce ex Griseb.) C.V.Morton[1]

Banisteriopsis caapi, também conhecido como Jagube, liana, Mariri, Yagé ou Caapi, é um cipó nativo da região amazônica, tem sua maior importância no uso religioso. Juntamente com o arbusto Psychotria viridis conhecida como Chacrona, a espécie é matéria-prima na produção de uma bebida conhecida por pelo menos, oitenta nomes diferentes, como, por exemplo, nixi honi xuma (pela tribo dos huni kui)[2] , Yagé, Kamarampi, Caapi, Natema, Pindé, Kahi, Mihi, Dápa, Nixi pae, Cipó dos espíritos, TIUACO, Santo Daime, Vegetal, Hoasca, Oaska ou mais comumente Ayahuasca.

Nomenclatura[editar | editar código-fonte]

O Banisteriopsis caapi e a bebida ayahuasca são também conhecidas por seus nomes indígenas: caapi, yagé (Tukano, Brasana); kapi (Guahibo); kahi (Yekuanas); kahi ide (Makunas); kamarampi (Ashaninka); nixi honi xuma (Amahuaca); mihi (Cubeo); nixi pae (Kaxinaua); nepê/nepi (Colorado); mahí (Cubeo); Ondi (Sharanawa); pildé (Emberá), natema (Jivaro), pindé/pinde (Kaiapa); dápa/dapa (Noanamá); uko (Zaparos)[3] , uni (yawanawás),[4] .

O Banisteriopsis caapi foi descoberto, descrito e classificado como membro da família das Malpighiaceae pelo botânico inglês Richard Spruce, que, entre 1849 a 1864, viajou intensamente através da Amazônia brasileira, venezuelana e equatoriana, para montar um inventário da variedade de espécies de plantas lá encontradas na companhia de Alfred Russel Wallace e Henry Walter Bates. Ele conduziu um trabalho que reuniu mais de 30 000 espécimes vegetais da Amazônia e dos Andes, incluindo além do caapi os gêneros da seringueira ( Hevea ) e cinchona, da qual o quinino é derivado. Quanto às Malpighiaceae, esse estudo não só procedeu a descrição botânica da espécie como também sua utilização ritual (Dabocuri) pelos índios do Rio Uapés. Segundo ele, os nomes indígenas dessa espécie são caapi no Brasil e Venezuela, cadaná entre os índios Tukano do Uapés e Aia-huasca no Equador.[5]

Hoene (o.c) descreve ainda o encontro e identificação do Banisteriopsis inebrians (Morton); B. rusbyana (Ndz.) Morton; B. quitensis (Ndz.) Morton, todas elas identificadas nas regiões setentrionais na América do Sul por e com ação semelhante à B. caapi. [6]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Existem diversos nomes para as duas variedades de Mariri conhecidas, o Tucunacá, Caupuri,tais como Quebrador, Ourinho e Pajezinho. Não há estudos científicos que identifiquem essas variedades diferenciando-as. Sendo assim, é comum tratar essas variedades como sendo a Banisteriopsis caapi. Sem dúvida, dentre as espécies mais utilizadas para o preparo do chá religioso, todas são do gênero Banisteriopsis.

Dentre as entidades religiosas que tem como base de seus rituais o uso da Ayahuasca, o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, conhecido mais como União do Vegetal ou UDV, fundada e recriada pelo baiano José Gabriel da Costa, o Mestre Gabriel em Rondônia. A entidade ayahuasqueira mais antiga da idade contemporânea é o Centro de Iluminação Cristã Luz Universal, conhecido como Alto Santo ou CICLU, fundado pelo maranhense Raimundo Irineu Serra, o Mestre Irineu em meados de 1930 no estado do Acre.

Juntamente com essas duas primeiras, a Barquinha, fundada no estado do Acre pelo também maranhense Daniel Pereira de Matos, formam linhas de uso da Ayahuasca em contexto urbano. Outra linha ayahuasqueira de grande importância é a linha fundada pelo amazonense Sebastião Mota, a qual é conhecida como Cefluris.

Já existem muitos estudos científicos que comprovam a inofensividade da bebida.[carece de fontes?] E seu uso religioso é legalizado em todo território brasileiro e em mais alguns países, como Estados Unidos e Espanha.

Referências

  1. Banisteriopsis caapi information from NPGS/GRIN www.ars-grin.gov. Visitado em 2008-05-04.
  2. Lamb, Bruce. O Feiticeiro do Alto Amazonas. 1. ed. [S.l.]: Rocco. p. 1-176. ISBN 85-3250-297-0.
  3. BOLSANELO Débora. Em busca do Graal brasileiro: a doutrina do Santo Daime. RJ, Bertrand Brasil, 1995
  4. LUZ, Pedro. O uso ameríndio do caapi. in LABATE Beatriz C.; ARAUJO, Wladimir S. (org.) O uso ritual da ayahuasca. Campinas, SP, Mercado de Letras – FAPESP, 2002
  5. HOENE, F. C. Plantas tóxicas e medicinais.SP, Graphicars - Depto de Botânica do Estado de São Paulo, 1939 p.162
  6. MORTON, C. V. Morton. Notes on yagé, a drug plant of southeastern Colombia. Journal of the Washington Academy of Sciences. Vol. 21, no 20 dec. 4. apud HOENE, 1939 (o.c.)
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