Circulação do sangue

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Em azul o sangue venoso, em vermelho o sangue arterial

O termo circulação refere-se ao movimento de um fluido ao longo de um circuito fechado. A circulação do sangue é o movimento do sangue originado pelo bombeamento do coração que o envia para as artérias. A função circulatória é, basicamente, uma função de transporte.

A circulação do sangue faz-se em dois circuitos separados anatomicamente e com funções diferentes:

  • Circulação pulmonar ou Pequena circulação pela qual são realizadas as trocas gasosas oxigênio e anidrido carbónico
  • Circulação sistémica ou Grande circulação que permite levar os nutrientes e oxigénio aos tecidos e receber os produtos finais do metabolismo para serem excretados, assim como levar as hormonas aos seus órgãos alvo.[1]
Estátua de João Rodrigues, Amato Lusitano, no centro de Castelo Branco, no jardim que tem o seu nome.

História[editar | editar código-fonte]

Circulação pulmonar[editar | editar código-fonte]

Circulação Pulmonar ou Pequena circulação é a designação dada à parte da circulação sanguínea na qual o sangue é bombeado para os pulmões e volta, livre do anidrido carbónico (CO2) e rico em oxigénio (O2) ao coração. Ao chegar à aurícula direita pelas veias cavas superior e inferior, o sangue passa da aurícula para o ventrículo direito. Quando este, por sua vez, se contrai, dá-se a ejeção ventricular direita para a artéria pulmonar que dividindo-se em direita e esquerda vai levar o sangue aos dois pulmões.

Diagrama da circulação pulmonar. o Sangue oxigenado apresenta-se a vermelho; o sangue venoso em azul.

As artérias pulmonares dividem-se e sub-dividem-se até se tornarem numa rede capilar nas paredes alveolares onde vão ter lugar as trocas gasosas com difusão do Dióxido de carbono ou Anidrido carbónico (CO2) dissolvido no plasma e captação do O2, que compõe 21% do ar, o qual se fixa nos glóbulos vermelhos, mais exatamente na hemoglobina contida nesses glóbulos. Para que essas trocas sejam possíveis as paredes alveolares estão revestida por surfactante, uma molécula tensoativa ( complexa segregada continuamente pelos pneumócitos alveolares de tipo 2. Uma vez oxigenado, o sangue flui da vertente venosa capilar das paredes alveolares, para pequenas vénulas que juntam e formam veias cada vez de maior calibre até se tornarem as veias pulmonares que drenam na aurícula esquerda. Esta, ao contrair-se envia o sangue para o ventrículo esquerdo e a Circulação sistémica ou Grande circulação, começa.[1] Para além desta circulação que é funcional os pulmões têm uma circulação proveniente das artérias brônquicas que providencia a alimentação dos pulmões em nutrientes necessários.

Circulação sistémica[editar | editar código-fonte]

Chegado ao ventrículo esquerdo o sangue arterializado é bombeado para a artéria aorta e seus ramos, atingindo todas as partes do corpo humano, ramificando-se em artérias de calibre cada vez menor até atingir a vertente arterial capilar e libertar o tão precioso oxigénio aos tecidos para que a respiração celular seja possível. Recolhe os produtos finais do metabolismo celular e volta, percorrendo o caminho inverso, ou seja: vertente venosa da rede capilar, vénulas, veias até atingir a veia cava inferior ou a veia cava superior, dependendo da região e drena de novo na aurícula direita. As veias contêm cerca de 70% do volume sanguíneo total, ao contrário das artérias que transportam só cerca de 15%.[1] [2]

Circulação capilar[editar | editar código-fonte]

Rede capilar
Illu capillary microcirculation.jpg

A circulação capilar faz parte da microcirculação. É a este nível circulatório que se dá a função major de toda a circulação: a troca de nutrientes entre o sangue e as células e a recolha das substâncias nocivas, produtos finais do metabolismo celular. Ao chegar às células as arteríolas transformam-se em metarteríolas adquirindo pequenos esfíncteres que se relaxam e contraem 5 a 10 vezes por minuto regulando o débito de sangue a este nível. Este débito depende das necessidades da célula em oxigénio. Por sua vez as metarteríolas transformam-se em capilares, perdendo a camada muscular e os esfíncteres. Os capilares têm assim uma parede muito fina, constituída só pela íntima (a camada interna vascular), com poros que deixam passar os iões e as moléculas hidrossolúveis para o tecido intersticial e posteriormente atravessam a membrana celular para o interior da célula. Isto facilita as trocas gasosas e de outros nutrientes, sem necessidade de mecanismos de transporte, permitindo uma difusão bi-direcional dependente de gradientes osmóticos como descrito na tão conhecida equação de Starling:

\ J_v = K_f ( [P_c - P_i] - R [\pi_c - \pi_i] )

Onde

  •  ( [P_c - P_i] - R [\pi_c - \pi_i] ) força de drenagem,
  •  K_f é a constante de proporcionalidade,
  •  J_v o movimento do fluido entre o capilar e o tecido intersticial.

De acordo com esta equação, simplificada para o capilar sanguíneo, o movimento de um fluido, neste caso o sangue, depende assim de 5 variáveis:

\ J_v = K_f ( [P_c - P_i] - [\pi_c - \pi_i] )
  1. Pressão hidrostática capilar ( Pc )
  2. Pressão hidrostática intersticial ( Pi )
  3. Pressão oncótica capilar ( πz )
  4. Pressão oncótica intersticial ( πi )
  5. Coeficiente de filtração ( Kf )

O coeficiente de reflexão ( R ) que exprime a impermeabilidade da parede às proteinas é, em condiçóes normais, igual a 1. A parede capilar não deixa passar proteinas. Só será considerado em casos patológicos com aumento da permeabilidade às proteinas e R <1.[1]

Referências

  1. a b c d Guyton Textbook of Medical Physiology, 10e edition, Arthur Guyton and John Hall, 2000, ISBN-10: 072168677X
  2. Fisiologia Cardiovascular. Visitado em 25-11-2012.
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