Cirene (cidade)

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Pix.gif Sítio Arqueológico de Cirene *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Cyrene1.jpg
As ruínas de Cirene
País Líbia
Critérios ii, iii, vi
Referência 190
Coordenadas 32° 49′ N 21° 51′ E
Histórico de inscrição
Inscrição 1982  (6ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.

Cirene ou Cirena (em grego: Κυρήνη, transl. Kyrénē) foi uma antiga colônia grega na atual Líbia, a mais antiga e mais importante das cinco cidades gregas da região. A cidade deu o nome à região oriental da Líbia, Cirenaica.

Cirene foi fundada em um vale fértil nas terras altas de Jebel Akhdar. Batizada em homenagem a uma fonte, Kyre, que os gregos consagraram a Apolo, a cidade foi no século III a.C. sede de uma famosa escola de filosofia fundada por Aristipo, um discípulo de Sócrates.

História[editar | editar código-fonte]

Mitologia[editar | editar código-fonte]

Segundo Diodoro Sículo, a cidade foi fundada pelo deus Apolo, em honra a Cirene, filha de Hipseu, uma jovem muito bela da Tessália que ele raptou e levou para a Líbia[1] .

O período grego[editar | editar código-fonte]

Cirene foi fundada em 630 a.C.. Era uma colônia dos gregos lacedemônios vindos da ilha grega de Thera (antigamente chamada de Calliste, e atualmente de Santorini), liderados pelo rei Bato,[2] [3] a dez milhas do seu porto, Apolônia (Marsa Sousa).

A cidade cresceu bastante durante o reinado de Bato II, neto do fundador Bato, quando vários colonos da Grécia chegaram, e derrotou um exército egípcio.[4] Logo tornou-se a principal cidade da Líbia, e estabeleceu relações comerciais com todas as cidades gregas, atingindo o auge de sua prosperidade sob seus próprios reis no século V a.C..

Logo depois de 460 a.C. tornou-se uma república, e depois da morte de Alexandre III da Macedônia (323 a.C.), quando passou para a dependência dos lágidas.

Ofelas, o general que ocupou a cidade em nome de Ptolemeu I Sóter, governou-a de forma quase independente até a sua morte, quando o genro de Ptolemeu, Magas, recebeu o governo do território. Em 276 a.C. Magas coroou-se o rei e declarou a independência, casando-se com a filha do rei selêucida e formando com ele uma aliança para invadir o Egito. A invasão foi mal-sucedida e, em 250 a.C., após a morte de Magas, a cidade foi reintegrada ao Egito ptolomaico.

A Cirenaica tornou-se parte do império Ptolemaico, controlado a partir de Alexandria, e passou para o domínio romano em 96 a.C. quando Ptolemeu Ápion legou a Cirenaica a Roma. Em 74 a.C. o território foi formalmente transformado em província romana.

O período romano[editar | editar código-fonte]

Os habitantes de Cirene na época de Sula (cerca de 85 a.C.) estavam divididos em quatro classes: cidadãos, fazendeiros, estrangeiros residentes e judeus, que formavam uma inquieta minoria. Ptolemeu Ápion, antigo governante da cidade, a legara aos romanos, mas ela manteve sua autonomia. A Cirenaica tornou-se uma província romana dez anos mais tarde; e se sob os Ptolemeus a população judaica da cidade gozava de direitos iguais aos do resto da população, agora ela se encontrava cada vez mais oprimida pela população grega. As tensões chegaram em seu ponto máximo com as insurreições dos judeus durante os períodos de Vespasiano (73 d.C.) e, especialmente, no de Trajano (117 d.C.). Esta revolta foi debelada por Márcio Turbo, mas não sem que antes morresse um grande número de pessoas.[5] De acordo com Eusébio de Cesareia a violência do episódio deixou a Líbia despovoada a tal ponto que alguns anos mais tarde novas colónias tiveram de ser estabelecidas ali pelo imperador Adriano para que se mantivesse a viabilidade de um estabelecimento humano contínuo na região.

Decadência[editar | editar código-fonte]

O principal produto de exportação de Cirene através de boa parte de sua história, o sílfio, uma erva medicinal que ilustrava a maioria das moedas de Cirene, acabou sendo colhido até a extinção, e a competição comercial de Cartago e Alexandria reduziu o comércio da cidade. Cirene, com o seu porto de Apolônia (Marsa Susa), permaneceu um importante centro urbano até o terremoto de 262. Após o desastre o imperador Cláudio, o Gótico restaurou Cirene, dando-lhe o nome de Cláudiopolis, mas o restauro foi pobre e precário e a decadência atingiu Cirene de forma irremediável. Catástrofes naturais e um profundo declínio económico ditam a sua morte, e no ano de 365 um sismo particularmente devastador destruiuas suas poucas esperanças de recuperação. Amiano Marcelino a descreveu no século IV como uma cidade deserta, e Sinésio, um nativo de Cirene, a descreveu no século seguinte como uma vasta ruína à mercê dos nômades.

O capítulo final ocorreu em 643, com a conquista árabe. Das opulentas cidades romanas do norte de África e da Cirenaica pouco restará. As ruínas de Cirene se encontram próximas à cidade moderna de Shahhat, em território líbio.

Filosofia[editar | editar código-fonte]

Cirene foi a terra-natal de Eratóstenes, e teve seu nome associado a um grande número de filósofos, incluindo Aristipo, pai da escola cirenaica, Calímaco, Carnéades e sua sucessora Arete, e Sinésio, bispo de Ptolemaida no século IV.

Arqueologia[editar | editar código-fonte]

Cirene hoje é um sítio arqueológico perto da vila de Shahhat. Uma de suas atrações mais importantes é o templo de Apolo, que teria sido construído inicialmente no século VII a.C.. Outras estruturas antigas incluem um templo de Deméter e um templo de Zeus, ainda parcialmente por escavar (teria sido danificado intencionalmente por ordens de Muammar al-Gaddafi no verão de 1978).[carece de fontes?] Há também uma grande necrópole, a aproximadamente 10 km entre Cirene e o seu antigo porto de Apolônia.

Cirene na Bíblia[editar | editar código-fonte]

Cirene é mencionada no Segundo Livro dos Macabeus.

O próprio livro é considerado pelo seu autor como um resumo de uma obra de cinco volumes de autoria de um judeu helenizado de nome Jasão, que teria vivido em torno de 100 d.C. (tanto a Igreja Católica como a Ortodoxa consideram o Segundo Livro dos Macabeus como canônico; as igrejas protestantes não). Cirene também é mencionada no Novo Testamento: um certo Simão carregou a cruz de Cristo (Marcos 15:21 e paralelos). Ver também Atos 2:10, 6:9; 11:20; 13:1. Também Cirene é citada no livro de Atos dos Apóstolos, no capitulo 6 e versículo 9 referindo-se aos judeus de Cirene que foram juntos com os judeus de Alexandria e das províncias da Cilícia e da Ásia, para discutir com Estevão. Pertenciam estes a chamada "Sinagoga dos Libertos".

Novas descobertas[editar | editar código-fonte]

Em 2005, arqueólogos italianos da universidade de Urbino descobriram em Cirene 76 estátuas romanas intactas, datadas do século II. As estátuas permaneceram sem ser descobertas por tanto tempo porque "durante o terremoto de 375 d.C. uma das paredes do templo caiu sobre todas as estátuas, que permaneceram escondidas sob pedras, entulho e terra por 1.600 anos. As outras paredes abrigaram as estátuas, então pudemos recuperar todas as peças, mesmo das obras que haviam sido quebradas."[6]

Referências

  1. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro IV, 81.1 [ael/fr][en][en]
  2. Heródoto, Histórias, Livro IV, Melpômene, 153 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  3. Calímaco, citado por Estrabão, Geografia, Livro XVII, Capítulo 21, 1 [fr] [en] [en] [en]
  4. Heródoto, Histórias, Livro IV, Melpômene, 159 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  5. Cássio Dio, lxviii. 32 [em linha]
  6. Entrevista com o arqueólogo Mario Luni

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

[{Categoria:Colônias gregas]]