Cirilo de Jerusalém

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São Cirilo de Jerusalém
Afresco numa igreja grego ortodoxa
Patriarca de Jerusalém,
Apologista e Doutor da Igreja
Nascimento ca. 313
Morte 386
Veneração por Toda a Cristandade
Festa litúrgica 18 de Março
Gloriole.svg Portal dos Santos

Cirilo de Jerusalém foi o bispo da Igreja de Jerusalém, em sucessão ao bispo Máximo III, entre 350 e 386 d.C., com várias interrupções por conta da controvérsia ariana.

É considerado grande Doutor e apologista da Igreja.

Escreveu as Catequeses, em que expõe a doutrina da fé e ensinamentos da Bíblia, designadamente distinguindo os textos canónicos dos apócrifos[1] .

Vida[editar | editar código-fonte]

Pouco se sabe sobre sua vida antes do episcopado, a não ser seu nascimento em 315 d.C.[2] Cirilo foi ordenado diácono pelo bispo Macário de Jerusalém em 335 e padre oito anos mais tarde pelo bispo Máximo III. No fim de 350, ele o sucedeu na sé de Jerusalém.[3]

Conflito com os arianos[editar | editar código-fonte]

O episcopado de Cirilo foi, porém, manchado por sua disputa com Acácio, o arcebispo de Cesareia, que era um semi-ariano. Após perceber que não conseguiria convencer Cirilo de suas posições, Acácio arrastou-o para uma discussão sobre a exata posição hierárquica da Igreja de Jerusalém. Cirilo então denunciou o semi-arianismo de Acácio, que respondeu convocando um concílio, em 357, que acusou Cirilo de desobediência (por ter se recusado a participar) e de ser perdulário com o dinheiro da Igreja (quando houve uma grande carestia, Cirilo vendeu bens da Igreja para doar aos que passavam fome). Cirilo foi deposto pela primeira vez e Eutíquio, um ariano, foi eleito em seu lugar. Ele reinou até 359, quando um concílio de cento e cinquenta bispos foi convocado em Selêucia para repor Cirilo e depor Acácio. Este então foi até Constantinopla e persuadiu o imperador bizantino Constâncio II (r. 337-361), que também era ariano, a exilar Cirilo (em 360). O pedido de Acácio foi aceito e um tal Irineu, também ariano, foi colocado em seu lugar.[2]

Cirilo só conseguiu retornar em 361 d.C., quando Juliano, o Apóstata (r. 360-363), com o objetivo de enfraquecer a Igreja alimentando conflitos, permitiu que os bispos exilados retornassem às suas sés. Nesta mesma época, aproveitando-se do apoio do imperador, os judeus tentaram reconstruir o Templo de Jerusalém, mas falharam. Cirilo conseguiu permanecer em Jerusalém até 367, conseguindo no período indicar seu sobrinho, Gelásio, como arcebispo de Cesareia (367-395). Então, um outro ariano, Hilário, depôs Cirilo e tomou para si o trono episcopal, provavelmente com a ajuda do imperador Valente (r. 364-378). Cirilo foi exilado pela terceira vez e só conseguiu retornar quando o imperador ortodoxo Teodósio I (r. 379-395) ascendeu ao trono.[2]

A jurisdição de Cirilo em Jerusalém foi expressamente confirmada pelo Primeiro Concílio de Constantinopla (381), em que ele esteve presente. Lá, ele votou pela aceitação do termo homoousios, tendo sido finalmente convencido de que não havia alternativa melhor.[2] [3]

Posição teológica[editar | editar código-fonte]

Embora sua teologia fosse inicialmente algo indefinida na fraseologia, Cirilo aderiu completamente à ortodoxia de Niceia.[2] Ainda que ele evitasse o discutível termo homoousios, ele expressou seu sentido em muitas passagens, que exclui igualmente o patripassianismo, o sabelianismo e a fórmula "houve um tempo em que o Filho não existia", atribuída à Ário. Em outros pontos, ele toma o terreno comum dos Padres do Oriente, como na ênfase que ele coloca sobre a liberdade da vontade [carece de fontes?], o autexousion (em grego: αὐτεξούσιον), e o fato de que ele não percebeu algo que era muito evidente no ocidente: o pecado. Para ele, o pecado é a consequência da liberdade, não uma condição natural. O corpo não é a causa, mas o instrumento de pecado. O remédio para ela é o arrependimento, alvo maior de sua insistência.

Como muitos dos Padres do Oriente, ele tem uma concepção essencialmente moralista do cristianismo [carece de fontes?]. Sua doutrina da ressurreição não é tão realista como a de outros Padres da Igreja, mas a sua concepção da Igreja é definitivamente empírica: a forma existente da Igreja Católica seria a verdadeira, desejada por Cristo, a realização da Igreja do Antigo Testamento. Sua doutrina sobre a Eucaristia é notável. Se ele às vezes parece se aproximar o ponto de vista simbólico, em outros momentos ele chega muito perto de uma forte doutrina realista. O pão e o vinho não são elementos simples, mas o corpo e sangue de Cristo [carece de fontes?].

Catequese[editar | editar código-fonte]

Suas famosas vinte e três aulas de catequese (em grego: Κατηχήσεις) que ele pregou - ainda presbítero em 347 ou 348 - contêm instruções sobre os principais temas da fé cristã e pratica, mais popularmente do que de uma forma científica, cheio de um amor e carinho pastorais para com os catecúmenos. Cada palestra é baseada em um texto da Bíblia, e há uma abundância de citação bíblica por toda parte. Após uma introdução geral, dezoito palestras seguem para os competentes, e as cinco restantes são dirigidas para os recém-batizados, em preparação para a recepção da Eucaristia. Estas orientações finais são chamadas de mistagógicas (em grego: μυσταγωγικαί), porque eles lidam com os mistérios (em grego: μυστήρια), ou seja, os sacramentos do batismo, da confirmação e da eucaristia.[4]

Paralelamente à exposição do credo como era então recebido na Igreja de Jerusalém, há vigorosas polêmicas contra os pagãos, judeus e hereges. Eles são de grande importância para mostrar como era o método de ensino da época, bem como as práticas litúrgicas do período, da qual eles dão a maior consideração existentes.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Cirilo de Jerusalém
(350 - 386)
Precedido por: PatriarchsCross.svg
Lista sucessória dos patriarcas de Jerusalém
Sucedido por:
Máximo III 41.º João II


Referências

  1. S. Cirilo de Jerusalém, bispo, Doutor da Igreja, +386, Evangelizo.org, 18 de Março de 2013
  2. a b c d e A História da Igreja de Jerusalém (em inglês). More Who is Who. Página visitada em 26 de maio de 2012.
  3. a b Rev. Hugo Hoever, S.O.Cist., Ph.D., ed. Lives of the Saints, For Every Day of the Year (em inglês). Nova Iorque: Catholic Book Publishing Co, 1955. 112 p.
  4. Donald Attwater e Catherine Rachel John. The Penguin Dictionary of Saints, 3rd Edition (em inglês). Nova Iorque: Peguin Putnam Inc, 1995. 101 p.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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