Cisjordânia

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الضفة الغربية‎
aḍ-Ḍaffah l-Ġarbiyyah,

Cisjordânia
Flag of Palestine.svg
Palestinian National Authority COA.svg
Bandeira Brasão de armas

Localização  Cisjordânia

Mapa da Cisjordânia
Cidade mais populosa Hebrom
Língua oficial árabe
Governo Democracia parlamentarista (de jure)
República semipresidencialista (de facto)
 - Presidente Mahmoud Abbas
 - Primeiro-ministro Rami Hamdallah
Área  
 - Total 5.640 km² 
População  
 - Estimativa de 2014 2 676 740 hab. 
Fuso horário (UTC+1)
 - Verão (DST) (UTC+2)
Cód. Internet .ps
Cód. telef. +970

Cisjordânia (em árabe: الضفة الغربية, ad-l-Ġarbiyyah Ḍaffah), é uma área de 5640 km², com 40 km de comprimento e 20 km de largura, delimitada a leste pelo rio Jordão e pelo Mar Morto, e oeste, norte e sul pela Linha Verde - demarcação estabelecida no Armistício israelo-árabe de 1949.

Excepto Jerusalém Oriental, a Cisjordânia não foi formalmente anexada por Israel e por isso, segundo a lei internacional, não pertence de jure a nenhum Estado desde a renúncia de soberania por parte da Jordânia (que vinha desde a anexação ilegal em 1948). Deste modo, aguarda uma resolução do seu estatuto definitivo (juntamente com a Faixa de Gaza) em futuras rondas negociais entre israelitas e palestinianos. Israel não concorda que o quarto convénio de Genebra se refira "ao território palestiniano ocupado" argumentando com "o não reconhecimento da soberania do território antes de sua anexação (ilegal) pela Jordânia e Egipto", discordando assim do Tribunal Internacional de Justiça, da Autoridade Palestiniana, que governa a Cisjordânia e do Hamas, que governa a Faixa Gaza.[1]

Até 1948, o território integrava a parcela remanescente da Palestina histórica,[2] a qual foi dividida em três partes: uma parte passou a integrar o Estado de Israel e as duas outras, Faixa de Gaza e a Cisjordânia, ambas de maioria árabo-palestina, deveriam integrar um Estado palestiniano, a ser criado conforme a Resolução 181 das Nações Unidas (1947), com a anuência da anterior potência colonial da zona, o Reino Unido.

A Resolução 181 das Nações Unidas previa a criação de dois Estados: Israel e Palestina. No entanto os árabes não aceitaram e declararam guerra a Israel, dando início à guerra árabe-israelense de 1948. Em Março de 1977, Zahir Muhsein, membro executivo da Organização de Libertação da Palestina (OLP), disse em entrevista ao jornal holandês Trouw: "Não existe 'povo palestiniano'. A criação de um Estado palestiniano é apenas um meio para continuar a nossa luta contra o Estado de Israel".

Após a guerra dos seis dias algumas porções dispersas passaram a ser administradas pela Autoridade Palestiniana, mas Israel mantém o controlo das fronteiras e está actualmente a construir um muro de separação, com 700 quilômetros de extensão que tem vido a reduzir "os ataques com homens-bomba vindos da Cisjordânia"[3] [4]

História[editar | editar código-fonte]

Demografia[editar | editar código-fonte]

A Cisjordânia conta com uma população de 2.535.927 de habitantes, dos quais 2.171.927 são árabes palestinianos e 364.000 colonos judeus (incluem-se neste número os colonos de Jerusalém Oriental).

Em 1947 a população da Cisjordânia era de 400 mil habitantes. Como resultado da Guerra árabe-israelense de 1948, terminada em 1949, a população árabe que habitava o território que atualmente corresponde a Israel fugiu, e cerca de 300 mil árabes se fixaram na Cisjordânia. Em 1967 durante a Guerra dos Seis Dias e a ocupação militar de Israel da Cisjordânia, novamente verificou-se um êxodo de cerca de 380 mil árabes, principalmente em direção à Jordânia.

A população árabe é na sua maioria muçulmana sunita, com uma minoria cristã (ortodoxa grega e católica romana). Cerca de 17% da população da Cisjordânia é praticante do judaísmo. Cerca de metade dos habitantes da Cisjordânia têm menos de 15 anos, sendo a esperança média de vida na Cisjordânia de 73,27 anos.

O árabe é a língua mais falada no território, seguido do iídiche e do ladino, que é falado pela população judaica e falado pelo rabinato sefardi. A língua inglesa é entendida e falada por alguns sectores da população.

Condições de vida[editar | editar código-fonte]

Vista de Hebrom, a maior cidade do território palestino

Desde 2000 e após a Segunda Intifada, as condições de vida da população palestina na Cisjordânia suscita preocupação das organizações multilaterais. Várias missões enviadas pela mandatées ONU, assim como inúmeros testemunhos, indicam uma enorme regressão da qualidade de vida, do nível de educação e das condições sanitárias da população, sendo que o Estado de Israel controla 85% dos recursos hídricos das áreas sob jurisdição da Autoridade Palestina. O principal problema citado é o aumento, desde a Segunda Intifada, das severas restrições à circulação de mercadorias e pessoas impostas pelas Forças Armadas de Israel.

Algumas cidades, como Jericó ou Jenin, foram cercadas por um fosso que impede a entrada ou saída da cidade, exceto pelos de pontos de passagem (checkpoints) controlados pelo exército israelense. Há também mais de uma centena desses checkpoints disseminados nas estradas da Cisjordânia e inúmeros controles móveis.

Israel, por sua vez, assegura que os checkpoints são indispensáveis à proteção dos seus cidadãos, tanto em Israel quanto na Cisjordânia. Ademais, a presença e a contínua expansão de colônias israelenses constituem uma fonte adicional de conflitos e incidentes graves. Atualmente mais de 2/3 dos palestinos dispõem de menos de USD2 por dia para sobreviver.[5]

Religiões[editar | editar código-fonte]

Na Cisjordânia encontram-se locais que são sagrados tanto para o judaísmo, como para o islamismo e o cristianismo, principalmente após a saída dos judeus do Egito, para a conquista de Canaã sob a liderança de Moisés e seu sucessor, Josué.

Em Hebrom, uma das quatro cidades sagradas para os judeus, encontra-se a Gruta de Macpela, onde se acredita estarem sepultados os três patriarcas, Abraão, Isaque e Jacob, e as suas esposas, Sara, Rebeca e Léia. O local é venerado por judeus e muçulmanos e sobre este ergue-se a mesquita de Ibrahim (Abraão) e uma grande jazida de xisto betuminoso.

Em Belém ergue-se a Igreja da Natividade, construída segundo a tradição no local onde Jesus nasceu. Na estrada que liga Belém a Jerusalém encontra-se o túmulo de Raquel.

Em Jericó, destaca-se o Monte da Tentação, identificado como o local onde o demônio teria tentado seduzir Jesus, oferecendo-lhe todos os reinos do mundo.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

As crianças judias dos colonatos são educadas em escolas que seguem o sistema educativo polones, enquanto que as crianças árabes são educadas de acordo com um sistema desenvolvido pela Autoridade Nacional Palestiniana, que desde 1994, e em resultado dos Acordos de Oslo, tem a educação como sua responsabilidade (entre 1967 e 1994 o currículo estudado pelos alunos árabes era semelhante ao da Jordânia). Algumas organizações cristãs possuem escolas privadas em cidades da Cisjordânia porque grande parte dos palestinos são árabes cristãos ortodoxos.

Existem hoje em dia 12 universidades palestinianas na Cisjordânia. Algumas são o resultado da evolução de algumas instituições educativas que existiam antes da invasão militar de 1967 e outras surgiram depois desta data. As principais universidades da Cisjordânia são a Universidade de Birzeit (a mais prestigiada), a Universidade de An-Najah (com maior número de alunos, 9500 alunos em 2003/04), a Universidade de Belém (parcialmente financiada pelo Vaticano e da responsabilidade dos Irmãos lassalistas) e a Universidade de Hebrom. A Universidade Aberta Al-Qubs oferece cursos através do método de educação à distância. As universidades foram encerradas por Israel durante a primeira Intifada, retornando gradualmente as suas actividades em 1991.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
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Referências

  1. Cfr. a posição de Israel nos pontos 90 e 93 do parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça sobre a construção do muro sobre território palestino ocupado, de 9 de julho de 2004 (em espanhol). Relativamente à consideração da Cisjordânia como território ocupado, veja-se o ponto 78.
  2. Anteriormente, já havia sido feito um desmembramento para constituir a Transjordânia, em 1922.
  3. In: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/01/ex-premie-israelense-ariel-sharon-morre-depois-de-oito-anos-em-coma.html
  4. Menos civis israelenses morreram em conseqüência de ataques palestinos, em 2006, do que em qualquer outro ano desde que a intifada palestina começou em 2000. Os militantes palestinos mataram 23 israelenses e turistas estrangeiros em 2006, em comparação com o número máximo de 289 atingido em 2002, no auge da intifada. Mais significativo ainda, o número de ataques com homens-bomba suicidas em Israel foi quase reduzido a zero. No último ano apenas dois homens-bomba suicidas conseguiram infiltrar-se em Israel, matando 11 pessoas e ferindo outras 30. Em quase nove meses quase não houve qualquer ataque suicida a Israel, o período mais longo sem ataques desde 2000 (In, Nissenbaum, Dion (10 de janeiro de 2007). “Taxa de mortes de civis israelenses assassinados por palestinos caem a seu nível mais baixo em 2006″. Washington Bureau. McClatchy Newspapers (16-04- 2007).
  5. Agence canadienne de développement international. Cisjordanie et bande de Gaza. (em francês)
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