Cláudia de França
| Cláudia | |
|---|---|
| Rainha-consorte de França Duquesa da Bretanha |
|
| Governo | |
| Reinado | 9 de janeiro de 1514 - 20 de julho de 1524 |
| Investidura | 27 de outubro de 1514 |
| Consorte | Francisco I da França |
| Antecessor | Ana |
| Sucessor | Francisco III |
| Dinastia | Valois-Orleães |
| Títulos | Rainha da França Condessa de Blois, de Coucy, de Étampes, de Montfort e de Soussons Duquesa de Milão |
| Vida | |
| Nascimento | 13 de outubro de 1499 |
| Romorantin | |
| Morte | 20 de julho de 1524 (24 anos) |
| Castelo de Blois | |
| Sepultamento | Abadia real de Saint-Denis |
| Filhos | Luísa Carlota Francisco III Henrique Madalena Carlos Margarida |
| Pai | Luís XII da França |
| Mãe | Ana da Bretanha |
Cláudia de França (13 de outubro de 1499 — 20 de julho de 1524) foi Duquesa da Bretanha e rainha consorte de França por seu casamento com o primo Francisco I de França.
Índice |
Biografia[editar]
Juventude[editar]
Nascida em 13 de outubro de 1499, em Romorantin, foi duquesa da Bretanha em 1514, rainha da França em 1515, condessa de Soissons, de Blois, de Coucy, d’Étampes, de Montfort, e duquesa de Milão.
Filha do rei Luís XII da França e da duquesa Ana da Bretanha, recebeu seu prenome em homenagem a São Cláudio, a quem sua mãe invocara durante uma peregrinação a fim de que pudesse dar a luz a uma criança vivedoura.
Entretanto, se ela podia suceder sua mãe no trono da Bretanha, não podia, como filha, suceder a seu pai no trono da França devido à Lei Sálica.
Noivados e casamento[editar]
Desejosa de manter a independência política da Bretanha, Ana prometeu a mão de Cláudia em casamento ao arquiduque Carlos de Habsburgo, neto do imperador Maximiliano I (ele próprio foi o primeiro esposo de Ana, por procuração), com o Ducado da Bretanha como dote, caso Luís XII viesse a falecer sem herdeiros varões. O acordo foi assinado em Lião, em 10 de agosto de 1501. Quando ficou claro que o herdeiro varão não mais viria, em 1506, Luís XII desfez o noivado, em benefício do jovem Francisco, o conde de Angoulême, herdeiro presuntivo da coroa como o varão mais próximo da família real.
Assim, Cláudia e Francisco se casaram no Castelo de Saint-Germain-en-Laye, em 18 de maio de 1514, assegurando a posse da Bretanha, ao menos, no caso de Luís XII e sua nova consorte, Maria da Inglaterra, produzissem um delfim.
Vida na corte[editar]
Cláudia jamais governou o Ducado da Bretanha, cedendo o usufruto a seu esposo, em 1515. Ao contrário de sua irmã mais nova, Renata, ela parece nunca ter se interessado em sua herança materna e não demonstrava qualquer disposição para a política, já que preferia se dedicar à religião.
Quando seu esposo ascendeu ao trono, em 1515, duas das damas de companhia de Cláudia eram as irmãs Ana e Maria Bolena, e outra era Diana de Poitiers. Maria foi amante do rei antes de retornar para a Inglaterra, por volta de 1519. Ana serviu como tradutora oficial de Cláudia sempre que havia visitantes ingleses. Ela também foi temporariamente dama de Renata, voltando para a Inglaterra em 1520, onde se tornaria a segunda esposa do rei Henrique VIII. Diana de Poitiers era a principal inspiração da Escola de Fontainebleau da Renascença Francesa e se tornou a amante vitalícia do filho e sucessor de Francisco I, Henrique II.
Cláudia impôs um código moral rígido sobre sua casa, do que poucos ousavam zombar.
Aparência[editar]
Se Francisco era alto e atlético, Cláudia era baixa. Suas gestações sucessivas faziam-na parecer continuamente rechonchuda, o que era visto como motivo de zombaria na corte. Os embaixadores estrangeiros notavam sua corpulência, a manqueira, o estrabismo de seu olho esquerdo, a baixa estatura, a falta de atrativos físicos e sua obliteração, preterindo suas qualidades. Ela passou a ser desprezada pela corte após a morte de seus pais. Brantôme testemunha que o rei, seu esposo, lhe transmitiu a sífilis, "que avançaram seus dias". Este também afirma que ela também era maltratada pela sogra, Luísa de Saboia.
Descendência[editar]
Cláudia e Francisco tiveram sete filhos:
- Luísa (Castelo de Amboise, 19 de agosto de 1515 - 21 de setembro de 1518), que morreu nova;
- Carlota (Castelo de Amboise, 23 de outubro de 1516 - Castelo de Blois, 8 de setembro de 1524), que morreu nova;
- Francisco (Castelo de Amboise, 28 de fevereiro de 1518 - Castelo de Tournon, 10 de agosto de 1536), delfim da França e seu sucessor como duque da Bretanha como Francisco III;
- Henrique (Castelo de Saint-Germain-en-Laye, 31 de março de 1519 - Hôtel des Tournelles, 10 de julho de 1559), duque d'Orleães desde o nascimento, sucedeu ao pai como rei Henrique II da França;
- Madalena (Castelo de Saint-Germain-en-Laye, 10 de agosto de 1520 - Palácio de Holyrood, 2 de julho de 1537), primeira consorte de Jaime V da Escócia;
- Carlos (Castelo de Saint-Germain-en-Laye, 22 de janeiro de 1522 - Abbeville, 9 de setembro de 1545), duque d'Angoulême desde o nascimento, depois também duque de Châtellerault, d'Orleães, de Bourbon e de Crépy;
- Margarida (Castelo de Saint-Germain-en-Laye, 5 de junho de 1523 - Turim, 14 de setembro de 1574), esposa de Manuel Felisberto, duque de Saboia.
Com exceção daquelas suas filhas que foram viver noutros países, todos os restos mortais de seus filhos repousam na Abadia Real de Saint-Denis. Assim como os seus.
Falecimento e eventos posteriores[editar]
Cláudia faleceu com apenas 24 anos de idade no Castelo de Blois. Seu filho mais velho a sucedeu como Francisco III da Bretanha, mas Francisco continuou sendo o governante efetivo do Ducado. Quando o delfim morreu, em 1536, o segundo filho de Cláudia, Henrique, duque d'Orleães, se tornou o delfim e duque da Bretanha. Ao ascender ao trono da França, em 1547, o Ducado da Bretanha se tornou oficialmente parte do domínio real francês.
O viúvo de Cláudia, Francisco casou-se novamente seis anos depois da morte dela, com Leonor da Áustria, viúva de Manuel I de Portugal, e irmã do imperador Carlos V, outrora noivo de Cláudia. Ele veio a morrer em 1547, segundo alguns, de sífilis.
Rainha-cláudia[editar]
Cláudia também é lembrada num certo tipo de ameixa de tamanho pequeno, o de uma noz. Seu nome científico é Prunus domestica italica. Ela foi desenvolvida na França a partir de uma variedade originalmente encontrada na Ásia Menor. É conhecida por seu sabor doce, tornando-a uma das mais finas ameixas de sobremesa.
| Precedida por: Ana de Montfort |
Duquesa da Bretanha 9 de janeiro de 1514 — 20 de julho de 1524 com Francisco de Angoulême |
Sucedida por: Francisco III |
| Precedida por: Maria Tudor |
Rainha da França 1 de janeiro de 1515 — 20 de julho de 1524 |
Sucedida por: Leonor de Habsburgo |