Clarice Lispector

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Clarice Lispector
Clarice Lispector em Paris, 1947
Nascimento 10 de Dezembro de 1920
Chechelnyk, Ucrânia
Morte 9 de Dezembro de 1977 (56 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade brasileira
Ocupação Romancista, contista, cronista e jornalista
Escola/tradição Modernismo
Influências Herman Hesse, Fiodor Dostoievski, Franz Kafka, Katherine Mansfield, James Joyce

Clarice Lispector, nascida Haia Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora brasileira, nascida na Ucrânia. Autora de linha introspectiva, buscava exprimir, através de seus textos, as agruras e antinomias do ser. Suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise.

Índice

[editar] Biografia

De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano. Aportaram no Brasil quando tinha pouco mais de um ano de idade.[1]

A família chegou a Maceió em março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania – irmã, todos mudaram de nome: o pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia – irmã, Elisa; e Haia, Clarice. Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante.[1]

Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância. Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche.

Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela.[carece de fontes?] Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi inumada no Cemitério Israelita do Cajú, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.

[editar] Obra

Capa da edição original de Paixão Segundo G.H.

Em dezembro de 1943, publicou seu primeiro romance, Perto do coração selvagem. Escrito quando tinha 19 anos, o livro apresenta Joana como protagonista, a qual narra sua história em dois planos: a infância e o início da vida adulta. A literatura brasileira era nesta altura dominada por uma tendência essencialmente regionalista, com personagens contando as dificuldades da realidade social do país na época. Clarice Lispector surpreendeu a crítica com seu romance, seja pela problemática de caráter existencial, completamente inovadora, seja pelo estilo solto, elíptico e fragmentário. Este estilo de escrita se tornou marca característica da autora, como pode ser observado em seus trabalhos subsequentes.

Na época da publicação, muitos associaram o seu estilo literário introspectivo a Virginia Woolf ou James Joyce, embora ela afirme não ter lido nenhum destes autores antes de ter escrito seu romance inaugural. [2] A epígrafe de Joyce e o título, inspirado em citação do livro de Joyce Retrato do Artista quando Jovem, foram sugeridos por Lúcio Cardoso após o livro ter sido escrito. Perto do coração selvagem ganhou o prêmio da Fundação Graça Aranha de melhor romance de estréia, em outubro de 1944.[1]

A obra de Clarice ultrapassa qualquer tentativa de classificação. A escritora e filósofa francesa Hélène Cixous vai ao ponto de dizer que há uma literatura brasileira A.C. (Antes da Clarice) e D.C. (Depois da Clarice).

Em meados de 1970, Lispector começou a trabalhar no livro Um sopro de vida: pulsações, publicado postumamente. Este livro consiste de uma série de diálogos entre o "autor" e sua criação, Angela Pralini, personagem cujo nome foi emprestado de outro personagem de um conto publicado em Onde estivestes de noite. Esta abordagem fragmentada foi novamente utilizada no seu penúltimo e, talvez, mais famoso romance, A hora da estrela. No romance, Clarice conta a história de Macabéa, uma datilógrafa criada no estado de Alagoas que migra para o Rio de Janeiro e vai morar em uma pensão, tendo sua rotina narrada por um escritor fictício chamado Rodrigo S.M. O livro descreve a pobreza e a marginalização no Brasil, temática que pouco aparece ao longo da sua obra.

[editar] Curiosidades

Referências

  1. 1,0 1,1 1,2 Clarice Lispector – Biografia, Releituras, 7 de fevereiro de 2008.
  2. Lispector, Clarice. "Correspondências - Clarice Lispector (organizado por Teresa de Monteiro)", Rio de Janeiro, Rocco, 2002. Baseado em cartas pessoais trocadas com Lucio Cardoso e sua irmã Tania.
  3. Editora Rocco – Catálogo – Entrevista com o Vampiro
  4. Julie Salamon (11 de março de 2005). An Enigmatic Author Who Can Be Addictive. The New York Times. Página visitada em 12 de setembro de 2007.
  5. Cazuza – Livros

[editar] Bibliografia

  • GOTLIB, Nádia Battella. Clarice: uma vida que se conta. São Paulo, SP. Editora Atica, 1995.
  • FERREIRA, Teresa Cristina Montero. Eu sou uma pergunta: uma biografia de Clarice Lispector. Rio de Janeiro, RJ. Rocco, 1999.

[editar] Leitura adicional

  • PLASTINO, Gilda. O discurso da falta em Clarice Lispector. 2ª ed.: Osasco, Edifieo, 2008.

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

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