Clarinete

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Clarinete

O clarinete, ou a clarineta, é um instrumento musical de sopro constituído por um tubo cilíndrico de madeira (já foram experimentados modelos de metal), com uma bocarra cônica de uma única palheta e chaves (hastes metálicas, ligadas a tampas para alcançar orifícios aos quais os dedos não chegam naturalmente). Possui quatro registros: grave, médio, agudo e superagudo. Quem toca o clarinete é chamado de clarinetista.

Índice

[editar] História

O clarinete é um descendente do chalumeau, instrumento bastante popular na Europa pelo menos desde a Idade Média. Em 1690, Johann Christoph Denner, charamelista alemão, acrescentou à sua charamela uma chave para o polegar da mão esquerda, para que assim pudesse tocar numa abertura, o que lhe trouxe mais possibilidades sonoras. Surgiu, assim, o clarinete contemporâneo. Introduzido nas orquestras em 1750, foi um dos últimos instrumentos de sopro incorporados à formação orquestral moderna.

Os clarinetes são tradicionalmente feitos de ébano, granadilho, ebonite,sendo as boquilhas geralmente construídas de plastiscina. O som é produzido devido à vibração da palhetas (uma lâmina feita de cana), provocada pelo sopro do clarinetista.

O sistema de chaves mais comum é o Boehm, projectado por Hyacinthe Klosé. Outro sistema, é o Oehler, que é usado principalmente na Alemanha e Áustria.

Com relação ao número de chaves/registos pode ter: 13 chaves (Pode ser Sistema Mueller ou Sistema Oehler) 16 ou 17 chaves (sistema Boehm) 21 chaves, ou outros, menos comuns, de 27 e 31 chaves

o Clarineta possui uma "família", composta por vários instrumentos:

  • Clarineta Sopranino . Em Láb - 1 oitava mais aguda que a requinta.
  • Clarineta Requinta - Em Eb (Mib) ou em D (Ré) - 1 quinta mais aguda que o soprano. A Requinta em Ré é antiga e incomum hoje em dia.
  • Clarineta Soprano (clarineta padrão) - o mais comum - geralmente afinado em C(Dó),Bb(Sib),A(Lá)
  • Clarineta Basset - Em A (lá) - muito usado em concertos para clarinete em lá, sobretudo no concerto de Mozart e quinteto de Mozart, este clarinete atinge notas de mais graves além do registro usual da clarineta padrão.
  • Cor de basset ou Corno Basseto - espécie de clarinete em Fá, tem o corpo ligeiramente diferente (curvo ou angular), muito usado por Mozart, mas caiu em desuso, apesar de ter sido usado por R. Strauss em Elektra, por exemplo.
  • Clarineta Alto - Em Eb (Mib) - 1 quinta mais grave que o soprano
  • Clarinete Baixo ou Clarone - Em Bb (Sib) - 1 oitava mais grave que o soprano
  • Clarinete Contra-Alto ou Clarone Contra-Alto - Em Eb (mib), 1 quinta mais grave que o Clarone e 1 oitava mais grave que a clarineta-alto
  • Clarinete Contra-Baixo ou Clarone Contra-Baixo Modelo Leblanc - Em Bb (Sib), clarinete em metal, 2 oitavas mais grave que o soprano
  • Clarinete Contra-Baixo ou Clarone Conra-Baixo Modelo Selmer - Em Bb (Sib), clarinete com o dobro do tamanho do seu parente de metal, clarinete em ébano comum, 2 oitavas mais grave que o soprano.
  • Clarinete OctoContra-Baixo - Em Bb (Sib) - Clarinete extraordinário, em metal, 3 oitavas abaixo do soprano, altura física: 2,76m

O mais comum como foi dito acima, é o soprano em Bb(Sib) e A(Lá), com 16 ou 17 chaves. O que não é mais comum é encontrarmos os clarinetes com 18 chaves e afinação em C(dó).

O Sistema Boehm recebe este nome, pois tem como base o sistema que se tornou padrão nas flautas transversais. Adaptado por Hyacinthe Klosé.

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[editar] Composição do clarinete

O clarinete tem cinco partes, que são: a boquilha, o barrilhete, o corpo superior, o corpo inferior e a campana.

Boquilha: é a zona do clarinete onde se sopra. Usa-se uma palheta (feita de cana, que vibra com a passagem do ar), produzindo som.

Barrilhete: dá algum tamanho ao clarinete. É usado para a afinação. Quando o clarinete está “alto”, puxa-se o barrilhete para cima, mas caso contrário, põe-se o barrilhete para baixo.

Corpos -superior e inferior- estes corpos são onde estão localizados os buracos e chaves onde se toca. O som fica diferente à medida que se mudam os dedos de posição, fazendo com que o ar saia por buracos diferentes.

Campana: A campana é o “amplificador” do clarinete.

[editar] Particularidades

A clarineta possui semelhanças com o oboé, mas difere deste no que diz respeito à sua forma (o oboé é cônico, e a clarineta é cilíndrica); no timbre (o oboé é rascante, anasalado e penetrante, enquanto a clarineta é mais aveludada que penetrante, menos rascante e mais encorpada); e na extensão de notas (o oboé possui a menor extensão de notas dentre os sopros, enquanto a clarineta, a maior). Essas diferenças se dão principalmente pela forma cilíndrica da clarineta e do uso de apenas uma palheta, enquanto que no oboé, no fagote e no corne ingês (também membros das madeiras) se utiliza uma palheta dupla.

Os clarinetistas atualmente compram suas palhetas, e fazem os ajustes necessários artesanalmente a fim de corrigir as imperfeições destas, para adequá-las à sua própria anatomia e necessidade de som. A palheta é fixada na boquilha por meio da braçadeira, que funciona como um prendedor, onde o clarinetista manipula a força e intensidade com que a palheta está presa na boquilha. Via de regra, a palheta não pode estar demasiadamente frouxa e nem excessivamente apertada.

Embora o processo descrito acima, sobre o uso da palheta nas clarinetas, também seja usado no saxofone, não podemos confundi-lo! O saxofone nasceu da clarineta e, por isso, apresenta mecanismos semelhantes, mas a embocadura da clarineta é muito mais tensa e trabalhosa do que a embocadura exigida no saxofone. E isso é muito nítido ao comparar a execução de um saxofone e de uma clarineta. Inclusive, muitos músicos que querem aprender a tocar saxofone, também optam por aprender primeiramente, ou paralelamente, a clarineta.

[editar] Clarineta, um instrumento transpositor

O clarineta pertence a um grupo de instrumentos chamados transpositores, o que, em poucas palavras, pode ser resumido da seguinte forma: A nota escrita (na partitura) é diferente da nota verdadeira: isso por causa da afinação própria do instrumento. Sendo assim, é necessário que haja uma transposição de notas para que o clarinete toque no tom real da música. Isso trouxe facilidade aos músicos, pois, a clarineta possui uma extensão de notas muito grande. As clarinetas mais comuns são os instrumentos em Si bemol e em Lá. O instrumento em Dó, raramente usado hoje, era muito utilizado na orquestra clássica e pré-romântica (Mozart e Beethoven). Há, também, os clarinetes mais agudos, também conhecidos como requinta em Mi bemol, raramente encontrados em Ré (Richard Strauss e Stravinsky), e as clarinetas mais graves, como as clarinetas alto em Mi bemol, a clarineta baixo em Si bemol e a clarineta contrabaixo em Si bemol. Aparentado com o clarinete, é o cor de basset, afinado em Fá. Enquanto as bandas militares dão preferência à clarineta alto, as orquestras sinfónicas dão preferência ao cor de basset.

[editar] O prestígio da clarineta

As possibilidades harmônicas, o grande controle de dinâmicas que o instrumento permite, a grande agilidade, a grande extensão de notas, a sua natureza de timbres e o poder sonoro dão à clarineta uma posição de destaque nas orquestras atuais. Alguns dizem que é o "violino das madeiras", em razão das virtudes mencionadas acima. No entanto, a clarineta ainda não é um instrumento perfeito e algumas notas ainda apresentam sérios problemas de afinação, mesmo com todo o trabalho iniciado pelo flautista Boehm, que foi adaptado posteriormente para os demais sopros. O sistema Oehler é, hoje, considerado o mais apropriado para a clarineta, já que resolveu a maior parte dos problemas deste instrumento, mas, ainda assim, não é perfeito, pois acarretou uma perda de brilho ao timbre natural da clarineta. Enquanto o sistema Boehm, apesar de manter alguns desses problemas, mantém o brilho particular deste instrumento.

O controle dessas imperfeições cabe ao músico, e isso ajuda a tornar a clarineta um instrumento desafiador. Quem se interessar em tocar clarineta, saiba que precisará de muito empenho e dedicação, mas saiba também que irá se encantar com a beleza desse instrumento.

[editar] A natureza do timbre e onde escutar o clarinete

O timbre da clarineta é muito diversificado. Na região grave, chamada de chalumeau o timbre é aveludado, cheio e obscuro; no registro médio, há uma mudança fantástica, pois o timbre se torna brilhante e expressivo. Conforme o registro vai-se tornando agudo, o timbre vai-se tornando cada vez mais brilhante, e ganhando uma natureza humorística, sarcástica.

A grande capacidade de expressão da clarineta tornou-a um instrumento de grande prestígio em diversos tipos de estilos. No Jazz, é que podemos, às vezes, ouvir os solos mais sarcásticos e "humorísticos" deste instrumento. No Brasil, este instrumento é bastante utilizado na execução de choros, e em grupos de samba, serestas e na própria MPB.

[editar] Clarinetistas no Brasil e em Portugal

[editar] Clarinetistas famosos de música erudita

  • Anton Stadler - primeiro a tocar o Concerto(K. 622) e o Quinteto (K. 581) de W.A. Mozart (austríaco)
  • Alessandro Carbonare (italiano)
  • Alexander Bader (alemão)
  • Béla Kóvacks (húngaro)
  • Frederick Thurston (britânico)
  • Ernesto Cavallini (1807-1874 - italiano)
  • Gervaise de Peyer
  • Heinrich Baermann - clarinetista de Weber (alemão)
  • Jack Brymer (britânico)
  • Jean-Christian Michel (francês)
  • Jon Manasse (norte-americano)
  • Joszéf Balogh (húngaro)
  • Karl Leister (alemão)
  • Larry Combs (norte-americano)
  • Manfred Preis (alemão)
  • Manfred Weise (alemão)
  • Margot Leveret (norte-americana)
  • Martin Fröst (sueco)
  • Michael Collins (britânico)
  • Michel Arrignon (francês)
  • Milenko Stefanović[2] (sérvio)
  • Paul Meyer (francês)
  • Peter Geisler (alemão)
  • Richard Mühlfeld (clarinetista de Brahms) (alemão)
  • Richard Stoltzman (norte-americano)
  • Robert Plane (britânico)
  • Sabine Meyer (alemã)
  • Sharon Kan (israelense)
  • Thea King (britânica)
  • Walter Seyfarth (alemão)
  • Wenzel Fuchs (austríaco)
  • Wolfgang Meyer (alemão)
  • Marcelo Abreu (brasileiro)

[editar] Clarinetistas famosos da música popular

[editar] Ligações externas

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