Cláudia Wonder

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Cláudia Wonder
Informação geral
Nome completo Cláudia Wonder
Nascimento 15 de fevereiro de 1955
Origem São Paulo, São Paulo
País  Brasil
Gênero(s) electronic, pop/rock
Ocupação(ões) cantora, atriz, performer
Instrumento(s) vocal
Gravadora(s) Lua Music e Rotten
Página oficial MySpace de Cláudia Wonder

Cláudia Wonder (São Paulo, 15 de fevereiro de 1955 — São Paulo, 26 de novembro de 2010), cujo nome de batismo era Marco Antonio Abrão, foi uma artista performer,1 escritora, cantora-compositora, colunista e militante transexual brasileira pelos Direitos Humanos LGBT.2

Carreira[editar | editar código-fonte]

Claudia logo cedo descobriu sua sexualidade incomum. Ainda na adolescência, começou a frequentar a noite e a se inserir no contexto transgênero, sendo contemporânea dos grandes nomes do travestismo paulistano, como Andréia de Maio, Thelma Lipp, Nana Vogel, Brenda Lee, Roberta Close, Janaína Dutra, entre outras. Ícone da cena underground, começou sua carreira artística fazendo shows em boates e logo estreou no teatro e no cinema. Ainda adolescente contracenou com grandes nomes nacionais, entre eles, Tarcísio Meira e Raul Cortez. Nos anos 1980 descobriu sua veia musical e estreou como letrista e vocalista da banda de rock Jardins das Delícias, com o show "O Vomito do Mito", no lendário clube paulistano Madame Satã. Depois formou a banda Truque Sujo e obteve sucesso junto a critica musical e ao público.

No final da década de 80 mudou-se para a Europa e lá ficou durante onze anos, onde trabalhou em shows e depois como empresária na área da estética (a artista tinha formação como cabeleireira e maquiadora). De volta ao Brasil, retomou a carreira artística, participando de duas coletâneas musicais em CD "Melopéia", do selo Rotten e "Sonetos do poeta Glauco Mattoso", musicados por vários artistas, entre eles, Arnaldo Antunes e Itamar Assumpção. Para esse trabalho Claudia musicou o "Soneto Virtual", no qual faz dueto o cantor Edson Cordeiro, seu amigo. Participou ainda da primeira coletânea de electronacional no CD Body Rapture, do selo Lua Music, com a música "Tôníca do Haligalle", e em setembro de 2007 lançou seu primeiro CD solo FunkyDiscoFashion, pelo mesmo selo.

A artista também lançou o livro intitulado Olhares de Claudia Wonder – Crônicas e Outras Histórias3 em agosto de 2008 pelas Edições GLS4 do Grupo Editorial Summus. Em junho de 2009, protagonizou o documentário "Meu Amigo Claudia", do cineasta Dácio Pinheiro, o qual conta sua trajetória e cuja première foi no Frameline Lesbian and Gay Film Festival of San Francisco, na Califórnia.

Em virtude de sua sexualidade, por várias vezes foi detida, sexualmente molestada e enxotada de lugares. Segundo ela mesma revelou em entrevista, chegou a ser comparada aos mais perversos marginais “simplesmente por ser diferente das outras pessoas”. Isso lhe causou grande revolta e ela fez de sua revolta o motor para lutar contra o que considerava uma barbárie. Um de seus feitos foi ter conseguido fazer shows e frequentar as páginas culturais de jornais e revistas mesmo em plena Ditadura Militar.5

A performer faleceu em 26 de novembro de 2010 em decorrência de uma criptococose ("doença do pombo").6

Cquote1.svg Um travesti que emprega o poder transgressivo de sua personificação, com acuidade e extraordinária força cênica.2 Cquote2.svg
Alberto Guzik, crítico teatral

Militância[editar | editar código-fonte]

Ícone da comunidade LGBT, foi escolhida como abre-alas da Parada do Orgulho Gay de São Paulo de 2001,7 além de madrinha do Festival Mix Brasil de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual, e foi incluída numa lista das 24 personalidades que marcaram 2010.8 . Foi também coordenadora do Grupo de Estudos da identidade de Gênero "Flor do Asfalto"9 e trabalhou como colunista e repórter da revista G Magazine e do site G online até 2008. Militante fervorosa, Cláudia ainda trabalhava como monitora de abordagem e comunicação do Centro de Referência da Diversidade, no projeto "Cidade Inclusiva", uma parceria da prefeitura da cidade de São Paulo com a União Europeia.10

Meses antes de falecer, em meados 2010, ela concedeu uma entrevista à revista Trip, cujos trechos gravados são transcritos abaixo:11

Cquote1.svg Trabalhei de uns tempos pra cá, há uns dois anos me entreguei a uns projetos sociais em prol dos travestis. A gente inaugurou ali na Boca [do Lixo, zona boêmia decadente de São Paulo] mesmo o Centro de Referência da Diversidade, na rua Major Sertório, e ali a gente fica sabendo das coisas: virou meio que opção de marginal, sabe, cafetinar travesti. Dependendo da área pode ter um ou dois, que não são travestis. Tinha um cara que era o Malhação, era um cara, saído da cadeia que começou a atacar - eles brutalizam mesmo - batem na travesti, cortam o cabelo, pra todas ficarem com medo.

Quem aluga uma casa, até presta um serviço, digamos assim, porque não tá explorando de forma absurda. Hoje até que tá mais fácil mas antes pra um travesti alugar apartamento era muito difícil, ainda mais pra quem é puta na rua. "Vou sujar o prédio, causar com meus vizinhos?" É complicada a prostituição, e é só isso que as travestis têm pra fazer, né? Pelo menos as que tão lá. Tem muitas que não são putas, mas não se pode dizer; o que tá na rua você vê - as cabeleireiras, mas não importa, vira e mexe eu encontro. Não dá pra saber se são tantas travestis que tão na rua são putas - mesma coisa que dizer que todo japonês é tintureiro. Mas é muito diícil pra uma travesti alugar apartamento - por causa dos documentos -; se estuda, se tá trabalhando é mais fácil. Mas se tá na rua tendo uma [casa da] cafetina onde ela possa dormir e comer, como a Andréia de Maio... mas esse tipo de cafetão não dá nada, só vai lá e cobra o ponto.

A travesti que está na rua não é respeitada por ninguém. Eu escrevia pra G Magazine, fazendo trabalho de conscientização, falando que é possível ter uma outra forma de vida, mas pra chegar nelas não é através da revista porque nem todas compram. E tem travesti nova que aparece toda semana, porque tem vida curta, elas morrem cedo, morrem assassinadas, ninguém fala muito. Que nem escreveram: "travesti é vítima dele mesmo", e é verdade. No Fantástico apareceu a travesti que fez doutorado, pensei: "Ah, legal, as coisas tão mudando." Aí na terça vi aquele papelão da travesti do Rio batendo no cara [bêbado] indefeso, aí ninguém mais deu uma linha a respeito do assassinato. Travesti que tá na rua é vítima de homofobia, porque é como se fosse um escudo - de toda essa coisa gay, de diversidade sexual, é ele que tá ali, à mostra. Então é um esporte matar viado, aí mata, dá tiro (...)

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Cláudia Wonder, em entrevista à revista Trip

Descrição da vida artística[editar | editar código-fonte]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Teatro[editar | editar código-fonte]

  • As Gigoletes - direção de Wilson Vaz
  • O que é que a Boneca Tem? - direção de Mario Wilson
  • As Gigolettes II - direção de Mario Wilson
  • Depois eu Conto – direção de Ronaldo Ciambroni
  • Nossa Senhora das Flores (de Jean Genet) - direção de Luiz Armando Queiroz e Maurício Aboud
  • O Homem e o Cavalo (de Oswald de Andrade) - direção de José Celso Martinez Correa
  • Acordes de Brecht – direção de José Celso Martinez Correa
  • Erótica, Tudo pelo Sensual - direção coletiva
  • Mostra de Dramaturgia do Pensamento Selvagem - direção de Francisco Carlos
  • Mostra de Dramaturgia do Pensamento Selvagem II - direção de Francisco Carlos
  • Lês Grils 77

Aparições na TV[editar | editar código-fonte]

TV Cultura (Metrópolis, Fábrica do Som, Direções (em "O cego e o Louco"), de Débora Dubois e Vídeomagia – Má Consciência, de Vera de Sá e Marcelo Osório), SBT (Programa Silvio Santos, Programa do Gugu e Hebe), Rede TV! (Direito de Resposta, Super Pop e Adriane Galisteu), TV Globo (Domingão do Faustão) e TV Gazeta (Mulheres).

Participações em videoclipes[editar | editar código-fonte]

Trilogia Disco, do cantor Edson Cordeiro, Memórias, da roqueira Pitty, Eu Mesmo, da banda de rock Radikalez e Mina de Família, do grupo de funk Fulerô o Esquema.

Músicas gravadas[editar | editar código-fonte]

Soneto Virtual – Melopéia: compilação de sonetos de Glauco Mattoso, selo Rotten; Tônica do aliegalie: coletânea de electro nacional (CD Body Rupture), pela Lua Music; Claudia Wonder & The Lap Top Boys - funkyDiscoFashion, pela Lua Music FunkyDiscoFashion (com o qual ganhou prèmio-revelação da nova música brasileira no programa Solano Ribeiro, da Radio Cultura 1200); e Bach Man Kill The Thing He Loves (trilha sonora do curta-metragem A Cama do Tesão).

Escritora e colunista[editar | editar código-fonte]

Cláudia escrevia para a revista G Magazine as colunas Claudia Wonder e Hype. No site G Online tinha a página Wonderground trans. Publicou também o livro Olhares de Claudia Wonder: crônicas e outras histórias, pela Edições GLS, 2008.12

Referências

Wikiquote
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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