Clive Staples Lewis

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C. S. Lewis
Clive Staples Lewis
CS Lewis com 50 anos.
Nacionalidade Reino Unido britânico
Data de nascimento 29 de novembro de 1898
Local de nascimento Belfast,
Reino Unido Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda (atual Irlanda do Norte)
Data de falecimento 22 de novembro de 1963 (64 anos)
Local de falecimento Oxford, Inglaterra,
 Reino Unido
Gênero(s) Fantasia, apologia cristã, literatura medieval, literatura infantil
Pseudónimo(s) Jack, NW Clerk, Clive Hamilton
Ocupação Escritor, professor universitário, teólogo anglicano, poeta e crítico literário
Grupo étnico Branco
Alma mater Universidade de Oxford
Universidade de Cambridge
Período de atividade 193363 (30 anos)
Religião Anglicano
Movimento Teologia
Magnum opus As Crônicas de Nárnia (195056)
Cônjuge Joy Davidman (1956–60)
Influências George MacDonald
Prêmios Carnegie Medal (1956)

Clive Staples Lewis, mais conhecido como C. S. Lewis (Belfast, 29 de novembro de 1898Oxford, 22 de novembro de 1963), foi um professor universitário, teólogo anglicano, poeta e escritor britânico, nascido na Irlanda, atual Irlanda do Norte. Destacou-se pelo seu trabalho acadêmico sobre literatura medieval e pela apologética cristã que desenvolveu através de várias obras e palestras. É mais conhecido por ser o autor da famosa série de livros infanto-juvenis As Crônicas de Nárnia, em sete volumes, pela qual recebeu inúmeros prêmios — incluindo a renomada medalha de Carnegie.

Nascimento, infância e adolescência[editar | editar código-fonte]

Ficheiro:Statue of C. S. Lewis, Belfast.jpg
Estátua onde CS Lewis está abrindo o guarda-roupa mágico de As Crônicas de Nárnia, em Belfast, Irlanda do Norte.

Nascido na cidade de Belfast, Irlanda (atual Irlanda do Norte), em 29 de novembro de 1898, Clive Staples Lewis cresceu no meio dos livros da seleta biblioteca particular de sua família, criando nesta atmosfera cultural um mundo todo próprio, dominado por sua fértil imaginação e criatividade. Filho caçula de Albert James e Florence Augusta Lewis, Clive foi descrito como uma "criança sonhadora". Quando tinha três anos, decidiu adotar o nome de "Jack", pelo qual ficaria conhecido na família e no círculo de amigos próximos durante toda a vida.

Quando eram adolescentes, Lewis e seu irmão Warren Lewis (1895–1973), três anos mais velho que ele, passavam quase todo o seu tempo dentro de casa dedicando-se à leitura de livros clássicos, e distantes da realidade materialista e tecnológica do século XX. Aos 10 anos, em 1908, a morte prematura de sua mãe fez com que ele ainda mais se isolasse da vida comum dos garotos de sua idade, buscando refúgio no campo de suas histórias e fantasias infantis.

Na sua adolescência encontrou a obra do compositor Richard Wagner e começou a se interessar pelas mitologias nórdica e grega, e por línguas, como o latim e o hebraico.

Educação[editar | editar código-fonte]

Sua educação foi iniciada por um tutor particular, ainda na Irlanda, sendo enviado a Malvern College, em Worcestershire, Inglaterra, aos 12 anos de idade. Em 1916, aos 18 anos, foi admitido no University College, em Oxford, Inglaterra. O serviço militar exigido pela Primeira Guerra Mundial (1914–18) interrompeu seus estudos. Em 1918, aos 20 anos, retornou à Oxford.

Durante a Primeira Guerra Mundial conheceu outro soldado irlandês, Paddy Moore, com quem travou amizade. Os dois fizeram uma promessa: se um deles falecesse durante o conflito, o outro tomaria conta da família respectiva. Moore faleceu em 1918 e Lewis cumpriu seu compromisso. Após o final da guerra, procurou a mãe de Paddy Moore, a senhora Janie Moore, com quem estabeleceu uma profunda amizade até a morte desta em 1951. Lewis viveu em várias casas arrendadas com Moore e a sua filha Maureen, facto que desagradou o seu pai. Por esta altura Clive já abandonara o cristianismo no qual fora educado.

Formando-se com louvor em letras e literatura aos 22, em 1920, em Oxford. Também se formou em teologia e linguística. De 1925 a 1954, lecionou no Magdalen College, também em Oxford, fazendo parte do corpo docente e servindo de consultor literário e teólogo da Universidade até sua morte, em 1963. Foi professor de Literatura Medieval e Renascentista na Universidade de Cambridge, em Cambrigde. Tornou-se altamente respeitado neste campo de estudo em toda a Europa, tanto como professor quanto como escritor. Seu livro A Alegoria do Amor: um Estudo da Tradição Medieval, publicado em 1936, é considerado por muitos seu mais importante trabalho, pelo qual ganhou o prêmio Gollansz Memorial de literatura. Em Oxford conheceu vários escritores famosos, como J. R. R. Tolkien (autor de O Senhor dos Anéis, de quem viria a se tornar grande amigo, discutindo com quem, numa noite em 1931, converteu-se ao cristianismo), T. S. Eliot, G. K. Chesterton e Owen Barfield.

Vida e obra[editar | editar código-fonte]

Lewis voltou à fé cristã no início da década de 1930. Dedicou-se a defendê-la e permaneceu na Igreja Anglicana (o conhecido teólogo evangélico J. I. Packer foi clérigo na igreja que Lewis frequentava). Tornou-se popular durante a II Guerra Mundial, por suas palestras transmitidas pela rádio e por seus escritos, sendo chamado de "apóstolo dos céticos", especialmente nos Estados Unidos.

Lewis notabilizou-se por uma inteligência privilegiada, e por um estilo espirituoso e imaginativo. "O Regresso do Peregrino", publicado em 1933, "O Problema do Sofrimento" (1940), "Milagres" (1947), e "Cartas de um diabo ao seu aprendiz" (1942), são provavelmente suas obras mais conhecidas. Escreveu também uma trilogia de ficção científico-religiosa, conhecida como a "Trilogia Espacial": "Além do Planeta Silencioso" (1938), "Perelandra" (1943), e "Aquela Força Medonha" (1945). Para crianças, escreveu uma série de fábulas, começando com "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa" em 1950. Sua autobiografia, "Surpreendido pela Alegria", foi publicada em 1955.

Doença e Morte[editar | editar código-fonte]

No início de junho de 1961, Lewis começou a ter problemas de saúde e foi diagnosticado com inflamação nos rins que resultaram em envenenamento do sangue. A doença fez com que perdesse o período de outono na Universidade de Cambridge, apesar de seu estado de saúde começar a melhorar gradualmente em 1962, voltando em abril. A saúde de Lewis continuou melhorando. Em 15 de julho 1963, adoeceu e foi internado no hospital. No dia seguinte, às 17h, sofreu um ataque cardíaco e entrou em coma; inesperadamente acordou no dia seguinte às 2h. Depois de receber alta do hospital, Lewis voltou ao lar, embora estivesse doente demais para voltar ao trabalho. Assim, renunciou ao cargo em Cambridge, em agosto. Sua condição continuou a piorar, e em meados de novembro, foi diagnosticado com estágio final de insuficiência renal. Em 22 de novembro de 1963, exatamente uma semana antes de seu 65º aniversário, entrou em colapso em seu quarto às 17h30 e morreu poucos minutos depois. Foi enterrado no cemitério da Igreja da Santíssima Trindade, Headington, Oxford. Seu irmão Warren Hamilton "Warnie" Lewis, que morreu no dia 9 de abril de 1973, foi mais tarde enterrado no mesmo túmulo.

CS Lewis morreu no mesmo dia de Aldous Huxley, e o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy. A coincidência serviu como pano de fundo para o livro O Diálogo – Um debate além da morte entre John F. Kennedy, C. S. Lewis e Aldous Huxley, de Peter Kreeft, onde os três personagens, representando o teísmo ocidental (Lewis), o humanismo ocidental (Kennedy) e o panteísmo oriental (Huxley), discutem sobre religião e cristianismo.

Foi sepultado no Holy Trinity Churchyard, em Headington, Oxfordshire, Inglaterra.[1]

Sucesso internacional[editar | editar código-fonte]

Placa homenageando Lewis num banco de praça, em North Down, Irlanda do Norte.

É bastante conhecida sua influência sobre personalidades ilustres da nossa época, dentre elas Margaret Thatcher, ex primeira ministra do Reino Unido. Seus livros foram lidos pelos seis últimos presidentes americanos, e muitos de seus pensamentos foram citados em seus discursos. Venderam-se mais de 200 milhões de cópias dos 38 livros escritos por Lewis, os quais foram traduzidos para mais de 30 línguas, incluindo a série completa de Nárnia para o polonês, ainda durante a Guerra fria, e o russo. Entre 1996 e 1998, quando foi celebrado o seu centenário, foram escritos cerca de 50 novos livros sobre sua vida e seus trabalhos, completando mais de 150 livros desde o primeiro, escrito em 1949 por Chad Walsh: "C. S. Lewis: O Apóstolo dos Céticos". Deu-se seu nome a um asteróide, o 7644 Cslewis, descoberto em 4 de novembro de 1988 por Antonín Mrkos.

Relação com J. R. R. Tolkien[editar | editar código-fonte]

Lewis e Tolkien foram grandes amigos durante décadas, até a morte de Lewis (em 1963, aos 64 anos, quase dez anos antes da morte do próprio Tolkien), e essa amizade foi explorada no livro O Dom da Amizade: Tolkien e C. S. Lewis.[2] De fato, Lewis contribuiu para a existência de O Senhor dos Anéis, sendo um dos primeiros a ler O Hobbit; Tolkien jamais deixou de admirar a grande inteligência e criatividade de Lewis, e vice-versa.

Obras[editar | editar código-fonte]

Não ficcionais[editar | editar código-fonte]

  • Lewis, Clive Staples (2012) [1936], The Allegory of Love: A Study in Medieval Tradition, É .
  • Lewis, Clive Staples (1939), Rehabilitations and other essays  — com dois ensaios não incluídos em Essay Collection (2000).
  •    ; Tillyard, EMW (1939), The Personal Heresy: A Controversy .
  • The Problem of Pain, Vida, 2006 [1940] .
  • A Preface to Paradise Lost, 1942 .
  • The Abolition of Man, Martins Fontes, 1943 .
  • Beyond Personality, 1944 .
  • Miracles: A Preliminary Study, Vida, 2006 [1947, revisado em 1960] .
  • Arthurian Torso, 1948 ; sobre a poesia de Charles Willliams.
  • Mere Christianity, Martins Fontes  (baseado em palestras por rádio de 1941–44; antes publicado em português como Mero Cristianismo).
  • English Literature in the Sixteenth Century Excluding Drama, 1954 .
  • Surprised by Joy: The Shape of My Early Life, Vida .
  • Reflections on the Psalms, 1958 .
  • The Four Loves, Martins Fontes .
  • Studies in Words, 1960 .
  • An Experiment in Criticism, 1961 .
  • Clerk, NW (2006) [1961], A Grief Observed, Vida .
  • The Discarded Image: An Introduction to Medieval and Renaissance Literature, 1964 .
  • Fowler, Alastair, ed. (1967), Spenser's Images of Life .
  • Selected Literary Essays, 1969  — não incluído em Essay Collection (2000)
  • Undeceptions, 1971 [God in the Dock: Essays on Theology and Ethics, 1970]  — todos incluídos em Essay Collection (2000)
  • Studies in Medieval and Renaissance Literature, 1966  — não incluído em Essay Collection (2000)
  • Letters to an American Lady, Vida, 2006 [1967] .
  • Letters to Malcolm: Chiefly on Prayer (1972)
  • Of Other Worlds (1982; ensaios) — com apenas um ensaio não incluído em Essay Collection
  • All My Road Before Me: The Diary of C. S. Lewis 1922-27 (1993)
  • Essay Collection: Literature, Philosophy and Short Stories (2000)
  • Essay Collection: Faith, Christianity and the Church (2000)
  • Collected Letters, Vol. I: Family Letters 1905-1931 (2000)
  • Collected Letters, Vol. II: Books, Broadcasts and War 1931-1949 (2004)

Ficcionais[editar | editar código-fonte]

  • The Pilgrim's Regress (1933) (O Regresso do Peregrino)
  • As Crônicas de Nárnia (toda a série foi publicada em português)
    • The Magician's Nephew  (também chamado de Os Anéis Mágicos).
    • The Lion, the Witch and the Wardrobe .
    • Prince Caspian, 1951 .
    • The Voyage of the Dawn Treader, 1952  (também chamado de O Navio da Alvorada).
    • The Silver Chair, 1953 .
    • The Horse and His Boy, 1954  (também chamado de O Cavalo e o Menino).
    • The Last Battle, 1956 .
  • The Screwtape Letters, Martins Fontes, 1942  (ou Cartas do inferno ou As Cartas do Coisa-Ruim).
  • The Great Divorce, Vida, 2006 [1945] .
  • Till We Have Faces (1956)
  • Letters to Malcolm: Chiefly on Prayer (1963)
  • The Dark Tower and other stories (1977)
  • Boxen: The Imaginary World of the Young C. S. Lewis (ed. Walter Hooper, 1985)

Poesia[editar | editar código-fonte]

  • Spirits in Bondage (1919; publicado sob o pseudônimo de Clive Hamilton)
  • Dymer (1926; publicado sob o pseudônimo de Clive Hamilton)
  • Hooper, Walter, ed. (1969), Narrative Poems ; inclui Dymer.
  • Hooper, Walter, ed. (1994), The Collected Poems of C. S. Lewis ; inclui Spirits in Bondage.

Coletâneas[editar | editar código-fonte]

Obras sobre C. S. Lewis[editar | editar código-fonte]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Carpenter, Humphrey. The Inklings (em inglês). Londres: Allen & Unwin, 1978.
  • Carpenter, Humphrey. The Inklings: CS Lewis, JRR Tolkien and Their Friends (em inglês). [S.l.]: HarperCollins, 2006. ISBN 0-00-774869-8
  • Dodd, Celia. Human nature: Universally acknowledged (em inglês). Londres: The Times, 2004.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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