Colégio Militar (Portugal)

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Colégio Militar
Logotipo do Colégio Militar (Portugal) sem a frase "Fundado em 1803".jpg
País  Portugal
Corporação Exército Português
Subordinação Comando da Instrução e Doutrina
Missão Ensino Básico (1.º, 2.º e 3.º Ciclos) e Secundário
Criação 1803
Aniversários 3 de março
Lema Um por Todos, Todos por Um
Grito de Guerra Zacatraz
História
Condecorações Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito
Ordem Militar de Cristo
Ordem Militar de Avis
Medalha de Serviços Distintos
Ordem Militar de Sant'Iago da Espada
Ordem da Instrução Pública
Logística
Efetivo 614 alunos
Insígnias
Barretina: Barretina.png
Armas: BrasaoCM.jpg
Sede
Sede Largo da Luz, Lisboa
Endereço LISBOA
Internet www.colegiomilitar.pt

O Colégio Militar CvTEGCCMHAMOSDMHSEGCIP, situado em Lisboa, Portugal, é uma escola pública de ensino militar não superior. Fundado em 1803 pelo Marechal António Teixeira Rebelo, funcionou até 2012/2013 em regime de internato masculino, sendo atualmente uma escola mista de internato facultativo. Em 2014/2015 conta com 614 alunos, do 1.º ao 12.º anos.

Alunos do Colégio Militar, em uniforme de gala

O Colégio Militar admite filhos de militares e de civis, a quem oferece o currículo escolar do Ministério da Educação, complementado pelas disciplinas obrigatórias de Instrução Militar, Equitação e Esgrima.

História[editar | editar código-fonte]

1803-2013[editar | editar código-fonte]

Ver também: António Teixeira Rebelo#A criação e direção do Colégio da Feitoria (1803-1825)

Marechal António Teixeira Rebelo, fundador do Colégio Militar.

O processo de criação do Colégio Regimental da Artilharia da Corte, também conhecido por Colégio da Feitoria, e que deu origem ao atual Colégio Militar, prolongou-se entre 1802 e 1803, tendo sido fixada, mais tarde, a data oficial de 3 de março de 1803 de modo a assinalar a efeméride.

Foi fundado pelo então Coronel António Teixeira Rebelo, comandante do Regimento de Artilharia da Corte sito no Forte da Feitoria, em Oeiras, com o objectivo de educar os filhos dos oficiais daquele regimento. Preocupado com a ocupação e educação das crianças e jovens familiares da sua guarnição e de civis da região, cria, desse modo, uma escola cujos agentes de ensino seriam os próprios militares do seu Regimento. Os alunos eram inicialmente cerca de vinte.

Em 1805, o Príncipe Regente, futuro D. João VI, manda conceder uma pensão aos educandos daquela escola; e, no ano seguinte, ele próprio visita as instalações da Feitoria, atraído pela fama do pequeno colégio, e ordena que seja aumentada aquela pensão e concedida uma gratificação mensal aos professores. Sempre interessado pelo colégio, o mesmo soberano confere, em 1807, um louvor a Teixeira Rebelo e aos seus colaboradores.

1807 é igualmente o ano em que Teixeira Rebelo deixa o comando do Regimento de Artilharia da Corte, sendo nomeado inspetor dos Corpos de Artilharia. O Governo, certamente interessado no prosseguimento da ação educativa de Teixeira Rebelo, autorizou-o a manter-se nas suas funções diretivas do Colégio, dando-se os primeiros passos para a autonomização da escola.

Em 1813, o colégio passa a ter existência oficialmente autónoma, adoptando a designação de Real Colégio Militar, com Teixeira Rebelo como diretor, entretanto promovido a Marechal de Campo.

O Real Colégio Militar foi transferido em 1814 do Forte da Feitoria para o edifício onde desde 1618 funcionara o Hospital de Nossa Senhora dos Prazeres, no sítio da Luz, em Lisboa, aí permanecendo até 1835.

Entre 1835 e 1859, o colégio mudou várias vezes de local (para o sítio de Rilhafoles, no centro de Lisboa, e para o Convento de Mafra). Em 1859 voltou para a Luz, onde ainda hoje se mantém. Desde essa época que os alunos do Colégio Militar recebem o epíteto de "Meninos da Luz".

Com a implantação da República em 1910, o colégio perdeu o título de "Real", passando a denominar-se Colégio Militar.[1]

Real Colegio Militar

Reforma de 2013[editar | editar código-fonte]

Em 2012, o Ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, nomeou uma comissão para estudar a reestruturação das escolas militares não superiores - Colégio Militar, Instituto de Odivelas e Instituto dos Pupilos do Exército, com o objetivo de reduzir custos e aumentar eficiências na sua oferta educativa, aumentar a captação de novos alunos e promover a igualdade de género.[2] [3]

Em 2013, por despacho ministerial, foi ordenada uma profunda reforma do Colégio Militar, a aplicar duma só vez pouco depois no início do ano letivo de 2013/2014, acompanhada da ordem de encerramento do Instituto de Odivelas no final do ano letivo de 2014/2015.[4]

Em setembro de 2013, cumprindo o despacho, o Colégio Militar pela primeira vez na sua história admitiu alunos do sexo feminino, bem como alunos para o 1.º Ciclo e alunos para todos os anos de escolaridade. Simultaneamente, foi reaberto o regime de externato, que já tinha sido experimentado e abandonado por diversas vezes na história da instituição. Foi também aberto concurso para um edifício de internato feminino que funcione a partir do ano letivo de 2015/2016 e receba as alunas internas do Instituto de Odivelas, que então encerrará definitivamente.[5]

O prazo de execução da reforma bem como algumas das suas bases foram contestados publicamente pelas associações de antigos alunos e de pais e encarregados de educação do Colégio Militar e do Instituto de Odivelas, por temerem a descaracterização das instituições e o fim de tradições centenárias.[5] O Ministro da Defesa Nacional respondeu aos pais por carta, reafirmando o investimento e a confiança na instituição.[6]

O ano letivo de 2014/2015 iniciou-se com 614 alunos, mais 174 que no ano anterior, incluindo 82 alunas que se transferiram do Instituto de Odivelas.

Em resultado da reforma de 2013, em apenas dois anos o Colégio Militar passou de internato masculino integral a uma escola em que um terço de alunos é do sexo feminino, e também um terço dos alunos dispensou o internato.[7]

Condecorações[editar | editar código-fonte]

O Estandarte Nacional do Batalhão de Alunos do Colégio Militar é o mais condecorado das Forças Armadas Portuguesas, pelo valor demonstrado por muitos dos seus antigos alunos, pelo reconhecimento da qualidade do ensino ministrado, e pelo público reconhecimento do cumprimento da sua missão.

Ostenta as seguintes insígnias nacionais ou militares:[8]

O Colégio Militar também recebeu as seguintes distinções locais ou particulares:

  • 1967 Medalha de Ouro e Bons Serviços do Concelho de Oeiras
  • 1985 Medalha de Honra da Cidade de Lisboa
  • 2003 Medalha da Cruz Vermelha de Benemerência
  • 2005 Medalha de Honra da Freguesia de Carnide
  • 2008 Colar de Honra de Mérito Desportivo
  • 2008 Troféu Olímpico do Comité Olímpico Português

Caraterísticas[editar | editar código-fonte]

Código de Honra[editar | editar código-fonte]

O Código de Honra é um guia permanente do comportamento dos alunos do Colégio Militar. Está colocado em locais estratégicos das instalações, estando também cosido no interior de algumas peças do fardamento.

  1. Amar e honrar a Pátria
  2. Dignificar a farda que enverga
  3. Cultivar a disciplina
  4. Dedicar à sua formação todo o seu esforço e inteligência
  5. Ser verdadeiro e leal, assumindo sempre a responsabilidade dos seus atos
  6. Praticar a camaradagem sem denúncia nem cumplicidade
  7. Ser modesto no êxito, digno na adversidade e confiante face às dificuldades
  8. Ser generoso na prática do Bem
  9. Repudiar a violência, a delapidação e o despotismo
  10. Ser sempre respeitador, afável e correto[9]

Fardamento[editar | editar código-fonte]

Os alunos do Colégio Militar envergam um uniforme de gala de cor de pinhão (acastanhada), adotado em 1837 com base na cor tradicional dos uniformes dos Batalhões de Caçadores portugueses, e posteriormente modificado em 1870 e 1912. Do uniforme de gala destaca-se a barretina, adotada em 1866 com base no modelo então corrente no Exército Português, a qual se tornou no principal símbolo do Colégio Militar.

No ano letivo de 2009-2010, o fardamento para uso interno e desportivo foi redesenhado pela estilista nacional Maria Gambina, mantendo-se intocado o uniforme de gala.

Cerimónias e Tradições[editar | editar código-fonte]

O Colégio Militar celebra cerimónias e tradições, tanto oficiais como internas, que se repetem em cada ano letivo.

Dentre as cerimónias abertas a todo o público em geral, inclui-se a Abertura Solene do ano letivo, a incorporação dos novos alunos no Batalhão Colegial em 1 de dezembro e o Aniversário do Colégio Militar no dia 3 de março.

As tradições internas, destinadas a reforçar os laços de camaradagem entre alunos, incluem o grito de saudação "Zacatraz", e o uso do símbolo da barretina na lapela.

Abertura Solene do ano letivo[editar | editar código-fonte]

Geralmente realizada no final do mês de outubro, integra a saudação de boas-vindas aos novos alunos e a imposição de distinções por bons resultados escolares aos melhores alunos do ano anterior.

Aniversário do Colégio Militar[editar | editar código-fonte]

Esta comemoração é realizada durante os dois dias do fim de semana mais próximo do dia 3 de março, a data oficial da fundação do Colégio Militar em 1803. No sábado, decorre uma cerimónia de homenagem ao fundador, na presença de todo o Batalhão Colegial, nos Claustros do Colégio Militar. No domingo, o Batalhão Colegial realiza um desfile em público, geralmente descendo toda a Avenida da Liberdade, em Lisboa, terminando no Rossio, onde é de seguida celebrada missa em homenagem pelos ex-alunos já falecidos, na Igreja de São Domingos.

"Zacatraz"[editar | editar código-fonte]

O "Zacatraz" é o grito de saudação dos alunos ou antigos alunos do Colégio Militar, sinal da sua presença em eventos públicos ou reuniões privadas.

Símbolo da Barretina na lapela[editar | editar código-fonte]

O símbolo da Barretina é usado na lapela de roupa civil por alunos, antigos alunos e sócios honorários da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar.

Antigos alunos distintos[editar | editar código-fonte]

Estes são alguns antigos alunos do Colégio Militar que se distinguiram publicamente.[10] [11] [12]

Ver também a categoria: Ex-alunos do Colégio Militar

Na presidência da República[editar | editar código-fonte]

  • Marechal Carmona (1869-1951), marechal do Exército, político, primeiro-ministro (1926-1928), Presidente da República (1926-1951)
  • Marechal Costa Gomes (1914-2001), marechal do Exército, Presidente da República (1974-1976)
  • Marechal Craveiro Lopes (1894-1964), marechal da Força Aérea, Presidente da República (1951-1958)
  • Marechal Gomes da Costa (1863-1929), marechal do Exército, político, Presidente da República (1926)
  • Marechal Spínola (1910-1996), marechal do Exército, administrador colonial, político, Presidente da República (1974)

Na política e administração pública[editar | editar código-fonte]

Nas forças armadas[editar | editar código-fonte]

Nas ciências[editar | editar código-fonte]

Nas artes[editar | editar código-fonte]

Nas letras e humanidades[editar | editar código-fonte]

No desporto[editar | editar código-fonte]

No comércio e indústria[editar | editar código-fonte]

João Cordeiro (1947-), empresário, dirigente associativo

Professores[editar | editar código-fonte]

Esta é uma lista de professores que lecionaram no Colégio Militar, com artigos próprios na Wikipédia:

Diretores[editar | editar código-fonte]

Esta é uma lista de diretores do Colégio Militar com entradas na Wikipédia, por ordem cronológica do ano em que assumiram a direção:

Toponímia[editar | editar código-fonte]

Os nomes do Colégio Militar, do seu fundador e de mais de 80 antigos alunos - todos com artigos na Wikipédia - perduram na toponímia (nomes de localidades e de arruamentos) por todo o mundo:[13]

Referências

  1. Matos, Alberto da Costa; coord. Jorge Alberto Gabriel Teixeira, Mário Margarido e Silva Falcão; fot. José Luís Braga et al.. História do Colégio Militar. Lisboa: Estado Maior do Exército, 2003. 4 vols. ISBN 972-97408-4-4. ISBN 972-97408-6-0. ISBN 972-97408-5-2. ISBN 972-97408-7-9..
  2. Lusa/Sol (21 de março de 2012). "Marçal Grilo vai liderar reforma do ensino militar" Jornal Sol. Visitado em 20 de setembro de 2013.
  3. Lusa (10 de setembro de 2012). "Ensino militar regular concentrado no Colégio Militar até 2015" Jornal Público. Visitado em 20 de setembro de 2013.
  4. Despacho nº 4785/2013 do MDN
  5. a b Joana Ferreira da Costa (25 de setembro de 2012). "Querem matar o colégio Militar?" Jornal Sol. Visitado em 20 de setembro de 2013.
  6. Lusa (13 de setembro de 2012). "Aguiar-Branco enaltece ensino militar em carta enviada aos pais dos alunos" Jornal Público. Visitado em 20 de setembro de 2013.
  7. Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar.
  8. http://www.presidencia.pt/comandantesupremo/?idc=344&idi=13765
  9. O Código de Honra do Aluno do Colégio Militar.
  10. http://www.lacm.org.pt/conheca-o-cm/outros-antigos-alunos-de-relevo/conheca-o-cm/outros-antigos-alunos-de-relevo
  11. Meninos da Luz – Quem é Quem II. Lisboa: Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, 2008. ISBN 989-8024-00-3.
  12. Matos, Alberto da Costa; prefácio: José Alberto Loureiro dos Santos. O Colégio Militar: berço de grandes portugueses. Lisboa: Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, 2013. ISBN 978-989-96104-0-8.
  13. Matos, Alberto da Costa; prefácio: António dos Santos Ramalho Eanes. O Colégio Militar na Toponímia Portuguesa. Lisboa: Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, 2009. ISBN 978-989-96104-0-8.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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