Colecistite

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A colecistite é a inflamação da vesícula biliar. A colecistite aguda é uma emergência médica que se não tratada pode complicar levando à morte.

Os doentes em risco são mulheres em período fértil, obesos e indivíduos com idade entre quarenta e cinquenta anos. A dieta rica em gorduras é um comportamento de risco, assim como as perdas ou ganhos de peso rápidas e a diabetes mellitus.

Etiologia[editar | editar código-fonte]

Cerca de 80% das colecistites são devidos à presença de cálculos que causam obstrução dos canais biliares, ou seja, são uma conseqüência da litiase biliar: cálculos ou pedras no interior da vesícula. Em geral estas pedras, constituidas de colesterol ou bilirrubina são as responsáveis pelo início do quadro clínico. A estase de liquido biliar permite a multiplicação de bactérias, que levam à inflamação.

Outras causas de obstrução são os tumores do canal cístico ou próximos a ele.

A colecistite alitiásica, ou sem pedras na vesícula, pode aparecer após um período sem alimentação por via oral. Isto pode ocorrer por causa do jejum necessário para realizar uma cirurgia e pelo período após a cirurgia em que o doente permanece sem alimentar-se. Ou ainda mais raramente depois de queimaduras graves, traumatismos, bacteremia ou após o parto. A colecistite alitiásica aparece também como complicação em pacientes imunodeprimidos, portadores do vírus HIV. Nestes casos pode apresentar-se com quadro atípico ou sub-agudo. Os microorganismos envolvidos em geral são o citomegalovírus e criptosporídeo.

Complicações[editar | editar código-fonte]

A colecistite se não tratada de imediato pode complicar devido à necrose provocada pelas bactérias com produção de gás. A ruptura da parede leva a:

  1. Peritonite frequentemente fatal.
  2. Formação de fístula com o intestino. Por vezes é expulso assim um grande cálculo que vai obstruir a válvula ileocecal, provocando obstrução intestinal mecânica, também grave se não tratada.
  3. Septicemia e choque mortais.
  4. Formação de abscessos.

Sintomas e Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Nem todos os sintomas surgem em todos os casos. Em crianças pequenas e idosos pode ser quase assintomática:

  1. Dor epigástrica (acima do estômago) ou no quadrante superior direito abdominal. Pode ser intensa ("excruciante") ou leve, e ocorre em ataques repetidos ou cólicas.
  2. Febre baixa
  3. Anorexia (falta de apetite).
  4. Náuseas e vómitos
  5. A icterícia se surge sugere obstrução mais baixa no canal biliar comum.

As análises sanguineas demostram leucocitose. Um exame clínico muito útil é o sinal de Murphy, que testa a sensibilidade à dor na área.

A confirmação é com ecografia, observando-se espessamento significativo da parede do órgão. Se possível é também localizado o cálculo responsável.

Diagnóstico diferencial[editar | editar código-fonte]

A colecistite aguda pode ser confundida clinicamente com:

  1. Pancreatite
  2. Colelitíase biliar: ataques de dor devido à expulsão de pequenos cálculos. A colelitíase biliar por vezes complica em colecistite aguda.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

A colecistectomia (remoção da vesícula biliar) é o tratamento indicado. Pode ser realizada tanto pela via tradicional (cirurgia aberta) como por videolaparoscopia. São administrados antibióticos imediatamente, mesmo antes da cirurgia.

Não há grandes alterações nas funções gastrointestinais ou outras no indivíduo a quem foi retirada a vesicula. Poderão ser necessárias apenas restrições ao consumo alimentar de gorduras.

Alguns pacientes precisam de cirurgia imediatamente por apresentar os sintomas da colescistite aguda de forma mais acentuada, nestes casos, a vesícula biliar pode ser drenada manualmente até que a cirurgia possa ocorrer.

Anatomia Patológica[editar | editar código-fonte]

A vesicula está distendida e avermelhada com exsudado seroso ao exame macroscópico. O lúmen contem por vezes pus ou gases.

Microscopicamente, há aumento da espessura da parede, edema, congestão vascular e infiltrado inflamatório constituido de neutrófilos.

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

A mortalidade total é de 5%, mas exceptuando os diabéticos e os muito idosos desce para menos de 1%. Após retirada da vesicula, não há perdas de função significativas para o doente a longo prazo.

Distinção entre Colecistite aguda e Crónica[editar | editar código-fonte]

A vesícula agudamente inflamada apresenta um estado mais crítico para o doente, com dor em hipocôndrio direito, sinal de Murphy positivo, febre, leucocitose e queda do estado geral. A vesícula cronicamente inflamada apresenta principalmente dor. A colecistite pode ocorrer com bactérias formadoras de gás, sendo mais comum em diabéticos. É chamada de colecistite gangrenosa e deve ser operada imediatamente.

Colecistite crónica[editar | editar código-fonte]

A colecistite crónica resulta da inflamação continua de baixo grau da vesicula, ou de vários ataques autolimitados de colecistite aguda. Microscópicamente o infiltrado inflamatório é constituido por macrófagos, que ingerem as membranas celulares das células destruidas, apresentando-se cheios de lípidos: macrófagos xantelesmizados. Além disso são visíveis seios de Rokitansky-Aschoff: ou evaginações na membrana devido a menor taxa de renovação da mucosa que de destruição. Por vezes à calcificação da mucosa, denominada de vesícula de porcelana: nestes casos o risco de cancro da vesicula é muito mais alto.

Prevenção[editar | editar código-fonte]

O colesterol tem um fator importante no desenvolvimento da colecistite, pois ele ajuda na formação de cálculos biliares.

Referências

Desta forma a perda de peso e uma alimentação com menor consumo de colesterol e ampliar o consumo de fibras pode auxiliar na prevencão e diminuir o nível de colesterol na bile.[1]

  1. Colecistite Aguda - Causas, Sintomas, Tratamento, Cirurgia in Índice de Saúde, 07 de Julho de 2013