Colonização viquingue da América

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Povoado viquingue de L'Anse aux Meadows (Terra Nova, Canadá), descoberto em 1960 e declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Os viquingues exploraram e colonizaram diferentes áreas do Atlântico Norte, que incluíam a ilha da Groenlândia, o litoral do Canadá e possivelmente os Estados Unidos a partir do século X.[1] [2] A colonização viquingue da América não teve o efeito desestabilizador das seguintes vagas da colonização europeia da América, mas pode ser vista como um prelúdio à colonização em grande escala empreendida pela primeira viagem de Cristóvão Colombo.[1]

A chegada dos viquingues à América é habitualmente considerada como uma afirmação provocadora que questiona a tradicional atribuição a Cristóvão Colombo de ser o primeiro europeu a chegar às terras americanas. Atualmente não há dúvidas sobre a chegada de viquingues à América[3] [4] e o estabelecimento em ilhas da Groenlândia e Terra Nova (atual Canadá), onde se encontra o povoado viquingue de L'Anse aux Meadows, declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.[5]

O objetivo dos viquingues ao chegar à América foi ter o domínio das rotas de navegação e a cobrança de direitos para a venda de animais e doutros bens na Europa.

As sagas nórdicas, dos textos viquingues do século XIII, são a primeira fonte escrita europeia em que se refere a América. Ali são mencionadas quatro regiões americanas aos que os viquingues denominaram: Groenland (Terra Verde, donde originou o nome atual: Groenlândia), Helluland (Terra dos arroios), Markland (Terra dos bosques) e Vinland (Terra dos vinhedos).[1] [2] [6] [7]

Colonização europeia
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Descolonização (Cronologia)
Cronologia
História da América

As sagas nórdicas ou islandesas[editar | editar código-fonte]

Territórios e rota das viagens dos viquingues.

As viagens, descobrimentos e assentamentos viquingues na América foram escritos pela primeira vez em duas sagas: a Saga dos groenlandeses escrita no ano 1200, e a Saga de Érico, o Vermelho, escrita no ano 1260.[7]

Trata-se de relatos de autor anônimo que mistura ficção e realidade sobre os acontecimentos dos séculos, antes transmitidos oralmente. Assim, tem sido um trabalho a mais aos estudiosos, que, por causa disso, têm recorrido continuamente a dados científicos complementares para validar o conteúdo desses escritos.[6] [7]

Groenlândia[editar | editar código-fonte]

Segundo contam as sagas islandesas, os viquingues da Islândia chegaram pela primeira vez a América pela Groenlândia no ano de 982. Naquele momento, a colônia consistia em dois assentamentos, cuja população total variava ente três e cinco mil habitantes, e, pelo menos, 400 granjas que podem datar dessa época foram identificadas no sítio pelos arqueólogos.

Em 1261, a população aceitou o governo do rei da Noruega, ainda que continuassem aplicando as leis locais. Em 1380, este reino uniu-se ao da Dinamarca.[6] [7]

Um dos mais recentes registros escritos sobre os viquingues na Groenlândia correspondem a um casamento em 1408 na igreja de Hvalsey, que são, atualmente, as ruínas melhor preservadas dessa época.

O declínio da colônia iniciou no século XIV e os assentamentos começaram a serem abandonados perto de 1350.[6] [7] O mais provável é que no século XV já não havia assentamentos viquingues no continente americano, apesar de não existir uma data certa, precisa para esse acontecimento. Os estudos com radiocarbono localizaram os últimos rastros de assentamentos são datados de 1430, havendo uma margem de 15 anos. Foram propostas diversas teorias que explicariam as razões da decadência e desaparecimento desses assentamentos.[6] [7] A Pequena Idade do Gelo que ocorreu durante esta época pode ter endurecido as condições de vida das populações locais e ter dificultado o transporte entre a América e a Europa. Adicionalmente, o marfim da Groenlândia pode ter sido substituído no mercado europeu pelo marfim mais rentável procedente da África.

Apesar da perda de contato com os assentamentos da Groenlândia, o governo dinamarquês continuou considerando a Groenlândia como sua possessão e a existência da ilha nunca foi esquecida pelos geógrafos europeus.[6] [7] Os baleeiros europeus realizaram paradas ocasionais na ilha durante o século XVII e, em 1721, realizou-se uma expedição mercantil e missionária liderada por Hans Egede para Groenlândia, sob o argumento que, já que há habitantes viquingues na Groenlândia, eles continuariam sendo católicos, então deveriam se reformados, tal como haviam sido os cristãos do norte da Europa. Esta expedição não encontrou povoados de origem europeia que tivessem sobrevivido, no entanto iniciaram a colonização dinamarquesa da América, com uma colônia estável na ilha, onde confirmou as pretensões de soberania da Dinamarca sobre a ilha.[8] [9]

Vinland[editar | editar código-fonte]

Assentamento viquingue em L'Anse aux Meadows, Terra Nova.

Segundo contam as sagas islandesas (a "Saga de Érico, o Vermelho" e a "Saga dos groenlandeses"  — capítulos do Hauksbók do Livro de Flatey), os viquingues iniciaram a exploração pelo oeste da Groenlândia poucos anos antes de se estabelecerem os assentamentos na ilha. Bjarni Herjólfsson, um mercador que navegava entre a Islândia e a Groenlândia, perdeu o rumo chegando a um território muito mais ao oeste. Herjólfsson descobriu o território a Leif Eriksson, quem explorou a área com maiores detalhes e fundou um pequeno assentamento, chamado Leifbundir.[10]

As sagas descrevem três áreas separadas descobertas durante essa exploração: Helluland, que significa "terra de pedras planas"; Markland, "território coberto por bosques (algo que certamente interessava aos colonos da Groenlândia, região com escassez de árvores); e Vinland, que estava mais ao sul de Markland. Foi em Vinland onde se estabeleceu o assentamento descrito nas sagas.[10]

Durante muitos anos, duvidou-se da autenticidade das sagas, até que em 1837, o arqueólogo dinamarquês Carl Christian Rafn descreveu os indícios de assentamentos viquingues na América do Norte. Na década de 1960, foi comprovada a base histórica das sagas ao escavar um assentamento viquingue em Leifbundir (L'Anse aux Meadows) em Terra Nova. Entretanto, a localização exata das terras descritas nas sagas não está clara. Muitos historiadores identificam a Helluland com a ilha de Baffin e a Markland com o litoral do Labrador. A localização de Vinland é muito menos clara. Alguns pensam que os assentamentos de L'Anse aux Meadows são os de Vinland descritos nas sagas; outros, baseados em descrições contidas nas sagas, consideram que Vinland deva ser um território muito mais gelado que Terra Nova, e localizam-na mais ao sul. Todavia, ficam incógnitas sobre a colonização viquingue na América que só obterão respostas definitivas após o descobrimento de novos vestígios arqueológicos.[1] [2]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Discovering Vikings at L'anse aux Meadows, Centre for Distance Learning and Innovation, Terra Nova e Labrador, Canadá.
  2. a b c WAHLGREN, Erik, Destino, Los Vikingos y América, Barcelona: 1990. ISBN 84-233-1915-6
  3. Objetos de manufatura viquingues achados em Anse-aux-Meadows
  4. NYDAL, Reidar. (1989). "A critical review of radiocarbon dating of a Norse settlement at L'Anse aux Meadows, Newfoundland, Canada" 31: p. 976-985 pp.. Radiocarbon.
  5. Descrição do lugar histórico de L'Anse aux Meadows (Nascimento viquingue) na página eletrônica da UNESCO
  6. a b c d e f Casariego Córdoba, Antón e Casariego Córdoba, Pedro (editores) (1988). La saga de los groenlandeses, Madri: Ediciones Siruela, S.A.
  7. a b c d e f g Jones, Gwyn (1992). La saga del Atlántico Norte: establecimiento de los vikingos en Islandia, Groenlandia y América. Barcelona: Oikos-Tau, S.A. Ediciones.
  8. Hans Egede, Classic Encyclopedia
  9. Bobé, Louis (1952). Hans Egede: Colonizer and Missionary of Greenland. Copenhagen: Rosenkilde and Bagger.
  10. a b Texto completo da saga de Érico, O Vermelho (em islandês e inglês).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]