Comando de Libertação Nacional

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Comando de Libertação Nacional (COLINA) foi uma organização guerrilheira brasileira de esquerda cujo objetivo era instalação de um regime totalitário de inspiração soviética no país. Teve origem em 1967 no estado de Minas Gerais a partir da fusão de outra organização chamada POLOP, com alguns militares esquerdistas, ele abraçou as ideias defendidas pela OLAS, executando, desde 1968, ações armadas para levantamento de recursos para guerrilha no campo.[1] No Colina, havia a participação da atual presidente brasileira Dilma Rousseff.[2] Além de cinco sargentos do exército: João Lucas Alves, Severino Viana Colon, Valdivo de Almeida, José Alves da Silva e Roil de Noronha Soares.[3] A partir de 1969, quando teve vários de seus militantes presos, deu origem à VAR-Palmares com o apoio de ex-membros da VPR.

O Colina ficou conhecido por se envolver em uma tentativa de assassinato do capitão boliviano Gary Prado, divulgado como o oficial que teria capturado e executado o líder da revolução cubana Che Guevara na Bolívia.

Em 1 de julho de 1968, João Lucas Alves, Severino Viana Colon, José Roberto Monteiro e Amílcar Baiardi assassinaram a tiros um oficial no bairro da Gávea, acreditando ser o oficial boliviano, quando na verdade se tratava de um major do exército alemão, Edward Ernest Tito Otto Maximilian von Westernhagen.[4] Diante do equívoco, o Colina não assumiu a autoria do atentado. Já em novembro daquele ano, João Lucas foi preso e torturado até a morte. Três meses mais tarde, foi a vez de Severino, que foi encontrado morto em sua cela sob alegação de suicídio. Valdivo de Almeida foi preso em 1970 e solto anos mais tarde.

Em caso de tortura, o grupo seguia seu manual, chamado "Comportamento do companheiro em caso de cair preso", que dizia, entre outras coisas:

"[...] Dar abundantes dados falsos, porém coerentes, que permitam ganhar tempo, para que os companheiros fujam [...] Em caso de tortura - deve-se analisar rapidamente a situação para decidir as atitudes a tomar. Continua válido falar bastante em torno de dados falsos. Se a tortura insuportável, deve-se buscar uma maneira de ser ferido ou desfalecido, pois o tempo é fundamental. [...] Toda declaração obtida em tortura pode ser negada em juízo, o que deve ser feito em interrogatório prestado ao juiz."[5]

Em janeiro de 1969, a polícia civil de Minas Gerais, ao empreender uma busca em uma "aparelho" da organização, travou um forte tiroteio com os militantes que ocasionou a morte de dois policiais civis, desbaratando o grupo e prendendo suas lideranças. Um dos seus dirigentes, Murilo Pezzuti, foi preso-cobaia em aulas de tortura na Vila Militar do Rio de Janeiro no mesmo ano.[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. [1] Leite da Silva, I. C. (2009), "Comandos de libertação nacional: oposição armada à ditadura em Minas Gerais (1967-1969)", Belo Horizonte: Programas de Pós-graduação da UFMG.
  2. Rayder Bragon (31/03/2014). Como era a Dilma que lutou durante a ditadura? Companheiros da época respondem. UOL.
  3. http://issuu.com/policialbr/docs/militarescontraditaduramilitar/134
  4. "Brasileiro lamenta não ter sido o 'vingador de Che'". O Estado de S. Paulo. October 9, 2007.
  5. http://issuu.com/policialbr/docs/militarescontraditaduramilitar/134
  6. Aranha, Patrícia. "Comissão da Anistia revê processos em BH". Estado de Minas. August 13, 2009.