Comando de Operações Táticas

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COT
Visão geral
Nome completo Comando de Operações Táticas
Sigla COT
Fundação 1987
Tipo operações especiais
Subordinação Departamento de Polícia Federal
Direção superior Ministério da Justiça
Estrutura operacional
Sede Brasília, DF Brasil
Portal da polícia
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O Comando de Operações Táticas, também conhecido pela sigla COT, é a unidade de operações especiais e Contra-Terrorismo da Polícia Federal do Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

A ideia de se criar um grupo de operações especiais dentro do Departamento de Polícia Federal surgiu em 1983, quando uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito responsável por apurar atos de terrorismo recomendou ao Ministério da Justiça o destacamento de um grupo de policiais para especialização em Contra-Terrorismo. O temor, na época, era com incidentes envolvendo sequestro de aeronaves e ameaças de bomba, influenciados pelos atentados à embaixada estadunidense e aos quartéis em Beirute ocorridos naquele ano.

Em 1984 foram feitos estudos de viabilidade sob o comando do delegado Raimundo Cardoso da Costa Mariz, então Coordenador Central de Polícia — cargo correspondente ao atual Diretor Geral —, e foi dado início à implantação do grupo especial segundo o plano inicial elaborado pelo agente federal Evandro Carnaval Barroso, com base no GSG 9, o grupo contraterrorista da Bundespolizei. Em 1987 foi formada a primeira equipe do Comando de Operações Táticas, composta de 20 agentes, um delegado e um escrivão. Ainda sem sede, instalou-se numa sala da Delegacia de Polícia Fazendária, no edifício sede da Polícia Federal, em Brasília.

O brasão do COT foi também elaborado pelo agente Evandro. O desenho da águia foi transposto de uma imagem encontrada em uma caixa de munições, juntando-se a ela um fuzil Colt M16. A águia foi escolhida como símbolo por ser capaz de enfrentar tempestades para caçar.

Em 1988 foi elaborada a primeira planta baixa da sede do COT, sob o comando do agente Nolsen Brito da Silva. A sede foi construída ao lado da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, e tem cerca de 40.000 m², contando com toda a infraestrutura para os treinamentos.

Somente em 1990 o COT passou a integrar o organograma oficial do Departamento de Polícia Federal, sob a chefia do delegado Carlos Bernardes.[1] [2]

Atividades[editar | editar código-fonte]

O COT é a unidade de elite da Polícia Federal, sendo responsável pelas intervenções de alto risco e/ou complexidade que exijam preparo além do convencional das forças policiais.

Com o passar dos anos, o COT adaptou e evoluiu seu programa de treinamento com base na realidade brasileira; além dos treinamentos comuns às unidades de operações especiais de outras polícias do mundo, o COT possui treinamento específico para atuar em operações contra o tráfico de drogas, o terrorismo e em biomas típicos do território brasileiro, como floresta tropical, caatinga, pantanal e cerrado. O COT é também o responsável por resoluções de casos de apoderamento de aeronaves civis dentro do Brasil, com ou sem reféns.

Invasão de prédio com rapel

O COT executa, em média, 110 operações por ano em todo o Brasil, distribuídas entre subequipes. No intervalo de tempo em que não estão executando uma operação, os membros do COT estão em treinamento ininterrupto na base em Brasília, ficando à disposição e podendo ser acionados para uma operação a qualquer momento.

Desde sua criação, o COT nunca teve um policial morto em combate nem nenhum caso de corrupção entre policiais membros de sua equipe.[2] [3] [4]

Seleção[editar | editar código-fonte]

Policiais federais se alistam para entrar no COT voluntariamente — não há obrigatoriedade ou qualquer recrutamento. A seleção é rigorosa e exige alto condicionamento físico e mental, avaliados por uma série de testes preliminares, nos quais cerca de 60% dos candidatos são eliminados. Depois desta primeira fase, os candidatos passam por um treinamento de mais de um ano até o exame final, após o quê são finalmente admitidos como membros do COT, imediatamente dando início ao treinamento junto com o resto da equipe e estando sujeitos a um estágio probatório, onde serão avaliados sua convivência com o grupo, presteza nas ações tático-policiais e desempenho nos treinamentos ministrados.

Dentro do COT, além da variedade de formações acadêmicas advinda do próprio concurso público de admissão à Polícia Federal, há a formação de especialistas em algumas áreas específicas, como CQB, operações rurais e urbanas, operações aquáticas e aéreas, explosivos, franco-atiradores, controle de distúrbios civis, inteligência e pronto-socorrismo, dentre outras. Em comum, todos os membros do COT possuem forte treinamento em tiro com armas curtas e longas, combate desarmado, sobrevivência e primeiros socorros, além de ter de serem capazes de lidar com grande pressão psicológica.[2] [3]

Testes físicos[editar | editar código-fonte]

No início de 2009, os testes físicos compreendiam:[carece de fontes?]

  • corrida de 3 km em 15 minutos;
  • corrida de 100 m em 15 segundos;
  • 10 flexões pronadas na barra fixa;
  • 35 flexões de braço (apoios) no solo;
  • 50 abdominais "remador" em 80 segundos;
  • sustentação na barra fixa por 60 segundos;
  • subida de 6 m de corda, podendo-se usar os pés;
  • 200 m de natação em estilo livre em 5 minutos;
  • salto na água de uma plataforma de 10 m de altura;
  • flutuação na água durante 20 minutos.

Os parâmetros utilizados nesses testes vêm ficando mais rígidos com o passar dos anos.

Referências

  1. Comando de Operações Táticas - Da Concepção ao Nascimento Sindicato dos Policiais Federais do DF (26-11-2007).
  2. a b c Bettini, Eduardo M.; Tomazi, Fabiano. Charlie Oscar Tango. 1ª. ed. [S.l.]: Ícone, 2009. ISBN 9788527410649.
  3. a b Tropa de elite da PF atua há 23 anos sem baixas Terra (20-12-2009).
  4. Polícia Federal usa equipamentos de última geração no combate ao crime Jornal da Globo (31-8-2012).

Ver também[editar | editar código-fonte]