Competência social

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Competência social designa em psicologia a habilidade da pessoa no contato social.

Definição[editar | editar código-fonte]

Apesar de na psicologia do senso comum a competência social ser um conceito claro (por exemplo quando se diz que alguém tem "jeito de lidar com as pessoas"), distinto da inteligência, uma definição científica desse conceito não é fácil, pois ele inclui dois grupos de capacidades distintas, sendo assim um conceito heterogêneo: de um lado a capacidade de se impor em situações sociais, ou seja, a capacidade de defender os próprios interesses, e por outro lado a capacidade de construir relacionamentos, ou seja, a capacidade de iniciar relacionamentos positivos e mantê-los. Uma ação socialmente competente exige assim que a pessoa seja capaz de defender seus interesses sem perder as outras pessoas de vista. Thorndike (1920) chama esses dois aspectos da competência social sensibilidade social - a capacidade de se colocar no lugar de outrem - e habilidade de ação social - a capacidade de lidar com situações sociais difíceis1 .

Verificação empírica[editar | editar código-fonte]

A pesquisa empírica teve dificuldade de medir a sensibilidade social. Por um lado diferentes testes produziram resultados diversos e por outro o conceito, tal como medido nos diferentes testes, tem uma correlação muito alta com a inteligência - ou seja, tal como foi definido nesses testes, "sensibilidade social" seria um outro nome para inteligência. É possível que essa dificuldade se deva ao fato de a sensibilidade social não ser ainda um traço de personalidade homogêneo, mas formado por uma série de outros traços - e estes representarem papéis diversos em diferentes situações sociais1 .

Para a medição da habilidade de agir socialmente foram desenvolvidos três tipos de testes:

  • a solução de problemas sociais hipotéticos ("O que você faria, se você estivesse em tal situação);
  • a avaliação das próprias capacidades sociais e
  • a observação de comportamentos reais, que em laboratório, que em situações reais.

A primeira abordagem não foi capaz de definir o construto "habilidade de ação social" de maneira clara, de forma que os testes tiveram os mesmos problemas dos testes de "sensibilidade social" (ver acima). Provavelmente também aqui se trata de um conceito heterogêneo e que varia de situação para situação. A segunda abordagem obteve algum êxito: os questionários ICQ (Interpersonal Competence Questionaire, Buhrmester et al. 1988) e a escala de Paulhus e Martin (1988) para a medição da "flexibilidade social" (ou seja, a capacidade de o indivíduo adaptar seu comportamento à situação) se mostraram capazes de fazer medições estáveis e independentes da inteligência. O problema é que se trata, em ambos os casos, de autoavaliações, que possivelmente não correspondem ao corportamento real1 .

Já a terceira abosdagem mostrou-se mais frutífera. A pesquisa que se desenvolveu sobretudo nos anos 70 e 80 do século XX conseguiu reunir um conjunto de "situações-padrão", em que o comportamento do indivíduo pode ser observado. Baseado nesse conhecimento foi possível o desenvolvimento de diferentes tipos de treinamentos de competência social, para auxiliar pessoas com dificuldades. Infelizmente tais situações são muito simples, de forma que elas podem auxiliar uma pessoa com uma competência social muito baixa a atingir um nível médio, mas não mais1 .

Um outro fruto dessa terceira abordagem são os chamados assesment-centers. Esses são um método para a seleção de pessoal no qual os candidatos todos são reunidos em uma casa de convenções, ode devem trabalhar juntos em diferentes atividades - discussões, apresentações de temas, pequenas encenações de determinadas tarefas, etc. O objetivo é, com base na observação do comportamento dos candidatos, escolher o(s) candidato(s) mais apto(s) para a vaga disponível1 .

Resumindo, apesar de sua grande relevância prática, a pesquisa da competência social ainda está em uma fase de desenvolvimento muito aquém daquela atingida em outras áreas como a inteligência.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e Asendorpf, Jens B. (2004). Psychologie der Persönlichkeit. Berlin: Springer.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Asendorpf, Jens B. (2004). Psychologie der Persönlichkeit. Berlin: Springer. ISBN 3 540 66230 8
  • Carver, Charles S. & Scheier, Michael F. (2000). Perspectives on personality. Boston: Allyn and Bacon. ISBN 0 2055 2262 9
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