Completude (lógica)
A completude é um meta-resultado lógico importante, que garante que toda sentença válida pode ser formalmente derivada, estabelecendo assim uma certa relação entre o universo semântico e sintático de um determinado cálculo lógico:
Dizemos que uma dada lógica é completa se para toda tautologia φ, podemos apresentar uma derivação formal para φ, a partir de um conjunto vazio de premissas. Esta noção de completude também é denominada por alguns autores completude fraca.
Dizemos que uma determinada lógica é fortemente completa se, dado um conjunto de fórmulas
, temos: se
é consequência lógica (ou consequência semântica) do conjunto de premissas
em conjunto com uma fórmula arbitrária
, então pode-se apresentar uma dedução formal de
a partir deste mesmo
. Em símbolos, denotamos isto por:
implica 
Uma outra definição simples de uma lógica completa diz que nenhum axioma ou regra de inferência extra precisa ser adicionado à teoria forma desta lógica para que ela seja capaz de derivar formalmente todas as fórmulas válidas.
Índice |
Completude na Lógica Proposicional [editar]
Demonstração [editar]
Seja
um conjunto arbitrário de fórmulas bem-formadas pertencentes à linguagem da lógica proposicional, e
uma fórmula bem-formada, tal que
.
Para demonstrar o Teorema da Completude para a lógica proposicional, procederemos por contraposição:
Suposição:
.
Demonstraremos agora que
:
Demonstração (Lema de Lidenbaum-Asser):
- Primeiramente, ordenamos todas as fórmulas da linguagem proposicional e numeramos cada uma delas:
(a ordem é arbirária, como por exemplo, a ordem alfabética) - Definimos
como o Conjunto Maximal em relação à
(infinito) definido como a união de todos os
, onde:

- Se temos que
então
. Senão, temos que 
- Podemos verificar agora que:
contém
.
, pois em caso contrário, teríamos adicionado a algum
fórmula
responsável pela demonstrabilidade de
, porém esta possibilidade foi excluída na definição da sequência de
's que compõe 
- O termo "conjunto maximal" vem do fato que toda e qualquer fórmula ainda não presente neste, ao ser adicionada, faria

- Se
é um conjunto maximal, então ele também será "verídico". isto é, ele contém uma determinada fórmula
se e somente se não contiver
; Se contém
e
, então também irá conter 
- Se
é "verídico", então existe uma determinada valoração canônica tal que as fórmulas de
assumem um valor verdadeiro e todas as outras fórmulas da linguagem são falsificadas.
Temos então que para esta dada valoração,
e
, donde segue que 
Completude na Lógica de Primeira Ordem [editar]
O cálculo de predicados de primeira ordem descreve uma lógica fortemente completa. Este resultado foi demonstrado pela primeira vez por Kurt Gödel em 1929. Posteriormente, o lógico Leon Henkin desenvolveu um teorema mais prático, usado até hoje. Para mais informações sobre o Teorema da Completude, consulte a seção Ver também.
Teoremas de Incompletude [editar]
Também demonstrado por Kurt Gödel, o teorema da incompletude garante que todos os cálculos lógicos pelo menos tão fortes quanto o sistema da Aritmética Peano não podem ser simulâneamente completos e consistentes. Um exemplo deste caso é a lógica de segunda ordem, que não possui um teorema da completude. Para mais informações, consulte a seção Ver também.
Outras noções de completude [editar]
- Na teoria de complexidade computacional, um problema P é dito completo para uma determinda classe de compexidade C, sob uma dada redução, se P está na classe C e todo problema desta pode ser reduzido à P utilizando-se esta redução. Por exemplo, os problemas na ckasse NP-Completa são completos para a classe NP sob um tempo polinomial e uma redução muitos para um
- Um procedimento ou algoritmo de decisão é completo se sempre que a resposta para um dado problema for "sim", este algoritmo à encontra corretamente.
Ver também [editar]
- Lógica proposicional
- Lógica de primeira ordem
- Teorema da completude de Gödel
- Teorema da incompletude de Gödel
- Kurt Gödel
Ligações externas [editar]
- (em inglês)-Completness em Wordnet. Acessado em 29 de julho de 2007.
implica 
(a ordem é arbirária, como por exemplo, a ordem alfabética)
como o Conjunto Maximal em relação à
, onde:

então
. Senão, temos que 
, pois em caso contrário, teríamos adicionado a algum
responsável pela demonstrabilidade de 
se e somente se não contiver
; Se contém
e
, então também irá conter 
assumem um valor verdadeiro e todas as outras fórmulas da linguagem são falsificadas.