Concílio de Jerusalém

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Concilio de Jerusalém
São Pedro, ícone do século VI, Mosteiro de Santa Catarina do Monte Sinai
Data 51
Aceite por Católicos, Ortodoxos e Protestantes
Concílio anterior --
Concílio seguinte Primeiro Concílio de Niceia
Convocado por Pedro e Tiago, o Justo
Presidido por São Pedro e Tiago, o Justo
Afluência Ano de 51
Tópicos de discussão Controvérsia da circuncisão e a Lei Mosaica
Documentos Evidências na Bíblia (Atos dos Apóstolos e na Epístola aos Gálatas)
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O Concilio de Jerusalém foi uma reunião inicial entre as lideranças cristãs nos meados do século I, para abordar se os gentios (não-judeus) deveriam seguir costumes da religião israelita.

Desenvolvimentos do Concílio[editar | editar código-fonte]

Entre alguns da Judeia estabeleceu-se uma dúvida e uma polêmica: saber se os gentios, ao se converterem ao cristianismo, teriam que adotar algumas das práticas antigas da Lei Mosaica para poderem ser salvos, inclusive o fazer-se circuncidar[1] .

O apóstolo Paulo, ao levar o cristianismo a outros povos, não exigia a circuncisão desses novos cristãos. Diante disso os presbíteros de Jerusalém se reuniram em torno de Tiago, o Justo' para fazer valer a "obrigatoriedade da circuncisão".

Após algumas discussões sobre a polêmica, o apóstolo Tiago concluiu:

«Eis porque, pessoalmente, julgo que não se devam molestar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus. Mas se lhes escreva que se abstenham do que está contaminado pelos ídolos, das uniões ilegítimas, das carnes sufocadas e do sangue. Com efeito, desde antigas gerações tem Moisés em cada cidade seus pregadores, que o leem nas sinagogas todos os sábados.» (Atos 15:19-21)

Em resultado foi elaborado uma Carta Apostólica que foi enviada aos cristãos da Síria e Cilícia. A Carta diz que:

«Os apóstolos e os anciãos, vossos irmãos, aos irmãos dentre os gentios que moram em Antioquia, na Síria e na Cilícia, saudações! Tendo sabido que alguns dos nossos, sem mandato de nossa parte, saindo até vós, perturbaram-vos, transtornando vossas almas com suas palavras, pareceu-nos bem, chegados a pleno acordo, escolher alguns representantes e enviá-los a vós junto com nossos diletos Barnabé e Paulo, homens que expuseram suas vidas pelo nome de nosso Senhor, Jesus Cristo. Nós vos enviamos, pois, Judas e Silas, eles também transmitindo, de viva voz, esta mesma mensagem. De fato, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor nenhum outro peso além destas coisas necessárias: que vos abstenhais das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas, e das uniões ilegítimas. Fareis bem preservando-vos destas coisas. Passai bem.» (Atos 15:23-29)

Conclusão[editar | editar código-fonte]

Apesar de ser tecnicamente mais correto considerar esta reunião um sínodo ou um concílio regional, esta primeira reunião magna cristã foi muito importante para o início do cristianismo, porque teve como principal decisão libertar a Igreja nascente do peso da Lei mosaica ,acabando assim com o problema relativo à da circuncisão para os não-judeus, confirmando para sempre o ingresso dos gentios (não-judeus)na Fé do Deus de Israel . Por isso, a sua importância não é inferior a qualquer dos outros concílios ecuménicos que lhe veio a seguir e que só surgiram a partir do século III.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bíblia de Jerusalém
  • Bíblia Sagrada (anotada pela Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra) Braga: Edições Theologica, 1990, vol. II.
  • WHOL, Louis de - Fundada sobre a Rocha. Lisboa: Rei dos Livros, 1993.
  • ORLANDIS, José. História breve do Cristianismo. Tradução de Osvaldo Aguiar - Lisboa: Rei dos Livros, 1993. ISBN 972-51-0046-8