Concílio de Roma

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Concílio de Roma (ou Sínodo de Roma) é o nome dado a diversos concílios e sínodos realizados na cidade italiana de Romana, antiga capital do Império Romano e capital do Império Romano do Ocidente.

Concílio sobre Atanásio (341)[editar | editar código-fonte]

Quando Constantino morreu, o bispo de Alexandria e defensor da doutrina nicena Atanásio, que havia sido exilado no Concílio de Tiro, em 335, recebeu permissão para retomar sua sé em Alexandria. Logo depois, em 338, o filho de Constantino, o novo imperador Constâncio II, um ariano, renovou o banimento de Atanásio. Ele seguiu para Roma e passou a ser protegido por Constante, o imperador romano do ocidente[1] .

Em 340, cem bispos se reuniram em Alexandria e se declararam a favor de Atanásio e papa Júlio I escreveu para os aliados de Ário exigindo fortemente que eles reinstalassem Atanásio, mas sem sucesso. Em 341, papa Júlio II convocou um sínodo em Roma para tratar do impasse e o resultado foi que Atanásio foi inocentado de todas as acusações[2] e reinstalado em sua sé.

Concílio de 382[editar | editar código-fonte]

O Concílio de Roma de 382 foi um concílio regional da Igreja antiga realizado em 382, sob a autoridade do Papa Dâmaso I. Os assuntos abordados foram os livros bíblicos aceitos pela Igreja e a autoridade papal. Sua importância encontra-se no fato de que o Decretum Gelasianum do Papa Gelásio I (492-496), que oferece uma lista de livros canônicos da Bíblia, foi baseado nele[3] .

Sínodos do século VIII[editar | editar código-fonte]

O primeiro deles, o de 721, foi convocado pelo papa Gregório II para estabelecer a os cânones para melhorar a disciplina da Igreja[4] . Um outro concílio, em 732, convocado por Gregório III com o mesmo objetivo, tratou de questões disciplinares sobre a conduta dos monges[5] .

Os sínodos de 731 foram parte da controvérsia iconoclasta contra as doutrinas do imperador bizantino Leão III, o Isáurio, que decretou o fim da veneração aos ícones e a imediata destruição de imagens por todo o império[6] . No primeiro sínodo, Gregório sugeriu depor um padre que havia sido encarregado de levar suas cartas ao imperador, mas acovardou-se ao chegar em Constantinopla. O concílio decidiu apoiar a condenação de Gregório ao imperador, mas sugeriu que o padre se penitenciasse e fosse enviado novamente com as cartas[7] .

Depois que o emissário foi preso na Sicília por ordens de Leão, um segundo sínodo foi convocado em 1 de novembro de 731 e contou com a presença do arcebispo de Ravena, um tradicional aliado dos bizantinos, o que demonstra a magnitude da crise instalada na igreja pela iconoclastia do imperador[8] [9] . O concílio condenou Leão novamente, mas nenhuma tentativa de fazer chegar até ele uma comunicação oficial fracassaram. Depois da condenação, Leão confiscou os territórios papais na Sicília e na Calábria e retirou de sua jurisdição também o território da prefeitura pretoriana da Ilíria, passando-a para a do patriarca de Constantinopla[10] . Em retribuição, o sínodo passou para o patriarca de Grado toda a regão da Venetia et Istria, reduzindo significativamente a jurisdição de Aquileia[11] .

Sínodos durante a controvérsia das investiduras[editar | editar código-fonte]

Durante a controvérsia entre o imperador Otão I e o papa Leão XII por causa do apoio deste a Berengário II, rei da Itália. Depois de expulsar o papa da cidade, Otão convocou o clero da cidade para sínodo em 963, entre 6 de novembro e 4 de dezembro, provavelmente ilegal, que depôs o papa. Liutprando de Cremona, o secretário e defensor de Leão durante os trabalhos, conta que, depois de se recusar a comparecer por 3 vezes, Leão foi deposto e o protonotário Leão, agora papa Leão VIII, foi eleito em seu lugar.

No sínodo do ano seguinte, entre 26 e 28 de fevereiro, os atos de 963 foram rejeitados e Leão VIII, deposto. Já no trono, João XII ordenou a mutilação de alguns de seus principais acusadores, a flagelação de outros e excomungou Leão. No mesmo ano, em 14 de maio, morreu e os nobres romanos elegeram papa Bento V, provocando o imperador Otão I a cercar a cidade novamente, tomando-a em 23 de junho acompanhado de Leão VIII[12] . Bento V foi demovido a diácono e jamais retornou ao trono papal.

Em 1078, outro sínodo foi realizado em Roma para reafirmar as reformas do papa Gregório VII[13] .

Referências

  1. Wikisource-logo.svg "St. Athanasius" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.
  2. Encyclopædia Britannica, 15th edition. Chicago: Encyclopædia Britannica, Inc. ISBN 0-85229-633-9
  3. F. C. Burkitt. (1913). "Decreto Gelasiano" (em inglês). Journal of Theological Studies (14): 469–471.
  4. Hefele, Charles Joseph; Clark, William R. (trans.), A History of the Councils of the Church from the Original Documents, Vol. V (1896)
  5. Mann, Horace K., The Lives of the Popes in the Early Middle Ages, Vol. I: The Popes Under the Lombard Rule, Part 2, 657-795 (1903)
  6. Mann, pgs. 204-205
  7. Mann, pg. 205
  8. Hefele, pgs. 302–303
  9. Duffy, Eamon, Saints & Sinners: A History of the Popes (1997), pg. 63
  10. Hefele, pgs. 303–304
  11. Mann, pg. 211
  12. Mann, Horace K., The Lives of the Popes in the Early Middle Ages, Vol. IV: The Popes in the Days of Feudal Anarchy, 891-999 (1910)
  13. Wikisource-logo.svg "Cardinal Deusdedit" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Treadgold, Warren, A History of the Byzantine State and Society (1997)
  • Hefele, Charles Joseph; Clark, William R. (trans.), A History of the Councils of the Church from the Original Documents, Vol. V (1896)
  • Mann, Horace K., The Lives of the Popes in the Early Middle Ages, Vol. I: The Popes Under the Lombard Rule, Part 2, 657–795 (1903)