Concílio de Tiro

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Três concílios regionais ou sínodos da Igreja Católica foram realizados na cidade de Tiro, no Líbano, e podem ser chamados de Concílio de Tiro. O primeiro, em 335, foi convocado pelo imperador romano Constantino I e tinha por objetivo depor Atanásio de Alexandria. O segundo foi realizado em fevereiro de 449 e tinha como objetivo analisar a causa de Ibas, bispo de Edessa. Finalmente, em 514 ou 515, um terceiro sínodo sob a presidência de Severo de Antioquia foi realizado para tratar do Concílio de Calcedônia[1] .

Primeiro Concílio de Tiro (335)[editar | editar código-fonte]

Santo Atanásio, protagonista no Primeiro Concílio de Tiro

Pano de Fundo[editar | editar código-fonte]

Atanásio foi envolvido nos debates cristológicos e trinitários iniciais do Cristianismo primitivo e apoiava a posição do Primeiro Concílio de Niceia, o que o colocou em confronto com Ário e seus seguidores[2] .

Em 328, Atanásio foi eleito bispo de Alexandria, que também era a cidade onde o Ário era padre. A situação se complicou ainda mais pois Atanásio não tinha ainda alcançado a idade de 30 anos, mínima para os bispos da Igreja[2] .

Após ele ter assumido a sé de Alexandria, ele foi acusado de, entre outras coisas: conduta imoral, taxar ilegalmente o povo egípcio, apoiar rebeldes ao trono imperial e até mesmo de ter assassinado um bispo, guardando sua mão decepada para rituais mágicos. Porém, diretamente ao ponto, Constantino I queria que Atanásio readmitisse Ário na Igreja - algo que ele não fez. Em 334, Atanásio foi convocado perante um sínodo na Cesareia Palestina e não compareceu[2] .

O Sínodo[editar | editar código-fonte]

Ário, fundador do Arianismo

Enquanto um grupo de bispos estava à caminho de Jerusalém para dedicar uma nova igreja (que seria precursora do Santo Sepulcro), Constantino solicitou que eles se reunissem na cidade de Tiro, no Líbano, para considerar o caso contra Atanásio. O imperador também enviou uma carta a Atanásio, deixando claro que se ele não comparecesse voluntariamente, ele seria levado ao sínodo a força[2] .

Eusébio de Cesareia presidiu os trabalhos e aproximadamente 310 membros compareceram, inclusive alguns aliados seus e com as mesmas visões arianas, a exemplo de Eusébio de Nicomédia, Teógnis de Niceia, Maris de Calcedônia, Macedônio de Mopsuestia, Ursácio de Singiduno, Valente de Múrcia, Teodoro de Heracleia, Patrófilo de Citópolis, e outros. Entre os prelados que não se aliaram a nenhum partido estavam Máximo de Jerusalém (ele alega ter sido enganado, segundo Sócrates Escolástico[3] ), Alexandre de Tessalônica, e Marcelo de Ancira. Desta vez, Atanásio compareceu e veio com quarenta e oito bispos egípcios. O sínodo condenou Atanásio, que fugiu para Constantinopla e confrontou o imperador pessoalmente. Além disso, Ário e seus seguidores foram readmitidos[2] .

Resultado do Sínodo[editar | editar código-fonte]

Numa audiência na presença do imperador, Atanásio foi inocentado de todas as acusações, exceto uma: ameaçar cortar o fornecimento de grãos do Egito para Constantinopla. Esta acusação foi suficiente para o imperador exilar Atanásio em Trier (na província romana da Gália)[2] .

Atanásio não retornou de seu exílio até a morte de Constantino, em 337.

O arianismo evidente neste sínodo foi, em última instância, revertido pelo Primeiro Concílio de Constantinopla.

Segundo Concílio de Tiro (449)[editar | editar código-fonte]

O bispo de Edessa, Ibas foi acusado pelos clérigos de sua igreja e absolvido neste concílio. Esta sentença teve graves consequências futuras em Calcedônia e especialmente na Controvérsia dos Três Capítulos durante o Segundo Concílio de Constantinopla em 553.[1] .

Terceiro Concílio de Tiro (514 ou 515)[editar | editar código-fonte]

Sob a presidência de Severo, Patriarca de Antioquia, e de Filoxeno, bispo-metropolitano de Hierápolis, o concílio reuniu bispos de diversas províncias orientais e rejeitou o Concílio de Calcedônia. O Henotikon do imperador Zenão I - que tinha um objetivo conciliador - foi explicado de uma forma claramente oposta ao citado concílio[1] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Wikisource-logo.svg "Tyre" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.
  2. a b c d e f Sozomeno. História Eclesiástica: Council of Tyre; Illegal Deposition of St. Athanasius. (em <código de língua não-reconhecido>). [S.l.: s.n.]. Capítulo 25. vol. II.
  3. Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Eusebius having convened Another Synod at Antioch in Syria, causes a New Creed to be promulgated. (em <código de língua não-reconhecido>). [S.l.: s.n.]. Capítulo 8. vol. II.