Conclave de 1492

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Conclave de 1492
O Papa Alexandre VI
Data e localização
Pessoas-chave
Decano Rodrigo de Borja y Borja[1] [2]
Vice-Decano Oliviero Carafa[2]
Camerlengo Raffaele Riario[2]
Protodiácono Francesco Todeschini-Piccolomini[2]
Eleição
Eleito Papa Alexandre VI
(Rodrigo de Borja y Borja)
Participantes 31
Escrutínios 4
Cronologia
Último
Último
Conclave de 1484
1.º Conclave de 1503
Próximo
Próximo
Brasão papal de Sua Santidade o papa Alexandre VI

O conclave papal de 1492 ocorreu logo após a morte do Papa Inocêncio VIII, no qual foi eleito o Papa Alexandre VI como pontífice. Foi composto por vinte e sete cardeais; dois deles eram cardeais “in pectore”, ou seja, eleitos, mas não proclamados; o conclave os aceitou, como foi feito em outras ocasiões.

Cardeais participantes[editar | editar código-fonte]

Dos 23 cardeais que participaramm no conclave, quatorze tinha sido elevado pelo Papa Sisto IV[3] . Os cardeais de Sisto IV, conhecidos como "Cardeais da Capela Sistina" e liderados por Giuliano della Rovere, haviam controlado o Conclave de 1484, elegendo um dos seus, Giambattista Cibo, como o Papa Inocêncio VIII[4] . Desde 1431, a composição do Colégio Cardinalício foi radicalmente transformada, aumentando o número de cardeais-sobrinhos (3-10), cardeais da coroa (de 2 a 8), e representantes de poderosas famílias nobres romanas (2-4)[5] . Com a exceção de três funcionários da Cúria e um pastor, os cardeais eram "príncipes seculares, em grande parte sem se preocupar com a vida espiritual, quer da Igreja latina ou de seus membros."[5]

Cardeais votantes[editar | editar código-fonte]

Os cardeais presentes no conclave eram todos italianos, exceto pelos cardeais Borja e Costa, ibéricos[1] :

Cardeais ausentes[editar | editar código-fonte]

De um total de 31 cardeais na morte do Papa Inocêncio VIII, quatro estavam ausentes na hora do conclave[1] :

Cardeais "In Pectore"[editar | editar código-fonte]

O Conclave[editar | editar código-fonte]

Foi razoável incluir os nomes dos cardeais eleitores porque em primeiro lugar se depara com uma prova fiel do “nepotismo” por parte dos pontífices anteriores e que muitos desses “príncipes da igreja” pertenciam a várias das famílias poderosas da península itálica que para tanto comprar seus votos fosse muito difícil, já que sua honra era reconhecida e careciam de necessidades econômicas; as riquezas dos Bórgia não eram excessivas pelo qual, por lógica, se descarta a simonia, já que esses cardeais inclusive podiam comprar votos entre eles mesmos.[6]

O dia 6 de agosto foi consumido pela elaboração e subscrição da capitulação em conclave, que, embora não tenha sobrevivido aos nossos dias, é conhecido por ter restringido o número de novos cardeais que poderiam ser criados pelo novo papa[5] .

Entre os mais “papabiles” encontra-se num primero escalão Caraffa, Costa e Ardicino della Porta, assim como logo se falou de Zeno e Piccolomini, entretanto, Giuliano della Rovere era apoiado pela França e Gênova, que teriam 300 mil ducados de ouro depositados em Roma para usá-los em favor de sua eleição como também o rei de Nápoles o apoiava com suas tropas nas portas de Roma. De Borja só se falava como uma remota possibilidade[5] .

Na primeira votação, os mais votados foram Caraffa e Costa; na segunda, esta tendência mudou para della Rovere e Ascanio Sforza, este último apoiado por Borja, mas devido a seu irmão Ludovico Sforza ter grandes ambições para com a “Cidade Eterna”, Sforza decidiu dar seu apoio ao vice-chanceler que finalmente o acompanhou, não obstante se Sforza não podia ser eleito com o apoio de Borja, dificilmente este último podia ser eleito com o apoio de Sforza.

As principais razões para que Borja não fosse eleito eram, em primeiro lugar, sua nacionalidade espanhola e no conclave, além dele, o único estrangeiro era o purpurado português Jorge da Costa, que já era considerado “papabile”. Além disso, Borja era considerado inimigo por França, Nápoles, Veneza e Florença, devido a sua supremacia na Igreja que não era agradável para os Príncipes Temporais[5] . Por exemplo, se o fraco Papa Inocêncio VIII pode causar terríveis males ao rei de Nápoles, então o inimigo Borja era de se temer ainda mais.

Devido a essas razões, o vice-chanceler não conseguiu sequer apresentar seu nome, já que os outros dois cardeais espanhóis não se encontravam no conclave. Supostamente, alguns consideram simoníaca a eleição, não obstante se assim tivesse sido, o cardeal della Rovere teria sido eleito pelo apoio dos grandes Estados mais ricos que qualquer outro indivíduo.

O conclave finalmente elegeu por unanimidade [Um conclave aprova a eleição quando se obtém os dois terços de todos os eleitores, no caso de Rodrigo Borja o conclave foi com votação oral e quando se obteve os dois terços daqueles que estavam votando, se deu por concluída a eleição, sem importar o resto dos votos ainda não emitidos] ao vice-chanceler, pois os cardeais decidiram que nenhum candidato apoiado por outro Estado podia ser eleito porque Roma ficaria subjugada sob o poder estrangeiro. Também lembraram do Papa Calisto III, acusado de nepotismo porque quase todos os integrantes deste conclave eram criados por ele. Algo necessário era um candidato forte e com conhecimentos nos assuntos da igreja. Além disso, independente do resto dos Estados e nesses aspectos, Borja se encaixava à perfeição. Cabe destacar que entre todos os cardeais, na administração e na força, ele era o melhor, de tal forma que foi eleito em 11 de agosto de 1492, para ser coroado com a “tríplice coroa” no domingo 16 de agosto[7] pelo cardeal protodiácono Francesco Todeschini-Piccolomini, adotando o nome de Alexandre VI, não tanto em homenagem a Alexandre Magno, porque não era muito favorável ter um nome com tamanha característica militar, mas também pelo Papa Alexandre III, que obrigou a Frederico Barbarossa a respeitar a Igreja de Roma.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c The Cardinals of the Holy Roman Church (em inglês)
  2. a b c d GCatholic (em inglês)
  3. Pastor, Ludwig. 1906. The History of Popes. K. Paul, Trench, Trübner & Co., Ltd. p. 416.
  4. Signorotto, Gianvittorio, and Visceglia, Maria Antonietta. 2002. Court and Politics in Papal Rome, 1492-1700. Cambridge University Press. ISBN 0521641462. p. 17.
  5. a b c d e Burke-Young, Francis A. 1998. "The Cardinals of the Holy Roman Church: Papal elections in the Fifteenth Century: The election of Pope Alexander VI (1492)." Retrieved on August 28, 2009.
  6. FERRARA, Orestes: “El Papa Borgia”, Colección “La Nave”, Madrid, 1948.
  7. BERENCE, Fred: “Lucrecia Borgia” (Segunda Edición), Losada S.A., Buenos Aires, 1942.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FUSERO, Clemente: “César Borgia”, Editorial Planeta, Barcelona, 1967.
  • Baumgartner, Frederic J. 2003. Behind Locked Doors: A History of the Papal Elections. Palgrave Macmillan. ISBN 0-312-29463-8.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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