Conflito na Macedônia de 2001

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Conflito na Macedônia de 2001
Parte da(o) Guerras iugoslavas
2001 Macedonia insurgency.svg
Mapa da zona do conflito
Data Janeiro de 2001novembro de 2001
Local Região de Polog na República da Macedônia, perto da fronteira com Albânia e Kosovo.
Desfecho Assinatura do Acordo de Ohrid,
cessar-fogo estabelecido,
militantes albaneses desarmados, em troca de maiores direitos étnicos.
Combatentes
Uck Nla logo.svg ELN Flag of Macedonia.svg República da Macedônia
Apoiado por:
Reino Unido Reino Unido
Principais líderes
Uck Nla logo.svg Ali Ahmeti
Uck Nla logo.svg Samidin Xhezairi
Uck Nla logo.svg Ahmet Krasniqi
Uck Nla logo.svg Rrahim Beqiri
Flag of Macedonia.svg Boris Trajkovski
Flag of Macedonia.svg Ljubčo Georgievski
Flag of Macedonia.svg Ljube Boškoski
Flag of Macedonia.svg Vlado Bučkovski
Forças
Uck Nla logo.svg 2.000[1] -5.000 (inicio)[2]
Uck Nla logo.svg 7.000-8.000 (final)[3]
Flag of Macedonia.svg 15.000 soldados[4]
Reino Unido 3.500 soldados[3]
Vítimas
64 mortos
(segundo o governo)
11 mortos
(segundo o ELN)
Militares macedônios:
63 mortos
(segundo o governo)
88 mortos
(segundo o ELN)
Civis macedônios:
70 mortos
Estados Unidos 1 assessor morto
Reino Unido 2 soldados mortos

A insurreição na República da Macedônia ou Conflito na Macedônia de 2001 (janeiro - novembro de 2001) foi um conflito armado que se iniciou quando o grupo militante da etnia albanesa, o Exército de Libertação Nacional (NLA), atacou as forças de segurança da República da Macedônia no início de Janeiro de 2001. O conflito que perdurou durante a maior parte do ano, embora o número de vitimas manteve-se limitado a várias dezenas de ambos os lados, de acordo com as fontes dos dois lados do conflito.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Mapa étnico da Macedônia, representando em laranja as regiões com população majoritariamente Albanesa

Ao ganhar independência da Iugoslávia, a Macedónia foi estabelecida como uma república com o parlamento unicameral, de 120 lugares da Assembleia Nacional e um Presidente eleito popularmente. Contrariamente à maioria das outras antigas repúblicas iugoslavas, conseguiu separar-se da Iugoslávia sem guerras e carnificinas. Nos primeiros sete anos foi governado por ex-socialistas, o que impediu o país de ser arrastado para qualquer tipo de conflito. O governo não pode avançar com as reformas necessárias para a sociedade e a economia.

As tensões étnicas[editar | editar código-fonte]

O novo governo imediatamente confrontou-se com imensos problemas e logo começou a perder popularidade. Escândalos políticos e as dificuldades económicas tiveram um forte impacto sobre o governo, que era considerado pela população como corrupto. Claramente, esta situação teve um forte impacto sobre as relações entre a etnia macedónia (majoritária) e a minoria étnica albanesa, que já eram tensas desde a independência do país, mesmo que não tão ruim como no Kosovo. Os albaneses da Macedónia passaram a exigir maiores direitos culturais e educacionais, bem como a representação no governo, nas forças armadas e policiais.

As tensões étnicas são exacerbadas pela guerra do Kosovo, que causou o influxo de 250.000 albaneses-kosovares que procuram refúgio na República, episódios de violência e a condução das eleições presidenciais de 1999. O Exército de Libertação do Kosovo (UCK) se torna presente na Macedónia, e estabeleceu bases e centros de fornecimento ao longo das fronteiras macedônias, e foram despachando combatentes na República Federal da Iugoslávia para a Guerra do Kosovo. Não demorou muito tempo para alguns albaneses formarem suas próprias milicias armadas: sempre que os chefes do crime organizado sentiam os seus interesses ameaçados poderiam ser encontrados homens armados para atendê-los com armas a preços baixos, que eram generalizados na República após a crise na Albânia em 1996, e a guerra no Kosovo.

Durante a crise no Kosovo, em 1998-1999, os grandes arsenais de armas destinadas ao UCK eram armazenadas em depósitos em aldeias na fronteira da Macedónia e contrabandeados para o Kosovo. O contrabando de combustíveis, narcóticos, tabaco, escravos, e até mesmo chocolate era generalizada e no início políticos macedônios recebiam compensações financeira para não fazer nada contra esses crimes. Esta perigosa combinação de tensões étnicas e crime organizado agora só precisava de uma faísca que provocaria o incêndio.

Início da revolta albanesa[editar | editar código-fonte]

No início de 2001, as autoridades macedónias viram o renascimento no seu território do UCK, uma organização de extremistas albaneses que tinham anteriormente conduzido à guerra contra os sérvios no Kosovo. Este ressurgimento rapidamente foi explicado pela presença de muitos refugiados kosovares na Macedônia, entre os quais estão antigos membros da UCK, que havia sido proibido em seu país de origem. Ativistas do chamado Exército de Libertação Nacional (NLA), UCK-M (ou UCK da Macedónia), em seguida, atacou policiais e militares no norte e roubou suas armas, e também instalações públicas.

Em resposta, o governo macedónio fecha a fronteira com a Albânia para evitar entrada de armas e combatentes. No entanto, em março, três soldados foram mortos por insurgentes albanêses-macedónios perto de Tetovo. Skopje, em seguida, apelou para as Nações Unidas, que condena aqueles que chama de "terroristas".

Amplificação do movimento[editar | editar código-fonte]

Os albaneses continuam a ganhar terreno e assumir o controle de muitas aldeias no norte, onde a minoria albanesa é muito forte. Em Maio, o exército macedônio bombardeia as aldeias, bem como outras posições do NLA-M, mas acaba sendo repelido. O conflito étnico levou a uma crise política que conduziu a um governo de unidade nacional, incorporando dois albaneses. Um conselho composto por dois eslavos e dois albaneses, foi convocado para encontrar um meio para sair da crise. A Organização das Nações Unidas condenou os combates armados estacionados em Aratchinovo, uma aldeia perto de Skopje, que se entrega, então o estado de guerra é declarado na Macedónia.

Para remediar a situação, a União Europeia propõe uma alteração ao estado beligerante dos albaneses, que passaria a ser "segunda nação constitutiva" do Estado da Macedónia. Também promete, caso o conflito cesse, uma concessão de anistia para os guerrilheiros. Ambos os lados então solicitam a intervenção da OTAN e 20 000 albaneses fogem do conflito e aderer ao Kosovo.

Fim do conflito[editar | editar código-fonte]

Em 5 de Julho de 2001 assinou-se um acordo de cessar-fogo entre o UCK-M e o Governo macedónio. Este acordo é regido pelas Nações Unidas e a OTAN e é assinado por Pieter Feith, Enviado Especial da União Europeia, Ali Ahmeti, líder da Albânia, e os chefes da polícia e do exército macedónio. Este último utiliza os homens de zonas rebeldes para recolher armas. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos propõe o envio de 3 000 soldados para pacificar o país. A França e a Alemanha concordam em enviar tropas sob a autoridade geral inglesa.

As conversações, que decorreu em Tetovo, Ohrid são deslocados para longe das zonas rebeldes. Levam em 13 de Agosto para o Acordo de Ohrid, que dá mais direitos à minoria albanesa, e prevê a alteração da Constituição. Combatentes que não iriam para o Tribunal Penal Internacional em Haia são perdoados e a KLA-M deve ser desarmada.

Nos termos do Acordo de Ohrid, o governo macedónio comprometeu-se em melhorar os direitos da população albanesa, que representa pouco mais de 25,3% da população. Estes direitos incluem que a língua albanesa tornaria-se a língua oficial, juntamente com macedônio em todos os municípios com população de, pelo menos, 20% dos albaneses; e o aumento da participação de etnia albanesa em instituições governamentais, na polícia e no exército. Mais importante ainda, ao abrigo do Acordo de Ohrid, o governo macedónio concorda para um novo modelo de descentralização.

O lado albanês concordou em desistir de qualquer exigência separatistas e reconhecer plenamente a todas as instituições macedônias. Além disso, de acordo com este acordo, a NLA teve que se desarmar e entregar as suas armas para a OTAN.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Uppsala conflict data expansion. Non-state actor information. Codebook pp. 365
  2. "How many groups, how many guns?", The Economist, 25 de agosto 2001.
  3. a b The three Yugoslavias: state-building and legitimation, 1918-2005, Sabrina P. Ramet, pp. 580-581, Indiana University Press, 2006.
  4. Mazedonische Armee kämpft jetzt an zwei Fronten gegen die Rebellen - Nachrichten DIE WELT - WELT ONLINE 7 de junio de 2001.