Insurgência Islâmica na Nigéria

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Insurgência Islâmica na Nigéria
Nigeriamap.png
Mapa da Nigéria.
Período 1999 – presente
Local Norte da Nigéria
Resultado Em andamento
  • Militantes islâmicos lutam para estabelecer um Estado Islâmico no norte da Nigéria;
  • Conflito sectário e religioso;
Participantes do conflito
Nigéria

Apoio:
 Estados Unidos[1]

Flag of Jihad.svg Boko Haram
Flag of Ansaru.svg Ansaru
Líderes
Nigéria Goodluck Jonathan
Nigéria Ibrahim Geidam
Nigéria Ali Modu Sheriff
Nigéria Isa Yuguda
Flag of Jihad.svg Mohammed Yusuf
Flag of Jihad.svg Abubakar Shekau
Flag of Jihad.svg Mallam Sanni Umaru[2]
Flag of Ansaru.svg Abu Usmatul al-Ansari
Flag of Ansaru.svg Abu Jafa'ar
Baixas
+15 000 mortos[3] [4] [5]

Centenas de milhares de civis desalojados[6]

A Insurgência Islâmica na Nigéria (também chamada violência sectária na Nigéria ou violência inter-religiosa na Nigéria) é um conflito armado de grupos militantes, representantes de diferentes grupos religiosos e o governo da Nigéria. Trata-se de um fenômeno social recente que contrapõe o fanatismo islâmico e o governo central nigeriano, o primeiro para a inclusão da "sharia" em todos os estados da Nigéria e de maioria não-muçulmana e o segundo pela luta contra o que consideram "avanço avassalador da violência anti-cristã".[7]

Segundo alguns relatos, a violência teria matado mais de 15 mil pessoas [8] , e vários milhares deslocados pela devastação em cidades devidos a confrontos e tumultos.[9]

De acordo com um estudo sobre a demografia e a religião na Nigéria, os muçulmanos formam 50,5% da população. Eles vivem principalmente no norte do país. A maioria dos muçulmanos da Nigéria são sunitas. Os cristãos são o segundo maior grupo religioso e compõem 48,2% da população. Eles predominam no centro e no sul do país, enquanto seguidores de outras religiões constituem 1,4% .[10]

Como muçulmanos formam estritamente a maioria da população, muitos deles procuram introduzir a Sharia - lei islâmica - como principal fonte de legislação. Os 12 estados do Norte introduziram a sharia como base do executivo e do judiciário, nos anos 1999 e 2000. Nos últimos anos, o conflito sectário tem se intensificado.

Um grupo que vem ganhando destaque é o Boko Haram que já tomou mais de vinte cidades no nordeste nigeriano, sobretudo nos estados de Yobe e Borno e nas proximidades da fronteira com o norte de Camarões. O grupo extremista islâmico vem cometendo atrocidades contra cristãos, sequestram meninas e mulheres, estupram, praticam comércio de seres humanos e realizam saques.

As descrições dos refugiados sobre as condições em Bama no início de setembro, contradizem as alegações das forças armadas nigerianas. Os militares dizem que tropas apoiadas por helicópteros armados arrancaram a cidade e Bama do controle dos extremistas. Moradores que fugiram de Bama para a cidade mais próxima de Maiduguri no início de setembro de 2014, dizem que o esforço governamental não é suficiente para expulsar os insurgentes do Boko Haram de algumas cidades, testemunhas e relatórios de agências independentes afirmam que os extremistas circulam livremente nas estradas do nordeste da Nigéria. De acordo com Agência Nacional de Gestão de Emergência do Governo só em setembro eram mais de 12.000 refugiados de Bama [11] . Dezenas de pequenas cidades e aldeias foram dominadas pelos terroristas em todo estado de Borno. O governo da Nigéria tem respondido ao grupo com uma campanha de bombardeios e comprando novos equipamentos para Força Aérea. A legislação da Nigéria está atualmente considerando um empréstimo de US$ 1 bilhão para os militares [11] . Alguns dos combatentes do grupo estão acampados em prédios do governo, delegacias de polícia e prisões, mas boa parte deles vive e atua em cidades e territórios conquistados. Jacob Zenn um analista político africano alertou que as estratégias da força aérea não estão funcionando e que os extremistas podem ir para a selva se esconder dos ataques e depois voltar [11] .

Um relatório da Chatham House (Instituto Real de Assuntos Internacionais), aponta que os soldados no nordeste estão sofrendo de mau funcionamento de equipamentos, moral baixa, deserções e motins. Apesar do grande aumento de gastos do governo com o exército, pouca parte desse apoio encontrou seu caminho para as linhas de frente já que muitas das tropas que lutam contra a Boko Haram foram pagas com atraso, e por vezes, alguns soldados não receberam. [12]

Uma matéria do The Washington Post alega que o governo está perdendo o controle do nordeste do país e não se empenha tanto em combater o grupo [13] .

O Boko Haram tem erguido bandeiras sobre as cidades que invadiu, forçando qualquer morador a seguir sua versão estrita da sharia [14] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Gryboski, Michael. US Offers to Help Find Over 200 Nigerian Schoolgirls Abducted by Boko Haram Christian Post. Visitado em 3 de maio de 2014.
  2. Nigeria: Boko Haram Resurrects, Declares TotalJihad allAfrica.
  3. Isaacs, Dan. "Analysis: Behind Nigeria's violence", BBC News, 5 de maio de 2004.
  4. AFP: Curfew relaxed in Nigeria's violence-wracked city: army. Página acessada em 6 de maio de 2014.
  5. "'Hundreds dead' in Nigeria attack", BBC News, 8 de março de 2010.
  6. "Attack on Nigerian town kills more than 200", CNN, 8 de março de 2010.
  7. Ismene Zarifis (2002). Human Rights Brief: Rights of Religious Minorities in Nigeria (em inglês) Wcl.american.edu.
  8. Título não preenchido, favor adicionar (em inglês) BBC News. Visitado em 6 de maio de 2014.
  9. [1] (em inglês) CNN.
  10. [2] Pewforum.org.
  11. a b c Boko Haram Extends Control Over Northeast Nigerian City The Wall Street Journal.
  12. [http://www.chathamhouse.org/sites/files/chathamhouse/field/field_document/20140901BokoHaramPerousedeMontclos_0.pdf Chatham House: Nigeria’s Interminable Insurgency?] Chatham House. Visitado em 28 de novembro de 2014.
  13. Nigeria losing control of northeast to Boko Haram The Washington Post.
  14. The other caliphate The Economist. Visitado em 28 de novembro de 2014.