Conservatório Dramático e Musical de São Paulo

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Fachada do conservatório na Avenida São João.

O Conservatório Dramático e Musical de São Paulo (CDMSP) foi uma escola superior de música erudita, localizada no centro da cidade São Paulo, que oferecia bacharelado em música com as seguintes habilitações: canto, composição, regência e instrumento.

Ele surgiu da necessidade premente de São Paulo, que crescia no auge da Era do Café, de abrigar um estabelecimento que desse sólida formação musical na própria cidade. Foi fundado em 15 de fevereiro de 1906 por Pedro Augusto Gomes Cardim e João Gomes de Araujo, mas as atividades se iniciaram somente em 25 de abril daquele ano.

Em 1909, o conservatório, que então funcionava em uma casa alugada da Marquesa de Santos na rua Brigadeiro Tobias e esquina com a rua Santa Efigênia, mudou-se para o prédio da Avenida São João.

A instituição foi conhecida pela impressionante biblioteca musical e por ter entre seus ex-alunos músicos ilustres como Francisco Mignone, o musicólogo e escritor Mário de Andrade (que também foi professor da escola) e a musicóloga, poetisa e folclorista Oneyda Paoliello Alvarenga, patrona da discoteca do Centro Cultural São Paulo - a "Discoteca Oneyda Alvarenga".

Entre os professores ilustres estavam o magistrado e fundador da Academia Paulista de Letras, Wenceslau de Queiroz, os compositores Camargo Guarnieri, Francisco Mignone e Fructuoso Vianna.

Foi a partir da década de 40 que a instituição começou a entrar em declínio, quando um interventor nomeado pelo presidente Getúlio Vargas expulsou todos os professores italianos e alemães. Ele acreditava que o conservatório formava uma célula fascista.

No começo dos anos 50 o edifício do conservatório já estava deteriorado e os professores eram mal pagos. Nesta época Camargo Guarnieri foi recontratado (agora como diretor da escola), mas permaneceu apenas dez meses na função, pois não consegui lidar com a burocracia e a estrutura engessada da instituição.

Entre 1981 e 1983 foi construído um prédio anexo com acesso pela Rua Conselheiro Crispiniano. Nesta época já se falava sobre uma restauração do prédio deteriorado, mas a obra nunca saiu do papel.

Em 2006, ano do centenário da instituição, o então prefeito da cidade de São Paulo, José Serra, determinou a desapropriação do local para a construção da Praça das Artes. Para tanto, a administração do município depositou 4 milhões de reais em juízo pelo edifício do conservatório e 170 mil reais pelo acervo, que foi doado à Biblioteca Municipal Mário de Andrade e ao Centro Cultural São Paulo. Entretanto o conservatório não conseguiu receber a indenização, pois para isto devia quitar os quase 700 mil reais de dívidas de IPTU e taxa de lixo. Somente com a certidão negativa de débitos o conservatório poderia ter acesso ao dinheiro.

A instituição tentou brigar na justiça para anular os decretos, mas perdeu para a prefeitura e em 2008 a desapropriação foi concluída. O conservatório, sem edifício próprio, passou a funcionar em locais emprestados e com instrumentos de terceiros, além de não contar mais com o acervo de sua biblioteca.

O prédio tombado foi restaurado e entregue em 2012 com a inauguração da primeira fase da Praça das Artes. Atualmente é sede da Escola Municipal de Música de São Paulo.

Mesmo com as administrações que o levaram ao declínio, a instituição sempre gozou de grande prestígio, sendo considerado um dos melhores conservatórios do país.

Atualmente o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo sofre intervenção do Ministério Público das Fundações e é representado por seu administrador judicial Dr. Enio Ricardo Moreira Arantes.

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