Constança Manuel

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Constança Manuel (c. 1318 - 13 de Novembro de 1345) foi uma nobre castelhana, rainha de Leão e Castela, consorte do infante D. Pedro de Portugal e mãe do rei D. Fernando de Portugal.

Filha de Constança de Aragão, era neta materna de Branca de Anjou, princesa de Nápoles e de Jaime II de Aragão. O seu pai, D. João Manuel de Castela, príncipe de Vilhena e Escalona, duque de Peñafiel, tutor de Afonso XI de Castela, «poderoso e esforçado magnate de Castela»,[1] era neto do rei Fernando III de Castela.

Com apenas cerca de 7 anos e depois de ter «enviuvado» de um compromisso anterior, D. João Manuel casou Constança com o seu pupilo Afonso XI de Castela, que na época contava com 14 anos de idade e acabara de entrar na maioridade. Ratificada pelas cortes em Valladolid, a 28 de Março de 1325, a união não seria consumada. Interessado numa aliança com a coroa portuguesa, Afonso repudiou-a e prendeu-a no Castelo de Toro, desfazendo completamente o projecto em 1327 e casando-se no ano seguinte com Maria de Portugal, filha de D. Afonso IV.

Foi combinado assim novo casamento com o infante D. Pedro, irmão de Maria de Portugal e seu primo afastado (a mãe de Pedro, Beatriz de Castela, era bisneta de Fernando III de Castela). D. João Manuel tinha «um ensejo de compensar o procedimento do seu soberano»,[1] no matrimónio da filha com o infante português.

O rei castelhano teria disfarçado seu descontentamento e consentiu o casamento por procuração, mas não permitiu que Constança saísse de Castela. A cerimónia teve lugar no Convento de São Francisco em Évora, a 6 de Fevereiro de 1336. Estavam presentes o infante D. Pedro e os seus pais e, por parte de Constança, Fernão e Lopo Garcia. O dote da noiva, quantia de vulto, foi ajustado em 300 mil dobras.

A resolução de reter Constança deu origem a um conflito entre os dois reinos que, no contexto da Reconquista de então, seria aproveitado pelos inimigos mouros. Percebendo a situação, Afonso IV de Portugal e Afonso XI de Leão e Castela negociaram e assinariam uma paz em Sevilha, em Julho de 1340.

O casamento com a presença dos dois noivos foi então celebrado em Lisboa, a 24 de Agosto de 1339. As rainhas de Portugal contaram, desde cedo, com os rendimentos de bens adquiridos, na maioria, por doação. D. Constança recebeu como dote as vilas de Montemor-o-Novo, Alenquer e Viseu.

No séquito de aias de Constaça vinha Inês de Castro, jovem galega, filha natural do poderoso fidalgo Pedro Fernandes de Castro. Por ela, o príncipe, «homem arrebatado, brutal e com seu quê de vesânico»,[1] se apaixonaria.

O romance de Pedro e Inês tinha implicações políticas: a influência que os irmãos desta, Álvaro Pires de Castro e Fernando de Castro, passaram a ter sobre o infante. Quando nasceu Luís de Portugal, primeiro varão de D. Pedro, Constança convidou Inês para ser a madrinha. De acordo com os preceitos da Igreja Católica de então, a relação entre os padrinhos e os pais do baptisando era de parentesco moral, e o seu amor seria quase incestuoso.

Mas Luís morreria em uma semana, o que fez aumentar as desconfianças em relação a Inês de Castro. O romance adúltero continuaria, vivido às claras, até que D. Afonso IV exilou a nobre galega em Alburquerque, na fronteira espanhola, em 1344.

No ano seguinte, a 13 de Novembro de 1345, a jovem Constança faleceu, de desgosto com a traição do marido, segundo o imaginário popular. Tinha dado à luz o débil infante Fernando de Portugal a 31 de Outubro, pelo que se pode pensar em complicações pós-parto. Não chegaria a ver o seu marido subir ao trono português.

[editar] Casamentos e descendência

O seu primeiro matrimónio (Valladolid, 28 de Março de 1325 - anulado em 1327) com Afonso XI de Castela não foi consumado, não gerando descendência.

Casou-se em segundas núpcias com o infante D. Pedro de Portugal em 24 de Agosto de 1339. Deste, nasceram:

Referências

  1. a b c Nobreza de Portugal, Tomo I, página 207
Precedido por
Constança de Portugal
Armas do reino de Leão e Castela
Rainha consorte de Leão e Castela

13251327
Sucedido por
Maria de Portugal
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