Conurbação

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A Região Metropolitana de São Paulo (Grande São Paulo), aqui vista atavés de uma imagem de satélite, é um exemplo de grande conurbação que continua a ocorrer entre seus 39 municípios.
A Região Metropolitana de São Paulo (Grande São Paulo), aqui vista atavés de uma imagem de satélite, é um exemplo de grande conurbação que continua a ocorrer entre seus 39 municípios.

Conurbação (do lat. urbis, cidade) é a unificação da malha urbana de duas ou mais cidades, em conseqüência de seu crescimento geográfico[1]. Geralmente esse processo dá origem à formação de regiões metropolitanas. Contudo, o surgimento de uma região metropolitana não é necessariamente vinculado ao processo de conurbação.

Índice

[editar] Características

Mapa do condado de Grande Manchester, no Reino Unido. Em vermelho, a conurbação ocorrida a partir da cidade de Manchester.
Mapa do condado de Grande Manchester, no Reino Unido. Em vermelho, a conurbação ocorrida a partir da cidade de Manchester.

O processo de conurbação é caracterizado por um crescimento que expande a cidade, prolongando-a para fora de seu perímetro absorvendo aglomerados rurais e outras cidades. Estas, até então com vida política e administrativa autônoma, acabam comportando-se como parte integrante da metrópole. Com a expansão e a integração, desaparecem os limites físicos entre os diferentes núcleos urbanos. Ocorre então uma dicotomia entre o espaço edificado e a estrutura político-administrativa[2].

Como uma importante característica, deve-se considerar a demanda de espaço na cidade. Todas as cidades do mundo, de modo geral, são constantemente pressionadas pela demanda de espaço. Isto acaba forçando tanto a incorporação de novos territórios como o adensamento dos já ocupados. Assim, as cidades tendem a crescer, ampliando sua periferia no sentido horizontal e verticalizando as áreas centrais. Quando esse crescimento não é controlado, como acontece com as metrópoles do Terceiro Mundo, o gigantismo deteriora as habitações, torna precários os serviços urbanos, desde os transportes até a segurança, e gera outros problemas[2].

Conurbação de Randstad, nos Países Baixos. Esta se estende de Amsterdam a Roterdam.
Conurbação de Randstad, nos Países Baixos. Esta se estende de Amsterdam a Roterdam.

Os países capitalistas desenvolvidos foram os primeiros a apresentar esse tipo de espacialização do fenômeno urbano. Londres, Nova Iorque, Paris, Tóquio, mesmo antes da Segunda Guerra Mundial, já apresentavam intensos processos de conurbação[2].

Principalmente após os anos 50, quando se verificou a grande industrialização do Brasil, o rápido crescimento ocorrido com as cidades brasileiras gerou um "envelhecimento" dos antigos centros, dada a grande demanda de serviços mais modernos e mais compatíveis com a nova industrialização. Isto acabou significando uma expansão desses centros, que buscavam novas áreas para crescer. Assim, a configuração dessas conurbações então consolidou-se[2].

Conurbação do Vale do Ruhr, na Alemanha. As principais cidades conurbadas são Bochum, Dortmund, Duisburg e Essen.
Conurbação do Vale do Ruhr, na Alemanha. As principais cidades conurbadas são Bochum, Dortmund, Duisburg e Essen.

Há casos curiosos de conurbações que se desenvolveram junto às linhas de fronteira de diferentes países. É caso das cidades de Santana do Livramento, no estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, e Rivera, sede do departamento de mesmo nome, no Uruguai. O conjunto urbano das duas cidades, denominado tradicionalmente de "Fronteira da Paz", tem mais de 170.000 habitantes que vivem de forma integrada. É comum, por exemplo, usar o sistema de educação ou de saúde pública de uma ou da outra cidade. O comércio tem especialidades que levam o consumidor a procurar lojas no Brasil ou no Uruguai além de serem muito freqüentes os casamentos "mistos" (entre cidadãos dos dois países). A divisão entre as duas cidades é feita por linhas imaginárias traçadas ao longo da malha viária e se estende por muitos quilômetros. Por isso, muitas vezes é difícil para um turista perceber que uma calçada de determinada rua se encontra em um país enquanto que a calçada em frente está no outro.[3]

Outro caso do gênero é a conurbação entre as cidades de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e Ponta Porã, no estado de Mato Grosso do Sul, separadas apenas por uma avenida. Também vale ser mencionada a conurbação existente entre as cidades de Letícia, na Colômbia, e Tabatinga, no estado do Amazonas, separadas por uma avenida chamada de "Avenida da Amizade".

[editar] Fluxo Pendular

Nas cidades em processo de conurbação é comum a ocorrência do chamado fluxo pendular. O fluxo pendular é o fluxo de passageiros (em veículos particulares ou transporte público) atravessando mais de uma cidade com dois picos de maior intensidade, normalmente no período da manhã e no final da tarde. Geralmente, o sentido desse fluxo no final da tarde dirige-se às chamadas cidades dormitórios.

[editar] Ver também

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Referências

  1. Grande Enciclopédia Larousse Cultural; São Paulo: Nova Cultural, 1998. p. 1601. v. 7. ISBN 85-130-0761-7
  2. 2,0 2,1 2,2 2,3 ROSS, Jurandyr. Geografia do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005. 5. ed. ISBN 85-314-0242-5
  3. Silvia Etel Gutiérrez Bottaro. El fenómeno del bilingüismo en la comunidad fronteriza uruguayo-brasileña de Rivera. Página visitada em 25 de novembro de 2007.
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