Coronel João Sá

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Município de Coronel João Sá
Bandeira desconhecida
Brasão desconhecido
Bandeira desconhecida Brasão desconhecido
Hino
Aniversário 28 de julho
Fundação 28 de julho de 1962 (52 anos)
Gentílico coronel joão sáense
Prefeito(a) José Romualdo Souza Costa (PSD)
(2013–2016)
Localização
Localização de Coronel João Sá
Localização de Coronel João Sá na Bahia
Coronel João Sá está localizado em: Brasil
Coronel João Sá
Localização de Coronel João Sá no Brasil
10° 17' 02" S 37° 55' 33" O10° 17' 02" S 37° 55' 33" O
Unidade federativa  Bahia
Mesorregião Nordeste Baiano IBGE/2008 [1]
Microrregião Jeremoabo IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Pedro Alexandre, Jeremoabo, Sítio do Quinto, Adustina e Paripiranga em território baiano. Carira e Pinhão em território sergipano
Distância até a capital 415 km
Características geográficas
Área 825,767 km² [2]
População 17 066 hab. IBGE/2010[3]
Densidade 20,67 hab./km²
Clima semi-arido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,535 baixo PNUD/2010 [4]
PIB R$ 55 559,427 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 2 996,73 IBGE/2008[5]
Página oficial

Coronel João Sá é um município brasileiro do estado da Bahia. Sua população estimada em 2004 era de 20.964 habitantes.


História[editar | editar código-fonte]

O território que corresponde atualmente ao município de Coronel João Sá, assim como a grande maioria dos municípios brasileiros, era habitado por índios antes do Descobrimento. Com a chegada e dispersão dos portugueses, esses povos foram praticamente dizimados. Atualmente, praticamente não existem nativos em Coronel João Sá, mas algumas fontes podem comprovar esta existência, como a lenda da mãe Carira, o nome Iguaba que foi denominado a este município em um segundo momento, que é de origem indígena, e a pintura rupestre contida na Pedra da Igreja.

Com a divisão do Brasil em Capitanias-Hereditárias, o território que corresponde hoje ao município de Coronel João Sá estava inserido na Capitania de Pernambuco, uma das únicas que prosperaram devido o plantio de cana-de-açúcar, mas o povoamento a principio limitou-se ao litoral. Com a doação de sesmarias, essas terras seriam inseridas na sesmaria de Garcia D'Ávila, homem que exerceu notável influência no desbravamento do nordeste baiano, capturando índios e fundando currais para criação de gado.

Inicialmente, a criação de gado desenvolveu-se no litoral e nas áreas de agricultura da cana. Mas, com o grande aumento do rebanho, chegou um certo momento em que, devido às constantes invasões do gado nos canaviais para comer as mudas ou a própria cana, tornou-se impossível manter a criação no litoral ou na mesma área de cultivo da cana. Foi quando então, em 1701, o próprio governo português, muito interessado no desenvolvimento da agroindústria da cana-de-açúcar, pois esta lhe fornecia bons lucros, adotou uma medida para tentar resolver a situação. Proibiu a criação de gado nas áreas de agricultura de cana no litoral. A expansão da criação de gado para o interior do Nordeste se deu a partir de três lugares: Olinda e Recife, em Pernambuco, e Salvador, na Bahia. Com isso, a criação de gado deslocou-se para o Agreste. Posteriormente, com a expansão e o desenvolvimento da policultura no Agreste, a criação de gado deslocou-se ainda mais para o interior do Nordeste, atingindo o Sertão e o vale do Rio São Francisco, que foi a região que ofereceu as melhores condições naturais para a expansão do gado. A criação de gado desenvolveu-se aí de tal maneira que o Rio São Francisco passou a ser chamado de "rio dos currais". A criação de gado foi responsável pelo povoamento do interior do Brasil, funcionando como um excelente instrumento de expansão e colonização do interior do Brasil. Com ela surgiram muitas feiras e povoados, que posteriormente deram origem a cidades, como por exemplo Feira de Santana, na Bahia. Foi nesse contexto da expansão da bovinocultura no sertão que surgiu o município de Coronel João Sá, a princípio conhecido por Bebedouro.

Seu povoamento iniciou-se em meados do século XVIII, em consequência do gado que vinha do litoral sergipano. Como no primórdio da colonização não haviam estradas, os rios eram um guia, e por ser uma região árida e seca, surgiu um arraial denominado Bebedouro em virtude da existência de um poço. Com a frequente passagem de diversas boiadas, Bebedouro foi crescendo, uma das primeiras famílias que formaram Bebedouro foi a família de Chiquinho do Rio do Peixe, a primeira casa de tijolos foi construída em 1912 pelo Sr. José Frutuoso dos Anjos, esta casa encontra-se na praça Santo Antônio. José Frutuoso dos Anjos também foi responsável pela construção do cemitério e reforma da igreja, com a quantia de 100$00 (cem mil réis), dinheiro doado por Lampião. A imagem de Santo Antônio chegou ao povoado no dia 18 de janeiro de 1901, começando a devoção ao Santo. Bebedouro seria reconhecido como povoado em 1927. A principio este povoado e a região vizinha eram dentro do estado de Sergipe esse problema foi resolvido com o estado de Sergipe com um convênio assinado em 28 de outubro de 1921. A linha divisória parte do rio Xingó, descendo então até a confluência com Vaza-Barris.

Esse povoado foi foco da atenção de diversas pessoas que resolviam passar pela aquela localidade, entre essas pessoas destacamos Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião e seu bando como Corisco, Zé Sereno, Moita Braba, Balão etc, que por muitas vezes se estabeleceram em Bebedouro, tinha o Coronel João Sá como "coiteiro" na região de Jeremoabo, e o barbeiro, o senhor Ozeias. Lampião chegou neste povoado em 1° de maio de 1929, hospedando-se na casa do capitão Augusto Pinheiro. Lampião aterrorizou os habitantes e recrutou diversos homens para o seu bando, que fugiram junto com ele. A criação de gado somada ao cultivo de algodão resultou no crescimento daquele povoado com aproximadamente 485 habitantes, que seria elevado a categoria de distrito de Jeremoabo no ano de 1943, pelo capitão Bento Nolasco prefeito de Jeremoabo, com a denominação de Iguaba, palavra de origem indígena que significa "lugar onde se bebe", "bebedouro". Até meados do século passado não se podia falar de Bebedouro ou Iguaba sem falar da subordinação em relação a Jeremoabo, mas esta situação foi mudando, o sentimento de emancipação foi tomando conta daquele distrito, até que em 1962, Iguaba seria elevado a categoria de cidade com o nome de Coronel João Sá [6] .

Lenda da Mãe Carira[editar | editar código-fonte]

Existe um misto de lenda e realidade na história de Mãe Carira. Conta-se que moradores da Barra Larga derrubavam grandes áreas para a plantação de milho. Com isso, os índios eram afastados para longe. A reação dos nativos foi furtar o milho. Os donos das roças faziam tocaias, mas não tinham sucesso, então eles resolveram fazer um acampamento dentro delas. Assim que os índios tentaram invadir para furtar o milho, foram surpreendidos e os mais velhos, entre eles Mãe Carira, foram alcançados pelos cães. Muito ferida, ela ainda conseguiu correr, mas caiu nas proximidades de um pé de Jequiri, ao lado da casa do vaqueiro João Martins. Ele socorreu a velha índia e cuidou dos seus ferimentos. Pouco depois, Mãe Carira morreu, e teria sido enterrada pelo vaqueiro no mesmo lugar onde caiu ferida. Em sua cova, uma grande cruz de madeira foi fixada e os poucos moradores da aldeia de João Martins começaram a chamar o lugar de povoamento Mãe Carira.

Fundação[editar | editar código-fonte]

Quem fundou a cidade de Coronel João Sá foi José de Justino dos Santos, junto com Dr. Carvalho de Sá, então prefeito de Jeremoabo, Francisco Timóteo Dias, entre outras pessoas. A fundação desta cidade foi resultado de um jogo político entre as elites do povoado com as autoridades governamentais de Jeremoabo. O senhor José de Justino dos Santos propôs a João Gonçalves de Carvalho Sá a criação daquela cidade, que receberia o nome de Coronel João Sá, homenageando o pai do prefeito jeremoabense, João Gonçalves de Sá, falecido alguns anos antes. O prefeito de Jeremoabo ficou bastante empolgado com a ideia, e no dia 28 de Julho de 1962 o distrito de Iguaba seria elevado à categoria de município com o titulo de Coronel João Sá, segundo a lei estadual n° 1.762.

Pós-Emancipação[editar | editar código-fonte]

Depois da Emancipação Política a História de Coronel João Sá é marcada por uma sucessão de prefeitos que chega até a atualidade. O primeiro prefeito deste município foi José de Justino dos Santos, que assume o poder e que vai influenciar diretamente a política deste município por quase quatro décadas, chegando a ser prefeito por quatro vezes e indicando seus sucessores. José Justino, no auge de sua carreira política, sempre conseguiu eleger seu sucessor e, principalmente, revezando-se entre as pessoas que apresentava para sucedê-lo na administração do nosso município, foi prefeito por 04 vezes: de 1963 a 1967, 1970 a 1973, 1977 a 1981 e 1989 a 1992, quando teve sua última administração como prefeito deste município. Grande líder político, participou ativamente na construção da história de Coronel João Sá. Os demais prefeitos de Coronel João Sá foram: José Pereira de Andrade de 1967 a 1970; Valdomiro Pereira da Conceição de 1973 a 1976, sendo este o prefeito mais jovem da história da cidade, eleito com apenas 26 anos; Antonio José dos Santos de 1982 a 1988; José Romualdo Souza Costa de 1993 a [[1996]; e José Adelmo dos Santos, filho de Justino, de 1997 a 2000. Esses nomes foram apresentados pelo líder político, José Justino dos Santos, para sucedê-lo na administração do nosso município. Cada prefeito que passou pela nossa história deixou sua contribuição e, principalmente, fez aquilo que estava ao seu alcance na época em que administraram o nosso município, com os recursos dos quais dispunham. Porém, as obras mais importantes, tais como: água encanada, saneamento básico, o ensino médio, dando um salto mais elevado na educação, e um posto médico melhor estruturado, vieram a partir da gestão do prefeito José Romualdo (1993-1996), depois tivemos construção de várias escolas na zona rural e na sede, pavimentação da BA-391 que vai até Lagoa de Dentro, Concurso Público para efetivação dos funcionários municipais, na gestão do então prefeito José Adelmo dos Santos (1997-2000). Em 2000, o atual prefeito José Romualdo se desligou do grupo que dominava a política joãosaense formando um novo grupo e, principalmente, contando com o apoio da população, encabeçou uma campanha que no final foi vitoriosa, tornando-se prefeito e escrevendo um novo capítulo na história local. Em 2004, consolidou sua força na campanha para a reeleição, entrando para a história joãosaense como o primeiro prefeito reeleito, despontando como a mais nova liderança política de Coronel João Sá, sucedendo José Justino. Em 2008, o então prefeito Romualdo apoiou o candidato Carlinhos Sobral, o qual venceu as eleições. Em 2012, o prefeito atual passou a disputar a eleição contra Romualdo, que venceu novamente e é o atual prefeito de Coronel João Sá [7] .


Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Visitado em 24 de agosto de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.
  6. Coronel João Sá: História IBGE. Visitado em 14 dez. 2014.
  7. História Política Portal Coronel João Sá. Visitado em 14 dez. 2014.
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