Corpo de Fuzileiros Navais

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Corpo de Fuzileiros Navais
Brasao Fuzileiros.jpg
Brasão do Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil
País  Brasil
Corporação Marinha do Brasil
Subordinação Forças Armadas do Brasil
Missão Infantaria Naval
Denominação Fuzileiros
Sigla CFN
Criação 1808
Patrono Almirante Sylvio de Camargo
Lema Adsumus
Grito de Guerra Adsumus
Logística
Efetivo 15.000
Insígnias
Estandarte Estandarte fuzileiros navais.gif
Comando
Almirante-de-Esquadra (FN) Fernando Antonio De Siqueira Ribeiro
Sede
Guarnição Rio de Janeiro, Brasil

O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) é uma força integrante da Marinha do Brasil, e a Unidade Militar mais bem equipada das Forças Armadas.

Encontra-se presente em todo o território nacional, tanto no litoral, quanto nas regiões ribeirinhas da Amazônia e do Pantanal, atuando em tempos de paz na segurança das instalações da Marinha e no auxílio a populações carentes através de ações cívico-sociais desenvolvidas regionalmente pelos Distritos Navais. No exterior, zela pela segurança das embaixadas brasileiras na Argélia, Paraguai, Haiti e Bolívia. Participou de todos os conflitos armados da História do Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes: a Brigada Real da Marinha[editar | editar código-fonte]

A Brigada Real da Marinha foi a origem do Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil. Criada em Portugal em 28 de agosto de 1797, por Alvará da rainha D. Maria I, chegou ao Rio de Janeiro, em 7 de março de 1808, acompanhando a família real portuguesa que transmigrava para o Brasil, resguardando-se das ameaças dos exércitos invasores de Napoleão. Dizia o Alvará:

Eu, a Rainha, faço saber aos que este Alvará com força de lei virem, que tendo-me sido presentes os graves inconvenientes, que se seguem, ao meu Real Serviço, e à disciplina da Minha Armada Real, e o aumento de despesa que se experimenta por haver três corpos distintos a bordo das naus e outras embarcações de guerra da Minha Marinha Real, quais são os Soldados Marinheiros: sendo conseqüências necessárias desta organização, em primeiro lugar, a falta da disciplina que dificilmente se pode estabelecer entre os Corpos pertencentes a diversas repartições: em segundo, a falta de ordem, que nascem de serem os Serviços de Infantaria e de Artilharia, muito diferentes no mar do que são em terra: e ser necessário que os Corpos novamente embarcados aprendam novos exercícios a que não estão acostumados. Sou servida mandar criar um Corpo de Artilheiros Marinheiros, de Fuzileiros Marinheiros e de Artífices e Lastradores debaixo da Denominação de Brigada Real da Marinha...

O batismo de fogo dos Fuzileiros Navais ocorreu na expedição à Guiana Francesa (1808/1809), com a tomada de Caiena, cooperando ativamente nos combates travados até a vitória, garantindo para o Brasil o atual estado do Amapá. Nesse mesmo ano, 1809, D. João Rodrigues Sá e Menezes, Conde da Anadia, então Ministro da Marinha, determinou que a Brigada Real da Marinha ocupasse a Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, onde até hoje os Fuzileiros Navais têm seu “Quartel-General”.

Após o retorno do Rei D. João VI para Portugal, um Batalhão da Brigada Real da Marinha permaneceu no Rio de Janeiro. Desde então, os soldados-marinheiros estiveram presentes em todos os episódios importantes da História do Brasil, como nas lutas pela consolidação da Independência, nas campanhas do Prata e em outros conflitos armados em que se empenhou o País. Ao longo dos anos, o Corpo de Fuzileiros Navais recebeu diversas denominações: Batalhão de Artilharia da Marinha do Rio de Janeiro, Corpo de Artilharia da Marinha, Batalhão Naval, Corpo de Infantaria de Marinha, Regimento Naval e finalmente, desde 1932, Corpo de Fuzileiros Navais (CFN).

Durante a Segunda Guerra Mundial, foi instalado um destacamento de Fuzileiros Navais na Ilha da Trindade, para a defesa contra um possível estabelecimento de base de submarinos inimigos e, ainda, foram criadas Companhias Regionais ao longo da costa, que mais tarde se transformaram em Grupamentos de Fuzileiros Navais. Os combatentes anfíbios embarcaram, também, nos principais navios de guerra da Marinha do Brasil (ver: Brasil na Segunda Guerra Mundial). O Brasil, apesar de conviver pacificamente na comunidade internacional, pode vir a ser compelido a envolver-se em conflitos gerados externamente, devido a ameaças ao seu patrimônio e a interesses vitais, bem como em atendimento a compromissos assumidos junto a organismos internacionais, fruto do desejo brasileiro em assumir uma participação ativa no concerto das nações no século XXI. A Marinha do Brasil, parcela das Forças Armadas com a responsabilidade de garantir os interesses brasileiros no mar e em áreas terrestres importantes para o desenvolvimento das campanhas navais, encontra-se estruturada como uma força moderna, de porte compatível com as atuais possibilidades do País, capaz de dissuadir possíveis agressores, favorecendo, assim, a busca de soluções pacíficas das controvérsias. Uma das suas tarefas é a projeção de poder sobre terra. Para tanto, além do bombardeio naval e aeronaval da costa, poderá a Marinha valer-se dos fuzileiros navais para, a partir de operações de desembarque, controlar parcela do litoral que seja de interesse naval. Essas operações, comumente conhecidas como Operações Anfíbias, são consideradas por muitos como sendo as de execução mais complexa dentre todas as operações militares. Atualmente a MB dispõe de tropa profissional apta a executar, com rapidez e eficiência, ações terrestres de caráter naval, as quais lhe confere credibilidade quanto à sua capacidade projeção sobre terra. Na década de 1950, o CFN estruturou-se para emprego operativo como Força de Desembarque, passando a constituir parcela da Marinha destinada às ações e operações terrestres necessárias a uma campanha naval. Mais recentemente, os Fuzileiros Navais, como Observadores Militares da Organização das Nações Unidas (ONU), atuaram em áreas de conflito, como El Salvador, Bósnia, Honduras, Moçambique, Ruanda, Peru e Equador. Em Angola, como Força de Paz, participaram da Missão de Verificação das Nações Unidas (UNAVEM-III) com uma Companhia de Fuzileiros Navais e um Pelotão de Engenharia. Fonte site oficial do Corpo de fuzileiros Navais do Exercito .

O batismo de fogo: a conquista de Caiena[editar | editar código-fonte]

Em represália pela invasão de Portugal continental, o Príncipe-Regente D. João ordenou a Invasão da Guiana Francesa, cuja capital, Caiena, foi conquistada por forças deste destacamento e do Exército Português a 12 de janeiro de 1809. Dois dias depois, a 14, foi hasteada a Bandeira Real Portuguesa, solenizando-se este ato com uma salva de vinte e um tiros de artilharia.

Campanhas históricas[editar | editar código-fonte]

Posteriormente, a unidade esteve envolvida em diversas campanhas, como:

Nesta última, destacou-se em ação na batalha do Riachuelo e no episódio conhecido como passagem de Humaitá.

Quando da proclamação da República brasileira (1889), o Batalhão Naval formou em frente ao Quartel-general do Exército, ao lado das tropas de Deodoro.

A lei nº 1698 de 15 de fevereiro de 1895 criou o Corpo de Infantaria da Marinha, em substituição ao Batalhão Naval. Em 1924 pelo Decreto nº 16.171, de 24 de dezembro, passou a denominar-se Regimento Naval.

A atuação junto à ONU[editar | editar código-fonte]

O CFN tem se destacado na participação em ações humanitárias promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), em teatros de operação tão diversos como El Salvador, Bósnia, Honduras, Moçambique, Ruanda, Angola, Peru, Equador, Timor-Leste, e recentemente, no Haiti (MINUSTAH).

Meios[editar | editar código-fonte]

Para cumprir as suas missões, os fuzileiros são desembarcados de veículos anfíbios ou helicópteros. Para isso contam com o apoio do fogo naval e/ou aeronaval. Uma vez em terra, operam os seus próprios meios, que incluem blindados, artilharia de campanha, artilharia antiaérea, engenharia de combate, comunicações e guerra eletrônica.

Equipamento Origem Tipo Versões Quantidade Observações Imagem
Veículos Blindados
SK-105 Kürassier  Áustria Carro de Combate SK 105A2S
4KH7FA
16
1
Planejado mais 22 para o futuro. SK-105 (6109786571).jpg
M113  Estados Unidos Veículo blindado de transporte de pessoal M113A1
M125A1
M577A1
XM806E1
M113A1G
24
2
2
1
1
Em processo de modernização até o fim de 2013. Planejado mais 42 para o futuro. M-113 (6109781013).jpg
Mowag Piranha Suíça Veículo blindado de transporte de pessoal Piranha IIIC 30 Em processo de entrega.Planejado mais 42 para o futuro (ou VBTP-MR Guarani). Brazilian MOWAG Piranhas.jpg
AAV-7A1  Estados Unidos Veículo blindado de transporte de pessoal AAV-7A1
LVTP-7A1
LVTC-7A1
LVTR-7A1
39
9
2
2
Planejamento para mais 78 (26 AAV-7 para serem atualizados para a versão A1). AAV-7 (6110329642).jpg
Artilharia
ASTROS II  Brasil Sistema de artilharia terra-terra ASTROS FN 6 Uma bateria ordenada,mais duas para o futuro. Avibras ASTROS-II SS-30.JPEG
M114  Estados Unidos obus rebocado M114A1 06 155mm USArmy M114 howitzer.jpg
L118  Reino Unido obus rebocado L118 18 105mm. Provável aquisição de mais 30. Australian gunners Afghanistan March 2009.jpg
Soltam K6  Israel Morteiro K-6A3 6 120mm Mortar firing Iraq.jpg
M29 mortar  Estados Unidos Morteiro M29 A1 100 81mm Mortar M29.jpg
Brandt  França Morteiro Brandt  ? 60mm.
Artilharia Antiaérea
Mistral  França Artilharia antiaérea sistema de lançamento de míssil MBDA 24 Mistral-2.jpg
RBS 70  Suécia Artilharia antiaérea sistema de lançamento de míssil MBDA 12 RBS70.jpg
Bofors 40mm L/70  Suécia Artilharia antiaérea 40 milímetros 6 sendo repotencializados Bofors-40-L70-hatzerim-2-1.jpg
Pantsir-S1  Rússia Artilharia antiaérea S2 0 1 Bateria encomendada. Pantsir-S1 Weapon System with radar antenna.jpg
VANT
Carcara UAV  Brasil VANT 40 100px
Carcara II  Brasil VANT 2
Veículos
Bandvagn 206  Suécia Radar 1 US 5055th Range Squadron M973 SUSV.jpg
Agrale Marruá  Brasil Veículo Utilitário 400+ Marrúa-EJE.jpg
Land Rover Defender  Reino Unido Veículo Utilitário 250 CFN (6109791469).jpg
Toyota Bandeirante  Brasil Veículo Utilitário 270 Toyota Bandeirante IBGE.JPG
Unimog  Alemanha Caminhão 228 Mercedes Benz Unimog Turkey exhibition side.JPG
MBB 1720  Brasil Caminhão 200 Atego Jämillä.jpg
MBB 1725/42  Alemanha Caminhão 122 Uroczystość przekazania WP pierwszej partii niemieckich czołgów Leopard 2 A6.jpg
MBB LAK1418  Alemanha Caminhão  ?
Volvo NL  Suécia Caminhão  ?
Volvo NL12 Brazil.jpg

Equipamento Individual[editar | editar código-fonte]

Equipamento Origem Calibre Capacidade do carregador Observações Imagem
colt 1911 Estados Unidos 45 Carregador de 7+1 ou carregador prolongado de 15+1 Pistola Flickr - ~Steve Z~ - Colt 1911 Mfg. in 1917 (8).jpg
Beretta M12  Itália 9 mm 20, 30 ou 40 Submetralhadora Beretta M12.jpg
Mini Uzi  Israel 9 mm 20, 25, 32, 40, 50 Submetralhadora Uzi 2.jpg
M16A2  Estados Unidos 5.56x45 mm 20,30 Carabina M16a1m16a2m4m16a45wi.jpg
M4A1  Estados Unidos 5.56x45 mm 20,30 Carabina M4-Transparent.png
Parker Hale M85  Reino Unido 7.62x51 mm 10 Fuzil de precisão Parker Hale M85 prickskyttegevär - Armémuseum.jpg
Browning M2  Estados Unidos 12,7 x 99 mm NATO Metralhadora M2-latrun-exhibition-1.jpg
Mk 19  Estados Unidos 40×53 mm Lança-granada US Navy 050627-N-9866B-021 A Marine assigned to the 3rd Amphibious Assault Battalion based at Camp Pendelton, Calif., mans the turrets of his amphibious assault vehicle (AAV).jpg
FN MAG  Bélgica 7.62×51 mm Metralhadora MAG-latrun-exhibition-1.jpg
FN Minimi  Bélgica 5.56x45 mm 100 ou 200 munições Metralhadora M249 FN MINIMI DA-SC-85-11586 c1.jpg
AT-4  Suécia 84 mm Anticarro AT-4 live-fire.jpg
ALAC (Arma Leve Anticarro)  Brasil 84 mm Anticarro ALAC2.JPG
BILL  Suécia 84 mm Míssil anticarro
MSS-1.2  Brasil Míssil anticarro

O Corpo de Fuzileiros Navais hoje[editar | editar código-fonte]

Fuzileiros Navais em treinamento.

Efetivos e missão[editar | editar código-fonte]

Treinado como "Força de Pronta Ação", o CFN conta atualmente com cerca de 15 mil homens, todos voluntários e concursados. Profissionais no combate em terra, mar e ar, a missão do CFN é garantir a projeção do poder naval em terra, por meio de desembarques realizados em conjunto com navios e efetivos da Marinha. No caso do Brasil, essa é uma missão complexa, uma vez que o território do país compreende cerca de 8,5 milhões km², um litoral de mais de 7.400 km com dezenas de ilhas oceânicas, e uma rede hidrográfica navegável de aproximadamente 50.000 km de extensão. Nesta última compreende-se a Amazônia brasileira. Cobrir climas e paisagens naturais tão diversificadas como os pampas do Rio Grande do Sul, o pantanal do Mato Grosso do Sul, a caatinga da região Nordeste e a selva amazônica, exige um treinamento do mais elevado padrão, agilidade e versatilidade. Desta maneira, existem unidades treinadas em técnicas de demolição, ações especiais, paraquedismo, combate em selvas, montanhas e gelo, e ações helitransportadas.

Treinamento[editar | editar código-fonte]

Para estarem aptos a cumprir suas missões, os fuzileiros passam por um rigoroso treinamento físico, normalmente com corridas todos os dias, noites sem dormir, natação, apneia, tiro prático com armamentos diversos, especialmente fuzis, rapel, patrulhas terrestres, patrulhas fluviais, primeiros socorros, sobrevivência na selva, fast rope, adestramento com rádios comunicadores e armadilhas de guerra, além de artes marciais.

Lema[editar | editar código-fonte]

O lema do Corpo de Fuzileiros Navais é "ADSUMUS", expressão em latim que, em língua portuguesa, significa "Aqui estamos!"

Homenagem[editar | editar código-fonte]

Cquote1.svg Quando se houverem acabado os soldados do mundo – quando reinar a paz absoluta – que fiquem pelo menos os Fuzileiros, como exemplo de tudo de belo e fascinante que eles foram. Cquote2.svg

Grupamentos de Fuzileiros Navais[editar | editar código-fonte]

Com exceção do 8º Distrito Naval da Marinha do Brasil, todos os outros tem um Grupamento de Fuzileiros Navais a ele subordinados.[1]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Objetivo[editar | editar código-fonte]

Fazer desembarque de soldados altamente treinados a territórios hostis dominados pelo inimigo, em qualquer parte do mundo, depois de dominado, vem o exército... Se você pretende entrar para o CFN, você tem que ter fibra forte, e muita força de vontade!

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]