Corpolatria

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Corpolatria é o culto exagerado do corpo.

Na idade contemporânea a gordura é um excesso indesejado. Castro (2001. p. 97) reforça esta idéia quando diz que “há um século nos países ocidentais desenvolvidos, os gordos eram amados; hoje, nos mesmos países, amam-se os magros”. Junto com estas mudanças, surge o exagero e suas conseqüências: os transtornos. Exagero este que aos poucos confundiu-se com dedicação e tornou-se aceitável na tarefa de moldar o corpo (ficando mais difícil saber onde termina a vaidade e começa a compulsão). Visando sanar os transtornos causados pelos excessos no culto à beleza foram criados tratamentos psicoterapêuticos preocupados em amenizar os danos e promover o bem-estar do corpo . Para conseguir chegar ao corpo considerado belo, e aumentar a tão cobiçada auto-estima - alicerce do amor próprio - as pessoas pagam “preços altos”, recorrem ao auto-cuidado com o corpo e saúde. O que é um paradoxo, pois ao longo dos séculos o homem busca a liberdade do seu corpo, e quando enfim a “consegue” é vítima do próprio aprisionamento moral. Nesta liberdade vigiada as medidas estão cada vez mais exageradas (para mais ou para menos), o ideal do corpo imbatível é divulgado pela mídia e a busca por práticas teoricamente saudáveis aumenta. Estas práticas muitas vezes são vendidas junto à Educação Física, apoiando-se no discurso de corpo saudável quando na verdade o mercado visa arrecadar numerários, deixando de lado o real conceito de saúde. Tudo isto contribui para o crescimento de um fenômeno chamado “corpolatria”, que expressa a ascensão da idolatria exagerada ao corpo na modernidade. O conflito entre liberdade e aprisionamento que atinge a sociedade de maneira definitiva no século XIX, deixa claro que temos o corpo teoricamente livre, porém subjugado ao padrão comum, assim como coloca Silva (1999, p.25) quando diz que:

O eixo civilizatório eleito no Ocidente gerou a construção de uma expectativa de corpo fundamentada no reforço de um sentimento contraditório que se vê explodir na atualidade: dominar o corpo e, ao mesmo tempo, libertá-lo; subjugá-lo e depender dele para sua “felicidade”; acreditar na superioridade e na independência da mente, mas se submeter aos rituais necessários ao corpo “em forma”.

É importante ressaltar que não vemos os reflexos da corpolatria como fruto da ingenuidade ou completa desinformação, apesar de que isso pode sim ocorrer em alguns casos. Seria contraditório afirmar que os consumidores assimilam padrões de forma passiva, uma vez que o ser humano percebe o mundo à seu modo. Com esta perda de identidade vêm as dietas, consumo de bens e produtos vendidos sem alerta de riscos ou controle, exercícios desassistidos, a própria corpolatria e etc. A corpolatria não é uma tendência ou moda, não é um problema simples, que afeta indivíduos isolados. Ela envolve conseqüências mais complexas, que tocam a sociedade como um todo. A prática da atividade física justificada pela busca da saúde, mas que gera a (re)produção de um corpo bonito, aceito socialmente, parece compor um novo arquétipo da felicidade humana, e para alcançar a felicidade o homem não mede esforços. Sobre esta vertente também buscaremos refletir neste estudo. Os estudos mais relevantes para a discussão da corpolatria foram feitos até agora por filósofos, antropólogos, psicólogos e sociólogos.

Corpolatria é uma espécie de “patologia da modernidade” caracterizada pela preocupação e cuidado extremos com o próprio corpo não exatamente no sentido da saúde (ou presumida falta dela, como no caso da hipocondria) mas particularmente no sentido narcisístico de sua aparência ou embelezamento físico.

Para o corpólatra, a própria imagem refletida no espelho se torna obsedante, incapaz de satisfazer-se com ela, sempre achando que pode e deve aperfeiçoá-la. Sendo assim, a corpolatria se manifesta como exagero no recurso às cirurgias plásticas, gastos excessivos com roupas e tratamentos estéticos, abuso do fisiculturismo (musculação, uso de anabolizantes, etc).

A corpolatria, como fenômeno psico-social, aparentemente está relacionada com as mudanças no campo do trabalho produtivo ocorridas no final do século XX, a saber, desde que a distinção entre produção e reprodução social perdeu nitidez, confundindo-se o tempo vital com o tempo de trabalho. Desde então, em muitas profissões e ocupações a aparência corporal e o vigor físico passaram a ser uma espécie de segunda força produtiva ao lado da força de trabalho propriamente dita, com o tempo livre tendendo a se tornar um segundo turno do trabalho produtivo.

Como fenômeno patológico de saúde coletiva, a corpolatria tende a se agravar tanto mais encontre não só um amplo mercado de produtos e serviços voltados para o culto ao corpo como também seja propalada como uma espécie de emancipação ou de libertação pessoal dos determinantes “repressivos” da produção capitalista.

Temos no You tube um vídeo feito pela Estudante de Educação Física Isabelle Sena Gomes (Referenciada), com o título: Corpolatria - O diabo veste prada; que mostra de forma clara o que é a corpolatria na mídia. É só colocar o seguinte código ( depois da / do nome do site ----> watch?v=rtMgKX8bJC8&feature=mh_lolz&list=LL5sPjYZNpQgmIRWhsbcs41g)

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Cf. Wanderley Codo e Wilson Senne, "O que é Corpolatria" - Col. Primeiros Passos, Ed. Brasiliense, 1985
  • SILVA, A. M. Elementos para compreender a modernidade do corpo numa sociedade racional. Cadernos Cedes. Ano 19, n. 48, p. 7-29, ag. 1999. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32621999000100002 Acesso em: 27 abr. 2010.
  • CASTRO, A.L. Motivação dos freqüentadores de academia. In: Culto ao corpo e sociedade: Mídia, cultura de consumo e estilos de vida. Campinas, 2001. Tese (Doutorado) – Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências humanas, Universidade Estadual de Campinas. p.189.

Disponível em: http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000220593 Acesso em: 13 mar. 2010.

  • GOMES, I.S. A produção do fenômeno da Corpolatria: Implicações para pensarmos os discursos do culto ao corpo e da auto-regulação da saúde na Educação Física.[Monografia- UFPB, Curso Educação Física]. 2010.