Corpus aristotelicum

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou secção não cita nenhuma fonte ou referência, o que compromete sua credibilidade (desde março de 2013).
Por favor, melhore este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto por meio de notas de rodapé. Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirusBing. Veja como referenciar e citar as fontes.
Portal A Wikipédia possui o:
Portal de Filosofia
Manuscrito medieval da Física, de Aristóteles.

Corpus aristotelicum é o nome dado ao conjunto dos escritos do filósofo grego Aristóteles de Estagira. Embora sua produção tenha sido excepcional — Diógenes Laércio atribuiu ao filósofo mais de duzentos títulos — apenas uma parcela deste total conservou-se para a posteridade. Mais especificamente, apenas quarenta e três títulos, entre os certamente autênticos, os provavelmente autênticos, os de autenticidade duvidosa e os espúrios, além de fragmentos de obras perdidas.

Os escritos de Aristóteles dividem-se em dois grupos: os 'exotéricos' e os 'acroamáticos'. As obras exotéricas eram destinadas ao público em geral e, por isso, eram obras de caráter introdutório e geralmente compostas na forma de diálogo. As acroamáticas, por outro lado, eram destinadas apenas aos discípulos do Liceu e compostas na forma de tratados que investigavam com profundidade os temas abordados. Praticamente tudo que se conservou de Aristóteles faz parte das obras acroamáticas; das exotéricas, restaram apenas fragmentos. No conjunto dos textos aristotélicos, apenas a Constituição de Atenas é exotérica.

Até o século I a.C., no entanto, as obras exotéricas eram as mais conhecidas, seja pelo seu caráter acessível e introdutório, seja porque as obras acroamáticas circulavam apenas entre um estreito círculo de filósofos peripatéticos. Além disso, após a morte destes filósofos, as obras acroamáticas ficaram escondidas na casa de um peripatético por quase trezentos anos e isso dificultou enormemente o acesso aos textos acroamáticos. Foi somente por volta do ano de 50 a.C., que estes escritos foram descobertos e posteriormente organizados e publicados por Andrônico de Rodes, décimo escolarca do Liceu. Ocorre, por conseguinte, uma reviravolta: Aristóteles, que até então era considerado apenas mais um discípulo de Platão pelo grande público, passa a rivalizar com o antigo mestre em importância e as obras acroamáticas obscurecem de tal maneira as exotéricas que estas perdem-se quase que totalmente.


Índice

Numeração de Bekker [editar]

Página 184 da edição de Bekker de 1831. Mostra o final dos Elencos sofísticos e o início da Física

A numeração de Bekker é a maneira padrão de citação das obras no Corpus Aristotelicum e estão baseadas na edição da Academia de Ciências da Prússia sob a direção do filólogo clássico Immanuel Bekker. Os dois primeiros volumes dessa edição contém a obra de Aristóteles com numeração contínua e cada página contém duas colunas. A numeração de Bekker está formada por três campos:

1) o número da página;

2) a coluna: "a" se for a primeira coluna, "b" para a segunda;

3) o número da linha.

Por exemplo, a página 184 da edição de Bekker tem o final dos Elencos sofísticos e o início da Física, como aparece na imagem ao lado (veja os números de linha entre as colunas). A coluna "a" dos Elencos termina na linha 9, depois da qual segue a linha 1 da segunda coluna (184b1), terminando essa obra na linha 8 da coluna "b", pelo qual 184b9 não existe. A Física começa na linha 10 da coluna "a", 184a10, mas depois da última linha dessa coluna, 184a26, continua em 184b10, pois 184b1 pertence aos Elencos.

Listagem das obras [editar]

De modo geral, a organização dos escritos aristotélicos por Andrônico de Rodes é seguida até hoje. Os textos que atualmente compõem o corpus aristotelicum são listados abaixo. Os textos assinalados com * indicam que o texto ou é apócrifo (espúrio) ou tem sua autenticidade contestada. Deve-se mencionar, também, que os antigos gregos não tinham o hábito de dar um título específico para seus escritos. Em geral, designavam suas obras com um nome retirado da primeira frase do texto.

Escritos lógicos [editar]

  • (1a) Categorias (Κατηγοριαι, Categoriae);
  • (16a) Da interpretação (Περὶ ερμηνειας, De Interpretatione);
  • (24a) Analíticos anteriores (Αναλυτικων πρότερων, Analytica priora) ou Primeiros analíticos, de acordo com a tradução;
  • (71a) Analíticos posteriores (Αναλυτικων υστερων, Analytica posteriora) ou Segundos analíticos, de acordo com a tradução;
  • (100b) Tópicos (Τοπικων, Topica);
  • (164a) Elencos sofísticos (Περὶ σοφιστικων ελέγχων, Sophistici elenchi) ou Refutações sofísticas, de acordo com a tradução.

Estes primeiros seis textos compõem o Organon (Όργανον), nome pelo qual é chamado o conjunto de escritos lógicos de Aristóteles.

Escritos físicos e científicos [editar]

  • (184a) Física (Φυσικη, Physica);
  • (268a) Do céu (Περὶ ουρανου, De caelo);
  • (314a) Da geração e da corrupção (Περὶ γενεσεως και φθορας, De generatione et corruptione);
  • (338a) Meteorologia (Μετεωρολογικα, Meteorologica);
  • (391a) Do universo (Περὶ κοσμου, De mundo) *;
  • (402a) Da alma (Περὶ ψυχης, De anima);

Parva naturalia

Aristóteles

Escritos metafísicos [editar]

  • (980a) Metafísica (Τὰ μετὰ τὰ φυσικά, Metaphysica)

Escritos éticos [editar]

  • (1094a) Ética a Nicômaco (Ηθικα Νικομαχεια, Ethica Nicomachea);
  • (1181a) Magna moralia (Ηθικα μεγαλα, Magna Moralia) *;
  • (1214a) Ética a Eudemo (Ηθικα Ευδημεια, Ethica Eudemia);
  • (1249a) Das virtudes e vícios (Περὶ αρετων και κακιων, De virtutibus et vitiis libellus) *;
  • (1252a) Política (Πολιτικα, Politica);
  • (1343a) Economia (Οικονομικα, Oeconomica).

Escritos estéticos [editar]

  • (1354a) Retórica (Τέχνη ρητορική, Ars Rhetorica) ou Arte retórica, de acordo com a tradução;
  • Retórica a Alexandre (Ρητορική προς Αλεξανδρον, Rhetorica ad Alexandrum) *;
  • (1447a) Poética (Περὶ ποιητικης, Poetica).

No século XIX, foi descoberta a Constituição de Atenas. Além desta, Aristóteles compilou e analisou a constituição de pelo menos 125 cidades-estado gregas. Todas estas, no entanto, estão atualmente perdidas.

Ligações externas [editar]