Corrente de Benguela

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Correntes frias em azul na zona Sudoeste da costa de África e quentes em vermelho no Este do Brasil

A Corrente de Benguela é uma corrente oceânica larga que se move predominantemente para Norte e se forma na zona Oeste do Atlântico Sul parte do Giro oceânico. A corrente estende-se desde o Sul en:Cape Point na costa oeste da África, até uma posição de frente de corrente Angola-Benguela no Norte, por volta 16°S. Na frente desvia-se para Oeste em direcção a linha do Equador, onde se torna parte da corrente rotativa do Giro oceânico, que eventualmente passa pelas costas do Brasil, até se desviar para esquerda em direcção a linha do Equador, onde se torna parte das correntes equatoriais.

A corrente é formada pelos alísio de Sudeste. Na zona costeira da corrente são os ventos de terra que causam afloramentos, formando o sistema de afloramento da corrente de Benguela. As águas frias e ricas em nutrientes ascendem de profundidades de 200-300 m promovem o desenvolvimento do fitoplâncton que, por sua vez, sustenta o ecossistema produtivo da Benguela.

Fronteiras[editar | editar código-fonte]

As áreas vermelhas mostram áreas de afloramento oceânico. A corrente de Benguela está na zona Sudoeste da costa de África

As fontes das águas das correntes de Benguela incluem águas dos Oceanos Indico e subtropicais do Atlântico Sul; água salgadas e tropical Atlântica de pouco-oxigénio; e água fria do fundo do mar. A corrente de Benguela têm entre 200 a 300 km de largura e alarga na sua viagem para Norte e Noroeste. O flanco do mar no Oeste é pouco definido, com muitas agueiros e derivações temporárias. Mesmo assim existe uma frente termal bem definida entre as águas associadas a corrente de Benguela e as outras do Sudeste Atlântico.

Onde as águas frias da corrente de Benguela se misturam com a Corrente das Agulhas predominantes ao Norte do Cabo da Boa Esperança forma-se um ecossistema muito rico e produtivo assim como zonas de fortes tempestades e turbulências.

Afloramentos e produção primária[editar | editar código-fonte]

As correntes fluem para Norte e sofrem efeito transporte de Ekman na zona de alto mar e afloramento de águas para a zona Zona eufótica. A intensidade do evento de afloramento e determinado pela intensidade do vento.[1] [2] Variações de intensidade do vento causa ondas ou pulsos de afloramento que se propagam para sul ao longo da costa com velocidades de 5 a 8 m/s. As ondas são similares à en:Kelvin wave(em inglês), excepto na escala de 30 a 60 km em vez de 1000 km, e podem propagar-se à volta do cabo conforme os sistemas de vento. Estas ondas ou pulsos de afloramento induzem produção biológica. No sistema de Benguela o crescimento de Fitoplâncton necessita de um período de afloramento seguido por um período de estratificação e águas relativamente calmas. O crescimento de Fitoplâncton normalmente pausa durante um período de 1 a 4 dias e cresce de 4 a 10 dias. Para que o Zooplâncton tenha alimento continuo, o crescimento do Fitoplâncton não deve ocorrer em longos períodos alternados. Pulsos de afloramento no sistema de Benguela têm uma duração de 10 dias, com um período otimo para produção biológica. Está estimado que a nova produção anual no sistema de Benguela e 4.7 × 10^13 gC/ano, fazendo o sistema de Benguela 30 a 65 vezes mais produtivo que uma área unitária que a média global dos oceanos.[3] Enquanto que afloramento promovem a abundante produção primária e secundária nas zonas superiores da coluna de água perto da costa, zonas mais profundas com oxigénio limitado produzem zonas mortas chamadas en:oxygen minimum zones na plataforma continental e no talude continental. A zona mínima de Benguela começa na profundidade de 100m e tem algumas centenas de metros de altura. As bactérias que utilizam enxofre em vez de oxigénio resistem na zona mínima de oxigénio.[4] As espécies de peixes mais abundantes no sistema de Benguela são as Sardinops e Engraulis. Sardinops ocelata (en:pilchard sardinha grande) que foram extensivamente pescados no inicio de 1950s batendo recordes em 1968 com capturas de 1.3 milhões toneladas. Desde essa época as fábricas Sardinops fecharam e as fábricas para processar a espécie Engraulis capensis (anchova) tomaram a laboração.[5]

Niño de Benguela[editar | editar código-fonte]

Similar ao El Niño do Pacifico, uma placa grossa de água quente mas pobre em nutrientes entra na parte norte do sistema de Benguela na costa da Namíbia uma vez por década.[5] Durante o Ninõ, água quente e salina da corrente de Angola move-se para Sul, de 15°S para longe até 25°S. Esta placa de água quente e salina estende-se por 150 km afastado da costa e 50 m profundo. Chuvas intensas, alterações em abundância de peixes, e proximidade temporal ao El Niño do Pacifico foram observadas; mesmo assim, as causas e efeitos do sistema de Benguela não estão bem entendidos.[5] Um estudo recente demonstrou a importância dos ventos locais no desenvolvimento do Ninõ de Benguela nas costas da Namíbia e Angola. Este processo local junto com sinais remotos das regiões equatoriais formam a base do mecanismo de formação em que ambos os processo se podem reforçar.[6]

Referências

  1. Nelson, G.. (1992). "Equatorial wind and atmospheric pressure spectra as metrics for primary productivity in the Benguela system". S. Afr. J. Mar. Sci. 12: 19–28 pp..
  2. Jury, M.R., Brundrit, G.B.. (1992). "Temporal organization of upwelling in the southern Benguela ecosystem by resonant coastal trapped waves in the ocean and atmosphere". S. Afr. J. Mar. Sci. 12: 219–224 pp..
  3. Waldron, H.N., Probyn, T.A.. (1992). "Nitrate supply and potential new production in the Benguela system". S. Afr. J. Mar. Sci. 12: 29–39 pp..
  4. Arntz, W.E., Gallardo, V.A., Gutiérrez, D., Isla, E., Levin, L.A., Mendo, J., Neira, C. Rowe, G.T., Tarazona, J., Wolff, M.. (2006). "El Niño and similar perturbation effects on the benthos of the Humboldt, California, and Benguela Current upwelling ecosystems". Advances in Geosciences 6: 243–265 pp..
  5. a b c Mann, K.H., Lazier, J.R.N. (2006) "Dynamics of Marine Ecosystems: Biological-Physical Interactions in the Oceans." Oxford: Blackwell Publishing Ltd. ISBN 1-45051-1118-6
  6. Ingo Richter, Swadhin K. Behera, Yukio Masumoto, Bunmei Taguchi, Nobumasa Komori, and Toshio Yamagata (2010). On the triggering of Benguela Niños: Remote equatorial versus local influences. Geophysical Research Letters. 37, L20604, doi:10.1029/2010GL044461 (em inglês)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]